Em fenômeno que é relativamente recente, cerca de duas décadas, produtores rurais do País inteiro e o setor do agro como um todo batem orgulhosamente no peito para destacarem sua importância e relevância na economia brasileira.
Fazem-no, na grande maioria das vezes, com explícita convicção de que todo o sucesso é fruto única e exclusivamente do próprio esforço e da própria competência. Sentem-se e dizem-se heróis nacionais e ainda reclamam que literalmente carregam o País nas costas.
Os números oficiais confirmam que o endeusado agro tem total razão em sentir orgulho de seus feitos.
No primeiro trimestre deste ano, o agronegócio brasileiro bateu recorde em termos de exportações, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, totalizando US$ 38 bilhões em exportações e com um superávit de US$ 33 bilhões. As exportações do setor corresponderam a 48,8% das exportações brasileiras no período.
Os principais produtos exportados foram soja, carnes, celulose, café, açúcar e cereais. Praticamente todos com forte presença na economia de Mato Grosso do Sul.
Mas, o que precisa ficar claro é que o setor tem sido tratado, literalmente, a pão de ló. Se um consumidor comum for em qualquer loja do setor para comprar um saco de abudo para fertilizar um gramado, por exemplo, paga praticamente o dobro do que aquele que pede para emitir a nota na inscrição de produtor rural.
A explicação para esta diferença abismal de preço está nos subsídios, os quais muitos produtores insistem em não reconhecer ou fazem questão de negar que existam.
Além disso, ignoram os esforços que determinados governantes fizeram e seguem fazendo para conquistar novos parceiros comerciais.
Nos últimos meses, por exemplo, o Estado conquistou mais nove países e nesta sexta-feira entrou em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia. Muitos, inclusive, fazem escândalo por conta do custo de certas viagens internacionais oficiais.
Porém, não fossem algumas, ou muitas destas viagens, possivelmente a China não seria hoje o comprador de praticamente 50% de tudo aquilo que Mato Grosso do Sul exporta.
Se a China rompesse com o Brasil, assim como chegam a defender determinados políticos com forte influência no agro, a economia local literalmente iria à falência.
A celulose, a soja e boa parcela das carnes não teriam mais comprador. As indústrias seriam obrigadas a fechar as portas, os preços despencariam e por mais competente e esforçado que seja o produtor rural, ele iria à falência.
É inquestionável que o sucesso do agro foi fundamental para colocar o Brasil em outro patamar. Mas, isso ocorre somente porque alguém está abrindo portas dia após dia, mesmo que alguns trabalhem para fechá-las, como foi o caso do tarifaço imposto no ano passado pelo presidente dos Estados Unidos.
Soberba e arrogância, explicitada pelo fato de o setor não aceitar que é resultado de toda uma engrenagem mundial, é, normalmente, o primeiro passo para a derrocada.


