Artigos e Opinião

ARTIGO

Sônia Puxian: "Sim, sim; não, não"

Jornalista

Redação

22/09/2017 - 02h00
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A indecisão é inimiga da ação. Por quê? Quando você está indeciso, deixa de tomar decisões que poderiam te levar ao sucesso e ao crescimento. Essa incerteza cede lugar à dúvida, que entra em campo e transforma a sua ação em pausa. Pausa para analisar a fundo cada situação e verificar se é correto ou não tomar tal atitude.

Nesse compasso de espera, a sua ideia, que talvez fosse boa ou ótima, pode ficar em segundo plano ou ser delegada ao esquecimento, uma vez que você não deu a ela o devido valor. Na maior parte das vezes, as ideias que chegam de surpresa e dão aquele sinal de que algo bom vai acontecer despertam temor e receio. “Mas será que é bom mesmo? ”.

Pronto! A dúvida já se instalou... Pois é assim mesmo que acontece na maior parte das ideias que se instalam no pensamento. Tudo tem início no pensamento e também no desejo de tornar real essa ideia ou projeto. É importante sonhar, idealizar e realizar. 

Para saber se vai dar certo, não adianta ficar sentado no sofá pensando e analisando no silêncio das hipóteses qual seria a melhor solução. Qualquer que seja a solução, no pensamento ela é irreal e corre o risco de ser apagada pela indecisão. Ugh! E aí tudo fica seguro, mas será que vale a pena ficar estagnado na zona de conforto?

Se isso fosse correto, grandes empresas não seriam instaladas, negócios grandiosos não seriam desenvolvidos, grandes empreendimentos não seriam realidade... A não tomada de decisão é um obstáculo que paralisa, daí a importância de agir. 

Anote aí o que diz David Niven no livro “Os 100 Segredos das Pessoas de Sucesso”: “Você precisa de confiança para ter sucesso. Você já ouviu isso. Já leu sobre isso, sabe disso. Confiança significa autoestima, e esta deve ser construída com base no respeito próprio”. E mais: “Quando algum acontecimento minar a sua autoestima, você precisa ter uma fé inquestionável em você mesmo. Essa fé, na sua integridade, vai ajudá-lo a sobreviver a uma derrota ou até mesmo a uma série de fracassos”. 

O tempo, a persistência, a análise apurada de alguma ideia ou projeto são ingredientes básicos para a realização de qualquer ação. O que vale é a firmeza do pensamento e a certeza de que algo vai acontecer para torná-la real. 

Quantas vezes você trancou seus projetos na gaveta e esperou a hora certa de agir? Em quantas ocasiões a incerteza tentou lhe dar a certeza de que aquilo não estava na hora certa para acontecer? Tudo isso gera dúvidas e a dúvida paralisa! Quantas vezes você disse “sim” e a sua indecisão disse “não”.

Tudo isso é parte da tentativa de se fazer algo que vai mexer com a sua estrutura psíquica, emocional e vai gerar incertezas. E também porque nada acontece rapidamente. É necessário dar o tempo certo. 

Veja o que diz o autor Niven: “A maioria das coisas que você quer não vai aparecer do dia para a noite. As coisas mais importantes levarão anos para serem conquistadas. Como ter estímulo para prosseguir sabendo que ainda tem muito caminho pela frente?”. 

Em tudo o que se planeja, é importante persistir. “Os persistentes também acreditam que, mais importante do que entender a tarefa que têm pela frente, é se conhecerem e saberem as perspectivas que têm no futuro”, diz Niven. 

Uma decisão requer consciência, segundo o autor: “Ao comparar pessoas que tendem a desistir facilmente com aquelas que tendem a prosseguir, mesmo durante desafios difíceis, pesquisadores descobriram que os persistentes gastam duas vezes mais tempo pensando não sobre o que tem de ser feito, mas sobre o que já conquistaram, o fato de a tarefa ser possível e sua capacidade de desenvolvê-la”. Uau!

