Cidades

insegurança

Aumento de motos leva trânsito da Capital a matar mais

Em menos de 12 horas, duas pessoas morreram em colisões com motos e uma terceira ficou ferida

Continue lendo...

O aumento do número de motos nas ruas de Campo Grande ano após ano tem contribuído para o crescimento de acidentes fatais, o que é possível verificar pelas duas mortes no trânsito num intervalo de cerca de 12 horas na Capital, ambas envolvendo motocicletas e com ausência de Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em dois acidentes distintos, na noite de terça-feira e na manhã de ontem, com diferença de menos de 12 horas, um adolescente de 17 anos e um idoso de 67 anos morreram. Ambos conduziam ou estavam em uma motocicleta no momento da colisão. Além disso, uma motociclista de 32 anos ficou gravemente ferida depois de ser atingida por um carro também no mesmo intervalo de tempo.

Segundo números enviados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e pelo Batalhão de Trânsito da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (BPMTran), 52 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Campo Grande neste ano até o dia 30 de setembro, sendo 37 motociclistas, 7 pedestres, 2 ciclistas, 5 condutores de veículos e 1 vítima em veículo de mobilidade elétrica.

No mesmo período do ano passado, a Capital tinha registrado 55 mortes no trânsito, sendo 41 motociclistas, 2 ciclistas, 9 pedestres, 2 condutores e 1 passageiro.

Porém, o que chama atenção é o aumento do número de mortes no local do acidente, que saltou de 31 para 39, considerando os nove primeiros meses de 2025 e deste ano. Aliás, esse aumento também é observado no número de mortes motociclistas na hora da colisão, que cresceu de 19 para 28 de um ano para o outro.

De acordo com Rúben Ajala, gerente de Fiscalização e Patrulhamento Viário do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), esse crescimento do número de acidentes fatais está associado ao aumento de motos nas ruas de Campo Grande. 

Afinal, de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a Capital superou a barreira de 183 mil motos neste ano, cerca de 4,7 mil a mais que no ano passado, que contava com 179,3 mil.

“A gente percebe que está tendo realmente um aumento, não só em Campo Grande, mas em todo o Estado. Especificamente aqui, em Campo Grande, a circulação de motos é grande, até mesmo por ser um veículo ágil, e também uma crescente na questão de serviços e aplicativos por entrega”, relata o especialista.

Ainda conforme o gerente de Fiscalização e Patrulhamento Viário, as ocorrências de acidentes fatais também podem estar relacionadas ao jovem que quer entrar no mercado de trabalho por meio da entrega por aplicativos e prefere ter uma moto antes de ter a CNH, o que influencia diretamente na formação e na aprendizagem do condutor.

“Percebemos que a maioria são jovens que estão em busca de um emprego, então, eles preferem fazer a aquisição de uma motocicleta primeiro em relação à retirada da CNH. Então, muitas vezes, eles compram essa moto e começam a trabalhar sem ter os conhecimentos básicos para pilotar uma motocicleta, colocando-se em risco na via. A gente está vendo realmente uma grande crescente no serviço de trânsito, sendo misturado a velocidade e o condutor sem CNH”, explica.

Vale lembrar que este é o ano em que as facilitações da CNH do Brasil entraram em vigor, o que tornou o documento mais barato e mais acessível, justamente para diminuir o número de condutores sem habilitação nas ruas. Mesmo com isso, a medida parece caminhar a passos lentos em Campo Grande.

OCORRÊNCIAS

Na terça-feira, um adolescente de 17 anos morreu após a motocicleta em que estava como passageiro se envolver em um acidente com um ônibus do transporte coletivo na região central de Campo Grande.

A motocicleta era pilotada pela irmã dele, que ficou ferida e foi socorrida para uma unidade hospitalar. Segundo o boletim de ocorrência, ela não tem CNH. Conforme as informações preliminares apuradas no local, o ônibus e a motocicleta trafegavam pela Rua 13 de Maio e, ao virarem na Rua 15 de Novembro, em direção à região do Mercadão Municipal, ocorreu a colisão.

A dinâmica inicial aponta que a motocicleta seguia pela faixa destinada ao transporte coletivo. Durante a conversão, o motorista do ônibus não teria conseguido visualizar a moto, que acabou atingida.

