Durante a manhã de hoje (27) a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação chamada de Didática Magna, cumprindo uma série de mandados de busca e apreensão em três Estados, além do pedido de prisão cumprido em Campo Grande, em busca do "cabeça" do tráfico de entorpecentes através de tanques de combustível.
Conforme divulgado pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (27), as investigações apuram um esquema de tráfico de drogas vindas da região fronteiriça, após uma primeira apreensão localizar cerca de 21,3 quilos de cocaína traficados nessa modalidade de "mocó".
Durante os trabalhos investigados, segundo a PF, foi possível identificar toda uma rede que era encarregada de efetivar o esquema criminoso, indo de contratantes até aquelas pessoas empregadas para viabilizar o transporte e a circulação de valores.
Ou seja, para a polícia, sobram indícios de uma atuação estruturada voltada ao envio de entorpecentes para o interior do país.
Nessa ação a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas seguintes cidades.
- Campo Grande (MS),
- Artur Nogueira (SP) e
- Umuarama (PR).
Além disso, a Operação Didática Magna cumpriu um mandado de prisão em Campo Grande, mirando justamente quem seria o indivíduo acusado de ser um dos "alvos centrais" da investigação.
Cabe destacar que a identidade do suspeito não foi divulgada até o momento, com as investigações ainda em curso com o intuito de esclarecer as dimensões do impacto financeiro e demais envolvidos.
Imagens divulgadas pela PF mostram que, durante o cumprimento dos mandados, os agentes policiais federais localizaram diversas cédulas guardadas das mais diferentes formas, inclusive em bolos com notas de cem e R$200, além de uma pistola localizada, como é possível conferir no vídeo abaixo:
Aumento de apreensões
Até o fim de junho deste ano, Mato Grosso do Sul havia registrado um aumento de 50% no volume de cocaína apreendida em rodovias federais que cortam o Estado, conforme dados compilados pela PRF em balanço semestral, sendo 8,3 toneladas totais nesse período em 2025.
Menos de uma semana após a divulgação desses dados, MS anotou a apreensão da maior carga de cocaína do ano até então, cerca de 1,1 tonelada, quantidade das chamadas "drogas de consórcio" com foco em alimentar o tráfico internacional e interestadual de substâncias ilícitas.
Antes desse carregamento, duas outras cargas figuraram como as maiores apreensões do ano, até então, em 2025 no Mato Grosso do Sul, anotadas nos meses de abril e maio.
Aqui, cabe destacar que, diferente da ação desta sexta-feira (11) que foi executada pela PF, ambos os casos citados a seguir tratam-se de apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal em trechos de BR.
Por ordem cronológica, o primeiro sinal de "maior apreensão do ano" apareceu em 1° de abril, com 673,5 quilos de cocaína encontrados em uma carreta carregada de soja, conduzida por um morador de Ponta Porã.
Esse homem envolvido com o tráfico de drogas teve seu carregamento apreendido no município de Alto Paraíso, distante cerca de 95 quilômetros de Naviraí, que faz divisa com o estado sulista do Paraná.
Depois disso, em fiscalização na BR-262, em Miranda, a PRF abordou um caminhão transportando ferro gusa em 26 de maio, onde foram encontrados 675,9 kg de cocaína, sendo 524,8 Kg de cloridrato e 151,1 Kg de pasta base.
Esse carregamento em questão foi investigado graças às suspeitas levantadas, uma vez que o motorista preso na ocasião apresentou divergências entre as informações repassadas e a nota fiscal da carga.
O homem ainda transportava mais 10,4 Kg de haxixe, sendo preso sem dar informações sobre a origem ou destino das drogas.
Mocós de pó
Apreensões recentes deste 2025 revelam que o crime organizado ainda se vale de algumas práticas antigas, como o uso dos populares "mocós", como são chamados os esconderijos feitos em veículos que acomodam as substâncias a serem distribuídas ao tráfico.
Somente neste ano, num intervalo de 30 dias, carregamentos foram localizados ocultos das mais diversas formas, entre cargas de ossos, minério e até entre produtos de limpeza.
Em 12 de fevereiro, por exemplo, 120 kg de cocaína foram apreendidos na BR-262, droga essa que estava fracionada e escondida entre cargas de ossos, armazenadas em tambor plástico com capacidade para armazenar até 200 litros
Outra carga interceptada na BR-262, menos de dez dias depois, também tentava passar substâncias entorpecentes entre carregamento lícitos, sendo 391 kg de cocaína e 247 Kg de maconha localizados nessa ocasião em um bitrem, que transportava minério de ferro.
Como se não bastasse, até mesmo uma carga de produtos de limpeza foi usada para tentar camuflar um carregamento de cocaína que, segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON), foi avaliado em R$ 15 milhões após apreensão feita em após o início de março.

