Cidades

"É DIFÍCIL COMPETIR"

Camelôs de Campo Grande defendem taxação da Shopee, Shein e AliExpress

De acordo com os lojistas, a proposta do governo federal seria uma forma de incentivar a compra no comércio local

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O recuo do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cobrar imposto de importação das varejistas chinesas que vendem on-line a preços baixos sem recolher tributos e gerar empregos no Brasil gerou queixas no Camelódromo de Campo Grande.

Ao Correio do Estado, o presidente do camelódromo de Campo Grande, Narciso Soares, disse que a taxação seria uma alternativa para os comerciantes conseguissem “competir” com os grandes sites de compras internacionais, já que o cliente tem comprado cada vez menos do lojista local.

“Hoje do conforto de casa, o cliente compra através do comércio online sem precisar ir às lojas do centro. Por outro lado, os lojistas são taxados e ainda pagam impostos, água, aluguel. Então como presidente, acredito que a taxação iria incentivar o cliente a comprar o produto direto do comércio local”, explicou.

Além disso, o presidente afirmou que a taxação pouco atingiria comerciantes e lojistas, já que grande parte dos varejistas adquirem seus produtos de fornecedores nacionais.

“Muitas pessoas saem daqui para comprar de fornecedores de Goiânia e São Paulo, por exemplo, então os comerciantes compram praticamente tudo aqui dentro do Brasil mesmo. Existem os que compram de sites internacionais, mas em menor quantidade porque acaba não compensando”, afirma Narcisio.

Renato Rosa é lojista há 14 anos, para ele a proposta de taxar as compras seria uma medida interessante para o comércio, pois é difícil para o lojista concorrer com as grandes empresas internacionais de e-commerce.

“Isso faria o cliente ir mais até a minha loja comprar o produto em um preço que é competitivo com essas empresas. Esse é meu ponto de vista enquanto empresário, é claro que enquanto consumidor eu tenho minhas demandas”.

O comerciante explica que os clientes já chegam na loja mostrando o valor do produto desejado no aplicativo, numa tentativa de comparar os preços e pechinchar. No entanto, Rafael afirma que nesses casos não é possível cobrir o valor, pois a diferença de preço é grande.

“Essa semana fui vender um controle de videogame, eu vendo ele por R$ 130 e compro no fornecedor por R$ 75, além de impostos e outros gastos, o cliente abriu o celular e questionou que na Shoope estava mais barato, mas ele não entende que eu tenho um custo até revender. Então se tivesse a taxa, quando o produto chegasse para o cliente, ele teria que pagar o mesmo preço que eu vendo”.

Renato reconhece que a taxação pode ser considerada desproporcional para o consumidor, e que outras medidas podem ser criadas, mas é preciso que algo seja feito.

“Não precisa ser exatamente essa taxação que estavam querendo implementar, querendo ou não, para o consumidor final é algo absurdo comprar algo por R$250 e ser taxado em quase R$ 400, mas é preciso haver alguma medida que a gente consiga competir. Hoje do jeito que tá, é difícil competir", lamentou o varejista.

Incentivo

De acordo com Bosco, lojista de produtos eletrônicos há 10 anos, ao invés de taxar, é preciso que o governo incentive o comércio local.

“Na minha opinião a solução não é meter imposto nas pessoas, mas para que eu consiga competir, é preciso que eles tenham um preço parecido comigo. Pensando em incentivo ao comércio, no Brasil, se você for empreender a dificuldade já começa para abrir uma empresa, além dos valores dos impostos”.

O presidente do camelódromo, Nacisio Soares, também frisou a importância do incentivo ao comércio pelo Governo do Estado, segundo ele, a taxação não seria a única medida, é preciso que haja iniciativas para ajudar o pequeno negócio.

“Nosso estado precisa de muitas medidas para incentivar o desenvolvimento do comércio. Já conversei com o governador Riedel sobre isso e expliquei que é preciso investir nessa área. O município de Goiânia é um grande exemplo, existem pessoas do Brasil inteiro que viajam até a cidade para comprar lá, isso acontece por conta do incentivo do governo local. Falta uma visão mais apurada do Governo do Estado para o desenvolvimento do comércio”.

Para Renato, medidas de isenção de imposto para quem compra dentro do território nacional seria uma das medidas de incentivo que o governo poderia adotar. 

“A minha mercadoria, uma parte vem de São Paulo e a gente tem que pagar uma diferença de imposto, então se houvesse uma isenção para microempresa em igualar de estado para estado seria algo excelente. Poderia ser algo mais razoável”, avalia o comerciante.

