Cidades

HOMICÍDIO

Bernal atira quatro segundos após entrar na casa; veja o vídeo

Imagens de câmera de segurança contradizem o depoimento de Bernal e reforçam a versão do chaveiro; fiscal tributário foi morto cinco minutos depois de acessar a casa

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Imagens de câmera de segurança, que flagraram a movimentação do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal e o fiscal tributário do governo de MS, Roberto Mazzini foram divulgadas na noite desta quinta-feira (26), dois dias após o crime.

A defesa esperava as imagens para juntar ao processo, inocentar o ex-prefeito e tirá-lo da cadeia.. Mas, agora, o próprio videomonitoramento pode vir a condenar Bernal. As imagens devem ajudar a polícia a esclarecer o crime.

As imagens mostram que o chaveiro abre a fechadura às 13:39:24, e, logo em seguida, o fiscal tributário entra às 13:39:38.

Bernal chegou e entrou na casa, pelo portão social, às 13:44:37, já com a arma na mão.

Quatro segundos depois, às 13:44:41, ele efetuou o primeiro disparo e foi em direção a entrada da casa.

Isso mostra que ele atirou quatro segundos depois de entrar em sua residência e aproximadamente cinco minutos depois do fiscal acessar a casa. A câmera não flagrou Bernal e Mazzini juntos e o momento em que os disparos acertaram o fiscal.

Às 13:44:54, o chaveiro se rendeu, colocou as mãos para cima, e logo em seguida, correu em direção ao portão social e foi embora.

Às 13:45:26, Bernal sai da casa e permanece na calçada por alguns instantes. Às 13:46:14, acessa a residência novamente e mexe no celular. Às 13:46:41 sai novamente, deixa o portão aberto e sai com o carro

Às 13:48:20, uma quarta pessoa acessa a casa falando com alguém pelo celular. Às 13:48:32, mais duas pessoas entram na casa.

As imagens de câmera de segurança contradizem o depoimento de Bernal e reforçam a versão do chaveiro.

Veja o vídeo na íntegra:

O ASSASSINATO

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (2013-2014), matou a tiros o fiscal tributário do governo do Estado, Roberto Carlos Mazzini, em 24 de março de 2026, na avenida Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Bernal disparou duas vezes contra Mazzini, no abdômen e costela, após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

Bernal flagrou, por meio de imagens de câmeras de segurança, o momento em que Mazzini entrou na casa, com auxílio de um chaveiro. Em seguida, foi até o local e matou o homem. A arma utilizada no crime foi um revólver calibre 38.

Assassinato de Roberto Mazzini. Foto: Gerson Oliveira

Após o crime, se entregou na Delegacia de Polícia Civil  e permaneceu preso no Presídio Militar. Em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão.

Mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

A MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse.

A mansão, pivô do assassinato, é alvo de polêmicas há uma década.

O imbróglio envolvendo a casa situada no Jardim dos Estados está ligado a compra de um apartamento adquirido por Bernal em março de 2013. 

A ligação entre a casa e a compra do apartamento surge inicialmente em um relatório do Ministério Público Estadual (MPE) que apurou enriquecimento ilícito de Bernal enquanto prefeito de Campo Grande, processo no qual ele foi inocentado há três anos. 

À época, o mote das investigações mostravam a desproporcionalidade entre o valor da compra dos imóveis à evolução do patrimônio declarado pelo então prefeito. Para o Ministério Público, Bernal obteve evolução patrimonial de 141% em pouco tempo, visto que o valor da compra do imóvel não era condizente com os vencimentos dele. 

Outro ponto destacado no documento foram as declarações de bens feitas à Justiça Eleitoral. Na eleição de 2010, ele informou ter somente um imóvel residencial no Jardim Paulista, avaliado em R$  R$ 103.676. Dois anos depois, quando disputou a Prefeitura de Campo Grande o mesmo imóvel foi listado no valor de R$ 700 mil.

Na ocasião, ele teria realizado a compra do apartamento no Condomínio Edifício Parque das Nações por R$ 1,6 milhão, sendo que o valor de mercado do imóvel seria aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Apesar de adquirir o apartamento, ele teria pago somente R$ 300 mil à vista, além de outras duas parcelas de R$ 100 mil a Arlindo Suki Nakazone, que alegava calote de outros R$ 642 mil sobre o imóvel. 

Mansão localizada na rua Antônio Maria Coelho. Foto: Divulgação

Diante da situação, a mansão comprada por Bernal em 2016 por R$ 1.669.422,87, foi colocada como garantia em um financiamento junto à Caixa Econômica Federal, título de crédito de R$ 858 mil, valor atrelado ao pagamento do apartamento adquirido há 10 anos.

Em meio a toda a situação judicial, em outubro de 2017, houve o registro de indisponibilidade de 50% do imóvel por decisão da 1ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.

Em 3 de novembro de 2021, a mesma vara determinou a indisponibilidade da posse direta do imóvel,  imbróglio que se estendeu ao longo dos anos, culminando na penhora da casa em abril de 2024, ação encabeçada pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, que penhorou a casa no valor de R$ 2.946.981,62.

