Cidades

TRAGÉDIA

Chuvas causaram a morte de mais de 4.000 pessoas no Brasil em 31 anos

Sudeste concentra 64,9% das mortes, Nordeste15,7%, Sul 11,9%, Norte 5,9% e Centro-Oeste 1,4%.

Continue lendo...

Os 12 mortos na segunda quinzena de janeiro em decorrência das chuvas no Rio de Janeiro evidenciam um histórico de tragédias: o estado registrou, entre 1991 e 2022, o maior número de mortes no país por causa dos efeitos de tempestades.

Dos 4.111 óbitos no Brasil no período –média de 1 a cada 3 dias– por ocorrências de alagamentos, enxurradas, inundações, movimento de massa, tornado, vendavais, ciclones, chuvas intensas e granizo, 1.511 foram no Rio de Janeiro.

O levantamento foi realizado pela Folha de S.Paulo com dados do Atlas de Desastres no Brasil, do MDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional). Os dados de 2023 ainda não foram consolidados na base.

Em nota, a gestão Cláudio Castro (PL) afirmou que investe em obras e ações. Desde 2021, o governo do estado já investiu, por meio do PactoRJ, R$ 4,3 bilhões em obras de infraestrutura. A atualização do Plano de Contingência para as Chuvas do verão de 2023/2024 prevê investimentos de mais de R$ 3 bilhões em equipamentos de última geração, tecnologia e treinamento das equipes que atuam em situações de emergência".

O Sudeste concentra 42% da população residente do país (84,8 milhões), segundo o Censo 2022, e 64,9% de todas as mortes ocorreram na região em toda a série histórica analisada. A segunda posição é do Nordeste, com 15,7%, seguido do Sul 11,9%. O Norte acumulou 5,9%, e o Centro-Oeste, 1,4%.

A explicação para o alto número de mortes no Rio de Janeiro, segundo especialistas, está na combinação da geografia, concentração populacional, ocupação urbana e políticas públicas.

"A serra fluminense tem um solo raso, em cima de um maciço rochoso bastante fraturado, o que faz com que na ocorrência de chuvas intensas esse solo encharque rapidamente e em razão da declividade ocorram os deslizamentos", afirmou o professor Matheus Martins, especialista em drenagem urbana e professor da Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"Já a baixada fluminense está espremida entre a serra e a Baía de Guanabara, de forma que as águas das chuvas acabam descendo rapidamente das encostas até a região e encontrem um terreno plano onde o nível da baía funciona como um freio para os escoamentos, fazendo a região extremamente suscetível a inundações", acrescentou Martins.

Foi na região serrana do Rio de Janeiro que ocorreu a maior tragédia climática do Brasil, em 2011. Segundo o Atlas, que é abastecido com informações das secretarias municipais e estaduais, foram 870 mortos no Rio, naquele ano. No entanto, o número pode ser bem maior pelo número de desaparecimentos ou óbitos reconhecidos após o período e ainda não incluídos na base de dados.

Estudo do governo federal deste ano apontou que 8,9 milhões de pessoas vivem em área de risco geo-hidrológico. O levantamento mostra que a maior parte delas está no Nordeste e no Sudeste, especialmente em regiões perto do litoral e das áreas de serra.

Vivendo na Fazenda Botafogo, conjunto habitacional próximo do rio Acari, na zona norte, o aposentado José Flávio Barros, 54, diz que seu apartamento sempre costuma inundar quando o rio sobe. "Sou cadeirante e minha esposa também. Na última enchente, fomos resgatados por um vizinho no meio da madrugada, se não tivéssemos saído acho que possivelmente nos afogaríamos", afirmou.

A cidade do Rio tem sirenes de alerta para possíveis deslizamentos em 103 comunidades. Mas mesmo assim muitos moradores preferem não seguir as recomendações.

Lúcia Maria de Paula Souza, 37, é moradora do morro da Formiga, zona norte do Rio. Ela conta que prefere ficar em casa, mesmo com o toque da sirene. "Nem todos vão para a igreja [ponto de refúgio e apoio nas chuvas]. Se a encosta cair na minha casa, vai cair na igreja também. Prefiro ficar em casa. E, de todas as vezes que saí, não aconteceu nada", disse.

