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Selo Agro Mais Integridade: por que ele importa?

Selo Agro Mais Integridade, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária, ganha relevância como política pública de reconhecimento

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Já não surpreende que o agronegócio brasileiro entregue escala, eficiência e protagonismo internacional. O que surpreende é que parte do mercado ainda sustente uma premissa ultrapassada: a de que, em nome do resultado econômico, os meios para alcançá-lo podem ser relativizados.

Em cadeias globais cada vez mais reguladas, com crescente exigência de rastreabilidade e sob o impacto de iniciativas como o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, integridade deixou de ser apenas atributo reputacional para se afirmar também como variável econômica, capaz de ampliar ou restringir mercados.

Nesse cenário, o Selo Agro Mais Integridade, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária, ganha relevância como política pública de reconhecimento e indução de boas práticas. Ele valoriza empresas comprometidas não apenas com resultados, mas com padrões éticos, sociais e ambientais consistentes.

A regulamentação mais recente, prevista na Portaria Mapa n° 828/2025, reforça essa lógica ao estimular programas de integridade, enfrentar práticas desleais e reduzir riscos de fraude e corrupção nas relações entre setor privado e poder público – resposta institucional a um ambiente de maior pressão reputacional sobre o setor.

O Selo evidencia que integridade não pode ser tratada como adereço institucional. Ela ocupa espaço estratégico na governança das empresas, especialmente em um setor pressionado por transparência, sustentabilidade, conformidade regulatória e comprovação documental.

Mais do que reconhecimento, o Selo opera como mecanismo de distinção pública. Estabelece critérios objetivos de elegibilidade, afasta empresas envolvidas em irregularidades relevantes e exige evidências concretas de programas efetivos de integridade, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental.

Na prática, isso significa comprovar estrutura, funcionamento e consistência. Programas anticorrupção, canais de denúncia, gestão de riscos, regularidade trabalhista, saúde e segurança no trabalho e compromisso ambiental deixam de ser atributos reputacionais para se consolidar como requisitos de permanência em cadeias produtivas mais exigentes.

E por que isso importa? Porque, no ambiente atual, integridade é fator de mercado. Estruturas eficazes de compliance reduzem riscos regulatórios, protegem a reputação, fortalecem a governança e ampliam o acesso a contratos, crédito e mercados mais rigorosos.

Em um agronegócio cada vez mais exposto a exigências nacionais e internacionais, reputação e integridade consolidaram-se como ativos econômicos.

Há, portanto, uma mensagem clara: o futuro do agro brasileiro não depende apenas de produtividade, tecnologia e escala. Depende também de credibilidade.

Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio sustenta a dinâmica econômica, essa transformação já não é tendência. É exigência para quem deseja competir em cadeias cada vez mais seletivas.

O dado recente de que o BNDES aprovou R$ 5,7 bilhões para o agro sul-mato-grossense em três anos reforça o ponto: quanto maior o fluxo de capital, maior também a necessidade de governança, integridade e credibilidade institucional.

Em mercados seletivos, integridade não é custo. É critério de entrada e diferencial de permanência.

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A guerra invisível por data centers

Em um ecossistema global, é interessante notar que a América Latina, que por muito tempo foi vista como mercado consumidor de tecnologia

04/05/2026 07h45

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Este artigo traz um tema de ouro, pois reúne geopolítica, tecnologia e investimento pesado. Isso porque, enquanto o mundo discute inteligência artificial (e todas as suas variáveis e aplicações), uma disputa silenciosa e extremamente estratégica acontece nos bastidores: a corrida por infraestrutura (mais especificamente, por data centers).

Em um ecossistema global, é interessante notar que a América Latina, que por muito tempo foi vista como mercado consumidor de tecnologia, começa a se consolidar como território-chave nessa nova geopolítica digital.

E isso não é por acaso. Países como Brasil, Chile e México passaram a atrair investimentos massivos por três fatores principais.

O primeiro é por demanda digital crescente: a região vive uma aceleração no consumo de serviços digitais – de streaming a fintechs, passando por e-commerce e IA.

O segundo é relativo à localização estratégica: proximidade de grandes mercados e necessidade de atender a regulações de soberania de dados.

E o terceiro é a energia (ainda) competitiva: especialmente em países com forte matriz renovável, como o Brasil, o que é crítico para operações intensivas em consumo energético.

Durante anos, a narrativa foi de que “dados são o novo petróleo”. Mas essa visão está incompleta. Na prática, o ativo mais estratégico hoje é a capacidade de armazenar, processar e, principalmente, proteger esses dados em larga escala.

É aí que entram os data centers. Com o avanço de IA, computação em nuvem e serviços digitais, a demanda por infraestrutura explodiu.

E aqui reforço que não basta mais ter data centers, é preciso tê-los próximos aos usuários, com baixa latência e dentro de regulações locais.

A região da América Latina tem se destacado tanto que players gigantes como Amazon Web Services, Microsoft e Google já estão expandindo agressivamente suas operações por aqui.

