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Chuva de até 156 milímetros traz alívio a produtores de soja

Ela foi volumosa de Itaquiraí até Sidrolândia, beneficiando dezenas de municípios. Em São Gabriel, Chapadão do Sul e Costa Rica também choveu

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As chuvas do fim de semana em boa parte do Estado e que em algumas regiões passaram de 150 milímetros devem finalmente destravar o plantio de soja, o principal produto da economia de Mato Grosso do Sul.  Historicamente, o pico do plantio ocorre entre os dias 14 de outubro e 4 de novembro no Estado, conforme dados da Aprosoja. 

Em Rio Brilhante, a precipitação de sábado e domingo somou 156 milímetros, conforme dados do Inmet. No acumulado de outubro são 162,6 milímetros em Rio Brilhante. Em Maracaju, outro importante município agrícola, o volume somou 107 milímetros, água suficiente para deixar o solo com umidade para cerca de duas semanas de plantio.

Um pouco mais ao Sul, na região de Dourados, o Inmet também registrou chuva significativa, com cerca de 75 milímetros, principalmente no domingo. Volume semelhante, de 72 milímetros, foi registrado em Itaquiraí. 

No extremo sul, porém, o volume foi mais irregular.. Em Amambai, por exemplo, foram 22 milímetros, enquanto que em Sete Quedas, apenas 11 milímetros. Situação parecida na região Pantaneira. Em Miranda, foram 25 milímetros, contra apenas quadro na região urbana de Corumbá. 

Campo Grande praticamente ficou ilhada, com apenas cinco milímetros. Em Água Clara, mais ao norte da Capital, foram registrados 40 milímetros. Em São Gabriel do Oeste, importante região produtora de grãos,  foram oito milímetros. 

Mais ao norte, nos municípios de Costa Rica e Chapadão do Sul, o Inmet registrou 11 milímetros no fim de semana. Mas, no acumulado de outubro já são quase 30 nestes dois polos da produção agrícola, volume suficiente para que os agricultores façam o plantio da soja. 

A chuva também chegou ao extremo norte do Estado, principalmente no sábado, quando Coxim registrou pouco mais de 16 milímetros. E para esta segunda-feira havia possibilidade de a região voltar a ser contemplada. 

A Aprosoja não tem um levantamento exato sobre o estágio de plantio no Estado, mas escassez de chuva e o calor de setembro impediram o plantio em praticamente todo o Estado. 

Para esta semana, entre os dias 10 e 15, havia previsão de uma forte onda de calor em Mato Grosso do Sul, mais severa inclusive àquela que ocorreu entre os dias 20 e 27 de setembro. Porém, agora a meteorolia está menos alarmista, embora ainda persistam as previsões de calor. Nenhum instituto, porém, prevê máximas de até 43 ou 44 graus, conforme previam no fim do mês passado. 

Para as duas próximas semanas estão previstos entre 60 e 80 milímetros de chuva nas regiões sul e central do Estado. E, além da perspectiva positiva sobre o tempo, os preços da soja também estão apontando uma ligeira recuperação. Há três meses, a saca de 60 quilos era cotada a R$ 120 em Campo Grande. Nesta segunda-feira (9), o valor está em R$ 130, uma valorização

PREVISÃO DE SAFRA

Conforme as previsões iniciais da Aprosoja, a área de cultivo de soja deve aumentar em torno de 5%, passando de 4 para 4,2 milhões de hectares na comparação com o ciclo anterior em Mato Grosso do sul. Mesmo assim, a associação se mostra pessimista com relação ao volume produzido, que está estimado em 13,8 milhões de toneladas, o que seria 7,9% menor que as 15 milhões de toneladas colhidas na última safra. 

Embora exista perspectiva de chuvas abundantes em janeiro e fevereiro, em decorrência do fonômeno El Niño, existe perspectiva de queda de 13,5% na produtividade, que assim recuaria de 62 para 54 sacas por hectare. As estimativas pessimistas foram feitas com base nos números das últimas safras. 

E para alívio do produtor, que sofreu com a queda de cerca de 25% no preço da saca de soja, o custo de produção também recuou, mas apenas 10%, saindo de R$ 6.860,08 no ciclo anterior para R$ 6.170,61 neste ano por hectare. No ano passado eram necessárias em torno de 43 sacas por hectare para cobrir os custos. Agora, conforme a Aprosoja, serão necessárias 51 sacas. 


 

Segurança Pública

Mato Grosso do Sul tem salto de assassinatos em meio à guerra de facções

Briga entre Comando Vermelho e PCC por território influenciou no número de homicídios registrados este ano no Estado

22/09/2026 08h15

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS Foto: Agência Brasil

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A briga entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) por domínio de territórios em Mato Grosso do Sul tem contribuído para que 2026 seja o ano com mais mortes dos últimos nove anos. De janeiro a setembro, ocorreram 405 homicídios no Estado, um aumento de 22% em relação a 2025.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que este foi o primeiro ano em que o Estado ultrapassou a marca das 400 execuções em nove meses desde 2018.

Em 2025, por exemplo, foram registradas 332 mortes de janeiro a setembro, isso contabilizando os 30 dias do mês, já os dados deste ano compreendem o período de janeiro até o dia 20.

O aumento está diretamente ligado a guerra entre as duas maiores facções criminosas do País, que, desde o ano passado, têm travado uma batalha sangrenta pelo domínio de regiões próximas às fronteiras com a Bolívia e o Paraguai.

Matéria do Correio do Estado deste mês já apontava o ano como o mais sangrento da guerra entre as facções. Segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (Uicc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a estimativa é de que mais de 100 pessoas já tenham sido mortas em razão desse conflito neste ano.

“A guerra de facções já está aí há um tempo, e ela já fez várias vítimas aqui do Estado. A gente não tem o número exato, mas, talvez, seja o ano mais sangrento de Mato Grosso do Sul nessa guerra de facções. Mais de 100 [já morreram] só aqui”, afirmou o promotor, que participou de investigação sobre perfis de supostos membros do CV que estariam publicando fotos de pessoas que seriam membros do PCC e que estariam “marcadas para morrer”.

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

Segundo a investigação, pelo menos 24 pessoas, que seriam membros do PCC, estariam nessa lista de jurados de morte.

Por fazer fronteira seca com a Bolívia e com o Paraguai, Mato Grosso do Sul é usado por organizações criminosas como corredor para o transporte de maconha e cocaína, porém, a facção criminosa com maior presença no Estado sempre foi o PCC, originário de São Paulo, estado que faz divisa com MS.

Entretanto, nos últimos anos, o Comando Vermelho tem intensificado sua presença no Estado, principalmente na região norte, na divisa com o Mato Grosso, unidade federativa onde é mais atuante.

Um exemplo da briga entre as facções foi o triplo homicídio cometido neste fim de semana em Nova Andradina. Foram mortos Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37 anos, e Raissa Franco, de 21 anos. Segundo a polícia, o crime foi atribuído a integrantes do Comando Vermelho. Um adolescente de 14 anos também ficou ferido gravemente e foi encaminhado para o hospital.

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

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