"É necessário preparar e fortalecer os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, para que as comunidades adquiram capacidade operacional durante os eventos críticos, além de estruturar o local com pontos de apoio, rotas de fuga sinalizadas, dispositivos para alarme. Nestas horas, a preparação da própria comunidade faz toda a diferença", afirmou o professor Leandro Torres, também da politécnica da UFRJ, especialista em desastres.

"A precariedade das políticas sociais e de habitação, associadas à falta de controle da ocupação do espaço urbano, resulta na ocupação desordenada de várzeas e encostas, normalmente pela população de mais baixa renda que, além de mais vulnerável, também acaba sendo exposta mais diretamente às ameaças", avaliou Torres.

Obras de prevenção muitas vezes são abandonadas. As bombas de sucção do rio Iguaçu, por exemplo, deveriam ter cinco equipamentos do tipo, mas somente duas estão funcionado. Ao todo, no projeto Iguaçu, que realizou o reassentamento de 3.000 famílias e dragagem do rio, foram empregados cerca de R$ 500 milhões, entre verbas federais e contrapartida estadual, dos R$ 2 bilhões previstos. O governo estadual afirma que está em processo de licitação para a compra das bombas ausentes.

O debate sobre a prevenção das chuvas virou tema de uma comissão da OAB-RJ, em 2022. "As chuvas vêm aumentando a cada ano, é fruto das alterações climáticas e ocupação desordenada também. A comissão age na fase anterior, na prevenção e mitigação dos riscos, orientando no plano municipal de redução de desastres", disse o coordenador Fernando Magalhães, da Comissão dos Desastres e Defesa Civil.

Apesar dos dados de óbitos de 2023 não estarem consolidados, o ano foi marcado por tragédias, como a de fevereiro, quando fortes chuvas, nos dias 18 e 19, atingiram a cidade de São Sebastião, no litoral norte, causando deslizamentos, em especial no bairro Barra do Sahy, e a morte de 64 pessoas.

Violência

Jovem de 20 anos é morto a tiros após casa ser arrombada em MS

Dupla invadiu a residência e disparou contra a vítima, que morreu no local. Polícia Civil investiga a motivação do homicídio e busca suspeitos.

22/09/2026 16h05

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante. Foto: Divulgação.

Continue Lendo...

Dois homens em uma motocicleta invadiram uma residência e mataram a tiros Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, no início da tarde desta terça-feira (22), em Rio Brilhante, na região sul de Mato Grosso do Sul. Segundo informações preliminares, a dupla arrombou a porta do imóvel e efetuou diversos disparos contra o jovem antes de fugir.

O homicídio ocorreu em uma casa na Rua Geová Fonseca Barbosa, no Bairro Benedito Rondon. Kauan estava sozinho no imóvel quando os suspeitos chegaram ao endereço.

A dupla teria forçado a entrada e arrombado a porta da sala. Já dentro da residência, os homens efetuaram diversos disparos de pistola contra o jovem, que morreu no local.

Depois do ataque, os dois suspeitos retornaram à motocicleta e fugiram. Testemunhas relataram que eles teriam gritado algumas palavras enquanto deixavam a região, mas moradores próximos não conseguiram identificar com clareza o que foi dito.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, foi morto a tiros dentro de uma residência em Rio Brilhante. Foto: Reprodução rede social.
 

A Polícia Militar foi acionada e realizou o isolamento da residência para preservar possíveis vestígios. Posteriormente, equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica foram chamadas para realizar os levantamentos necessários à investigação.

Prisão dias antes

O assassinato ocorreu apenas cinco dias depois de Kauan ter sido preso pela Polícia Militar. Na quinta-feira (17), ele e outro homem, de 30 anos, foram detidos no mesmo bairro onde ocorreu o homicídio.

Na ocasião, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros e 14 munições.

Kauan posteriormente deixou a prisão em liberdade provisória e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, equipamento que utilizava quando foi morto nesta terça-feira.

Informações preliminares apontam que o jovem era suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa possível relação, assim como as circunstâncias da prisão ocorrida na semana passada, deverá fazer parte das informações analisadas pelos investigadores.

