Cidades

Cidades

"Caso o Marco Temporal seja aprovado, vamos até Brasília", alegam indígenas durante protesto em MS

Manifestação aconteceu nesta tarde, em Campo Grande

Continue lendo...

Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul foram às ruas nesta terça-feira (30), contra a aprovação do PL 490, que versa contra a aprovação do Marco Temporal sobre as terras ocupadas pelas diferentes etnias distribuídas em todo o estado.

Em Campo Grande, a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas (Apib) destacou que caso o texto seja aprovado, os indígenas de todo o Brasil devem seguir rumo a Brasília.

Com adesão em todo o país, os protestos foram marcados pelo repúdio dos indígenas contra a ação de políticos sobre as rotinas dos indígenas e das terras ocupadas pelos povos.

Em tramitação, o PL prevê que uma terra indígena só poderia ser demarcada se fosse comprovado que os indígenas estavam no local antes ou na data da promulgação da Constituição Federal, que ocorreu no dia 5 de outubro de 1988.

Qualquer demanda por demarcação que não se encaixe nesse recorte, seria, segundo o texto,  automaticamente rejeitada. Com o requerimento de urgência aprovado pela Câmara dos Deputados, a análise deve acontecer ainda nesta terça-feira (30). 

“Estamos mobilizados nacionalmente contra a aplicação do Marco Temporal que pra nós é um extermínio dos povos indígenas e sabemos que o povo Terena e Guarani-Kaiowá possuem território em passos de ser demarcado. Só aqui em MS são 16”, destacou Val Eloy.

A coordenadora falou durante o protesto organizado na Praça Ary Coelho nesta tarde, em Campo Grande. 

Candidata a deputada estadual pelo PSOL em 2022, Val Eloy destacou que alguns parlamentares que foram contra as demarcações do território indígena foram eleitos pelo voto indígena.

“Tivemos candidatos eleitos com voto indígena, então agora é momento da gente cobrar também, assim como eles pedem nosso voto, agora é momento de cobrar que façam a defesa dos nossos direitos”, frisou. 

Desdobramento

Nesta manhã, os indígenas foram até a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, também contra  a aprovação do marco temporal. Na ocasião, o deputado estadual Zeca do PT informou que iria pedir a demissão do secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, o advogado sul-mato-grossense Eloy Terena.

O deputado disse já ter  conversado com o Ministério da Articulação Política do governo federal e que irá encaminhar ofício formalizando o pedido de afastamento de Eloy, a quem ele imputa a responsabilidade de supostamente incentivar conflitos indígenas em MS.

Presente na manifestação, Silvana Albuquerque, representante do Conselho Municipal de Direito e Defesa dos Povos Indígenas (CMDDI) de Campo Grande, Mato Grosso do Sul não possui uma bancada engajada nas causas indígenas, o que dificulta na luta pelos direitos das diversas etnias  presentes no Estado.

“Queremos educação de qualidade, saúde de qualidade, direito a viver nas nossas terras. Não tomamos nada, pelo contrário. Somos a segunda maior população indígena de MS. Não vão vão demarcar nossas terras, porque estamos disputando poder e dinheiro, e quem vai querer dar poder pra índio? dinheiro pra índio? Não só o índio, o negro, as pessoas que vivem na linha da probreza, todos feitos de massa de manobra”, destacou a Terena. 

Estudante de jornalismo em uma universidade particular de Campo Grande, Arnoldy Fernandes (22) vive distante de sua comunidade há cerca de dois anos.

O jovem vivia em Dois Irmãos de Buriti e decidiu vir para Campo Grande tentar mudar a vida, para melhorar as condições de sua etnia. “A organização dos jovens aqui é muito forte, temos o conselho Terena,base da Apib em MS, e dentro do conselho temos um grupo da juventude do povo terena. Nossa luta é a mesma. Sempre digo que a juventude é o agora e é preciso que estejamos lado a lado das lideranças que não nos tirem dos nossos territórios”, destacou o estudante. 

Acadêmico de direito na mesma universidade de Arnoldy Fernandes,  Higor André (21) destacou ao Correio do Estado que as ações coordenadas pelo agronegócio apenas promovem um derramamento de sangue indígena em todo o Mato Grosso do Sul. 

