Artigos e Opinião

ARTIGO

Raphael Curvo:
"Pedaços de mim"

Advogado

Redação

30/08/2015 - 00h00
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Sinceramente, prova já tem de toneladas sobre as falcatruas do governo desde 2003. Temos de entender que a quadrilha de assaltantes do dinheiro do contribuinte brasileiro atuou sob o beneplácito de todo o povo, que, na euforia de “nova administração” do governo petista, acreditou em um novo tempo para a nossa nação. Nunca, na história deste País, poucos roubaram tanto em tão pouco tempo. Não foi um problema de necessidade nem justificativa para um projeto de ação como muitos pensam ter sido a rapinagem promovida por Lula, Dirceu, Genoíno, Delúbio e outros catervas mais. Foi uma questão de índole, de perfil de banditismo. Foi ação arquitetada e planejada de maneira intencional, sem qualquer medida de escrúpulos. Armaram tudo de forma a usufruir do erário para mantê-los no poder e para proveito particular do bando.

Você tem uma cooperativa quebrada, sem qualquer recurso no caixa e até mesmo sem possibilidade de levantar novos financiamentos, dado o endividamento dela. Aí, de repente, surge no cenário das atitudes elevadas uma construtora que deseja, graciosamente, terminar uma das obras (prédio de apartamentos), que tem, entre outros cooperados, figuras carimbadas como o ex-presidente Lula, um dos prováveis hóspedes de Curitiba e que terá um papo muito pessoal com o juiz Sérgio Moro, e João Vaccari Neto, muito conhecido da Polícia Federal e do Ministério Público. Acontece que a atitude elevada da Construtora OAS tinha por base o repasse de 3,7 milhões de reais feito pela GDF do doleiro Alberto Youssef. Será que este repasse não serve como prova cabal da corrupção praticada pelo Lula? Afirmar isso é pensamento golpista? Não é um vilipêndio ao corpo do Brasil?

Como diz o ministro Gilmar Mendes: “puxa-se uma pena e vem uma galinha”. Eu digo mais: puxa-se uma pena e vem um galinheiro todo. O delator Alberto Youssef afirmou na acareação com Paulo Roberto, na CPI da Câmara, que tanto Lula como Dilma tinham conhecimento das operações de saqueamento do caixa da Petrobras pelos membros do bando. Confirmou que nada era feito sem a anuência do Palácio do Planalto. Estas empresas que praticam benfeitorias e benesses aos petistas, como depósitos vultosos nas contas particulares e na campanha dos seus candidatos, sempre afirmaram em depoimento que repassavam ao PT as contribuições advindas dos contratos das instituições públicas, para as quais realizavam obras. Era dinheiro sujo, oriundo da corrupção que entrava “legalmente” na conta do Partido dos Trabalhadores. 

Não bastassem esses atos de destruição das contas do Brasil, o governo petista, que está à deriva em um oceano de incompetência e incapacidade de administrar, se mutila ao trazer de novo à baila políticas como CPMF, crédito fácil, etc., que foram comprovadas ineficientes na solução da crise por qual estamos passando e vivemos. É uma crise que não está restrita apenas à condição econômica, mas corrói as vísceras de todo brasileiro pela destruição da credibilidade da nação e retorna o País à produção de enganos e sofrimentos. 

A verdade é que precisamos exigir com mais dureza que as instituições responsáveis pela análise dos documentos e da apuração da Polícia Federal, do Ministério Público e dos tribunais federais, STF/TSE, tenham maior rapidez nas decisões e na tomada de posição ante os fatos que demonstram de forma clara e nua que o governo do Brasil e toda a sua estrutura administrativa está corrompida e que o processo de mudança já está por demais maduro, sob pena de apodrecer e com ele toda a esperança do povo brasileiro. São acontecimentos que estão dilacerando a alma do povo, que estão destruindo celeremente com as forças produtivas, morais, éticas e de crença na condição de vida no Brasil. Estão fatiando o corpo da nação, são pedaços de cada um dos brasileiros, são pedaços de mim.

EDITORIAL

Milhões em isenções, zero em mudanças

A renovação de subsídios sem contrapartidas claras em Campo Grande deixa de ser uma solução financeira para se tornar um financiamento do descaso

04/03/2026 07h15

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A aprovação da isenção de R$ 12 milhões somente em Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e outros R$ 28 milhões de subsídio para o Consórcio Guaicurus pela Câmara Municipal de Campo Grande, ontem, é um filme a que a capital sul-mato-grossense já assistiu repetidas vezes.

No entanto, o roteiro parece cada vez mais desconectado da realidade de quem, sob o sol escaldante, espera por um ônibus que raramente cumpre o horário.

Sob o argumento pragmático de “evitar o aumento da tarifa”, o poder público renova um benefício que, na prática, soa como uma bonificação por um serviço que beira o colapso estrutural. A questão central aqui transcende a contabilidade fria. É uma questão de abrangência e prioridade.

Enquanto o Executivo e o Legislativo utilizam a renúncia fiscal como um “amortecedor” imediato para o bolso do contribuinte, ignoram o custo invisível e muito mais alto pago diariamente pela população: as horas de vida perdidas em atrasos crônicos, o desconforto de uma frota envelhecida e a sensação de insegurança em terminais que pedem socorro.

O círculo vicioso do subsídio sem contrapartida deveria ser discutido à exaustão, principalmente o técnico. O subsídio é uma ferramenta de política social. Contudo, em Campo Grande, o modelo está se tornando um cheque em branco.

Em vez de se discutir soluções, discutem-se benefícios, e o que deveria ser importante fica relegado ao discurso político dos gabinetes. A tal da CPI, que deveria ter efeitos práticos, virou palanque, com agressões verbais a ex-diretores e à imprensa que se pautou em divulgar o trabalho dos nobres edis.