Em junho do ano passado,  a Prefeitura de Campo Grande realizou o arresto da casa, bloqueando o imóvel por conta de uma dívida de  R$ 80 mil. No mês seguinte, assumiu a propriedade da casa por falta de pagamento da dívida por parte de Bernal, fator que culminou no leilão do imóvel. 

Avaliada em R$ 3,7 milhões, a mansão foi levada a leilão com lance inicial de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. 

* Colaborou Alison Silva

CAMPO GRANDE (MS)

Homem morre em confronto com o Choque no Jardim Centro-Oeste

Policiais faziam ronda pela região, quando o rapaz saiu de seu barraco, apontou a arma para a viatura e, em seguida, foi baleado pelos militares

27/03/2026 11h01

Viaturas do Batalhão de Choque - imagem de ilustração

Viaturas do Batalhão de Choque - imagem de ilustração ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Homem, que não teve a identidade divulgada, morreu em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque, na manhã desta sexta-feira (27), no Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande.

Supostamente, o rapaz é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e tem várias passagens pela polícia.

Conforme apurado pela reportagem, os policiais faziam ronda pela região, quando o rapaz saiu de seu barraco e supostamente apontou a arma para a viatura.

Os policiais revidaram, balearam e desarmaram o indivíduo. Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima, mas, não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

Mais informações da ocorrência e detalhes sobre o fato serão repassadas pela assessoria de imprensa do Batalhão de Choque nas próximas horas.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 20 pessoas morreram em confronto com agentes de Estado, entre 1º de janeiro e 27 de março de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número, 8 ocorreram em janeiro, 5 em fevereiro e 7 em março.

Em 2025, foram 68 mortes. Desse número, 10 óbitos ocorreram em janeiro, 8 em fevereiro, 2 em março, 10 em abril, 4 em maio, 9 em junho, 4 em julho, 7 em agosto, 4 em setembro, 5 em outubro, 5 em novembro e 1 em dezembro.

Mortes registradas em confronto policial são classificadas como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial.

O confronto entre forças de segurança governamentais e grupos armados ocorrem em situações de abordagem policial, roubos, flagrantes de tráfico de drogas, policiamento ostensivo em bairros, entre outras ocorrências.

TESTEMUNHA-CHAVE

Imagens confirmam depoimento de chaveiro no caso Bernal; veja vídeos

Registros mostram sequência do crime e podem enfraquecer tese de legítima defesa

27/03/2026 10h45

Entre a chegada e a fuga do chaveiro, passam mais de 40 minutos, o que indica que houve um intervalo significativo antes do desfecho do crime

Entre a chegada e a fuga do chaveiro, passam mais de 40 minutos, o que indica que houve um intervalo significativo antes do desfecho do crime Reprodução

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Imagens das câmeras de segurança confirmam o depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave ao assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, e podem complicar a tese de legítima defesa apresentada pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal.

Os registros mostram uma sequência de acontecimentos que coincide com o relato prestado por Maurílio à Polícia Civil. Nas imagens, o chaveiro aparece chegando ao imóvel, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central da Capital, realizando a abertura do portão e, depois, sendo visto com as mãos para cima. Em outro momento, ele surge deixando o local às pressas, correndo.

 

 

Entre a chegada e a fuga do chaveiro, passam mais de 40 minutos, o que indica que houve um intervalo significativo antes do desfecho do crime. 

Em depoimento, Maurílio afirmou que presenciou um disparo contra Mazzini e que saiu do local com medo de também ser atingido. Segundo ele, Bernal permaneceu focado na vítima enquanto ele se afastava até conseguir fugir.

A versão é considerada relevante porque contrasta com a narrativa do ex-prefeito, que alegou ter efetuado os disparos ao se sentir ameaçado por uma suposta invasão. Segundo Bernal, ele acreditava estar sendo perseguido e reagiu ao ver dois homens tentando acessar o interior da residência.

 

 

 

No entanto, além do depoimento do chaveiro, outros elementos já levantados pela investigação colocam em dúvida essa versão. O revólver calibre 38 entregue por Bernal tinha dois disparos efetuados, enquanto o corpo da vítima apresentava três perfurações, sendo uma delas com trajetória da frente para as costas.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de um “tiro de misericórdia”. Isso porque o chaveiro disse ter ouvido apenas um disparo antes de fugir, o que levanta a suspeita de que outros tiros tenham sido feitos depois que ele deixou o imóvel.

A tese de legítima defesa já foi questionada pela Justiça. Ao manter Bernal preso, o juiz destacou que não há, até o momento, prova clara de que o ex-prefeito agiu para se defender.

O magistrado também apontou que, ao invés de ir armado até o local, Bernal poderia ter acionado a polícia diante da suspeita de invasão.

As imagens das câmeras, que ainda não tinham sido anexadas ao processo, devem agora ajudar a esclarecer a sequência dos fatos.

*Colaborou Neri Kaspary*

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