Cidades

'FOLIA DE MOMO'

Blocos 'pré-Carnaval' já receberam cerca de R$164 mil do Governo de MS

Dinheiro ordenado pela Fundação de Cultura foi oito eventos, entre artistas solos, duplas sertanejas e grupo teatral, que festejaram no primeiro final de semana de fevereiro na Capital

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Por meio da edição desta segunda-feira (09) do seu Diário Oficial Eletrônico, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul divulgou através da Fundação de Cultura o ordenamento de pelo menos R$164 mil, distribuídos entre as atrações que fizeram a folia no primeiro final de semana de fevereiro.

Com exceção do valor pago para a Associação de Desenvolvimento Cultural, Artístico e Socioambiental "Teatro Imaginário Maracangalha", que ainda têm duas performances reservada para o próximo dia 12 de fevereiro, a partir das 20h, na Rua Marechal Rondon, nº 1.500, Campo Grande/MS, todo o restante do ordenamento contemplou apresentou atrações realizadas entre os dias 06 e 08 de fevereiro, de sexta a domingo, somando R$164,4 mil. 

Ainda assim, o Bloco Evoé Baco - Grito de Evoé pelo Teatro Imaginário Maracangalha também consiste em uma atração pré-Carnaval, sendo um total de R$20 mil pago para essa associação, pelas quatro horas de duração de cada apresentação que antecede a folia de momo oficialmente marcada no calendário para ser celebrada em 17 de fevereiro. 

Além das apresentações desse grupo, também foram contemplados artistas que participaram das atrações entre os dias 06 e 08: 

  • 06/02 - Bloco Cabeça Feita
  • 07/02 - Bloco Nada Sobre Nós sem Nós
  • 07/02 - Bloco As Depravadas
  • 07/02 - Bloco Calcinha Molhada
  • 07/02 - Meu Bairro é Show
  • 08/02 - Bloco Farofa com Dendê
  • 08/02 - Bloco do Laricas 

Atrações contempladas

Conforme descrito em Diário Oficial, o evento contemplado com uma maior parcela do ordenamento foi o "Meu Bairro é Show", que levou shows das duplas sertanejas Patrícia & Adriana e Fred e Victor, que se apresentaram na rua Palestina entre a rua Beatriz Cordeiro Leal e a rua Náutico. 

Para esses shows no Bairro Panamá, com aproximadamente uma hora e 30 minutos de duração cada, ambas as duplas receberam um montante de R$25 mil, somando R$50 mil ordenados pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul para três horas de apresentação no último sábado (07). 

Com o segundo maior ordenamento aparece o Bloco Calcinha Molhada, que tem a mesma quantia de R$25 mil (por aproximadamente uma hora e 45 minutos de show) pagos para a cantora Paolla Gomes, que já foi responsável inclusive pela abertura do show de Luísa Sonza durante o MS Ao Vivo no Parque das Nações. 

Além dela, Ariadne Samara Azevedo Cruz Farinea recebeu o ordenamento de oito mil reais pela Fundação de Cultura do Estado para a apresentação realizada também durante o sábado, por duas horas de apresentação na Praça Aquidauana em Campo Grande, ambas pelo Projeto Ações Culturais Para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul.

Ainda no último sábado, o ordenamento contemplou também as atrações do Bloco As Depravadas, sendo Daran Junior (R$ 7.000,00) e Gercilei Barbosa (R$ 2.800,00) os responsáveis por animar a folia realizada no Calçadão Rua Barão do Rio Branco, que fica na região central de Campo Grande. 

Cabe destacar que alguns nomes apresentaram-se em mais de um evento, com o cantor Diogo Tadeu de Oliveira, que recebeu o ordenamento de R$20 mil para apresentações durante o Bloco Nada Sobre Nós sem Nós, no último sábado (07) no Teatro de Arena do Horto, e no "Farofa com Dendê" ontem (08), realizado no Monumento Maria Fumaça, que contou ainda com o show de Angelique Mileny Ribeiro (R$ 1.600,00). 

Também neste último domingo (08) aconteceu o Bloco do Laricas, realizado na em frente à Morada dos Baís, na Av. Noroeste entre Afonso Pena e Barão do Rio Branco, para o qual foram contratados Kalelo e Ariádne Farineia, recebendo cada um R$10 mil, sendo que a contratação dela foi para uma hora a mais de show que a do cantor da banda ex-banda Projeto Kzulo, que inclusive havia feito o seu show de "despedida" em dezembro de 2023 em evento que marcou o fim do ponto do Laricas Cultural na Rua Antônio Maria Coelho, 1663. 

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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