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Hospital Colônia São Julião de Campo Grande

Foi construído pelo governo federal, que previa a construção de "leprosários modelos" em diferentes regiões do País

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No dia 5 de agosto de 1941, foi inaugurado em Campo Grande (atual MS) o Hospital Colônia São Julião, especializado no tratamento da hanseníase, que na época era chamada de lepra ou morfeia.

Foi construído pelo governo federal, que previa a construção de "leprosários modelos" em diferentes regiões do País.

O presidente Vargas compareceu à inauguração e várias outras autoridades, conforme reportagem da Revista Brasil Médico, do Rio de Janeiro.

No final de 1937, teve início a construção do complexo em terreno de 180 hectares doados à União pelo Município. Três anos após a inauguração, o hospital estava com 264 internos, embora no projeto inicial estava previsto um número menor. 

No início do Estado Novo (1937-1945), mesmo com a suspensão das eleições, o advogado Eduardo Olímpio Machado foi confirmado como prefeito de Campo Grande.

Ele já estava exercendo o cargo desde março de 1937, por ter sido eleito pelo sufrágio universal do voto.

Naquela época, um dos principais problemas de saúde em Mato Grosso era a hanseníase. Razão pela qual as autoridades municipais haviam pedido ao governo federal a construção do hospital.

Havia ainda muito preconceito e falta de informações sobre a referida moléstia, ainda predominava a ideia da segregação do doente da sociedade, internando-os compulsoriamente em hospitais onde podiam passar anos e anos confinados. A solicitação foi atendida e teve início então a construção da Colônia. 

Ao lado dos pavilhões dos internos, num terreno isolado por telas, foi construído o preventório, uma casa onde ficavam isolados os filhos sadios dos internos.

O contato entre pais e filhos era permitido somente a certa distância, sem manter contato físico para supostamente evitar contágio.

É o que se entendia ser "ação humanitária de combate à hanseníase". Posteriormente, foi construído o Educandário Getúlio Vargas, que funcionou como orfanato para filhos dos internos. 

O jornal cuiabano A Cruz, em 11 de fevereiro de 1934, noticiou que não havia em Mato Grosso estatística sobre a hanseníase no Estado.

Não havia controle dos casos existentes no interior. Alguns médicos estimavam que a situação de Mato Grosso era semelhante ao do Estado do Pará.

No Hospital São João dos Lázaros de Cuiabá, havia registro da possível existência de 800 casos no Estado.

Na mesma reportagem consta a visão do médico Vespasiano Martins, que estimava haver cerca de mil doentes em Mato Grosso, com maior incidência no sul do Estado, por conta das pessoas que vinham de outros estados.

O primeiro médico do hospital foi o dr. Clineu Morais, depois, por 27 anos seguidos, o dr. Orestes Rocha foi o único médico servidor que procurava aliviar o sofrimento dos internos naquele hospital, fazendo o possível em termos de assistência médica. 

Nos anos 1970, começou uma etapa de recuperação do hospital, em razão do serviço voluntariado de religiosos católicos.

Em 1991, durante a visita à cidade, o Papa João Paulo II foi abençoar a instituição, o que deu maior divulgação da importância do atendimento às pessoas com hanseníase.

Nas últimas décadas, o hospital vem passando por sucessivas melhorias e ampliações que o tornaram em referência regional em diferentes áreas médicas.

Assim, depois de 85 anos de sua inauguração, o atual e renovado Hospital São Julião está presente na história das instituições de saúde de Campo Grande.

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Selo Agro Mais Integridade: por que ele importa?

Selo Agro Mais Integridade, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária, ganha relevância como política pública de reconhecimento

05/05/2026 07h45

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Já não surpreende que o agronegócio brasileiro entregue escala, eficiência e protagonismo internacional. O que surpreende é que parte do mercado ainda sustente uma premissa ultrapassada: a de que, em nome do resultado econômico, os meios para alcançá-lo podem ser relativizados.

Em cadeias globais cada vez mais reguladas, com crescente exigência de rastreabilidade e sob o impacto de iniciativas como o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, integridade deixou de ser apenas atributo reputacional para se afirmar também como variável econômica, capaz de ampliar ou restringir mercados.

Nesse cenário, o Selo Agro Mais Integridade, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária, ganha relevância como política pública de reconhecimento e indução de boas práticas. Ele valoriza empresas comprometidas não apenas com resultados, mas com padrões éticos, sociais e ambientais consistentes.

A regulamentação mais recente, prevista na Portaria Mapa n° 828/2025, reforça essa lógica ao estimular programas de integridade, enfrentar práticas desleais e reduzir riscos de fraude e corrupção nas relações entre setor privado e poder público – resposta institucional a um ambiente de maior pressão reputacional sobre o setor.

O Selo evidencia que integridade não pode ser tratada como adereço institucional. Ela ocupa espaço estratégico na governança das empresas, especialmente em um setor pressionado por transparência, sustentabilidade, conformidade regulatória e comprovação documental.

