As urnas falaram, e o recado deste domingo é claro: o Brasil escolheu, por margem estreita, reconduzir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República para um quarto mandato.
A diferença de pouco menos de quatro pontos porcentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia vencido o primeiro turno, mostra um país dividido praticamente ao meio. E é justamente por isso que a responsabilidade do presidente eleito é ainda maior.
Encerrada a apuração, o primeiro dever de todos, vencedores e derrotados, é respeitar o resultado. Questionamentos devem seguir o caminho da lei, nunca o da rua ou o da intimidação.
O País não suporta mais um ciclo de radicalização que transforma adversários em inimigos e paralisa o debate público – clima que, infelizmente, marcou boa parte desta eleição.
Pacificar não significa renunciar às convicções. Significa reconhecer que metade dos eleitores votou de outra forma e também precisa ser ouvida.
Cabe ao presidente reeleito governar para todos, e cabe à oposição fiscalizar com firmeza, sem sabotar o País. Os eleitores que foram às urnas querem menos briga e mais resultado.
E o resultado, neste momento, tem nome: reformas. O Brasil não pode desperdiçar mais quatro anos adiando decisões que já deveriam ter sido tomadas. O equilíbrio das contas públicas é urgente.
A dívida cresce, os juros seguem elevados e pesam sobre o crédito, o investimento e o custo de vida. Quem paga a conta é o trabalhador, o empresário e o consumidor. Sem uma âncora fiscal crível, não há crescimento sustentável.
Uma reforma administrativa, fiscal e previdenciária precisa sair do papel, com um Estado mais enxuto, eficiente e voltado ao cidadão.
A implantação dessas reformas deve ocorrer com regras claras, transição previsível e segurança jurídica, sem surpresas para quem produz.
A segurança pública, preocupação central dos brasileiros, exige um pacto entre União, estados e municípios. E a educação básica segue como o caminho mais curto para reduzir desigualdades.
Nada disso será possível sem diálogo com um Congresso de maioria de direita, no qual o PL terá a maior bancada, e com os governadores eleitos.
O presidente terá de construir maiorias, negociar com transparência e colocar o interesse do País acima do partidário.
Mato Grosso do Sul, que sustenta parte importante da economia nacional com o agronegócio e a indústria, espera ser tratado como parceiro, e não como coadjuvante.
A campanha acabou. O palanque precisa dar lugar ao trabalho. Que o Brasil siga no rumo da pacificação e que o novo mandato seja lembrado não pelas disputas que marcaram estas eleições, mas pelas reformas que o presidente precisa entregar.