“O próprio estado tem buscado nos derrubar, um genocídio, etnocidio contra a nossa cultura. Desde criança eu acompanho a militância, meus pais são professores na aldeia. Fomos a primeira comunidade indígena com educação adaptada à língua materna do nosso povo e isso foi o fator principal de ligação aos meus direitos”, disse.

DOURADOS

Os protestos contra o Marco Civil também estão acontecendo no interior de Mato Grosso do Sul. Em Dourados, os indígenas Guarani Kaiowá estão na rodovia MS - 156, passa por dentro da reserva indígena do município e o liga até Itaporã. 

De acordo com Jaqueline Aranduhá Kaiowá, membro da Aty Guasu (Grande Assembleia Das Mulheres Kaiowá e Guarani), no local há indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru, além dos que moram nas áreas de retomada em Dourados. 

“Hoje, estamos fazendo uma mobilização nacional contra o Marco Temporal. Ele é uma afronta aos direitos constitucionais porque altera a demarcação e homologação dos territórios indígenas”, explica a líder. 

Ainda de acordo com ela, a aprovação da lei abriria muitas brechas, tanto para a exploração dos territórios originários, quanto para o genocídio dos povos indígenas

“Isso abre uma brecha muito grande dentro da lei para novas invasões, arrendamento de terras indígenas e ação de madeireiros, grileiros e mineradores. Abre uma brecha para a destruição ambiental e genocídio dos povos indígena”, afirmou. 

Em relação à demarcação de terras em Mato Grosso do Sul, Aranduhá explica que o Marco Temporal afetaria todos os encaminhamentos realizados até então, travando todos os processos de demarcação e homologação de terras indígenas.

Assine o Correio do Estado 

IMPCG

Após temporal e sem energia, IMPCG suspende atendimento ao público

Unidade depende de reestabelecimento de energia e atendimentos serão reagendados

11/09/2026 12h30

IMPCG fica sem energia após temporal nesta quinta-feira (10)

IMPCG fica sem energia após temporal nesta quinta-feira (10) Arquivo pessoal

Continue Lendo...

O Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) suspendeu o atendimento ao público e agendamentos nesta sexta-feira (11) devido a falta de energia na unidade. A rede elétrica do local foi danificada após o forte temporal e até o momento não foi restabelecida.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, foram registrados 24,4 milímetros em 28 minutos durante o fim da tarde e início da noite de ontem (10). Foram mais de 3 mil raios dentro de 36 minutos e ventos de até 87 km/h, afetando principalmente a rede elétrica devido a queda de árvores e postes.

Com mais de 40 mil beneficiários, entre servidores públicos municipais ativos, aposentados, pensionistas e dependentes, o IMPCG oferece serviços médicos e previdenciários, e recebe cerca de mil pessoas por dia com atendimentos médicos, odontológicos, previdenciários, para exames ou cirurgias.

Conforme apurado pelo Correio do Estado, os agendamentos para esta sexta-feira serão remarcados quando for restabelecida a energia no local.

Em nota oficial à imprensa, o IMPCG informou a suspensão dos atendimentos e atividades até a situação ser normalizada, mas sem data ou período previsto.

A estrutura do local não teve prejuízos, mas está totalmente sem energia. Com atendimentos regulares de segunda a sexta-feira, em caso de reestabelecimento da eletricidade apenas durante o final de semana, os serviços devem retornar na próxima segunda-feira (14).

TEMPORAL

O temporal registrado no fim da tarde desta quinta-feira (11) em Campo Grande registrou segundo o meteorologista Natálio Abrahão, 24,4 milímetros em 28 minutos e 3.095 raios em 36 minutos, além de ventos de 83 km/h.

Já o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS) registrou chuva de 19,6 milímetros e rajadas de vento de 87 km/h.

De acordo com a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, houve mais de 100 chamados de árvores caídas pela cidade, 26 escolas destelhadas, 3 unidades de Assistência Social danificadas e 1 unidade de saúde com desabamento de teto.