Possível ligação com disputa entre facções

Uma das linhas consideradas inicialmente é a possibilidade de o homicídio estar relacionado à disputa entre organizações criminosas em Mato Grosso do Sul, especialmente PCC e Comando Vermelho (CV).

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que a execução tenha sido determinada por alguma facção nem de que a rivalidade entre os grupos tenha sido a motivação do assassinato. O fato de os autores terem gritado algo durante a fuga também deverá ser apurado. 

A Polícia Civil deverá agora buscar imagens de câmeras de segurança, ouvir testemunhas e levantar informações sobre os últimos dias da vítima para tentar reconstruir a dinâmica do crime e identificar os dois homens que chegaram de motocicleta.

Até o fechamento desta matéria, os autores do crime ainda não haviam sido identificados, e a motivação do homicídio permanecia sob investigação.

Transporte Público

Adriane diz que Consórcio Guaicurus poderia colapsar novamente sem intervenção

Prefeita recebeu relatório dos primeiros 90 dias da medida, que aponta problemas financeiros, frota envelhecida e falhas na gestão do sistema

22/09/2026 15h00

Intervenção nos ônibus

Intervenção nos ônibus Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou nesta terça-feira (22) que o sistema de transporte coletivo da Capital poderia voltar a colapsar caso a Prefeitura não tivesse decretado a intervenção no Consórcio Guaicurus. A declaração foi feita por meio de nota, após a apresentação do balanço dos primeiros 90 dias da medida, iniciada em junho para evitar a interrupção dos serviços.

O relatório aponta que o sistema foi encontrado em situação de fragilidade financeira, com frota envelhecida, manutenção preventiva insuficiente, falhas de gestão e problemas nos controles. Segundo o diagnóstico, o conjunto de dificuldades aumentava o risco de paralisação e comprometia a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.

A intervenção começou em 16 de junho e teve como prioridade manter o transporte em funcionamento. Nesse período, o Município passou a acompanhar de forma mais direta despesas como folha de pagamento, diesel e aquisição de peças, além de reforçar os controles financeiros e de manutenção.

O balanço também aponta recuperação parcial da oferta de viagens nos meses de julho e agosto. Apesar disso, a situação estrutural do sistema ainda exige investimentos e medidas de longo prazo.

Entre os principais problemas identificados está a idade dos ônibus. A frota do transporte coletivo de Campo Grande tem idade média de 10,4 anos, segundo o relatório dos 90 dias.

A renovação dos veículos também é uma das principais cobranças da Câmara Municipal. Nesta terça-feira, o interventor jurídico do Consórcio Guaicurus, Alexandre Souza Moreira, entregou o relatório parcial ao vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana.

A entrega ocorreu uma semana após o presidente da Câmara, vereador Papy, cobrar publicamente informações sobre o andamento da intervenção e questionar a falta de novos levantamentos apresentados à Casa.

Ao receber o documento, Dr. Lívio afirmou que a continuidade do transporte não pode ser colocada em risco e destacou que a comissão manterá a renovação da frota entre as prioridades. O vereador também defendeu que todos os ônibus tenham ar-condicionado.

“Podemos afirmar, hoje, à população que não haverá interrupção dos serviços de transporte coletivo”, afirmou.

Futuro do consórcio

Além de avaliar os problemas encontrados durante a intervenção, o Município terá de definir o futuro do Consórcio Guaicurus. Uma das possibilidades em análise é a transferência do controle para um grupo empresarial de Goiás, negociação que ainda depende da avaliação e do aval da Prefeitura.

Adriane afirmou que uma eventual mudança no controle do consórcio dependerá da comprovação de capacidade técnica e financeira, além de compromissos com investimentos, renovação da frota e melhoria do serviço.

O relatório entregue à Câmara é parcial e corresponde aos primeiros 90 dias da intervenção. A comissão deverá analisar os dados apresentados pelos interventores e acompanhar os próximos encaminhamentos.

A Câmara também informou que pretende que o trabalho dos interventores seja concluído ainda em 2026, quando deverá ser

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).