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Trânsito muito louco

No ano de 2024, por exemplo, o País atingiu o alarmante número de 123,9 milhões de unidades em circulação

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Desde a popularização da compra de veículos, impulsionada pelas “facilidades” que o mercado passou a oferecer na década de 1990, o número de carros, motos e congêneres que são lançados para circulação nas ruas passou dos limites do humanamente razoável.

Esse desenfreado aumento trouxe, consequentemente, graves problemas de mobilidade e de circulação em geral, os quais, presentemente, impõem o desafio de uma solução por demais complexa, mas que passa, necessariamente, pelo campo das políticas de educação, tão desejáveis.

Comparando-se o cenário econômico hodierno com os anos da década de 1990, percebe-se que o mercado do ramo automobilístico abriu espaço para a comercialização em massa, o que atingiu, consideravelmente, a frota de veículos em circulação. 

No ano de 2024, por exemplo, o País atingiu o alarmante número de 123,9 milhões de unidades em circulação, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. 

Proporcionalmente a esse licenciamento concedido aos automóveis, as licenças (permissões para dirigir) também foram flexibilizadas ainda mais recentemente, dada a supressão de etapas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.

Essa política de incentivo (unilateral) à proliferação de veículos e de “motoristas”, desacompanhada de medidas que visem promover a inarredável educação que se deve ter no trânsito, só agrava mais os problemas de circulação, que a todos põe em risco.

Não é mais possível dirigir como há algumas décadas, quando não só a frota de veículos em circulação nas ruas era razoável, mas a própria estrutura das cidades e o estilo de vida passada proporcionavam que se andasse mais livremente e em paz.

Presentemente, “acerta na loteria” quem consegue sair de um canto para outro sem que esbarre com ao menos uma situação que cause, no mínimo, um transtorno ou perigo, quando não seja caso de maior gravidade.

A preocupação com o risco de acidentes é tanta e vem tanto da parte dos motoristas, como de (moto) ciclistas e de pedestres em geral.

Quase todo mundo está errado em algum ponto e todos querem estar certos em tudo, gerando uma zorra total no trânsito.

Até mesmo daqueles de quem mais se espera segurança na direção, como motoristas profissionais (de transportes coletivos, de aplicativos e taxistas), há probabilidade de perigo, justamente pelo excesso de confiança que alguns detêm.

Calçadas e faixas, que antes eram destinadas exclusivamente a pedestres (os mais vulneráveis neste cenário), são hoje, violentamente, utilizadas por motociclistas e ciclistas, sem que o poder público nada faça para conter essas práticas.

Não é mais confiável sequer atravessar uma rua sem olhar para todos os lados, até mesmo para o sentido de onde não deveria surgir nenhum veículo. 

Não se trata tão somente de falta de educação, mas da colocação em pratica do maléfico instinto humano de achar que pode tudo e todo o resto que se dane, pois, ao menor sinal de reação da vítima desses abusos, ainda se corre o risco de acontecer algo pior.

Por essa razão, devem os órgãos de trânsito intensificar a fiscalização, adotando medidas que não só sejam eficazes em termos de exação, mas do próprio exercício do poder de polícia, que é atributo dos atos administrativos, sob pena de que mais e mais tragédias aconteçam.

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Soberania em xeque

PCC e Comando Vermelho atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal

21/03/2026 07h45

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A soberania de uma nação é tradicionalmente medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições. No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio peculiar: uma erosão silenciosa das estruturas de governança promovida pelo crime organizado.

Grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal, desafiando as ferramentas jurídicas tradicionais.

Observa-se hoje um processo de camuflagem institucional. Organizações criminosas utilizam a estrutura estatal para expandir seus domínios, gerindo serviços essenciais – como transporte público, coleta de resíduos e até unidades de saúde – para converter verbas públicas em capital de giro ilícito.

Controlam municípios em sua totalidade e ampliaram sua atuação para os três poderes e esferas institucionais, infiltrados nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Este fenômeno aponta para um risco iminente de ‘mexicanização’.

Diante deste cenário, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo análise que transcenda a segurança pública e alcance a defesa nacional.

Essa complexidade se agrava com a transformação do território nacional em um entreposto logístico global, atraindo redes criminosas internacionais. A convergência entre o narcotráfico doméstico e presença de células terroristas extrarregionais altera a percepção de risco sobre o País.

Como confirmado pela Operação Carbono Oculto, grupos internacionais utilizam a capilaridade das facções brasileiras para operações de financiamento e suporte logístico, acredite, conectando o crime urbano às instabilidades do Oriente Médio.

