Um dos traços da nossa cultura política são as práticas de mandonismo que se fazem presentes de Norte a Sul do Brasil desde longa data. Claro, cada momento histórico tem lá suas peculiaridades, cada região, suas especificidades; mas esse trem doído continua presente em nossa sociedade – com outras roupagens, é claro.
Todos conhecemos a história da formação dos redutos eleitorais cativos que são controlados por caciques políticos – redutos estes edificados com uma série de benefícios regalados aos seus eleitores que, nos termos populares, sentem-se obrigados a votar em quem o cacique indicar.
Detalhe importante: o grande despreparo não vem tanto da parte dos cidadãos desvalidos, mas sim da nossa classe política e das nossas elites econômicas e intelectuais. Isso mesmo, cara-pálida.
Pergunte-se: quem coagia os eleitores? Quem comprava os votos? Quem falsificava as atas eleitorais? Com certeza não era o pobre do Jeca Tatu.
De mais a mais, o brocardo “em uma eleição vale tudo, menos perder” reflete muito bem a mentalidade predatória dos donos do poder nestas terras de ninguém.
Mas voltemos ao ponto do conto: a compra de votos em nosso país por bagatelas, juntamente com a troca de favores, é um traço permanente na história das eleições brazucas.
Como nos lembra José Osvaldo de Meira Penna, em seu livro “O Dinossauro”, caudilhos e demagogos de todos os naipes ideológicos não se cansam de se apresentar no imaginário midiático e propagandístico como uma espécie de Robin Hood – que tira dos ricos para dar aos pobres –, quando, na verdade, na maioria das vezes, não passam de maquiavélicos xerifes de Nottingham, que tomam de todos para beneficiar a si mesmos e aos seus.
Podemos dizer que, de certa forma, a velha política do pão e circo nunca sai de cartaz. Sempre funcionou muito bem, funciona on-line que é uma beleza e, ao que tudo indica, continuará fazendo sucesso por muito tempo.
Por quanto tempo? Só Deus sabe. Pensando nisso e voltando nossos olhos para a conjuntura atual, é bom não nos esquecermos de que muitíssimos brasileiros dependem de algum programa social.
Além disso, uma fatia significativa de lares brasileiros possui algum tipo de dívida e outros tantos estão com contas atrasadas ou inadimplentes. Em resumo: são muitos os cidadãos que se encontram em uma situação delicada.
Por isso, as palavras do senhor Luiz Inácio, ditas no ano de 2000, são muito interessantes. Dizia ele que a compra de votos, o clientelismo e demais práticas similares levavam o povo a pensar com o estômago e não com a cabeça.
É por isso que se distribui tanta cesta básica, tanto tíquete de leite, porque, na verdade, tudo isso seria uma peça de troca em época de eleição que despolitiza o processo eleitoral. É, meu amigo: Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou, e ele está certíssimo no que disse.