Com o impacto, a motocicleta foi arrastada pelo ônibus. O adolescente, que estava na garupa, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A identidade dele não foi divulgada. A condutora sobreviveu ao acidente, recebeu atendimento de emergência e foi encaminhada ao hospital.

Poucas horas depois, na manhã de ontem, um idoso de 67 anos morreu enquanto conduzia uma motocicleta que colidiu contra a lateral de uma picape modelo Volkswagen Saveiro, na qual estava uma mulher de 36 anos.

A colisão foi no cruzamento da Avenida Gury Marques com a Rua José Pedrossian, na entrada do Bairro Los Angeles, em Campo Grande. Edson Moreira Salles trafegava pela avenida quando sua motocicleta atingiu a lateral do carro conduzido pela mulher, que estava na Rua José Pedrossian.

O homem pilotava uma moto modelo Yamaha Fazer e, em função do impacto da batida, morreu no local. Segundo informações preliminares, o condutor não tinha habilitação.

Outro acidente na manhã de ontem hospitalizou uma motociclista. Segundo o boletim de ocorrência, a motociclista Kethiane de Moraes Carneiro da Silva ficou em estado gravíssimo após ser atingida por um Ford Ka, na Avenida Gunter Hans. O carro já havia colidido com outro motociclista. Sem freio, o veículo só parou após bater no muro de um comércio da região. O outro motociclista não ficou ferido.

Apreensão na BR-163

PRF apreende 6,3 toneladas de maconha e 4 fuzis em caminhão em MS

Droga e armamento estavam escondidos em meio a uma carga de sementes de sorgo que saiu de Ponta Porã com destino a Santos (SP).

30/09/2026 18h22

Caminhão transportava cerca de 6,3 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de sementes de sorgo.

Caminhão transportava cerca de 6,3 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de sementes de sorgo. Foto: Divulgação/PRF.

Continue Lendo...

Uma carga de 6,3 toneladas de maconha e quatro fuzis calibre 7,62 foi apreendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na manhã desta quarta-feira (30), durante fiscalização na BR-163, em Naviraí, município localizado no sul de Mato Grosso do Sul.

A apreensão ocorreu por volta das 10h30, no km 130 da rodovia. Policiais rodoviários federais abordaram um caminhão-trator Mercedes-Benz LS 1935, de cor branca e com placas de Maringá (PR).

Segundo a PRF, o veículo transportava uma carga de sementes de sorgo, que havia saído de Ponta Porã, na região de fronteira de Mato Grosso do Sul, e tinha como destino Santos, no litoral de São Paulo.

 

Durante o aprofundamento da fiscalização, os agentes encontraram diversos fardos de maconha escondidos junto à carga de sementes.

Todo o entorpecente foi retirado e pesado, totalizando cerca de 6,3 toneladas de maconha.

Fuzis encontrados no caminhão

As buscas no veículo continuaram mesmo após a localização da droga. Foi quando os policiais encontraram também quatro fuzis calibre 7,62, que, conforme as informações preliminares da PRF, seriam de provável origem estrangeira.

Caminhão transportava cerca de 6,3 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de sementes de sorgo.
Quatro fuzis calibre 7,62 foram encontrados durante as buscas no caminhão. Foto: Divulgação/PRF.

O calibre 7,62 é utilizado em armamentos de alta potência. O motorista foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Naviraí, juntamente com o caminhão, as 6,3 toneladas de maconha e os quatro fuzis apreendidos. A identidade dele não foi divulgada.

A ocorrência ficará sob responsabilidade da Polícia Federal, que dará continuidade aos procedimentos e deverá apurar a origem e o destino da droga e das armas, além da possível participação de outras pessoas no transporte da carga.

 

Córrego Guaçu

MPMS investiga indústria após denúncias de poluição em córrego de MS

Relatos enviados à Ouvidoria apontam água escura, mau cheiro e morte de peixes; vistoria não constatou poluição visualmente, mas MP cobra perícia, licenças e análises dos efluentes da Zaeli

30/09/2026 18h05

Imagem anexada ao procedimento mostra líquido escuro e espuma em estrutura de escoamento investigada em Mundo Novo.

Imagem anexada ao procedimento mostra líquido escuro e espuma em estrutura de escoamento investigada em Mundo Novo. Foto: Reprodução/MPMS.