E então, vai continuar indeciso? Faça da decisão a amiga da sua ação, somente ela vai poder dizer: sim, sim; não, não. Tenham ótimos dias e grandes realizações...
 

Editorial

Que a campanha fortaleça a democracia

Sem política, não há espaço institucional para o debate de ideias, para a negociação de interesses e para a construção coletiva das decisões que afetam toda a sociedade

17/08/2026 07h10

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Foi dada neste domingo a largada oficial para a campanha eleitoral, período que se estenderá até o dia 2 de outubro, dois dias antes da votação do primeiro turno, marcada para o dia 4 de outubro, um domingo. A partir de agora, candidatos, partidos e eleitores entram em uma etapa decisiva do processo democrático, na qual propostas, ideias e projetos para o País deverão estar no centro do debate.

O que se espera destas eleições, acima de tudo, é que todos os candidatos joguem limpo. A disputa pelo voto não pode ser transformada em uma guerra de ataques, mentiras, manipulações ou acusações sem fundamento.

A democracia pressupõe divergência, mas também exige respeito às regras e ao eleitor. Para garantir que isso aconteça, estará presente a Justiça Eleitoral, responsável por fiscalizar o cumprimento da legislação. Mas há outro personagem igualmente importante nesse processo: o próprio eleitor.

É também pela manifestação do eleitor, nas urnas e ao longo da campanha, que se estabelece o limite para determinados comportamentos políticos. Cabe à sociedade rejeitar a desinformação, a baixaria e as tentativas de transformar a eleição em um espetáculo de agressões, com um olhar atento para o universo digital. O voto consciente é uma das principais ferramentas de que dispõe o cidadão para influenciar os rumos do País.

Por isso, o período de campanha eleitoral é importante. Mais do que uma sucessão de eventos, discursos e propagandas, trata-se de uma oportunidade para que o Brasil amadureça e, quem sabe, faça as pazes com a política.

Não é uma tarefa simples. Nas últimas décadas, sucessivos escândalos de corrupção, promessas não cumpridas e a desconexão de parte dos políticos com a realidade da população contribuíram para desgastar a imagem da atividade política.

A demonização da política, entretanto, não resolve o problema. Pelo contrário. É preciso reconhecer que, em uma sociedade democrática, não existe outro caminho para tentar fazer valer nossos princípios, defender nossas convicções e construir o mundo que desejamos senão por meio da própria política.

É compreensível que o cidadão esteja decepcionado. É legítimo cobrar, fiscalizar e exigir mudanças. O que não parece razoável é concluir que a política, por causa dos erros de alguns de seus representantes, seja necessariamente algo negativo.

Sem política, não há espaço institucional para o debate de ideias, para a negociação de interesses e para a construção coletiva das decisões que afetam toda a sociedade.

É verdade que existem outras formas de governo nas quais mudanças estruturais podem ocorrer sem que tenham a política democrática como ponto de partida.

Regimes autoritários podem impor transformações pela força, pela supressão de direitos e pela concentração do poder. Mas essa é outra história – e não é o caminho que uma sociedade democrática deve desejar.

O que se espera, portanto, é que esta campanha seja justa, tranquila e respeitosa; que os candidatos apresentem suas propostas, expliquem suas escolhas e aceitem o contraditório; que a Justiça Eleitoral cumpra seu papel e que os eleitores também façam a sua parte.

Artigo

Paradoxo docente: o herói com menos poderes e cada vez mais responsabilidades

No Brasil, paradoxalmente, os professores são tratados como heróis às avessas, cujos poderes foram dizimados por completo

15/08/2026 07h15

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No mês de julho deste ano, estreou o novo filme do Homem-Aranha, o herói que aprendeu, da pior maneira possível, que, com grandes poderes, adquirem-se muitas responsabilidades.

No Brasil, paradoxalmente, os professores são tratados como heróis às avessas, cujos poderes foram dizimados por completo, mas de quem se exigem crescentes e inalcançáveis responsabilidades.

