Artigos e Opinião

ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto:
"Malandros & pilantras"

Físico e Administrador

Redação

14/07/2016 - 02h00
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Tanto uma palavra ou a outra, de origens incertas ou desconhecidas são empregadas na cultura popular para designar atitudes e comportamentos de pessoas caracterizadas pelas praticas de ações que fogem das virtudes morais (ética) cultuadas pela sociedade como atributos positivos para seu humano. 

Folcloricamente o termo pilantra se associa a desonestidade de propósito ou seja,  a intenção de se auferir benefícios ou vantagens indevidas resultante de ações relativas à praticas desonestas, trapaças, sendo afeito a pessoa que se vale da forma incorreta de agir, aparentando diferentemente do que são ao ludibriar o próximo.

Já a palavra malandro, se refere popularmente ao individuo esperto, que se encontra sempre atento para aproveitar oportunidades de lucrar à custa de outrem. Aquele que se aproveita da situação do momento dentro da naturalidade e ardilosamente por meio de artimanhas obtém sucesso no seu intento.

Talvez a diferença entre os dois tipos assemelhados de distinguem pelo comportamento característico da forma de agir, do objeto e da finalidade: O pilantra é maldoso, se aproveita diretamente das pessoas, independente da fraqueza ou fragilidade que ela demonstra. É considerado após seu feito como um mau caráter, crápula, um ser desprezível, abjeto. 

O malandro diferentemente se beneficia da situação, procurando angariar confiança entre os atores ao exercer sua capacidade de manobra, de artimanha, por vezes se utilizando da ganância ou esperteza alheia, mas sempre empregando expedientes jocosos ou irreverentes de modo a dissimular suas intenções. Após suas realizações, o malandro muitas vezes é enaltecido ou invejado, e quase sempre perdoado por suas atitudes levianamente reprováveis.

No cenário político atual, embora com raras exceções, podemos dividir com algumas reservas e considerações, os atores em malandros e pilantras e os fatos assim descritos: não é de hoje que os recursos extra-caixa de empresas privadas operadoras de obras estatais assim como subsídios de empresas públicas vinculadas a elas, são garantidos por apadrinhados políticos e se destinam as candidaturas eleitorais, a ponto da confissão de integrante da mais alta corte ao externar seu espanto não estava nessa constatação e sim na surpresa da ingenuidade do povo, como se disso não soubessem até o momento. 

Ações policialescas, conduções coercitivas cinematográficas juntamente com uma mídia cooptada que divulga noticiários diários dirigindo e confundindo a opinião pública misturando desvios, propinas, roubos, e as mais diversas operações de busca e apreensão envolvendo empresários, ex-ministros, contrabandistas, doleiros e contraventores de toda ordem, com  a crise econômica, a má gestão pública dos estados, ataques as minorias, seqüestros, assaltos e demais violências, intolerâncias e preconceitos, como se tudo resultasse de uma ação governamental.

Um pseudo-governo que convoca um “parlamento de interesses” para aprovação de medidas que tratarão do futuro na população e o desmonte da administração pública sem que esta o tenha referendado, ou se utiliza de um grupo de manifestantes “batedores de panelas” ingenuamente manobrados para a derrocada final da entrega do patrimônio ao mercado e ao capital especulativo.

Arma-se um ardil objetivando o impedimento da presidência com base em fajutas afirmações, desmitificadas juridicamente, mas apoiadas por parlamentares inescrupulosos, alvos de investigações, com a intenção de barrar as ações da justiça, comprovadamente confessada em “grampos telefônicos” por autoridades governamentais e modificar o cenário político por meio de um golpe declarado por confirmação de líder do governo provisório- definitivo ao declarar em plenário com a maior empáfia de que entendem do assunto, que os objetivos reais do afastamento são outros e não especificamente algum crime de responsabilidade, onde tal afirmativa se fez verdadeira após confirmação de um membro do TCU, mudando sua convicção anterior.

Acontecimentos incríveis como esses e tantos outros indescritíveis nos levam a concluir que a exceção de alguns de nós, os otários, o resto é formado por Malandros & Pilantras, que agem com interesses próprios, indiscerníveis, isto é de má fé, como os pilantras ou de esperteza como os malandros.

Artigo

Saúde e inclusão social

Por isso, quando falamos em saúde social, falamos da qualidade das relações que sustentam a existência

07/04/2026 07h30

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A saúde, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) é um estado de bem-estar físico, mental e social. Ou seja, saúde vai muito além da doença! Essa definição é decisiva, porque nos obriga a enxergar mais do que apenas o corpo: ninguém adoece ou floresce sozinho.

A vida humana é tecido de vínculos!

Por isso, quando falamos em saúde social, falamos da qualidade das relações que sustentam a existência – confiança, pertencimento, cooperação, proteção e reconhecimento.

É por isso que precisamos atuar ativamente contra a miséria, a marginalidade e a desigualdade. A pobreza não é apenas falta de renda. É falta de oportunidade, de escuta, de acesso, de horizonte.

A marginalização empurra pessoas para fora da escola, do trabalho, da cidade e da dignidade. E a desigualdade, quando naturalizada, corrói as bases da convivência e transforma diferença em hierarquia.

Do mesmo modo, a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – chamada, informalmente, de Convenção de Nova Iorque – também nos ensina algo fundamental: pessoa com deficiência é aquela que possui impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade.

