O governo de Mato Grosso do Sul anunciou ontem a adoção de um protocolo que estabelece a meta de economizar até 25% dos recursos da máquina pública. A iniciativa merece registro e apoio. Em tempos de pressão sobre as contas públicas, buscar eficiência não é apenas prudente, é necessário.
A medida deveria, aliás, ser regra permanente, não apenas no Executivo estadual, mas em todas as prefeituras e repartições públicas, inclusive nos demais Poderes.
A lógica é simples: o dinheiro administrado pelo Estado não pertence ao governo de ocasião, mas ao contribuinte, e cada centavo economizado na estrutura administrativa pode – e deve – ser redirecionado para áreas que impactam diretamente a vida da população.
A busca por eficiência precisa ser contínua. Não pode surgir apenas em momentos de aperto fiscal ou como resposta a crises pontuais. Uma gestão moderna exige avaliação constante de contratos, revisão de despesas correntes, eliminação de desperdícios e racionalização de processos.
Quando isso ocorre de forma planejada, naturalmente, sobra mais dinheiro para investir em infraestrutura, saúde, educação e políticas públicas estruturantes.
Mas anunciar metas é apenas o primeiro passo. Economizar de fato é o desafio maior. Será fundamental que o governo preste contas à sociedade sobre o que conseguiu reduzir, onde cortou gastos e quais áreas foram preservadas.
Transparência não é detalhe burocrático; é instrumento de credibilidade. Se a meta é economizar até 25%, a população precisa saber como esse porcentual foi calculado, sobre quais bases incide e quais resultados concretos foram alcançados.
A eficiência, quando acompanhada de transparência, produz um efeito virtuoso. Além de melhorar a gestão, fortalece a confiança entre governo e sociedade. E confiança institucional é um ativo tão valioso quanto o equilíbrio fiscal. Sem ela, qualquer medida corre o risco de ser vista apenas como discurso.
O exemplo dado pelo Executivo estadual pode – e deve – ser seguido por outros entes públicos. Mais do que isso: poderia se transformar em política permanente de Estado, e não apenas de governo.
A cultura da responsabilidade fiscal precisa estar incorporada ao funcionamento cotidiano da administração pública, independentemente de quem esteja no comando.
Economizar não significa paralisar serviços nem comprometer direitos. Significa gastar melhor. Significa priorizar. Significa reconhecer que eficiência administrativa é também uma forma de respeito ao contribuinte.
O anúncio está feito. A meta foi estabelecida. Agora, o que se espera são resultados concretos, números claros e prestação de contas objetiva. A sociedade acompanhará e torcerá para que a economia prometida se traduza, no fim das contas, em mais investimentos e melhores serviços públicos.

