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Envelhecemos antes de enriquecer: o verdadeiro desafio da Previdência no Brasil

Educação de qualidade, inovação, segurança jurídica e ambiente favorável a investimentos não são temas distantes da Previdência

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O Brasil vive uma transformação silenciosa, profunda e inevitável. Em poucas décadas, deixamos de ser um país marcado pela juventude populacional para nos tornarmos uma nação que envelhece em ritmo acelerado.

A combinação entre queda da natalidade, aumento da expectativa de vida e mudanças nas relações de trabalho impõe um dos maiores desafios econômicos e sociais do nosso tempo: como sustentar a Previdência sem abandonar milhões de brasileiros à própria sorte.

Durante muitos anos, a Previdência foi tratada apenas como um debate contábil. De um lado, planilhas apontando déficits crescentes.

De outro, a justa preocupação social com aposentados, pensionistas e trabalhadores que dependem da proteção estatal. Reduzir esse tema a números frios ou a slogans políticos empobrece a discussão.

A Previdência é, ao mesmo tempo, gasto público, instrumento de distribuição de renda, motor econômico local e rede de proteção humana.

O primeiro ponto que precisa ser reconhecido é demográfico. O Brasil está envelhecendo antes de atingir níveis robustos de renda e produtividade observados em países desenvolvidos.

Em outras palavras, ficamos mais velhos sem necessariamente ficarmos mais ricos. Isso significa menos jovens ingressando no mercado de trabalho, menor base de contribuintes e maior pressão sobre o sistema previdenciário.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho mudou. A tradicional carteira assinada já não representa, sozinha, a realidade nacional.

Cresceram o trabalho por aplicativos, a informalidade, os contratos flexíveis e o empreendedorismo por necessidade. Milhões de brasileiros trabalham todos os dias, produzem riqueza e movimentam a economia, mas contribuem de forma irregular ou sequer contribuem para a Previdência. O resultado é perverso: menor arrecadação hoje e potencial explosão de vulnerabilidade social amanhã.

A reforma previdenciária de 2019 foi relevante e produziu efeitos importantes de contenção fiscal. Ignorar isso seria um erro analítico.

Entretanto, também seria ingenuidade imaginar que uma reforma constitucional, por si só, resolveria um problema estrutural e permanente.

A dinâmica demográfica continua avançando, o mercado de trabalho segue se transformando e a informalidade permanece elevada. O desafio, portanto, não terminou, ele apenas mudou de fase.

Por isso, insistir exclusivamente em novos cortes de direitos, endurecimento de regras ou postergação contínua do acesso aos benefícios pode gerar um efeito colateral grave: ampliar a pobreza na velhice.

Em um país ainda profundamente desigual, muitos idosos sustentam famílias inteiras com aposentadorias modestas, benefícios rurais ou prestações assistenciais.

Em milhares de municípios brasileiros, especialmente os menores, a renda previdenciária movimenta o comércio local mais do que diversas atividades econômicas privadas.

É preciso sofisticar o debate. A sustentabilidade previdenciária depende também do lado da receita. O combate a fraudes deve ser permanente e apoiado por tecnologia. A cobrança eficiente de grandes devedores precisa sair do discurso e se tornar prática consistente.

A formalização do trabalho deve ser estimulada com modelos contributivos simples, digitais e compatíveis com a realidade do autônomo contemporâneo. Motoristas de aplicativo, entregadores, profissionais independentes e pequenos empreendedores precisam ser incorporados ao sistema de forma inteligente.

Além disso, produtividade econômica importa e muito. Países que envelhecem de forma equilibrada são aqueles capazes de produzir mais valor com menos pessoas economicamente ativas.

Educação de qualidade, inovação, segurança jurídica e ambiente favorável a investimentos não são temas distantes da Previdência; ao contrário, são parte essencial da solução de longo prazo.

Outro aspecto ainda pouco debatido é a educação previdenciária. Muitos brasileiros desconhecem regras básicas de contribuição, proteção familiar, benefícios por incapacidade e planejamento para a velhice. Sem informação, a população entra

tarde no sistema, contribui mal ou descobre, tarde demais, que ficou desprotegida.
A Previdência Social não deve ser vista como inimiga das contas públicas nem como intocável por definição. Trata-se de uma política pública essencial, que exige equilíbrio, responsabilidade e visão de futuro. O erro está nos extremos: tratá-la como mero custo a ser reduzido ou como estrutura imune a qualquer ajuste.

