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Às vésperas de CPI, Câmara cobra plano contra buracos em 72h em Campo Grande

Plano emergencial prevê fiscalização dos reparos e divulgação dos gastos; secretário admite não ter prazo para solucionar o problema, enquanto CPI deve ser instalada na quinta-feira (29).

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Em meio à articulação para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar os serviços de tapa-buracos em Campo Grande, a Câmara Municipal entregou, nesta terça-feira (27), um Plano Emergencial de Recuperação Viária à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O documento cobra a apresentação de um planejamento em até 72 horas e estabelece medidas para enfrentar a deterioração do asfalto, incluindo cronogramas de atendimento, fiscalização da qualidade dos reparos e prestação de contas à população.

A entrega ocorreu durante a sabatina do secretário municipal de Infraestrutura, André de Moura Brandão, convocado a prestar esclarecimentos sobre as condições das ruas e avenidas da Capital.

Questionado pelos vereadores sobre quando os buracos seriam eliminados, o titular da pasta reconheceu a dificuldade de estabelecer uma previsão para solucionar o problema.

"É difícil estimar uma data: o quando é o mais breve possível", afirmou o secretário, ao justificar que a Prefeitura trabalha para ampliar as frentes de serviço e acelerar os reparos.

O documento foi entregue pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, em um momento de crescente pressão sobre a administração municipal.

Paralelamente, os 29 vereadores já assinaram o requerimento de abertura da CPI do Tapa-Buracos, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro.

O pedido está sob análise da Procuradoria Jurídica da Casa e ainda depende dos procedimentos necessários à instalação da comissão.

Embora sejam iniciativas distintas, a possível investigação parlamentar e o plano emergencial ampliam a cobrança por explicações sobre os contratos, a qualidade dos reparos e os recursos destinados à manutenção das vias.

Plano estabelece prazos e fiscalização dos serviços

A principal medida apresentada pela Câmara é a cobrança para que a Sisep entregue, em até 72 horas, um planejamento emergencial contendo as vias prioritárias, as equipes responsáveis e as ações previstas para recuperar os trechos mais comprometidos.

O prazo, entretanto, não significa que os buracos deverão ser eliminados nesse período, mas que a Prefeitura deverá apresentar um planejamento para organizar e acelerar os serviços.

O documento também prevê que, em até sete dias, seja publicado um mapa georreferenciado com os pontos críticos da cidade, a localização das equipes mobilizadas e o cronograma de atendimento.

A programação deverá considerar trabalhos noturnos e aos fins de semana, quando houver viabilidade técnica.

Em 15 dias, a Secretaria deverá divulgar um balanço com os serviços executados, incluindo endereços atendidos, quantidade de reparos, fotografias e custos. Já em 30 dias, está prevista uma avaliação das metas alcançadas e a apresentação de um plano de recuperação para os meses seguintes.

Entre as propostas também estão a criação de um Observatório Municipal do Asfalto, com informações públicas e atualizações semanais, e a implantação de um programa de controle da qualidade dos reparos, em cooperação técnica com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea).

O plano contempla ainda protocolos específicos de resposta às chuvas intensas, período em que a deterioração das vias tende a se agravar e as condições climáticas dificultam a execução dos reparos.

Para o presidente da Câmara, o objetivo é garantir transparência e permitir que o Legislativo acompanhe os trabalhos realizados pela Prefeitura.

"É um pedido, uma exigência do Legislativo para que tenha sintonia com o que está sendo executado e transparência pela fiscalização parlamentar. O que aconteceu hoje é a prerrogativa do Parlamento em fiscalizar o Executivo", declarou Papy.

Segundo ele, somente no primeiro semestre deste ano, os vereadores apresentaram mais de 9 mil indicações solicitando serviços de tapa-buracos em diferentes regiões de Campo Grande.

Mais da metade do asfalto tem mais de 30 anos

Durante a sabatina, André Brandão apresentou dados que ajudam a dimensionar a situação da malha viária da Capital. Segundo o secretário, aproximadamente 53% do asfalto de Campo Grande tem mais de 30 anos, período que supera consideravelmente os intervalos recomendados para manutenção preventiva.

Brandão citou referências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), segundo as quais as intervenções preventivas devem ocorrer, em média, a cada oito a dez anos.

Com mais da metade da pavimentação envelhecida, o secretário apontou a necessidade de serviços mais profundos, como o recapeamento, para enfrentar problemas que não podem ser solucionados apenas com operações de tapa-buracos.

Outro obstáculo mencionado foi o volume de chuvas registrado neste ano, que, segundo ele, prejudicou a execução dos reparos, uma vez que a aplicação da massa asfáltica depende de condições climáticas adequadas.

Operação do Ministério Público provocou queda nos serviços

O secretário também atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pela Sisep aos desdobramentos da Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em maio deste ano.

Segundo Brandão, a recomendação de suspensão de um contrato com uma empresa investigada resultou na paralisação de quatro frentes de trabalho e comprometeu a capacidade de atendimento da Secretaria.

