O serviço de táxi é uma das formas mais tradicionais de transporte individual nas cidades. Durante décadas, foi praticamente sinônimo de deslocamento rápido e personalizado para quem não tinha carro ou precisava chegar a algum destino sem depender do transporte coletivo.
A tradição, porém, não é suficiente para garantir a sobrevivência de um serviço quando o comportamento do consumidor muda.
É nesse contexto que devem ser observadas as novas regras anunciadas pela Prefeitura de Campo Grande para a atividade dos taxistas. As medidas ampliam as possibilidades de operação e procuram adequar a regulamentação a uma realidade que já mudou há algum tempo.
Entre as novidades estão a autorização para caminhonetes integrarem a frota, especialmente para atender passageiros da zona rural e transportar volumes maiores, a regulamentação do táxi executivo, com veículos de padrão superior, e a possibilidade de o permissionário continuar trabalhando em determinadas situações quando seu veículo estiver temporariamente indisponível.
Há ainda outras mudanças, como a possibilidade de circulação dos táxis nos corredores destinados ao transporte coletivo, além da prorrogação do prazo para substituição de veículos que atingiriam a idade máxima permitida neste ano.
São alterações que, em conjunto, procuram dar maior flexibilidade ao serviço e criar condições para que os profissionais enfrentem as dificuldades econômicas e a concorrência que se intensificou nos últimos anos.
O ponto central, contudo, não está apenas nas regras para caminhonetes, veículos executivos ou substituição de carros. Está na necessidade de reconhecer que o mercado de transporte individual mudou profundamente com a chegada dos aplicativos.
O táxi, que durante muito tempo ocupou posição praticamente consolidada nesse segmento, passou a disputar passageiros com empresas que colocaram preço, conveniência, localização em tempo real e facilidade de pagamento na palma da mão.
Essa transformação impôs uma lição à categoria. O consumidor passou a comparar preços, tempo de espera, conforto e qualidade do atendimento.
O que antes parecia um mercado com pouca margem para escolha tornou-se altamente competitivo. A concorrência mostrou, inclusive, que havia espaço para uma parcela muito maior da população utilizar regularmente o transporte individual quando o preço das viagens se tornou mais acessível.
Não se trata de afirmar que todo táxi era caro ou que todos os profissionais praticavam preços inadequados, mas é inegável que a chegada dos aplicativos alterou a percepção do consumidor sobre quanto está disposto a pagar por uma corrida. O mercado respondeu à mudança, e os taxistas precisam continuar respondendo a ela.
Por isso, a modernização da legislação deve ser acompanhada por uma modernização ainda mais importante: a do próprio serviço. Não basta permitir novos tipos de veículos ou flexibilizar regras.
É preciso que os taxistas estejam presentes nas plataformas digitais, sejam capazes de receber chamadas por aplicativos e ofereçam ao passageiro a mesma praticidade que ele encontrou nos novos concorrentes.



