O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está executando um amplo Plano de Mitigação de atropelamentos de fauna silvestre ao longo da BR-262, em Mato Grosso do Sul, uma das rodovias com maior incidência de mortes de animais no País. As intervenções abrangem 278,3 quilômetros entre Anastácio, Aquidauana, Miranda e Corumbá, em uma região que corta áreas sensíveis do Pantanal.
Com investimento estimado em R$ 30,2 milhões, o plano prevê a instalação de 18 trechos de cerca condutora de fauna, somando 170 quilômetros. A medida busca direcionar os animais para estruturas seguras de travessia. Também estão previstas sete passagens superiores e dez novas passagens inferiores, além da adequação de outras oito já existentes.
O conjunto é complementado por nova sinalização e equipamentos para redução de velocidade. Já o prazo inicial para execução dos serviços é de 730 dias.
A necessidade das obras ganha urgência diante do alto número de atropelamentos registrados no trecho. Entre 2023 e abril de 2024, ao menos 2,3 mil animais silvestres morreram ao longo da rodovia, no percurso entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai, próximo a Corumbá. Os dados são do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) e representam, em média, quase 200 registros por mês.
Entre os casos mais conhecidos está o de uma onça-pintada, atropelada no trecho que corta o Pantanal em janeiro deste ano. O acontecimento reforça a vulnerabilidade da fauna e o impacto da rodovia em espécies ameaçadas. Tatus, anfíbios, jacarés e cachorros-do-mato também estão entre os animais mais atingidos.
Com a implantação das medidas, o DNIT espera reduzir significativamente os índices de mortalidade e tornar a travessia da fauna mais segura, preservando a biodiversidade pantaneira.