O transporte coletivo é a veia que transporta a força de trabalho para o comércio e a indústria da Capital. Isentar a concessionária de impostos sem exigir cronogramas rigorosos de renovação de frota e climatização é, em última análise, transferir o ônus da má gestão para o cidadão mais vulnerável.

É manter o trabalhador em um sistema de “segregação de mobilidade”.

Recentemente, a Justiça estabeleceu um prazo, até segunda-feira (9), para que a Prefeitura de Campo Grande apresente um plano de ação concreto para sanar as deficiências do setor, chegando a classificar a gestão atual como “omissa”.

A aprovação da isenção ontem, em regime de urgência, parece ignorar esse ultimato. Em vez de uma reforma estrutural no contrato de concessão, oferece-se um paliativo financeiro que apenas adia o inevitável debate sobre a caducidade do contrato.

No fim de 2025, essa mesma proposta enfrentou resistência e foi rejeitada. O que mudou em 60 dias? Não foram os ônibus, que continuam quebrando e chegando atrasados. A mudança foi meramente política, fruto de “articulações” que raramente chegam ao conhecimento do passageiro que aguarda no ponto.

Ao renunciar  a R$ 12 milhões em receitas que poderiam ir para Saúde ou Educação, a Câmara Municipal compra, na verdade, um curto período de paz política e evita um desgaste eleitoral imediato com o aumento da passagem. Mas a paz do gabinete não chega às ruas.

Para o passageiro que enfrentará o calor de 34°C em um veículo lotado, a conta continua chegando alta. O transporte público de Campo Grande precisa deixar de ser tratado como um “problema de planilha de custos” para ser encarado como um direito à cidade.

Enquanto o subsídio for usado apenas para manter um serviço de qualidade duvidosa, a prefeitura não estará poupando os cofres públicos, estará, na verdade, subvencionando o desrespeito a quem move a cidade. No fim das contas, não é apenas o dinheiro do contribuinte que se esvai, mas a própria dignidade do cidadão que o sistema deveria servir.

ARTIGOS

Justiça seja feita, sempre!

STF condenou os mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, reafirmando um princípio que sustenta qualquer democracia: a justiça pode tardar, mas não pode falhar

03/03/2026 07h45

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Quase seis anos depois do crime que chocou o País, a resposta do Estado brasileiro chegou. A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, reafirmando um princípio que sustenta qualquer democracia: a justiça pode tardar, mas não pode falhar.

Os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram condenados a 76 anos de prisão. O ex-major da PM Ronald Pereira recebeu pena de 56 anos por homicídio. O ex-assessor Robson Calixto foi condenado por organização criminosa.

Já o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, absolvido da acusação de homicídio por insuficiência de provas, foi condenado por corrupção passiva e obstrução de Justiça. Além das penas, houve a fixação de indenizações milionárias às famílias e às sobreviventes do atentado.

A decisão unânime, com votos dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, não devolve as vidas perdidas.

Mas devolve algo igualmente essencial: a confiança de que as instituições funcionam, mesmo sob pressão, mesmo diante de interesses poderosos, mesmo quando o tempo parece corroer a esperança.

O caso de Marielle e Anderson tornou-se símbolo da violência política no Brasil. Mulher negra, oriunda da periferia, defensora dos direitos humanos, Marielle representava uma ruptura com estruturas históricas de exclusão.

Seu assassinato foi um ataque não apenas a uma pessoa, mas à ideia de participação democrática plural. Quando a ministra Anielle Franco afirmou que a decisão era um “recado” aos que minimizaram o crime, sublinhou que não se tratava de vingança, mas de afirmação do Estado de Direito.

Não há democracia sólida onde crimes políticos são anistiados por conveniência, esquecidos por cansaço ou perdoados por cálculo.

Investigar, apurar, acusar, julgar e condenar são etapas de um processo civilizatório. E ele só se completa quando as penas são efetivamente cumpridas. A impunidade é combustível para a repetição. A responsabilização, ao contrário, é freio e exemplo.

O voto da ministra Cármen Lúcia evocou indignação diante da violência que insiste em assombrar o Brasil. Ao questionar quantas “Marielles” e “Andersons” ainda serão vítimas antes que o Estado reaja de modo estrutural, ela apontou para um desafio que vai além deste caso.

A Justiça precisa ser firme não apenas no desfecho, mas na prevenção. A mensagem precisa ser clara: quem atenta contra a vida e contra a democracia responderá por seus atos.

Também é sintomático que um dos condenados ainda receba remuneração pública enquanto aguarda desdobramentos formais. Situações assim tensionam o sentimento social de justiça e revelam a necessidade de aperfeiçoamentos institucionais.

O cumprimento integral das penas e a coerência entre condenação e consequências administrativas são partes do mesmo compromisso com a legalidade.

A decisão do STF estabelece um marco. Mostra que estruturas criminosas sofisticadas podem ser desvendadas; que o tempo não apaga a obrigação de responsabilizar; que a pressão política não deve dobrar a espinha dorsal das instituições.

Para o futuro, fica a lição: crimes não devem ser anistiados nem relativizados. O Estado existe para proteger direitos, não para negociar a aplicação da lei.

Quando a justiça tarda, a dor se prolonga. Mas quando ela falha, a democracia adoece. Neste caso, apesar dos anos de espera, a resposta veio.

Que sirva de exemplo permanente: nenhuma violência pode ser normalizada; nenhum mandante pode se esconder atrás do poder; nenhuma vida pode ser reduzida a estatística.

A memória de Marielle e Anderson exige mais do que homenagens – exige vigilância, firmeza e a certeza de que, no Brasil, o crime não compensa.

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