Recuo

A Casa Civil da Presidência da República e o Ministério da Fazenda haviam anunciado a intenção de extinguir a regra que, atualmente, isenta transações internacionais avaliadas em até US$ 50 feitas por pessoas físicas. 

A regra, segundo o governo, estava sendo usada de maneira irregular por varejistas internacionais que, mesmo sendo empresas, se “disfarçam” de pessoa física e enviam as encomendas para que compradores brasileiros não paguem impostos.

No entanto, ontem (18), exatamente uma semana depois, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo não pretende mais acabar com a regra de isenção de compras internacionais feitas através de sites como a Shein, Shopee e AliExpress. 

Segundo o ministro, o pedido de recuo da proposta foi do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a reação negativa que a medida gerou entre os consumidores. Haddad disse que o petista solicitou à equipe econômica que fosse estudada outras formas de resolver a questão da irregularidade da taxação em sites de compras internacionais.

Repercussão

A decisão estava gerando polêmica entres os lojistas de todo o país. Em carta divulgada nesta quarta-feira (19), o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (DIV) informou que a não taxação é injusta com a indústria e o comércio. 

O instituto representa 71 varejistas, incluindo grandes plataformas de e-commerce, como Magazine Luiza, Via (Casas Bahia), Americanas, e varejistas de moda como Renner, Dafiti, C&A, Marisa, Riachuelo, entre outras.

“A não taxação das vendas realizadas pelas plataformas digitais estrangeiras, mantendo a isenção de impostos de remessas com valor inferior a US$ 50,00, o chamado “de minimis”, nos preocupa, mas seguimos acompanhando os esforços do governo e acreditamos que, juntos, governo e setor privado, acharemos uma solução para essa situação insustentável”, afirma o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho.

De acordo com o presidente do IDV, o cancelamento da taxação vai exigir um esforço maior do governo no combate às fraudes e a sonegação de impostos.

“Acabar com a isenção e taxar toda e qualquer encomenda vinda do exterior seria uma forma de o governo arrecadar mais dinheiro e cobrar o que é seu de direito. A não cobrança poderá fazer com que muitas plataformas continuem burlando o Fisco e promovendo uma competição desleal com as varejistas brasileiras, que pagam seus impostos e contribuem para o desenvolvimento do país”, analisou Jorge Gonçalves Filho.

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INTERIOR

PRF-MS encontra uma tonelada de droga sobre carga de minério na BR-262

Diferente dos populares "mocós", substâncias foram alocadas por cima do carregamento legal de ferro

22/09/2026 12h59

Apreensão foi feita nas imediações do quilômetro 600 da rodovia BR-262

Apreensão foi feita nas imediações do quilômetro 600 da rodovia BR-262 Reprodução/PRF-MS

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Ainda nas primeiras horas da madrugada de hoje (22), nas imediações do quilômetro 600 da rodovia BR-262, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreenderam quase uma tonelada de substâncias entorpecentes no município de Miranda, droga essa que estava apenas colocada sobre um carregamento de minério. 

Conforme repassado pela PRF, o carregamento ilícito não tratava-se de apenas um tipo de substância, sendo encontrado tanto pasta base e cloridrato de cocaína como porções de skunk, que respondiam pela maior parte desta carga. 

Abordado pelos agentes, o motorista disse primeiramente aos policiais que estaria fazendo transporte de minério de ferro, e que seu destino seria o Estado de Minas Gerais, aproximadamente  974 quilômetros do município sul-mato-grossense. 

Entretanto, esse motorista em questão teria apresentado comportamento suspeito, fornecendo segundo a PRF informações contraditórias sobre a logística do frete.

Durante a inspeção minuciosa ao veículo, no segundo semirreboque os agentes identificaram logo de cara a carga ilícita disposta sobre o carregamento de minério de ferro. Confira: 

Ao todo, segundo balanço da PRF, quase uma tonelada de droga foi localizada (974,6 quilos), substâncias entorpecentes identificadas e separadas nos seguintes pesos: 

  • 543 kg de skunk, 
  • 218,2 kg de pasta base e 
  • 213,4 kg de cloridrato de cocaína.

Diante do flagrante o motorista recebeu voz de prisão e, em conversa com os agentes, alegou que teria recebido a proposta de um homem após realizar uma parada em um restaurante. A oferta consistiria em uma determinada quantia de dinheiro para que as substâncias entorpecentes fossem trazidas até Campo Grande.