A tempestade foi rápida, mas causos muitos prejuízos. Reportagem do Correio do Estado percorreu os principais pontos de estragos e constatou que o vendaval causou:

Queda de árvores em todas as sete regiões de Campo Grande

  • Interdição de avenidas/vias obstruídas

  • Queda de árvores em cima de carros

  • Queda de postes de energia

  • Alagamento de ruas

  • Cancelamento de aulas na Rede Municipal de Ensino (Reme)

  • Queda de energia em dezenas de bairros

  • Abertura de buracos e crateras nas ruas

  • Semáforos desligados

  • Queda do painel do Fort Atacadista na avenida Ernesto Geisel

  • Desabamento do teto da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário

  • Destelhamento do Armazém Cultural, na avenida Calógeras

  • Explosão de parede de vidro em academia no bairro Universitário

  • Sujeira e lixo nas ruas: galhos, folhas, latas, garrafas, copos plásticos, entre outros diversos objetos

Não houve vítimas fatais.

AÇÃO CIVIL

Advogado entra com pedido de intervenção na Santa Casa

A tutela de urgência pede a nomeação de um administrador provisório ou junta interventiva por 180 dias

11/09/2026 12h15

Santa Casa foi alvo de operação do GAECO na manhã desta sexta-feira (11)

Santa Casa foi alvo de operação do GAECO na manhã desta sexta-feira (11) Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

Continue Lendo...

O Instituto Artigo Quinto (IA5°), através do seu presidente, o advogado Oswaldo Meza, propôs uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência, ajuizada contra a Associação Beneficente de Campo Grande (Santa Casa) e a Operadora de Planos Privados de Saúde Santa Casa Saúde Ltda.

A tutela de urgência principal de Oswaldo Meza pede a intervenção judicial temporária na Santa Casa, com nomeação de administrador provisório ou junta interventiva por 180 dias.

Além disso, solicita o afastamento temporário da presidente Alir Terra Lima e da diretoria financeira do hospital.

Já em relação à Operadora de Planos Privados de Saúde, Meza pede que seja instaurada uma auditoria independente, vedação temporário de novos contratos e acionamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para avaliar a instauração de direção fiscal ou técnica.

O processo busca garantir que os repasses de verbas públicas continuem sendo feitos para manter o funcionamento do hospital, porém quer que estes recursos sejam direcionados a uma conta sob supervisão do administrador judicial.

O documento destaca que a Santa Casa de Campo Grande depende fortemente de verbas do Sistema Único de Saúde, cerca de 86% de suas receitas operacionais. De acordo com a prestação de contas divulgada em novembro de 2025, as entradas operacionais foram de R$ 32.834.799,36, das quais R$ 28.301.056,96 vieram do SUS.

Outro ponto que o documento aborda é a crise assistencial do hospital. Ele relata a interrupção e paralisação de serviços médicos essenciais, como anestesiologia e cirurgia cardíaca pediátrica, por falta de pagamento e escassez de insumos, com casos de médicos que ficaram mais de 7 meses sem receber salário.

Por fim, aponta que a instituição vinha se recusando a apresentar integralmente relatórios e documentos financeiros ordenados anteriormente pela Justiça em ação de produção antecipada de provas.

Intervenção

O documento protocolado pelo advogado traz também um desenho da intervenção requerida. Nele, a ação alcança exclusivamente a gestão administrativa, financeira e contratual da Santa Casa, preservando os serviços assistenciais, os vínculos de trabalho e os contratos regulares.

Requer a nomeação judicial de um profissional de administração hospitalar ou junta com contador auditor, sem vínculo com a presidente e a diretoria de finanças do hospital, com o Município ou com o Estado.

Entre os poderes e deveres do administrador estão:

a) representar a Associação, movimentar contas bancárias, contratar e rescindir, com afastamento cautelar da Presidente e da Diretoria Financeira dos poderes de gestão e movimentação financeira;

b) elaborar, em até 10 dias, plano emergencial de desembolso que priorize a continuidade assistencial, a remuneração dos profissionais indispensáveis e a aquisição de medicamentos e insumos essenciais, respeitadas as preferências legais;

c) suspender novos contratos, aditivos, antecipações e pagamentos não vencidos ou desacompanhados de comprovação integral da contraprestação em favor das empresas nominadas na produção antecipada e das alcançadas pela Operação Antidotum, preservados os serviços comprovadamente essenciais, submetendo os pagamentos vencidos a conciliação documental;

d) apresentar prestação de contas mensal e relatório final ao término da intervenção;

e) contratar auditoria independente das contas de 2023 em diante.

O administrador teria prazo inicial de 180 dias, prorrogável, com remuneração fixada e suportada pelo hospital. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).