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IA: quem controla os controladores?

Algoritmos determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo

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Durante décadas, o conceito de inteligência artificial (IA) foi tratado como ficção e permeava nossa sociedade sob o prisma do imaginário. Hoje, em um salto de 4 anos, ela está silenciosamente incorporada ao cotidiano de toda a humanidade.

Algoritmos determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo; o algoritmo decide com base em probabilidade de aceitação, tempo estimado e histórico de desempenho.

Eles não possuem consciência, mas possuem algo igualmente útil e poderoso: a capacidade analítica de prever o nosso comportamento.

Quando abrimos as redes sociais, não estamos navegando em um espaço neutro, estamos atravessando um filtro algorítmico que prioriza conteúdos com maior probabilidade de manter nossa atenção na tela. O que é apresentado como uma grande vantagem, carrega um efeito social mais complexo do que parece.

O algoritmo aprende nossas preferências, muitas das quais estão relacionadas ao nosso perfil psicológico e biológico. Nesse campo estão as nossas inclinações políticas, nossos problemas de saúde e fragilidades emocionais. Toda essa espiral de informações passa a reforçar padrões.

No mercado global, sistemas de IA já participam de decisões financeiras. Plataformas como a Amazon ajustam preços dinamicamente conforme demanda, localização e perfil de consumo.

Em 2018, no campo político, veio à tona o caso da Cambridge Analytica, que utilizou dados do Facebook para influenciar campanhas políticas, evidenciando como informações coletadas por meio das redes sociais podem ser usadas para segmentar mensagens eleitorais. O dado se tornou insumo de estratégia e micro direcionamento de massas.

Outro exemplo são as chamadas Big Techs, que concentram a capacidade de processamento e armazenamento de dados. Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft monopolizam a controladoria de serviços essenciais: busca, nuvem, comunicação, armazenamento e publicidade.

A inteligência artificial é absoluta no gerenciamento em larga escala: quanto mais preciso, maior a vantagem competitiva. A discussão atual não é sobre máquinas conscientes dominando o mundo. É sobre sistemas automatizados influenciando decisões humanas globalmente.

E a grande reflexão que fica é: quem faz a regulação desses sistemas? Como proteger a privacidade e a autonomia individual? As leis referentes à IA que já vemos implementadas na União Europeia são suficientes?

O futuro aponta para sistemas cada vez mais integrados à estrutura social e eficientes, porém, invisíveis e difíceis de auditar. A tecnologia seguirá evoluindo e essa vigilância velada se enraizando cada vez mais nos dispositivos do dia a dia.

Vivemos um momento histórico em que a inteligência artificial não é mais hipótese distante e aqueles que detêm os dados, detêm capacidade de influenciar, modelar e definir o comportamento coletivo. A pergunta não é se a IA controla. A pergunta é: quem controla a IA? E, sobretudo, quem controla os controladores?

Editorial

Quando a informação gera consequência

Quando a informação circula com rigor, a omissão deixa de ser uma opção e o poder é obrigado a reagir

17/04/2026 07h15

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Em um ambiente saturado por desinformação, versões interessadas e ruído permanente, a utilidade do jornalismo profissional deixou de ser uma abstração. Ela se mede pela sua capacidade de produzir efeitos concretos. Não basta informar. É preciso gerar consequência.

Nos últimos dias, dois episódios deixam isso evidente para o leitor.

Após a publicação de reportagens que cobravam explicações técnicas e transparência na atuação da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), o tema deixou de ser tratado como questão interna.

A pressão pública se consolidou – e, no dia seguinte, a prefeita de Campo Grande decidiu pela demissão do então presidente da autarquia. Não se trata de coincidência, mas de dinâmica institucional: quando a informação expõe fragilidades de gestão, a inércia se torna insustentável.

O mesmo se repete em outra escala. Questionamentos formais feitos à Polícia Federal sobre a morosidade no andamento da Operação Ultima Ratio contribuíram para trazer à esfera pública desdobramentos que até então permaneciam sem esclarecimento.

Quando a informação circula, o espaço para o silêncio institucional diminui.

Os dois casos têm um ponto em comum: respostas só surgiram após a exposição consistente dos fatos – como demonstraram as reportagens publicadas pelo Correio do Estado.

Esse é o papel central do jornalismo. Não o de protagonizar os acontecimentos, mas o de impedir que eles permaneçam ocultos ou sem resposta. Quando há transparência, há reação. Quando há reação, há correção de rumo – ainda que tardia.

A democracia não se sustenta apenas por normas e estruturas formais, mas pela tensão permanente entre quem exerce o poder e quem o fiscaliza. Sem essa tensão, prevalece a acomodação. E a acomodação, na gestão pública, quase sempre custa caro à sociedade.

Por isso, mais do que narrar fatos, o jornalismo cumpre sua função quando torna a omissão inviável.

Porque quando a informação circula com rigor, a consequência deixa de ser exceção – e passa a ser regra.

“O jornalismo é o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade”. A frase, frequentemente atribuída a George Orwell, nunca foi tão atual.

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Artigo

Saneamento nas eleições de 2026

É de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados

16/04/2026 07h45

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Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal, estadual e distrital (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado.

No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).

Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no País não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo País.

A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população: em 2024, o Brasil registrou mais de 350 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de saneamento.

Ou seja, é de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto.

Desde que o Marco Legal do Saneamento passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste.     

O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.

Para alcançar esse objetivo, o País deveria investir, em média, R$ 225 por habitante. Mas levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que em localidades com os piores índices de saneamento a média de investimentos entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58, 66% abaixo do indicado.

Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna.

Portanto, neste ano de eleições, caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas.

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