O Brasil precisa abandonar soluções simplistas. Um país que envelhece antes de enriquecer necessita de reformas mais amplas do que mudanças de idade mínima ou fórmulas de cálculo. Precisa crescer, formalizar, incluir, fiscalizar e planejar.

Se o debate continuar restrito ao quanto se paga, ignorando quem depende, quem contribui e quem ficou para trás, chegaremos a um cenário de contas pressionadas e idosos desamparados. E nenhum país se desenvolve de verdade quando falha justamente com aqueles que trabalharam a vida inteira.

A Previdência brasileira não é apenas uma linha do orçamento. Em milhares de lares, ela representa comida na mesa, remédio no armário e dignidade no fim do mês. Preservar isso com responsabilidade talvez seja uma das tarefas mais urgentes da nossa geração.

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As histórias ao redor da fogueira

Com essas conversas ao redor do fogo, surgiram as lendas. Uma forma de explicar fenômenos misteriosos não compreendidos

12/06/2026 07h45

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O fogo em algumas escolas místicas está relacionado à luz e ao conhecimento. O interessante é que muitas pessoas até um passado recente, tinham como momento de distração contar histórias e disseminar conhecimento ao redor de uma fogueira. Já que não havia luz, muito menos sinal de internet. 

Com essas conversas ao redor do fogo, surgiram as lendas. Uma forma de explicar fenômenos misteriosos não compreendidos e, ao mesmo tempo, expressar a maneira de pensar daquelas pessoas.

Além de passar para as gerações seguintes as histórias de família, contadas há muitos anos. Nunca sabemos o quanto de realidade tem nessas narrativas, ainda assim, elas representam a bagagem de vida daqueles que as contam. 

Adoro uma boa conversa ao redor de uma mesa com bolo e café, ou queijos e vinhos. São nesses momentos que conhecemos as pessoas, desenvolvemos nossa imaginação e, inclusive, nossa empatia.

Quando ouvimos o que outra pessoa tem para nos contar, se realmente prestarmos atenção, vivemos aquela situação como se estivéssemos lá, com ela. E isso abre nossa mente para outros pontos de vista. 

E assim é com os livros. 

A leitura de um livro nos leva para lugares que não conhecemos e nos apresenta pessoas diferentes daquelas com as quais convivemos. E é por isso que penso ser tão importante o incentivo da leitura e a criação de narrativas que incluem lendas.

Um bom suspense desperta emoções que nem sabíamos existir, leva nossa imaginação para mundos que não conhecemos. Assim como no filme “A História Sem Fim”, não podemos deixar a fantasia desaparecer! 

Descobrir como vencer o lobisomem, ou fugir da cuca. Criar uma armadilha para capturar o saci, ou seguir as pegadas estranhas deixadas pelo curupira. Tudo isso é imaginação popular e tem um significado importante para a comunidade. E nem citei a loira do banheiro! 

As lendas são muito mais do que histórias. No fundo, elas carregam a alma de um povo e contá-las faz o leitor viajar no mundo da fantasia e assim, entender e lidar melhor com a realidade.

É importante destacar que não falo sobre viver dentro de uma fantasia, mas sim, sobre aproveitar as histórias para fazer relações com a vida real. 

Quando nos sentamos ao redor de uma fogueira, ou de uma mesa forrada de comidinhas e bebidas gostosas, compartilhamos não só a comida, mas também os sentimentos. São informações que criam laços, geram expectativas, romances. As pessoas têm sua caminhada de vida e a troca de experiências é muito rica.

Com tantas distrações nas redes sociais, além de conteúdo fácil e efêmero, vejo esses encontros como um remédio indispensável para uma sociedade na qual cada vez mais somos trancados em studios de vinte metros quadrados. 

A construção de histórias com base em lendas e culturas locais são uma forma de dialogar com o leitor.