"Em junho, quando assumi a Sisep, tínhamos apenas três contratos vigentes", afirmou.

Conforme os dados apresentados, a interrupção dos serviços provocou uma redução de aproximadamente 80% na execução dos reparos naquele período.

O secretário também informou que, em 2025, a quantidade de reparos realizados na cidade caiu 30,4% em comparação com 2024, aumentando a demanda por manutenção nas sete regiões urbanas.

Para tentar recuperar a capacidade operacional, a Prefeitura reorganizou os contratos e ampliou o número de equipes. Atualmente, segundo Brandão, são 12 frentes de trabalho atuando de segunda-feira a sábado.

Entre julho e setembro deste ano, a área de pavimento recomposta cresceu 56,6% em relação ao mesmo período de 2025, conforme os números apresentados pelo secretário.

Apesar da ampliação, os vereadores cobraram a divulgação diária das ruas e avenidas que receberão manutenção, além da quantidade de reparos executados, para que a população consiga acompanhar o andamento dos serviços.

Falhas fazem buracos reaparecerem após reparos

A qualidade do asfalto utilizado nas operações também foi questionada durante a sessão, especialmente diante de reclamações sobre buracos que voltam a aparecer poucas semanas após a realização dos serviços.

Ao responder às críticas, Brandão revelou um episódio ocorrido no Bairro Aero Rancho, onde uma empresa aplicou massa asfáltica em temperatura inadequada, comprometendo a qualidade do reparo.

Segundo o secretário, a falha provocou a abertura de 20 buracos no mesmo dia em que o serviço foi executado. A empresa responsável foi notificada e recebeu prazo de 48 horas para refazer o trabalho.

O episódio reforçou os questionamentos sobre a fiscalização dos contratos e a durabilidade dos reparos executados nas ruas da Capital.

O vereador Professor Riverton, autor do requerimento de convocação do secretário, também questionou se a Prefeitura dispõe de recursos suficientes para recuperar as vias até dezembro, diante da proximidade do período de chuvas mais intensas.

Brandão respondeu que há recursos para os contratos atualmente em vigor e afirmou que não existem débitos pendentes relacionados à execução desses serviços.

Apesar das justificativas e da ampliação das equipes, o secretário não apresentou uma data para a conclusão da recuperação das ruas de Campo Grande.

CPI do Tapa-Buraco pode ser instalada na quinta-feira

A pressão sobre a Prefeitura também ganhou novos desdobramentos políticos. Com o apoio dos 29 vereadores, a CPI do Tapa-Buraco tem previsão de ser oficialmente instalada na próxima quinta-feira (29), na Câmara Municipal de Campo Grande.

Durante a sabatina desta terça-feira (27), o vereador Flávio Cabo Almi afirmou que as investigações poderão ter consequências para a administração municipal, incluindo a possibilidade de cassação da prefeita Adriane Lopes (PP).

"Não queremos cassar, mas se for necessário, vamos cassar", declarou o parlamentar, após questionar a qualidade dos serviços executados pelas 12 equipes responsáveis pela manutenção das ruas da Capital.

A comissão, proposta pela vereadora Luiza Ribeiro, deverá investigar a execução dos serviços de tapa-buracos, incluindo a fiscalização dos contratos e possíveis irregularidades na aplicação dos recursos públicos.

A eventual cassação da prefeita, entretanto, não é uma consequência automática da instalação da CPI e dependeria de procedimentos específicos e do cumprimento das exigências legais.

Enquanto a investigação parlamentar avança, a Prefeitura enfrenta a cobrança por medidas imediatas para recuperar as vias, melhorar a qualidade dos reparos e garantir maior transparência sobre os gastos com a manutenção do asfalto.

TRAMA OCULTA

Gaeco investiga fraude em 15 licitações e cumpre mandados em 7 municípios

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, em Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia

28/10/2026 09h35

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos foram localizados nos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

Um grupo de empresários do ramo de confeccções atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. Em alguns casos, valiam-se também da cooptação de servidores públicos para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento.

Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas pela organização criminosa em contratos que alcançam cerca de R$ 3 milhões.

Em Sidrolândia, de acordo com o Região News, uma das equipes do Gaeco esteve na Priscila Malhas, que pertence à empresária Priscilla Depiné, esposa do ex-secretário municipal de administração e atual secretário especial, Welbet José Biaggi de Amorim. Outros agentes estiveram na residência do casal, localizada no Eco Parque Fratelli, na manhã desta quarta-feira.

As investigações tiveram início a partir de provas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Malebolge. O material revelou indícios de um esquema criminoso paralelo envolvendo empresários do ramo de confecções.

“Trama Oculta”, termo que dá nome à operação, remete tanto ao produto negociado pelos empresários (ramo de confecções) quantos às articulações entre efetivadas entre eles, que ajustavam previamente as propostas para simular a competição nos pregões e viabilizar o superfaturamento das contratações públicas. 

Operação Malebolge

A Malebolge cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão e apurava fraudes em licitações que somam mais de R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários. Os mandados foram cumpridos em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. 