Mais do que reconhecimento, o Selo opera como mecanismo de distinção pública. Estabelece critérios objetivos de elegibilidade, afasta empresas envolvidas em irregularidades relevantes e exige evidências concretas de programas efetivos de integridade, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.

Na prática, isso significa comprovar estrutura, funcionamento e consistência. Programas anticorrupção, canais de denúncia, gestão de riscos, regularidade trabalhista, saúde e segurança no trabalho e compromisso ambiental deixam de ser atributos reputacionais para se consolidar como requisitos de permanência em cadeias produtivas mais exigentes.

E por que isso importa? Porque, no ambiente atual, integridade é fator de mercado. Estruturas eficazes de compliance reduzem riscos regulatórios, protegem a reputação, fortalecem a governança e ampliam o acesso a contratos, crédito e mercados mais rigorosos.

Em um agronegócio cada vez mais exposto a exigências nacionais e internacionais, reputação e integridade consolidaram-se como ativos econômicos.

Há, portanto, uma mensagem clara: o futuro do agro brasileiro não depende apenas de produtividade, tecnologia e escala. Depende também de credibilidade.

Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio sustenta a dinâmica econômica, essa transformação já não é tendência. É exigência para quem deseja competir em cadeias cada vez mais seletivas.

O dado recente de que o BNDES aprovou R$ 5,7 bilhões para o agro sul-mato-grossense em três anos reforça o ponto: quanto maior o fluxo de capital, maior também a necessidade de governança, integridade e credibilidade institucional.

Em mercados seletivos, integridade não é custo. É critério de entrada e diferencial de permanência.

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Xadrez da conveniência

A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 a 34, ultrapassou o mero tropeço protocolar

05/05/2026 07h30

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Nos bastidores de Brasília, onde o silêncio costuma ser mais eloquente que os discursos oficiais, o desgaste do Planalto sinaliza uma mudança profunda no equilíbrio de forças do País.

A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 a 34, ultrapassou o mero tropeço protocolar, sendo uma clara demonstração de força meticulosamente articulada por Davi Alcolumbre.

Para quem transita pela Comissão de Constituição e Justiça e capta as nuances fora do alcance das câmeras, o cenário ficou nítido: não se tratou de um embate ideológico entre direita e esquerda, mas de uma “guerra de conveniências”, na qual adversários históricos se aliaram em nome da sobrevivência política.

O equívoco de quem analisa a política apenas pela superfície é negligenciar o “xadrez 4D” que uniu figuras como Alexandre de Moraes, o próprio Alcolumbre e o núcleo duro do bolsonarismo contra o Advogado-Geral da União.

O grupo agiu sob um propósito compartilhado: impedir que a ascensão do indicado fortalecesse a ala de André Mendonça. Relator do sensível caso do Master, o magistrado – embora alçado ao posto por Jair Bolsonaro – tornou-se um aliado próximo e defensor de Messias, o que acendeu o sinal de alerta no chamado “Centrão do STF”. 

Simultaneamente, a oposição aproveitou o vácuo para operar sua própria barganha. O foco dos conservadores não era estritamente programático, mas voltado à redução de danos jurídicos.

Para selar o destino de Messias, Alcolumbre garantiu aos bolsonaristas a derrubada do veto presidencial ao “PL da Dosimetria”, ocorrida logo em seguida. 

Em contrapartida, o bloco capitaneado por Flávio Bolsonaro aceitou abdicar da pressão por uma CPI sobre o caso do Master – que envolve diretamente o senador amapaense – em troca de apoio à sua reeleição à presidência do Senado em 2027.

Firmou-se um pacto de não agressão: o inquérito permanece intocado e todos lucram ao impor uma derrota ao governo em pleno ano eleitoral.

Essa convergência deu forma ao que se pode chamar de “Frente Ampla do Centrão”, segmentada em três vertentes: a togada, a tradicional e a bolsonarista. Para esses setores, humilhar o Executivo era estrategicamente oportuno.

Lula, ao tentar se distanciar do desgaste de Moraes diante das urnas, acabou isolado. Alcolumbre, percebendo que a gratidão da oposição renderia frutos mais imediatos que as promessas do Planalto, decidiu puxar o gatilho. 

Naturalmente, esse emaranhado de interesses não anula os argumentos republicanos proferidos na tribuna: a oposição soube explorar as vulnerabilidades técnicas do candidato, conferindo uma roupagem ética a uma votação movida por interesses paroquiais.

O revés sofrido por Messias revela que o risco de instrumentalização do Supremo não é exclusividade de um único espectro político e que as emendas, agora nas mãos do Congresso, mudaram a dinâmica do jogo. Ler o Brasil por meio de rótulos, como “lulismo contra bolsonarismo”, é uma ingenuidade.

No topo da pirâmide política, a ambição prevalece sobre as bandeiras. Quem se limita às bolhas digitais jamais conhecerá o calor dos apertos de mão entre aqueles que se atacam publicamente.

O veredito do Senado foi o aviso definitivo: a lealdade dura apenas o tempo que a conveniência permitir.

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