Artigos e Opinião

OPINIÃO

Gilberto Verardo: "The wall ou muro invisível"

Gilberto Verardo: "The wall ou muro invisível"

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O ser humano parece obcecado em construir muros. Antes eram pequenos. Circundavam apenas casas ou espaços considerados restritos. Em épocas de maior insegurança eles se proliferam, ganhando adereços eletrônicos para denunciar não convidados. Assim, ouro se tornou uma espécie de símbolo de privacidade, mas também de insegurança.

O segundo disco mais tocado na década de 80 nas rádios brasileiras, The Wall, da banda inglesa Pink Floyd tinha como temática central a referencia aos muros internos e externos que as pessoas vão criando no decorrer da sua vida. Tijolos e cimento do muro interno são de ordem moral. Os externos são preconceitos disfarçados em segurança ou mesmo diferença de gosto. Também podem ser construídos para delimitar espaços vitais das pessoas, de territórios ou de nações. O muro revela que quanto maior sua altura maior a insegurança. Mas a presença de qualquer tipo de muro, interno ou externo, vai sempre impor limites.

The Wall tinha a intenção certa, derrubar muros e falar da sua inutilidade, já que seu papel é uma construção simbólica. Mesmo assim, cada vez maior o apego. Tá certo que às vezes ele pode realçar a beleza que cada um quer dar ao seu mini território, de modo a desvendar, além da privacidade ou insegurança, que há emoções escondidas por trás, que certamente não gostam de paredes ou muros, já que elas se expressam onde não existem muros pessoais, por isso há encontros.

Fico pensando nas pessoas que tomaram a iniciativa de derrubar o Muro de Berlim, tão simbólico na época foi um alimento para os libertários. Penso também no muro na fronteira entre o México e os EUA que o presidente Donald Trump teima em erguer. Talvez em razão de constatar que por maior que seja o poder não consegue se safar da insegurança, por isso, como forma de compensá-la quer mais muros, seja tarifário, de segregação migratória e até de concreto mesmo. Acaba caindo na percepção coletiva que sua politica externa obedece às suas emoções internas.

Prefiro as cercas e os quintais antigos. Eles tinham sempre árvores frutíferas. Do vão das cercas podia-se ver o amadurecimento das frutas, que como um convite aos vizinhos para trocar cumprimentos, palavras e frutas. Quase um desculpa para amadurecer contatos humanos.

Sinto uma ponta de inveja soa pássaros, que não conhecendo muros, no seu voo diário levam a liberdade que o homem perdeu quando a confundiu com individualidade extremada.

Pessoas podem se tornar muros, Basta exercitar o egocentrismo e a avareza. O afeto e a solidariedade são marretas que um dia derrubaram o muro entre as Alemanhas. Mesmo com todo o sucesso tecnológico das ultimas explorações espaciais, ainda teimamos em construir muros reais e simbólicos, internos e externos entre nós mesmos, como se isso prolongasse a vida. Mesmo que as muralhas da China a tivesse resguardado por muito tempo do desejo alheio, tornou-se obsoleta diante da novidade. 

Como, em canção, profetizou Geraldo Rocca “a novidade vem atrás da tradição”, empurrando as mentes para viver o máximo possível sem muros, que teimam em separar ideias e afetos, mas principalmente impedir liberdades iguais de nossas araras campo-grandenses, felizes e barulhentas. Talvez por se sentirem livres e sem muros para seu voo.

EDITORIAL

Crise do IPTU e a voz ignorada da população

É preciso que os responsáveis pelas decisões compreendam que a sociedade mudou e que a maneira como a população fiscaliza e reage aos atos de gestão pública também mudou

11/02/2026 07h15

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A análise de fatos políticos, administrativos e de decisões judiciais não pode ser feita de forma isolada, como se cada evento existisse em uma bolha técnica ou jurídica.

É indispensável considerar o contexto social em que essas decisões são tomadas e, sobretudo, como elas são percebidas por uma população cada vez mais atenta, crítica e menos tolerante a práticas que soem como imposições ou manobras pouco transparentes.

Muito do que se viu nos últimos dias em Campo Grande – especialmente a crise envolvendo o aumento da taxa do lixo e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) – decorre, em grande medida, da falta de diálogo e de transparência do Poder Executivo, tanto com os vereadores quanto com a sociedade em geral.