Vale lembrar que cargas de minérios há tempos tem sido usadas como "máscaras" para o tráfico de drogas, como os mais de 800 quilos encontrados entre esse tipo de carregamento em dois dias em abril neste 2026. 

Antes disso, ainda em fevereiro deste ano outra carga foi interceptada também na BR-262, na tentava passar substâncias entorpecentes entre carregamento lícitos, sendo 391 kg de cocaína e 247 Kg de maconha localizados nessa ocasião em um bitrem, que transportava minério de ferro

Skunk? 

Substâncias entorpecentes mais "refinadas" e de alto valor comercial, há tempos são feitas apreensões de drogas que chamam atenção pelos nomes, como Skunk e Dry, que muitas vezes levantam dúvidas sobre o que exatamente está sendo falado.

Com mais de meia tonelada deste carregamento ilícito tratando-se da droga chamada de "skunk", aqui cabe explicar a diferença desse subproduto da maconha. 

Com propriedades que vão muito além de "fazer a cabeça", tendo até mesmo um "primo careta", o cânhamo - um anagrama da palavra maconha conhecido em inglês como "Hemp" -, a planta de nome científico "cannabis" serve de também de matéria prima para tipos específicos de entorpecentes. 

Enquanto o cânhamo por sua vez possui um nível baixíssimo do chamado tetrahidrocanabinol, esses batizados de "skunks" seriam justamente as substâncias fabricadas para possuir maior concentração de THC. 

Em outras palavras, os cultivadores em busca de uma "maconha mais forte" cruzam subespécies diferentes de cannabis através da botânica, em busca de sensações específicas, posteriormente separadas em "correntes", indo desde as sativas para maiores picos de agitação pelo THC ou até “índicas” através do CBD, que não é psicoativo e pode ajudar em tratamentos terapêuticos como anti-inflamatório, anticonvulsivante e ansiolítico e mais.

 

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Decisão Judicial

Mulher receberá R$ 10 mil após ter dados usados em anúncios de serviços sexuais

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul entendeu que a plataforma falhou ao não impedir novas publicações depois da primeira denúncia

22/09/2026 12h15

Divulgação/TJMS

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Uma plataforma digital de anúncios, foi condenada a pagar R$ 10 mil reais por danos morais a uma mulher que teve sua imagem vinculada de forma indevida em anúncios de serviços sexuais. A condenação foi obtida através da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

De acordo com o processo, a vítima teve seu nome, fotografias, telefone e endereço divulgados e utilizados, de forma indevida, em anúncios sexuais.

Segundo os autos, terceiros utilizaram os dados pessoais e imagens da moça, sem autorização para criar anúncios na plataforma. Após a publicação no site, a vítima começou a receber contatos e mensagens de pessoas que possuíam interesse na contratação de supostos serviços. 

A vítima entrou em contato com a plataforma sobre a fraude e o primeiro anúncio foi retirado, porém os novos anúncios foram feitos posteriormente, desta vez contendo seus dados. Dessa forma a vítima fez novo apelo para retirada do anúncio.

A empresa responsável por coordenar a plataforma, fez um recurso, alegando que apenas hospedava conteúdos produzidos por terceiros e que não poderia ser responsabilizada pelas publicações.

A plataforma sustentou que adotou as providências necessárias após ser comunicada sobre os anúncios, além de questionar a fundamentação da sentença e a legitimidade para responder à ação. 

Porém a relatora do caso, rejeitou os argumentos, pois a responsabilidade da plataforma não decorre de simples hospedagem de conteúdo publicado por terceiros nem da existência de um dever de monitoramento prévio de todas as publicações. 

Após tomar conhecimento inequívoco do uso fraudulento da imagem e dos dados pessoais da vítima, a plataforma deveria ter adotado medidas eficazes para impedir novas publicações. 

No entanto, a republicação dos anúncios após a primeira denúncia evidenciou que as providências adotadas foram insuficientes.

Na decisão ficou destacada que a divulgação do nome, imagem, telefone e endereço da vítima associadas à prestação de serviços sexuais, configura-se violação aos direitos da personalidade. 

A magistrada responsável pelo processo, Denize de Barros Dodero, declarou que a situação ultrapassou os limites dos meros aborrecimentos cotidianos, atingindo a privacidade e a dignidade da vítima.  

Dessa forma, foi mantida a indenização fixada em R$ 10 mil, considerada adequada diante da gravidade da ofensa, da repercussão do caso e da republicação do conteúdo na plataforma, mesmo após a primeira denúncia realizada pela vítima. 

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