Um pilar central dessa vulnerabilidade é a arquitetura financeira. O Brasil carece de uma lei robusta de triagem de investimentos estrangeiros, similar ao modelo de economias centrais. A inexistência de filtros que escrutinem ‘investimentos’ mantém as portas abertas para ativos perigosos.

Por meio de engenharias societárias em paraísos fiscais, o capital do crime e do terrorismo é reciclado na economia real, como na infraestrutura, agronegócio, portos, indústria, terras raras, atingindo nossa soberania ao financiar desestabilização institucional, expondo o sistema bancário a graves riscos reputacionais.

É neste vácuo jurídico que surge uma estratégia de defesa contemporânea: a convergência com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) proposta pelos EUA. Sob a ótica da Realpolitik, o apoio a essa medida não é submissão, mas a adoção de um multiplicador de forças indispensável.

Ao integrar PCC e CV a este regime, o Brasil ganha acesso a um arsenal de sanções financeiras e inteligência de alta tecnologia que isoladamente levaria décadas para desenvolver. A classificação retira as facções da zona de conforto do direito penal comum, permitindo que o Estado promova higidez nos capitais empresarial e financeiro.

A verdadeira soberania manifesta-se na capacidade de reconhecer ameaças e buscar alianças que potencializem a autoridade estatal. O apoio à iniciativa americana e a implementação de leis rigorosas de triagem de investimentos são as faces de uma mesma moeda.

O enfrentamento ao narcoterrorismo exige um pragmatismo soberano que infelizmente tem faltado ao nosso país.

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O Pantanal nas rotas do mundo: por que Mato Grosso do Sul sedia a COP15 das espécies migratórias?

Em sua poesia, os pássaros não são apenas parte da paisagem: são expressão da vida e da liberdade da natureza

21/03/2026 07h30

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O Pantanal sempre foi mais do que uma paisagem. É um território onde o voo das aves desenha caminhos invisíveis no céu e onde a natureza ensina que liberdade e equilíbrio caminham juntos. Manoel de Barros, o grande poeta do Pantanal, transformou aves em palavras e palavras em asas.

Em sua poesia, os pássaros não são apenas parte da paisagem: são expressão da vida e da liberdade da natureza.

Essa imagem ajuda a compreender por que Campo Grande sedia dos dias 23 a 29 de março a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15).

A escolha da capital sul-mato-grossense reflete o papel estratégico do Pantanal nas rotas migratórias das Américas e coloca Mato Grosso do Sul no centro da agenda internacional da biodiversidade.

Espécies migratórias são aquelas que cruzam fronteiras nacionais de forma previsível ao longo de seus ciclos de vida. Não pertencem a um único território. São patrimônio natural compartilhado entre países, o que exige cooperação internacional para sua proteção.

O Pantanal é um dos principais elos dessa rede ecológica continental. Com mais de 610 espécies de aves registradas, abriga cerca de 190 espécies migratórias, que representam aproximadamente 30% de sua avifauna.

Aves que partem do Ártico e da América do Norte encontram nos campos inundáveis do Pantanal áreas fundamentais de parada e alimentação. Outras, vindas da Argentina, do Uruguai e do sul do Brasil, utilizam a planície pantaneira em seus deslocamentos sazonais.

Essas rotas conectam o Pantanal à Amazônia, ao Cerrado, ao Chaco e aos sistemas austrais da América do Sul. O que acontece aqui repercute em escala continental.

Quando Manoel de Barros humanizava as aves em seus versos, revelava uma verdade profunda: a natureza não é cenário, é sujeito. Aves migratórias que utilizam o Pantanal em seus deslocamentos, como os maçaricos vindos do Hemisfério Norte, os talha-mares e as andorinhas, são indicadores da saúde dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul recebe especialistas de todo o mundo para discutir estratégias de conservação dessas espécies e fortalecer a cooperação internacional.

Nos últimos anos, o Estado vem consolidando uma agenda ambiental consistente. Desde o anúncio da meta de neutralidade de carbono até 2030, estruturamos políticas públicas que integram produção, conservação e inovação.

A proteção das rotas migratórias depende da integridade dos habitats. No Pantanal, isso significa preservar áreas úmidas, manter o pulso natural das águas e garantir conectividade entre paisagens.

Programas como o Pacto Pantanal, o Pagamento por Serviços Ambientais e o monitoramento da biodiversidade com tecnologias avançadas reforçam essa estratégia. Segurança alimentar, transição energética e conservação ambiental caminham juntas.

Ao fortalecer a agropecuária sustentável e ampliar o uso de energias limpas, reduzimos emissões e ampliamos a resiliência dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul reafirma que o Pantanal é um território estratégico para a biodiversidade global. Um lugar onde as aves encontram abrigo em suas longas viagens e onde o mundo pode enxergar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.

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