Além disso, há também a atuação exponencial de operadores locais, fundos de infraestrutura e até governos entrando nesse jogo e disputando terrenos estratégicos, acesso à energia, incentivos fiscais e conectividade.

Como em tudo na vida, nem todas as notícias são boas. Se, por um lado, a demanda cresce exponencialmente, por outro, surgem limitações reais, como, por exemplo, a quantidade de energia que os data centers consomem.

Nesse sentido, a América Latina é atrativa justamente por sua energia, mas pode não conseguir expandir na mesma velocidade da demanda.

Além disso, na região existem gargalos de impacto, como licenciamento ambiental, infraestrutura de transmissão e disponibilidade de terrenos adequados.

O que estamos vendo, portanto, não é apenas expansão de infraestrutura, é a construção de um novo mapa de poder. Isso porque quem controla data centers controla o fluxo de dados, a capacidade de processamento e, cada vez mais, a própria inovação.

Ou seja, vale concluir que a corrida agora não é apenas por IA, trata-se de uma mistura de tecnologia, política e economia.

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Adaptação da geração Z ao mercado de trabalho

Trata-se de jovens que cresceram em um ambiente marcado por instabilidade econômica, hiperconectividade e exposição constante a pressões sociais

04/05/2026 07h30

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A entrada da geração Z no mercado de trabalho tem sido acompanhada por diferentes interpretações sobre seu comportamento. Termos como ansiedade, imediatismo e dificuldade de retenção aparecem com frequência, mas uma análise mais cuidadosa sugere que essas características dizem menos sobre a geração em si e mais sobre o contexto em que ela foi formada.

Trata-se de jovens que cresceram em um ambiente marcado por instabilidade econômica, hiperconectividade e exposição constante a pressões sociais.

Também é a primeira geração a tratar saúde mental com mais abertura. Nesse contexto, o que muitas vezes é interpretado como dificuldade pode refletir uma busca mais ativa por clareza, segurança e sentido no trabalho.

Há também uma menor disposição para aceitar ambientes considerados incoerentes ou pouco saudáveis, o que convida as organizações a revisitar práticas que, por muito tempo, foram naturalizadas.

Outro ponto que chama atenção é a forma como essa geração se relaciona com o trabalho. A estabilidade financeira aparece como uma das principais prioridades, ao mesmo tempo em que cresce o interesse por autonomia e trajetórias mais flexíveis. A percepção sobre o mercado de trabalho reforça esse desafio.

A maioria dos jovens ainda o enxerga como competitivo e pouco favorável, com destaque para barreiras como a exigência de experiência prévia e o acesso limitado a networking. Esse desalinhamento evidencia a necessidade de revisar modelos tradicionais de entrada e desenvolvimento profissional.

Para as empresas, o caminho passa por evolução. Processos mais transparentes, trilhas estruturadas de desenvolvimento e iniciativas de mentoria se tornam cada vez mais relevantes para atrair e engajar esses talentos. Ambientes que priorizam o aprendizado contínuo tendem a ser mais aderentes às expectativas dessa geração.

A saúde mental também ocupa um papel central nessa agenda. Embora a maioria dos jovens reconheça sua importância, menos da metade avalia sua própria saúde emocional de forma positiva, evidenciando um descompasso que impacta diretamente a relação com o trabalho. Esse cenário já vem impulsionando mudanças nas práticas de gestão.

Modelos de trabalho mais flexíveis, políticas voltadas ao bem-estar e o desenvolvimento de lideranças mais preparadas para lidar com aspectos humanos do trabalho têm ganhado espaço. 

Mais do que políticas isoladas, esse movimento se apoia em práticas como liderança acessível, espaços reais de diálogo e uma preocupação genuína com a experiência das pessoas no trabalho.

Quando aplicadas de forma contínua, essas iniciativas contribuem para um ambiente mais saudável e engajador, no qual o bem-estar deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser um critério relevante na atração e na permanência de talentos, especialmente entre as novas gerações.

Ainda assim, há desafios importantes. Muitas lideranças foram formadas em contextos distintos e seguem em processo de adaptação a novas expectativas em relação ao trabalho.

Estruturas rígidas e culturas que normalizam a sobrecarga ainda estão presentes em parte do mercado, o que reforça a necessidade de desenvolvimento contínuo.

Por fim, a valorização da autenticidade se destaca como um ponto de atenção. Jovens profissionais tendem a perceber rapidamente desalinhamentos entre discurso e prática.

Nesse cenário, a construção de confiança passa por comunicação transparente, coerência nas decisões e abertura ao diálogo.

É importante destacar que muitas das demandas frequentemente associadas à geração Z não são exclusivas desse grupo. Elas refletem expectativas que atravessam diferentes gerações, mas que hoje se tornam mais explícitas.

Ao trazer esses temas para o centro da discussão, a geração Z contribui para uma evolução mais ampla do mercado de trabalho.

Para as empresas, o desafio não está apenas em se adaptar, mas em aproveitar esse movimento como uma oportunidade de fortalecer culturas organizacionais mais coerentes, humanas e sustentáveis.

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