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Cannabis medicinal pode ser alternativa para aliviar sintomas na menopausa, apontam estudos

A substância, como afirmam especialistas ouvidos pela reportagem, tem propriedades terapêuticas, anti-inflamatórias, ansiolíticas - que diminuem a ansiedade e tensão— e sedativas - que podem ajudar no sono

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Fluxo menstrual irregular, inchaço, irritabilidade e insônia são alguns dos sintomas do climatério e da menopausa, que representam o fim do ciclo reprodutivo da mulher. Camila Brogliato, 41, sentia tudo isso antes de começar o tratamento com Cannabis medicinal.

Sua primeira suspeita era de endometriose. “Procurei tratamentos tradicionais, mas tinha muita medicação envolvida e cirurgia”, diz ela que, desde 2012, passou a se interessar por remédios naturais e parou de tomar pílula. Isso gerou mudanças em seu organismo. “Eu parecia uma adolescente de novo, com espinhas e cólicas.”

Durante a pandemia da Covid-19, em 2020, de tanto pesquisar sobre a doença, acabou encontrando artigos e cursos sobre o uso da Cannabis. Foi quando conheceu a ginecologista e obstetra Mariana Prado pelo site Dr. Cannabis.

O tratamento é feito com óleo de canabidiol (CBD), um canabinoide, que é um composto não psicoativo, derivado da planta de Cannabis. A substância, como afirmam especialistas ouvidos pela reportagem, tem propriedades terapêuticas, anti-inflamatórias, ansiolíticas —que diminuem a ansiedade e tensão— e sedativas —que podem ajudar no sono.

Com isso, o CBD ajuda no alívio dos sintomas que aparecem durante o climatério, quando acontece um declínio dos hormônios sexuais, especialmente do estrogênio. “O tratamento está me ajudando muito em todas as áreas da minha vida. Estou menos ansiosa, indo melhor no trabalho, melhorou também a parte mental”, afirma Brogliato.

De acordo com Prado, que trabalha com Cannabis medicinal há cerca de quatro anos, o uso da substância pode ser feito em pacientes que não desejam realizar terapia hormonal —o principal tratamento para esses casos, mas que possui contraindicações, como risco de trombose.

“A medicina canabinoide é uma opção aos hormônios, que são padrão-ouro quando se discorre sobre tratamento da menopausa, mas que, muitas vezes, não atende pacientes que desejam algo alternativo –mais natural e sem efeitos colaterais”, diz a ginecologista.

O tratamento começa com uma consulta clínica que analisa os sinais e sintomas da paciente, explica a médica. “Existe sempre o apoio quanto ao manejo da dose e um retorno, geralmente após três meses para reavaliação.”

Mas não funciona igual para todo mundo. “O tratamento medicinal com a Cannabis é muito individualizado, customizado. Precisa de fazer uma dosagem, uma titulação para cada paciente”, afirma a médica Mariana Maciel, fundadora da Thronus, biofarmacêutica de desenvolvimento de produtos de Cannabis medicinal.

O acompanhamento médico se faz importante também porque as formas de acesso ao CBD, seja por farmácia ou importação a partir de um laboratório ou associação, precisa de prescrição médica.

Um estudo realizado pela cientista Katherine Babyn na Faculdade de Farmácia e Ciências Farmacêuticas da Universidade de Alberta, no Canadá, com 1.485 mulheres de em média 49 anos de idade, revelou que cerca de um terço delas fazia uso de Cannabis. Dessas mulheres, 75% a utilizavam para fins medicinais, sendo os problemas mais comuns relatados: dificuldade para dormir, ansiedade, dores musculares e articulares, irritabilidade e depressão.

Outro estudo publicado em Harvard, em 2022, mostrou mais de 70% sentiram alívio nos sintomas da menopausa. Feito com uma amostragem menor —131 mulheres na perimenopausa e 127 que já haviam passado pela menopausa— o trabalho revelou que 86% das delas usavam Cannabis, e o alívio dos sintomas da menopausa foi reportado por 79% delas.