Quando conhecemos os hábitos de um povo diferente do nosso, abrimos nossa mente para entender melhor algumas atitudes e esse é o melhor resultado que podemos alcançar com a literatura. 

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O Dia da Marinha

A Força Naval se fazem necessária, a fim de que, em coordenação e sinergia com as Forças coirmãs o Exército e a Força Aérea agências estatais e órgãos de Segurança Pública

12/06/2026 07h30

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Desde a antiguidade, as rotas de navegação conduziram riquezas e trouxeram desenvolvimento aos povos, mas também foram palco de sangrentas disputas entre as nações. No Mediterrâneo, fenícios, gregos e romanos utilizaram, cada um a seu turno, o mar como caminhos de acesso às terras e riquezas longínquas.

Mais tarde, desafiando os perigos do Mar Oceano, portugueses e espanhóis lideraram as viagens que conectaram os quatro cantos do mundo, estabelecendo impérios globais unidos às suas metrópoles pelas hoje chamadas Linhas de Comunicação Marítimas.

Em ambos os exemplos, defender ou tomar para si as riquezas que cruzavam a vastidão azul era questão de sobrevivência para os estados, motivando o desenvolvimento do combate nas águas, primeiro em sua superfície, depois abaixo e sobre ela.

Esses são, respectivamente, o propósito da existência e o domínio da ciência e arte dos quais se ocupa a Marinha, presente nos momentos cruciais da nossa história, de Cabral à atual salvaguarda dos interesses brasileiros na Amazônia Azul, o mar que nos pertence.

Se enganam, porém, os que creem que esta vocação e destinação se resume aos litorais. No Brasil, a história da formação territorial e do desenvolvimento nacionais passa pelos nossos rios e lagos, hidrovias que integram milhares de quilômetros e milhões de cidadãos, levando insumos até os sertões mais distantes e, de lá, trazendo produtos que fizeram e fazem a riqueza desta terra e são capazes de prover bem-estar ao seu povo.

É neste contexto que, no século 19, as águas do Rio Paraguai e do Rio Paraná eram o caminho natural de acesso às riquezas do Mato Grosso, e sua livre navegação se constituía em questão de segurança nacional, tendo sido um dos aspectos fundamentais entre os antecedentes do maior conflito militar da América do Sul: A Guerra da Tríplice Aliança, na qual se enfrentaram, de um lado, Brasil, Argentina e Uruguai e, de outro, o Paraguai.

Inevitável que a via estratégica fosse palco de encarnecidos combates e, entre os muitos ocorridos, a Batalha Naval do Riachuelo ocorrida a 11 de junho de 1865 foi a que maiores consequências trouxe para o desenrolar do conflito, ao neutralizar a esquadra adversária e negar o uso da hidrovia como fonte de apoio logístico.

Não por acaso, este feito é anualmente lembrado como a data Magna da Marinha, quando a memória dos heróis Barroso, Greenhalgh, Marcílio Dias entre outros tantos anônimos marinheiros são exaltados como exemplo de coragem e supremo sacrifício pela Pátria.

Na atualidade, a paz e a cooperação reinam na Hidrovia Paraguai-Paraná, que une as cinco nações por ela banhadas no objetivo comum de trazer progresso sustentável à região, permitindo, ao mesmo tempo, a execução das atividades econômicas, assim como a preservação dos biomas lindeiros e do povo ribeirinho, em especial no Pantanal. 

Ainda assim, a prontidão e a presença da Força Naval se fazem necessária, a fim de que, em coordenação e sinergia com as Forças coirmãs – o Exército e a Força Aérea – agências estatais e órgãos de Segurança Pública, sejam eliminados os riscos à manutenção da boa ordem no ambiente fluvial, no qual a Marinha se faz presente a quase 200 anos. 

Seja nas ações de defesa naval, na garantia da segurança da navegação e da vida humana nas águas, no apoio às mais diversas atividades das demais instâncias do Estado, ou na diplomacia naval, a Marinha do Brasil e o 6º Distrito Naval estarão sempre prontos a contribuir naquilo que nos couber e tanto quanto pudermos, com o desenvolvimento de nosso povo, pois, como nos ensinam as palavras do insigne Almirante Barroso: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”.

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