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu inquérito civil para investigar uma possível poluição do Córrego Guaçu, em Mundo Novo, provocada pelo lançamento de efluentes industriais da Novo Mundo Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., conhecida pela marca Zaeli.

A apuração começou após duas denúncias anônimas relatarem alteração na água, forte odor e morte de peixes nas proximidades do ponto de lançamento.

A investigação ganhou força depois que uma vistoria da Polícia Militar Ambiental (PMA), realizada em julho, não conseguiu determinar tecnicamente se o material lançado estava dentro dos parâmetros ambientais.

Embora os policiais não tenham identificado, naquele momento, um lançamento visualmente poluidor, a equipe registrou que não dispunha de profissionais e equipamentos para realizar análises químicas dos efluentes.

Além disso, documentos reunidos pelo MPMS levantaram dúvidas sobre o volume de efluentes considerado no projeto da estação de tratamento e sobre as autorizações ambientais apresentadas até aquele momento.

Diante disso, a Promotoria determinou uma perícia especializada e cobrou esclarecimentos da empresa e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

O caso é investigado pela 2ª Promotoria de Justiça de Mundo Novo, por meio de inquérito civil.

Denúncias relatam água escura e peixes mortos

A origem da investigação remonta a 20 de fevereiro de 2026, quando uma denúncia anônima chegou à Ouvidoria do MPMS. Segundo o relato, a indústria estaria lançando efluentes no Córrego Guaçu acima dos limites ambientais, provocando forte odor, escurecimento da água e morte de peixes.

O denunciante também descreveu a saída de um líquido escuro e de aspecto oleoso no ponto de lançamento e encaminhou fotografias. arquivo

Um mês depois, em 20 de março, uma segunda manifestação anônima voltou a relatar problemas no local.

Desta vez, também foram encaminhadas fotografias que, conforme registrado posteriormente pelo Ministério Público, mostrariam líquido escuro e com espuma escoando por canaleta e tubulação em direção ao corpo hídrico, termo utilizado para se referir a ambientes com água, como rios, córregos, lagos e represas. No caso investigado, trata-se do Córrego Guaçu.

Os relatos e as imagens integram a investigação, mas, por si só, não comprovam que houve contaminação nem permitem identificar a composição do material lançado.

Polícia Ambiental fez vistoria

Diante das denúncias, o MPMS acionou a Polícia Militar Ambiental e solicitou uma inspeção para verificar as condições do empreendimento.

A vistoria ocorreu em 1º de julho. No local, a PMA encontrou a estação de tratamento de efluentes em funcionamento.

Segundo os autos, após passar pelo tratamento, o líquido era direcionado para uma área coberta por vegetação rasteira e alagadiça, semelhante a um brejo, antes de chegar ao Córrego Guaçu.

Imagem anexada ao procedimento mostra líquido escuro e espuma em estrutura de escoamento investigada em Mundo Novo.Tubulação em meio à vegetação aparece em registro anexado à apuração sobre o lançamento de efluentes em Mundo Novo. Foto: Reprodução/MPMS.

Durante a fiscalização, não foi obeservado lançamento cisualmentepoluidor. A conclusão, entretanto, não encerrou a apuração.

A própria Polícia Ambiental informou não possuir profissionais e meios para realizar análise química dos efluentes, deixando em aberto a necessidade de avaliação técnica especializada.

Imagem anexada ao procedimento mostra líquido escuro e espuma em estrutura de escoamento investigada em Mundo Novo.Imagem Imagem incluída no procedimento mostra recipiente com líquido próximo ao curso d'água investigado pelo Ministério Público. Foto: Reprodução/MPMS.

A diferença é importante: a fiscalização não comprovou a poluição denunciada, mas também não realizou exames capazes de determinar se o efluente atendia aos parâmetros físico-químicos exigidos pela legislação.

Documentos levantaram novas dúvidas

Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público surgiu da comparação entre documentos ambientais presentes nos autos.

A autorização preventiva emitida pelo Imasul prevê uma vazão de até 15 mil litros por hora, o equivalente a 360 mil litros por dia, para a diluição do efluente já tratado.

O documento também estabelece limites para a qualidade desse material antes do lançamento, incluindo temperatura máxima de 32°C e a exigência de que o sistema de tratamento retire pelo menos 92% da carga de matéria orgânica presente no efluente.