Não se trata apenas de um embate jurídico ou de uma divergência técnica sobre cálculos tributários, mas de uma ruptura na relação de confiança entre governo e governados.

Esse, contudo, não é o único fator determinante. É preciso que os responsáveis pelas decisões compreendam que a sociedade mudou. A forma de se comunicar mudou. A maneira como a população acompanha, fiscaliza e reage aos atos de gestão pública também mudou.

Soma-se a isso um acúmulo de insatisfações com o contexto recente, como alguns problemas que a cidade tem enfrentado, criando um ambiente propício para uma crise. O valor final cobrado no carnê do IPTU, aliado à cobrança casada da taxa do lixo, foi apenas o estopim de um desgaste que já vinha se formando.

Se o aumento do tributo fosse absolutamente legal e cristalino, em algum momento o mandado de segurança ajuizado pela Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) teria sido indeferido.

O que se viu, porém, foi o oposto: a medida foi analisada, em poucos dias, por quatro magistrados diferentes, todos convergindo para o entendimento de que houve uma manobra para elevar a carga tributária sem alterar formalmente a alíquota.

Mais grave ainda: com publicação fora do Diário Oficial, restrita ao site da Secretaria de Fazenda, um espaço que a imensa maioria da população não acessa rotineiramente em busca de mudanças que impactam diretamente o bolso.

Ainda que a atualização de valores esteja prevista no Código Tributário do Município, isso não exime o gestor público do dever da transparência. Cumprir a lei significa respeitar ritos, prazos e princípios constitucionais.

Qualquer atalho fora desse caminho pode configurar ilegalidade. E, sejamos francos: quem busca aprovação popular dificilmente se dispõe a comunicar de forma clara que está aumentando impostos.

Decisões que afetam milhares de pessoas, o orçamento familiar e o futuro da cidade não podem ser tomadas a portas fechadas, sem revisão técnica e jurídica rigorosa e sem uma comunicação eficiente e honesta com a sociedade.

A crise do IPTU em Campo Grande deixa muitas lições. A principal delas é simples e antiga, mas frequentemente ignorada: a população precisa ser ouvida – e considerada – muito mais vezes do que apenas a cada quatro anos.

ARTIGOS

Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

Atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular

10/02/2026 07h45

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O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras.

As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular.

A coordenação motora global se refere à capacidade de uma criança em controlar os movimentos de seu corpo de maneira ampla, envolvendo ações como saltar, correr, dançar e equilibrar-se.

Essas habilidades são fundamentais na infância e impactam desde tarefas simples, como escrever, até a prática de esportes. Portanto, compreender e estimular a coordenação motora é crucial para um crescimento saudável e equilibrado.

O período ideal para trabalhar a coordenação motora global é até os 6 anos, quando o cérebro e o corpo estão em pleno desenvolvimento.

Vale ressaltar que a primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento motor, mas não significa que após os 6 anos a criança não consiga desenvolver ou aprimorar essas habilidades, a neuroplasticidade funciona além da primeira infância.

Atividades diárias, como pular corda e desenhar, são essenciais para estimular a coordenação motora grossa e fina. Além disso, ao realizar atividades de forma divertida, como, por exemplo, a amarelinha, as crianças aprimoram sua coordenação olho-mão e desenvolvem habilidades sociais e emocionais.

Essas ações cotidianas não apenas contribuem para o desenvolvimento emocional e social, mas também ajudam a desenvolver habilidades essenciais e a aumentar a autoestima das crianças.

Lembrando que não é necessário usar brinquedos caros para isso. Brincadeiras como circuitos podem ser feitas com objetos comuns, como cones, bambolês ou almofadas. Trabalhar a coordenação motora global melhora as funções cognitivas, como atenção e memória, impactando positivamente a aprendizagem.

Elas melhoram a organização mental, pois ajudam a criança a planejar e executar tarefas complexas; fortalecem as funções executivas, pois trabalham habilidades como atenção, controle inibitório e memória de trabalho e desenvolvimento social.

É fundamental que pais e educadores ofereçam atividades para coordenação motora, como saltos, danças e circuitos, pois são poderosas ferramentas para o desenvolvimento da coordenação motora global e das funções cognitivas das crianças.

Além disso, incorporá-las no dia a dia ajuda a promover uma infância saudável e cheia de aprendizado, diminuindo o tempo de telas.

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