O esquema envolvia licitações fraudulentas para compra de uniformes e outros materiais, com um empresário no centro, cooptando servidores e contando com outros empresários. Uma das buscas foi em uma empresa de vestuário em Campo Grande. Um celular apreendido na Malebolge levou o Gaeco a um grupo do ramo de confecções. 

O Gaeco chegou aos suspeitos da Malebolge por provas extraídas de celulares apreendidos na Operação Turn Off. A Trama Oculta seria, portanto, mais um desdobramento dessa cadeia de apreensões de celulares. 

Dez pessoas foram denunciadas por organização criminosa e pediu indenização de, no mínimo, R$ 22 milhões. Além disso, a denúncia do MPMS aponta crimes de fraude em licitação, peculato e corrupção entre os anos de 2022 e 2025. 

Os alvos chegaram a ganhar liberdade com tornozeleira eletrônica. Depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), contra o voto do relator, os manteve presos após recurso do MPMS. Mais tarde, o tribunal revogou a liberdade provisória e determinou a prisão dos réus. 

A 2ª fase foi deflagrada em 24 de julho de 2025. Já em 2026, o Gaeco prendeu quatro pessoas em Água Clara, entre elas a ex-secretária de Educação e um empresário. Segundo as investigações, ele pagava propina para aumentar as ordens de compra, e só parte dos produtos era entregue.

CRISE NO ASFALTO

Rua de Campo Grande tem mais de 100 buracos em uma quadra

Placas foram colocadas sobre os buracos e moradores estenderam faixas para cobrar medidas da Prefeitura

28/10/2026 09h15

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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A Rua São Félix, entre a Avenida Bom Pastor e a Rua Santana, sofre com o problema crônico de Campo Grande: os buracos. A reportagem do Correio do Estado esteve no local e constatou que em um trecho de 120 metros, há 107 buracos no asfalto. 

Os moradores do bairro Jardim Mansur colocaram placas sobre estas 'crateras' para avisar os motoristas que por ali passam. Além disso, a população também expôs faixas, as quais cobram a gestão da Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), sobre a situação e exigem que os impostos pagos tenham retorno.

Na região, a Rua Santana é uma das poucas onde é possível encontrar asfalto com boas condições. Ela, inclusive, foi recapeada em 2021, na gestão de Marquinhos Trad. Na parte final da avenida gastronômica Bom Pastor, também há buracos. 

Na região do Vilas Boas, próxima a avenida Bom Pastor, a situação segue crítica em frente ao condomínio de alto padrão Amantini Residence, onde casas e sobrados costumam ser comercializados entre R$ 2,6 milhões e R$ 3,9 milhões. Nas proximidades do residencial, há uma placa indicando a presença de buracos, esta em cima de uma calçada.

Marisa, moradora da rua do Sucre, relatou à reportagem que, para entrar na sua garagem, precisa desviar o carro de um buraco, mas cai em outro. Além disso, um segundo problema relatado foi a alta velocidade que os ônibus passam, levantando poeira e jogando barro nos veículos e residências. Para minimizar isso, os populares colocaram placa e pedaços de madeira para o transporte diminuir a velocidade.

Ela também conta que a Prefeitura fez reparos em outras ruas na proximidade, porém a de sua casa continua com a buraqueira. Só em meia quadra da Sucre, foram contabilizados cerca de 40 buracos, segundo a moradora.

"Aqui não tem como só tampar os buracos, teria que arrancar este asfalto e refazer inteiro. Onde está afundado, está cheio de pedrinhas com areia e eles [Prefeitura] não fazem [os reparos necessários]. E fica muito fundo quando chove, vira uma verdadeira lagoa, é como se tivesse uma lagoa na frente da minha casa", conta Marisa. 

Plano Emergencial de Recuperação Viária

a Câmara Municipal entregou, nesta terça-feira (27), um Plano Emergencial de Recuperação Viária à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O documento cobra a apresentação de um planejamento em até 72 horas e estabelece medidas para enfrentar a deterioração do asfalto, incluindo cronogramas de atendimento, fiscalização da qualidade dos reparos e prestação de contas à população.

A entrega ocorreu durante a sabatina do secretário municipal de Infraestrutura, André de Moura Brandão, convocado a prestar esclarecimentos sobre as condições das ruas e avenidas da Capital.

Questionado pelos vereadores sobre quando os buracos seriam eliminados, o titular da pasta reconheceu a dificuldade de estabelecer uma previsão para solucionar o problema.

"É difícil estimar uma data: o quando é o mais breve possível", afirmou o secretário, ao justificar que a Prefeitura trabalha para ampliar as frentes de serviço e acelerar os reparos.

O documento foi entregue pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, em um momento de crescente pressão sobre a administração municipal.

Paralelamente, os 29 vereadores já assinaram o requerimento de abertura da CPI do Tapa-Buracos, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro.

O pedido está sob análise da Procuradoria Jurídica da Casa e ainda depende dos procedimentos necessários à instalação da comissão, mas deve ser oficializado até sexta-feira (30), de acordo com Papy.

(Colaboração de Welyson Lucas)

 

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