Ou seja, a deficiência não se explica pela condição individual; ela se agrava, se expande e muitas vezes se torna sofrimento social quando encontra muros de exclusão.

No fim, tudo isso gera severos danos à saúde de todos: a exclusão social é também uma forma de violência contra a saúde.

Os dados confirmam o tamanho do problema. A UNICEF estima que quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência. Essas crianças e adolescentes enfrentam, com frequência desproporcional, preconceito, barreiras e bullying.

Diversos estudos internacionais mostram que estudantes com deficiência têm maior risco de sofrer agressões verbais, isolamento e rejeição no ambiente escolar.

Não se trata de “brincadeira”: é uma violência que fere a autoestima, a aprendizagem e o desenvolvimento.

Por isso, a Educação Inclusiva é muito mais do que matrícula em sala comum. Inclusão é aprender a conviver com as diferenças.

É reconhecer que a escola não existe para padronizar pessoas, mas para formar cidadãos capazes de viver juntos em uma democracia real.

Quando a escola acolhe a diversidade, ela ensina algo que nenhuma cartilha possui: ninguém se desenvolve plenamente sozinho. O ser humano amadurece na relação, no vínculo, na experiência de ser visto e respeitado.

Combater o bullying, portanto, é compromisso ético. É preciso formação de professores, cultura escolar de respeito, acessibilidade, apoio pedagógico e protocolos claros de prevenção e enfrentamento à violência. Onde há humilhação tolerada, há falha institucional. Onde há bullying, há adoecimento coletivo.

A saúde social depende da confiança entre as pessoas. Onde a exclusão avança, a confiança recua. Onde o preconceito se instala, a cooperação enfraquece. E no lugar do cuidado surge o egoísmo, essa deformação que faz o indivíduo acreditar que pode prosperar sozinho.

Não pode. A vida humana é interdependência. Cada pessoa carrega potências e limites; e é justamente na comunidade que superamos obstáculos, produzimos sentido e construímos futuro.

Sem inclusão social, não há saúde social. Sem saúde social, a saúde mental enfraquece!

E sem combater a miséria, a marginalidade e a desigualdade, qualquer discurso de saúde permanece incompleto. E essa luta se faz com a escola inclusiva, a política pública séria e a cultura do respeito!

No fim, essa é o dever da Civilização: a construção de estruturas sociais em que cada pessoa possa pertencer sem pedir licença para existir.

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Editorial

Ler melhor é respeitar o seu tempo

Um jornal se constrói pelo diálogo e é esse diálogo que o mantém vivo

07/04/2026 07h15

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Em um mundo saturado de ruído e letras miúdas, a clareza deixou de ser detalhe – tornou-se valor. Nunca se escreveu tanto. Nunca se leu tão pouco.

Diante desse cenário, o jornalismo precisa fazer uma escolha: disputar atenção pelo volume ou conquistar relevância pela compreensão. O Correio do Estado sabe de que lado está. 

A partir desta edição, nossas páginas de Opinião e Entrevista, aos sábados, passam por uma mudança que é gráfica, mas reafirma nosso compromisso com a verdade e com a qualidade da informação.

Ampliamos fontes, ajustamos espaçamentos, criamos respiro. Pode parecer forma. É conteúdo. É escolha editorial.

É a afirmação de um princípio: respeitar o leitor começa por respeitar o seu tempo – valor essencial para nós – e também o seu olhar. 

Durante décadas, parte do jornalismo mediu sua força pela quantidade – mais texto, mais informação, hoje, essa lógica se esgota.

O excesso, muitas vezes, não informa: afasta, cansa, dispersa. Em um ambiente de atenção fragmentada, clareza não é simplificação. É rigor. É método. É responsabilidade.

Ao optar por uma página que respira, fazemos também uma escolha mais exigente. Síntese passa a ser compromisso permanente. Cada palavra precisa justificar sua presença.

Cada linha deve conduzir, e não dificultar. Em nossas editorias, o valor não está na quantidade, mas na utilidade, no que efetivamente informa, explica e permanece.

Não se trata de uma decisão isolada. Em todo o mundo, veículos consolidados compreenderam que, diante da saturação digital, o impresso precisa oferecer algo distinto: organização, legibilidade, foco. Mais do que informar, é preciso ser compreendido e respeitado na experiência de leitura.

A ciência da leitura é clara: o esforço para decifrar fontes pequenas gera fadiga e afasta o leitor. Queremos o contrário, que as ideias fluam naturalmente do papel para a sua mente. Esta é uma mudança voltada à longevidade da nossa relação com você.

Em diferentes partes do mundo, jornais como The Guardian e Financial Times vêm redesenhando a experiência de leitura para acompanhar as mudanças do tempo. Atento a esse cenário, o Correio do Estado se alinha a essa evolução, sem renunciar aos seus princípios editoriais.

Ao fazer essa escolha, o Correio do Estado se posiciona com clareza. Não seguimos a lógica do ruído fácil nem da informação empilhada – muito menos da desinformação. Apostamos no essencial. No que merece ser lido. No que ajuda a compreender o presente e a pensar o futuro.

Em tempos de pressa e dispersão, oferecer uma página que convida à leitura é também um convite à reflexão.
Ao longo desta semana, convidamos você a participar e compartilhar sua opinião.

Um jornal não se impõe, se constrói na escuta. E é essa escuta que nos move, aprimora e mantém vivos, edição após edição.

Boa leitura.

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