Confusão e trânsito parado por horas fez com que muitos fãs não conseguissem chegar a tempo para o show
O congestionamento gerado pelo show internacional da banda Guns N' Roses em Campo Grande resultou em um jogo de "empurra-empurra" entre a organização do evento e os órgãos públicos.
Com mais de 13 quilômetros de trânsito parado na rota do show na noite desta quinta-feira (9) e as mais de cinco horas de espera para motoristas conseguirem sair do estacionamento do Autódromo Internacional, ninguém assume a culpa do caos.
Em nota, a assessoria de imprensa do evento colocou a responsabilidade da organização do trânsito nos órgãos públicos, já que "a organização privada não possui competência legal para intervenção em rodovias federais ou no sistema viário urbano".
"A gestão, o ordenamento e a operação do trânsito são atribuições dos órgãos públicos, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro. A realização do evento ocorreu com autorização formal e com pleno conhecimento das condições de acesso por parte das autoridades responsáveis", escreveu o documento.
Diferente do que foi dito pela PRF, a organização afirmou que a abertura dos portões aconteceu um minuto antes do horário previsto, às 15h59. No entanto, a capacidade estrutural foi insuficiente para aguentar o deslocamento simultâneo de mais de 35 mil pessoas, já que a pista de acesso ao local era simples e de via única.
"A operação contou com efetivo da Polícia Rodoviária Federal, uso de drones, radares móveis, restrição de veículos pesados ao longo do dia e fiscalização com bafômetros. Ainda assim, a capacidade física da via não suportou o volume simultâneo de veículos".
"A realização de um evento dessa magnitude exige coragem, planejamento e capacidade de execução. Também expõe, de forma inevitável, os limites de uma cidade que ainda não havia operado uma logística desse porte. O que se verificou não foi ausência de planejamento, mas o encontro entre uma demanda comprovada e uma infraestrutura que precisa evoluir", escreve outro trecho.
A nota ainda ressaltou que todas as etapas que estavam sob responsabilidade da organização do show foram realizadas seguindo o planejamento aprovado..
"A organização segue à disposição para o diálogo com autoridades e sociedade, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento das condições necessárias à realização de eventos futuros em Campo Grande", finaliza a nota.
Congestionamento
Com aproximadamente 13 quilômetros de congestionamento na Avenida João Arinos, única via de acesso ao Autódromo Internacional, cerca de 30% do público não conseguiu chegar ao show inédito nesta quinta-feira (9).
Vários relatos nas redes sociais mostraram fãs presos no trânsito por até seis horas, tentando chegar no evento. Muitos deixaram os carros no meio do caminho e seguiram a pé, outros pegaram carona de motociclistas que tentavam furar a fila, e ainda houveram relatos de motoristas que conseguiram vias alternativas.
O grande número de veículos na rodovia fez com que muitos fãs não conseguissem assistir ao show, gerando revolta e decepção.
A reportagem tentou contato direto com a Santo Show, responsável pelo evento, para entender qual será o posicionamento adotado, inclusive se o dinheiro das pessoas que compraram ingressos e não conseguiram chegar no evento será ressarcido.
A empresa não respondeu aos questionamentos. Na rede social oficial, nenhuma postura ou pronunciamento foi dado e os comentários nas postagens recentes do perfil oficial sobre o show em Campo Grande foram desativados.
Na sua página pessoal, o dono da Santo Show, Valter Júnior, disse que as dificuldades foram causados por "fatores externos". Leia na íntegra:
"Não se trata de uma nota oficial, mas sim de um posicionamento pessoal.
Foram meses de planejamento, diversas reuniões junto à PRF e aos órgãos reguladores, buscando organizar tudo da melhor forma possível. Ainda assim, enfrentamos dificuldades em relação a fatores externos, sobre os quais não temos autoomia, como a grande quantidade de ambulantes e estacionamentos clandestinos ao longo da rodovia. Reforçamos a comunicação com o público, pedimos, e quase imploramos, para que chegassem mais cedo, justamente por se tratar de uma experiência inédita para a nossa cidade. Inclusive, conseguimos segurar a banda por 1h30 para permitir que o maior número possível de pessoas acessasse a área do evento. E, dentro do espaço, tudo aconteceu de forma impecável. Quem esteve presente pôde viver um momento único. Em resumo, é muito difícil controlar o que está fora do nosso alcance. Sigo acreditando na nossa cidade e tenho certeza de que demos um pequeno, mas importante, passo."
O espaço segue aberto para a resposta oficial da empresa.