Mas os estudos sobre o impacto do uso da Cannabis na menopausa para avaliar a segurança e eficácia do medicamento ainda são poucos, como aponta a ginecologista. “A investigação sobre o consumo é essencial, uma vez que ela é frequentemente utilizada para aliviar sintomas do climatério.”

No Brasil, o estudo mais avançado é sobre a perda da memória com a diminuição do estrogênio, hormônio predominante nas mulheres que cai durante a menopausa. Ele analisou ratas que tiveram os ovários removidos e pararam de produzir esse hormônio, para mimetizar o que acontece com as mulheres. Como consequência, esses animais tiveram a memória afetada.

“Essa é uma queixa que aparece também nos consultórios de ginecologia. As mulheres sentem que estão mais esquecidas, fogem informações”, afirma Nadja Schröder, pesquisadora e professora do Departamento de Fisiologia e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Fisiologia da UFRGS e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional (INCT-MT).

Os resultados apontam que o CBD restituiu a capacidade de memória das ratas. “A gente está vendo a possibilidade do canabidiol ter esse efeito neuroprotetor, e com isso melhorar as funções neurais como um todo”, afirma Schröder, que pesquisa sobre a substância há 10 anos.

O estudo ainda é pré-clínico, mas com os resultados a pesquisadora pensa em realizar pesquisas com seres humanos. Por enquanto, um outro estudo está em andamento para analisar melhor a perda de memória na menopausa. “Quando encontramos resultados tão positivos com o canabidiol, a gente tem a obrigação de dar continuidade para que possamos oferecer alternativas mais seguras de tratamento para essas pacientes.”

A questão, para a ginecologista Prado, passa também pelos profissionais médicos. “Boa parte da ginecologia ainda não se ateve ao manejo da Cannabis, quiçá atém-se a outros métodos alternativos para o controle de diversas enfermidades. O estudo do sistema endocanabinoide deveria ser abordado nas grades curriculares dos cursos de medicina.”

Segundo Maciel, o sistema endocanabinoide é responsável por balancear todas as funções fisiológicas do nosso corpo, incluindo regulação do apetite, dor, memória e humor. “A Cannabis atua em diversas condições clínicas, porque ela se conecta nesse sistema que regula e que se conecta a todos os outros sistemas fisiológicos do corpo.”

A sua empresa, a Thronus, atende mais de 1.000 pacientes por mês que buscam importar o produto. Mas o acesso tem um valor alto. “É muito caro importar”, diz Brogliato, que compra o óleo pela associação Acura.

“Algumas políticas estaduais já fornecem o medicamento de forma gratuita para doenças pré-estabelecidas, infelizmente para nenhuma doença ginecológica. Os medicamentos de associações canábicas são alternativas muitas vezes mais baratas que os medicamentos de importação”, diz Prado.

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Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

Renovação da Frota

Após comprar Consórcio Guaicurus, HP avalia quais ônibus continuarão em Campo Grande

Empresa analisa a frota atual antes de assumir a operação e ainda não confirmou se veículos novos serão destinados a Campo Grande

24/08/2026 16h48

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande..

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande.. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A HP Mobilidade começou na semana passada a avaliar os ônibus que integram a atual frota do transporte coletivo de Campo Grande. O levantamento será utilizado para definir quais veículos deixados pelo Consórcio Guaicurus poderão continuar em circulação quando a empresa goiana assumir o comando da operação na Capital.

A informação foi repassada ao Correio do Estado por uma fonte que acompanha o processo de transição e preferiu não se identificar. Segundo a apuração, a análise já está em andamento e deverá indicar quais coletivos apresentam condições de permanecer no sistema e quais precisarão ser retirados ou substituídos.

Atualmente, o Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus em sua frota, dos quais 197, o equivalente a 42%, estão com idade acima do limite estabelecido no contrato de concessão.

O número de veículos em operação também encolheu ao longo dos anos. No início do contrato, em 2012, a frota era composta por 574 ônibus.

A expectativa também é de que todos os funcionários do atual Consórcio Guaicurus sejam absorvidos pela HP Mobilidade e continuem trabalhando na operação do transporte coletivo de Campo Grande. 