O resultado é que, todos os dias, esses profissionais são atirados em ambientes degradados e violentos, com as mãos e os pés atados, sem qualquer apoio real, enquanto os verdadeiros vilões assistem a esse suplício de camarote. 

Quanto aos malfeitores, basta verificar que, nas últimas décadas, os docentes foram atacados por ambos os flancos ideológicos, interessados em controlar as escolas e dominar as mentes das novas gerações, em detrimento da alfabetização de qualidade, da promoção da leitura e da transmissão de conhecimentos poderosos, para usar uma expressão de Michael Young.

Por um lado, construiu-se o mito do professor opressor e da escola-prisão, demonizando a autoridade docente; de outro, buscou-se estigmatizar os mestres como doutrinadores, vagabundos e perversores da juventude, maculando a imagem da categoria e enfraquecendo o laço entre família e escola.

Dessa forma, houve um esvaziamento da autoridade do professor, elemento fundamental para que o ensino aconteça, como reconhecem, inclusive, estudiosos de campos diametralmente opostos, como Paulo Freire, que diz que “[...] o professor que ironiza o aluno, que o minimiza [...], tanto quanto o professor que se exime do cumprimento do seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar [...] transgride os limites fundamentalmente éticos de nossa existência”, e Inger Enkvist, a qual afirma que, seja qual for o modelo escolhido, “sem aceitar a autoridade do professor em sala de aula, é impossível obter bons resultados”.

Hoje, a liberdade de cátedra, na prática, quase inexiste na educação básica e os docentes, enfraquecidos, estão impedidos de lecionar livremente em muitas redes de ensino, agrilhoados a plataformas e materiais pré-fabricados; encontram-se também impossibilitados de avaliar, já que os resultados são revertidos à sua revelia e alunos são aprovados, diversas vezes, sem qualquer critério de aprendizagem; finalmente, o desrespeito e a violência tomaram conta de grande parte das escolas, inclusive de muitos colégios particulares, já que os professores são frequentemente desautorizados pelos pais e as escolas não têm meios eficazes de combater a indisciplina, a qual já ocupa 21% do tempo de aula, segundo dados, divulgados em 2019, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Atacado e sem poderes, o professor recebe, contraditoriamente, cada vez mais incumbências. A Lei n° 13.185/2015, por exemplo, determinou que é dever dos estabelecimentos de ensino assegurar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e ao bullying.

Em 2018, a Lei Lucas estabeleceu a obrigatoriedade de capacitar professores em noções de primeiros socorros. Em vigor desde março, as novas diretrizes de proteção digital do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trouxeram a obrigatoriedade de a escola promover a educação digital e midiática e garantir um ambiente virtual seguro aos alunos.

Mais recentemente, em junho, foi aprovado o Projeto de Lei n° 4.088/2023, que torna obrigatório o ensino de educação política e direitos da cidadania.

Todas essas iniciativas são importantíssimas, mas salta aos olhos a intensa transferência de responsabilidade do restante da sociedade para uma escola depauperada e para professores doentes e sobrecarregados.

Enquanto isso, 33% dos municípios não cumprem a legislação que determina o piso do magistério, mais de 50% dos professores das escolas públicas são temporários com direitos reduzidos, apenas 15,7% das escolas públicas contam com psicólogos – ainda existe a Lei n° 13.935/2019? –, e a mencionada Lei Lucas segue amplamente desrespeitada por municípios e estados. 

Professores não são heróis, mas sim profissionais que merecem respeito. Não cabe cobrar da categoria poderes extra-humanos enquanto políticos, gestores e muitos pais lavam as mãos e transferem responsabilidades.

É preciso proporcionar condições dignas de vida e de trabalho, devolver autoridade aos docentes e valorizar o conhecimento escolar, base de todas as competências e habilidades; do contrário, a profissão permanecerá eternamente inviabilizada e presa a uma teia inexpugnável de abandono e impotência, condenando o País ao eterno atraso civilizatório.

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