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Crise na Reag Investimentos reacende debate sobre segurança dos fundos no Brasil

A resposta, embora técnica, é fundamental para reduzir ruídos, ansiedade e decisões precipitadas em momentos de crise

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A liquidação extrajudicial envolvendo a Reag Investimentos trouxe novamente ao centro do debate uma dúvida recorrente entre investidores brasileiros: o que acontece com os recursos aplicados em fundos quando a gestora ou a administradora enfrenta problemas graves?

A resposta, embora técnica, é fundamental para reduzir ruídos, ansiedade e decisões precipitadas em momentos de crise.

Conforme noticiado, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., instituição ligada ao grupo Reag e responsável pela administração de diversos fundos de investimento.

A medida ocorreu após a identificação de irregularidades relevantes no funcionamento da instituição, no âmbito de investigações em curso.

Apesar da gravidade da decisão, é importante destacar que a liquidação da administradora não implica, automaticamente, perda dos recursos dos cotistas.

O sistema financeiro brasileiro prevê a chamada segregação patrimonial, princípio segundo o qual o patrimônio dos fundos é juridicamente separado do patrimônio da gestora ou da administradora. Em outras palavras, os recursos dos investidores não se confundem com os ativos da instituição em liquidação.

Na prática, isso significa que os valores aplicados nos fundos não podem ser utilizados para pagar dívidas da administradora nem integrar a massa liquidanda.

O BC nomeia um liquidante responsável por conduzir o processo, levantar informações, preservar os ativos e, quando necessário, convocar assembleias de cotistas para deliberar sobre a transferência da administração dos fundos para outra instituição habilitada.

Esse procedimento é comum em situações semelhantes e tem como objetivo assegurar a continuidade da gestão dos fundos, preservar direitos dos investidores e minimizar impactos operacionais.

Ainda assim, o processo pode gerar atrasos, suspensão temporária de resgates e aumento da volatilidade, especialmente em fundos com menor liquidez ou ativos mais complexos.

O episódio também evidencia um ponto sensível do mercado de capitais: a confiança. Embora o arcabouço regulatório ofereça proteção jurídica relevante, crises institucionais afetam a percepção de risco, influenciam decisões de alocação e podem provocar movimentos defensivos por parte dos investidores.

Governança, transparência e qualidade dos controles internos passam a ser tão relevantes quanto rentabilidade passada.

Para os cotistas diretamente afetados, a recomendação é acompanhar atentamente os comunicados oficiais, participar das assembleias quando convocadas e evitar decisões precipitadas baseadas apenas em ruído informacional. Cada fundo possui características próprias de liquidez, estratégia e composição de ativos, o que exige análise individualizada.

Mais do que um caso isolado, a crise envolvendo a Reag reforça uma lição estrutural para o investidor brasileiro: diversificação não deve se limitar a ativos, mas também a instituições.

Avaliar quem administra, quem custodia e quais são os mecanismos de governança de um fundo é parte essencial de uma estratégia de investimento madura.

Em um mercado cada vez mais sofisticado e regulado, episódios como esse mostram que o sistema possui instrumentos para mitigar riscos, mas também deixam claro que educação financeira e diligência continuam sendo as melhores ferramentas para a proteção do patrimônio no longo prazo.

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Crianças longe das telas: atividades práticas para as férias

Quando a tela deixa de ser a principal opção, a criança volta a explorar o ambiente, a movimentar o corpo, a criar, imaginar e conviver

17/01/2026 07h45

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As férias escolares são uma chance valiosa de desacelerar e abrir espaço para experiências mais ricas do que as telas costumam oferecer. Reduzir o tempo de exposição digital neste período ajuda a melhorar o sono, a ampliar a atenção, a favorecer o humor e a recuperar o interesse por brincadeiras que desenvolvem habilidades essenciais.

Quando a tela deixa de ser a principal opção, a criança volta a explorar o ambiente, a movimentar o corpo, a criar, imaginar e conviver.

Atividades off-line favorecem o desenvolvimento integral porque envolvem corpo, linguagem, emoções e interação social. Brincadeiras simples, contato com a natureza, uso de materiais variados e experiências reais estimulam coordenação motora, criatividade, autonomia e empatia.

Também ajudam na regulação emocional e tornam o dia mais equilibrado. Sinais como irritação ao desligar o aparelho, mudanças de humor, dificuldade de concentração, cansaço visual e desinteresse por outras atividades indicam a importância de reorganizar hábitos.

Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer a realidade de muitas famílias, marcadas por rotinas intensas e pouco tempo disponível para acompanhar cada momento da criança. Isso é compreensível. Ainda assim, pequenas mudanças consistentes já fazem a diferença.

Para crianças de 8 anos a 11 anos, é possível propor atividades que exigem pouca supervisão, como cadernos de desafios com desenhos, histórias e charadas, jogos de lógica, leitura livre, pequenas tarefas de organização, criação de objetos com materiais recicláveis, e propostas artísticas simples.

Essas alternativas estimulam a autonomia e evitam que o tempo ocioso seja automaticamente preenchido por telas.

Brincadeiras ao ar livre também enriquecem o período de férias, seja com jogos tradicionais, circuitos motores, bicicleta, construção de cabanas ou pequenas explorações na natureza. Organizar o dia em blocos leves – movimento, leitura, arte e brincadeira livre – ajuda a manter equilíbrio sem rigidez.

A leitura e as atividades artísticas ampliam repertório, fortalecem vínculos e oferecem formas saudáveis de expressão. O tédio, muitas vezes visto como problema, pode se tornar aliado: quando não há soluções imediatas, a criança aprende a inventar, a negociar e a imaginar.

Momentos compartilhados, mesmo que breves, fazem diferença: jogos de tabuleiro, caminhadas, preparo de pequenas receitas, cultivo de plantas ou a leitura de um livro em capítulos criam memórias afetivas e substituem o tempo de tela com qualidade.

O essencial é a constância, não a perfeição. Ao fim das férias, manter combinados simples – limites claros, ambientes livres de telas em alguns períodos e acompanhamento do conteúdo – contribui para um uso mais saudável ao longo do ano.

Assim, a tecnologia deixa de ser a única opção e passa a ocupar um lugar mais adequado na infância.

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Cota e seus enigmas

Volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos

17/01/2026 07h30

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A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais.

Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota.

As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país, a contar de 1º de janeiro, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros.

Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo deste ano.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China.

A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável.

Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro.

Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não têm, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

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