Ainda não há informações sobre quantos ônibus estão sendo avaliados nem sobre o número de veículos que poderá ser aproveitado pela nova controladora.

No entanto a expectativa é de que a maioria da frota ayual seja substituida. Também não foram divulgados os critérios técnicos adotados na inspeção, como idade, estado de conservação, histórico de manutenção, acessibilidade e condições mecânicas.

A avaliação representa um dos primeiros movimentos concretos da HP Mobilidade em direção à futura operação do transporte coletivo de Campo Grande.

O levantamento deverá subsidiar o plano de reestruturação que a empresa terá de apresentar ao município para obter autorização para assumir efetivamente o serviço.

A principal dúvida, agora, é se a companhia pretende renovar a frota apenas com a substituição gradual dos veículos reprovados ou se enviará um conjunto de ônibus novos para Campo Grande.

Até o momento, a HP não informou quantos coletivos poderão ser incorporados, quando chegariam à cidade e se seriam veículos zero-quilômetro ou transferidos de operações mantidas pelo grupo em outros municípios.

A definição tem impacto direto sobre a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Caso uma parcela significativa da frota atual seja considerada inadequada, a empresa terá de apresentar uma estratégia para substituir os veículos sem reduzir a quantidade de ônibus disponíveis nas linhas da Capital.

Embora a compra das empresas que formam o Consórcio Guaicurus tenha sido anunciada em julho, a transferência do controle da concessão ainda depende da autorização da Prefeitura de Campo Grande.

Como o transporte coletivo é um serviço público concedido, a negociação entre os grupos empresariais não resulta automaticamente na troca da operadora.

A administração municipal condicionou a entrada da HP Mobilidade à apresentação de um plano com investimentos e prazos definidos.

Entre as exigências anunciadas estão a renovação da frota, a colocação de ônibus com ar-condicionado, a reforma dos terminais e melhorias na qualidade do atendimento aos passageiros.

A transferência somente deverá ser autorizada depois da análise das propostas apresentadas pela compradora.

O sistema permanece sob intervenção da Prefeitura de Campo Grande. A medida começou em 16 de junho e foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 180 dias.

Durante esse período, a equipe interventora realiza auditorias, levanta dados financeiros e operacionais e acompanha o cumprimento do contrato de concessão. A intervenção foi mantida mesmo depois do anúncio da venda. 

A HP Mobilidade já havia informado que preparava um projeto de modernização e reestruturação do transporte coletivo da Capital, mas não detalhou as medidas, o volume de investimentos nem o cronograma previsto. A avaliação dos ônibus da atual frota deverá fazer parte desse planejamento.

HP Mobilidade ainda não detalhou plano para renovação da frota 

O Correio do Estado questionou a empresa sobre a quantidade de ônibus analisados, o número de veículos que poderá continuar em circulação, os critérios utilizados na avaliação e o prazo para a conclusão do levantamento.

A reportagem também perguntou se a HP Mobilidade enviará ônibus novos para Campo Grande, quantos veículos serão incorporados, se eles serão zero-quilômetro ou transferidos de outras operações e se existe um cronograma para a renovação completa da frota.

Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia encaminhado as respostas. O espaço permanece aberto para manifestação.

Estratégia de expansão

Como pano de fundo, a chegada da HP Mobilidade ocorre em meio a uma estratégia de expansão nacional do grupo, que pretende se tornar um dos principais conglomerados de transporte urbano do País.

Conforme já mostrou o Correio do Estado, a aquisição do Consórcio Guaicurus pode abrir caminho para uma repactuação do contrato de concessão, atualmente válido até 2032 e com possibilidade de renovação por mais 20 anos, em troca de novos investimentos no sistema.

Entre as mudanças projetadas estão a modernização da frota, com a possível incorporação de ônibus com ar-condicionado, e melhorias na infraestrutura do transporte coletivo.

O valor da aquisição não foi oficialmente divulgado pelas empresas, mas, durante as negociações, a concessão chegou a ser avaliada em cerca de R$ 200 milhões.

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