Você é daqueles que tem fé na razão ou está entre aqueles que acham que tem razão por não ter fé?
O senso comum – que pode ser observado desde os setores mais populares até os ambientes considerados culturalmente mais sofisticados e intelectualizados da sociedade – afirma que tem pouca razão aqueles que tem muita fé numa divindade pessoal, ou seja, crente é um bicho que não pensa bem.
O mesmo senso comum também afirma que as pessoas de razão iluminada são aquelas que não precisam de fé, pelo menos não a mesma fé que caracteriza os crentes.
Entretanto, será que as coisas são assim mesmo? Seria a fé a inimiga da razão? De que tipo de fé estamos falando? A razão seria uma realidade neutra? A confiança na razão não seria um tipo de fé? Que relação existe entre fé e razão? É possível viver sem fé?
Norman Geisler e Frank Turek, dois acadêmicos crentes, escreveram um livro, cujo título nos provoca à reflexão sobre a tão debatida relação entre fé e razão.
Trata-se da obra “Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu”. Richard Dawkins, famoso cientista e militante do ateísmo, escreveu um livro chamado “Deus, um Delírio”, advogando a ideia de que deliram aqueles que creem num Deus pessoal que criou todo o universo e que demanda responsabilidade de suas criaturas.
Alister McGrath, professor da Universidade de Oxford (mesma universidade em que trabalha Dawkins), com Joanna McGrath, escreveram a obra “O Delírio de Dawkins: uma Resposta ao Fundamentalismo Ateísta de Richard Dawkins”.
O falecido teólogo, escritor e capelão da rainha da Inglaterra, John Stott, tratou sobre o lugar da mente entre os que creem em sua obra “Crer É Também Pensar”, e o professor emérito da Universidade de Oxford John Lennox escreveu “A Ciência Pode Explicar Tudo?” para mostrar as possibilidades e os limites da ciência.
A lista, com nomes de crentes (inimigos da razão) e mentes iluminadas (que não precisam de fé), poderia continuar, mas os nomes e as obras supracitadas são suficientes para mostrar, mesmo que inicialmente, o quão distantes da realidade estão aqueles que acham que a fé é inimiga da razão e que é possível viver sem fé, além do fato de que falta luz em muitas mentes iluminadas, e que muitos crentes pensam muito bem, embora haja exceções.
Em algum nível, fé e razão sempre se relacionaram ao longo da história. Algumas questões que devem ser levantadas são: qual é o objeto de sua fé: Deus (o Criador) ou o homem (ou algum elemento da criação)? A razão é suficiente para fornecer todas as respostas feitas pelo homem ou existem questões que estão além de sua esfera de atuação?
Desconfie, com sabedoria, do senso comum (principalmente aqueles que são proclamados com ares de superioridade cultural), pois nem sempre o senso comum reflete o bom senso. Obviamente, não pense que esse desconfiar se trata de um exercício simples e meramente racional, essa é uma tarefa necessária e possível.
Para isso, é preciso o bom uso da razão, a partir de uma fé que, em sua essência, não é nem racional e nem irracional, mas suprarracional (vai além da razão). Como identificar esse tipo de fé? Embora não tenhamos espaço para tratar de tudo aqui, é possível indicar um caminho seguro.
No livro dos crentes, um homem chamado Tomé indagou a Jesus perto de sua morte com as seguintes palavras: “Senhor, não sabemos para onde vais, como saber o caminho?” E o Mestre deu a seguinte resposta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.
A citação acima prova o que? Alguém pertinentemente poderia perguntar. Parafraseando C. S. Lewis, outro acadêmico crente de Oxford: ou Jesus era um mentiroso (ele mentia conscientemente sobre quem ele era), ou ele era um lunático (ele estava enganado sobre quem ele era), ou ele era exatamente quem ele dizia ser: o (único) caminho, a (única) verdade e a (única) vida.
Ele não nos deu a opção de ser considerado um grande mestre da moral ou uma boa pessoa (lembre-se: não se crucificam boas pessoas, mas se crucificam ameaças e gente perigosa, correto?). Perceba que no argumento acima fé e razão estão presentes.
No fim das contas, todos nós cremos: ou no Deus que nos criou à sua imagem e semelhança, ou em nós mesmos (que criamos deuses a nossa própria imagem e semelhança e tratamos coisas criadas, como a razão, como entes divinos).
Em quem você crê? Que tipo de gente é você?