Já o memorial de cálculo e descritivo da estação de tratamento considera uma vazão total de 779 m³ de efluentes por dia.

A diferença chega a 419 m³ diários. Isso não significa, contudo, que a indústria estivesse lançando 779 m³ por dia no córrego ou despejando volume acima do autorizado.

O próprio Ministério Público apontou que será necessário esclarecer quanto é efetivamente gerado e lançado pelo empreendimento.

Imagem anexada ao procedimento mostra líquido escuro e espuma em estrutura de escoamento investigada em Mundo Novo.Registro mostra estrutura de escoamento em área de vegetação incluída nos documentos da investigação. Foto: Reprodução/MPMS.

Outorga preventiva não autoriza lançamento

A situação das autorizações ambientais também entrou no foco da investigação. A outorga encontrada no processo é preventiva. A outorga é uma autorização concedida pelo poder público para o uso de recursos hídricos, como retirar água de um rio ou lançar efluentes tratados.

Neste caso, porém, o documento não autoriza, por si só, o lançamento no Córrego Guaçu.

Ele apenas reserva a quantidade de água necessária para diluir o efluente tratado. Para realizar efetivamente o lançamento, a empresa precisa obter a outorga de direito de uso, conforme previsto no próprio documento.

Na vistoria de julho, a empresa apresentou uma Licença de Instalação, documento que permite a implantação da estrutura e dos equipamentos do empreendimento, válida até dezembro de 2027.

Já para a Licença de Operação, que autoriza o funcionamento da atividade após o cumprimento das exigências ambientais, foi apresentado apenas o protocolo do pedido feito ao Imasul em 22 de maio.

Ao instaurar o inquérito, o MPMS registrou que os elementos reunidos até então não traziam a Licença de Operação e a outorga de direito de uso dos recursos hídricos para lançamento de efluentes.

A situação, porém, ainda será esclarecida durante a investigação, inclusive junto ao Imasul.

MP determina perícia

Com as questões ainda pendentes, o MPMS decidiu aprofundar a investigação e determinou a realização de perícia técnica para identificar eventuais passivos ambientais.

A análise deverá verificar as condições da estação de tratamento, a qualidade dos efluentes e possíveis impactos no ambiente, além de esclarecer se houve contaminação do solo ou da vegetação e eventual intervenção em área de preservação permanente.

O Imasul também foi acionado para informar a situação atual do processo de licenciamento e do pedido de Licença de Operação, esclarecer a situação da outorga e dizer se existem fiscalizações, notificações ou autos de infração relacionados ao empreendimento.

Caso não tenha ocorrido fiscalização recente, o Ministério Público solicitou que seja realizada vistoria com coleta de amostras do efluente e do corpo receptor, justamente para permitir uma avaliação laboratorial que não pôde ser feita pela PMA.

A Zaeli, por sua vez, deverá entregar ao MPMS documentos como a Licença de Operação ou esclarecimentos sobre seu funcionamento na ausência dela; outorga para lançamento de efluentes; análises físico-químicas dos últimos 12 meses; relatórios de automonitoramento encaminhados ao Imasul; informações sobre o volume diário de efluentes gerado e lançado; e comprovantes da destinação do lodo e de outros resíduos da estação de tratamento.

O Ministério Público também questionou se a empresa possui interesse na formalização de um eventual Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A Novo Mundo Indústria e Comércio de Alimentos, responsável pela marca Zaeli, está instalada às margens da BR-163, na zona rural de Mundo Novo.

A marca Zaeli tem sede em Umuarama, no Paraná, onde mantém sua matriz, enquanto a unidade investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul está localizada em território sul-mato-grossense.

A empresa tem entre seus sócios integrantes da família Zago e atua na fabricação de produtos alimentícios. Na unidade do município, registros ambientais relacionam atividades como produção de farinhas e fubá, fermentos e leveduras, além de outros produtos do setor alimentício.

A abertura do inquérito não representa conclusão de que a Zaeli tenha provocado poluição ambiental. O procedimento busca justamente determinar se houve contaminação, verificar a regularidade das autorizações e esclarecer as divergências identificadas na documentação.

O que dizem os envolvidos

O Correio do Estado procurou o Imasul e a Novo Mundo Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. (Zaeli) para solicitar esclarecimentos sobre os pontos levantados na investigação.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).