Cidades

salário-maternidade

Com 1.300 mães adolescentes, INSS concede benefício para menores

Subsídio será destinado a adolescentes grávidas com até 16 anos que comprovem trabalho rural ou 10 meses de contribuição

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a conceder salário-maternidade para mães adolescentes com até 16 anos. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em 2022, Campo Grande registrou 1.337 mães adolescentes, o que representa 10,83% de todas as parturientes do período.

O advogado previdenciário Aurélio Tomaz da Silva Briltes explica que existem quatro possibilidades legais para obter o benefício: o próprio parto; o aborto não criminoso; a adoção; e a guarda judicial para fins de adoção. 

“Em regra, a mãe pode ter o benefício, mas há a possibilidade de, na sua morte, esse benefício ser estendido ao esposo ou ao representante legal”, detalha.

Segundo o advogado, para ter direito ao salário-maternidade, a adolescente precisa comprovar a condição de segurada obrigatória 10 meses antes do parto.

Para aquelas que têm carteira assinada, a Constituição veda o trabalho de menor de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, função que pode ser exercida a partir de 14 anos. Apenas nesses casos há direito ao salário-maternidade.

“Para os segurados empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos não há carência”. 
É importante destacar que a nova regra de concessão do benefício não deve ser confundida com um incentivo à gravidez na adolescência, já que, segundo Briltes, o benefício é uma proteção para a família e para a chegada do novo membro que já estava estabelecida desde a Constituição de 1988.

“Não se pode, em hipótese alguma, misturar essas situações. É preciso observar que a realidade da família rural é totalmente diferente da família urbana. As concepções de tempo, espaço e lugar são diferentes e merecem tratamentos distintos. O núcleo familiar, sua essência, as concepções, as ajudas mútuas, as convivências, os intercâmbios, enfim, a cultura, a história e a tradição por si só nos explicam e revelam valores imateriais desse instituto que é o mais antigo da relação humana”, detalha.

Quando engravidam, a vida dessas mães passa a ser restrita ao cuidado do bebê e, muitas vezes, as adolescentes param de frequentar a escola, o que resulta na falta de uma formação especializada.
A estudante Jéssica de Lima Alencar, de 17 anos, engravidou aos 16 anos, quando estava no 2º ano do Ensino Médio. Ela explica que, na época, tomava anticoncepcional e parou de usá-lo um mês antes de engravidar, em razão dos enjoos que o medicamento lhe causava.

Jéssica Alencar relata que, ao descobrir a gravidez inesperada, ficou sem reação por alguns dias.
“Quando minha mãe soube, ela chorou muito, porque não era o que ela queria. Meu pai também ficou bem chateado. Tanto que teve um tempo em que ele ficou três meses sem olhar na minha cara. Só depois de um tempo que ele começou a falar comigo de novo”.

A estudante ressalta que, por ter decidido terminar o relacionamento de seis meses, o pai da criança esteve ausente durante a gestação. A adolescente entrou em licença maternidade e desistiu de estudar no 3º ano do Ensino Médio, em função de complicações que teve no parto.

Este ano, Jéssica voltou a frequentar as aulas no período noturno para concluir seus estudos. Ela mora com a mãe, que a auxilia nos cuidados com a criança, e três irmãos. A jovem afirma que desistiu de cursar uma graduação e ressalta a dificuldade em conseguir um emprego.

“As pessoas julgam muito, dizendo ‘você tem de trabalhar como faxineira para se sustentar’, e isso me deixa muito mal. Queria fazer uma faculdade, mas não terei condições. No entanto, estou concluindo meus estudos”.

Trabalho no campo

De acordo com as novas regras do INSS, as jovens que trabalham no campo são consideradas seguradas especiais e, nesse caso, não precisam pagar contribuições para que o tempo de trabalho seja considerado como de efetiva contribuição ao INSS. Ser segurada especial garante não apenas o direito ao salário-maternidade, mas também a outros benefícios, como a aposentadoria.

A família de segurados especiais, como rurais, ribeirinhos, indígenas, extrativistas, quilombolas, entre outros, é avaliada considerando o núcleo familiar. Esses segurados têm tratamento diferenciado em razão das particularidades de suas atividades, de acordo com a lei.

Para comprovar a contribuição sem uma carteira de trabalho assinada, o advogado explica que é interessante apresentar a realidade dos fatos, que deve prevalecer.

“A análise de demandas dessa natureza é feita no local onde ocorrem os fatos, e é importante considerar a realidade das pessoas que trabalham no campo, bem como as dificuldades de formalização do trabalho. O trabalho rural e o núcleo familiar são fatos notórios nessas situações, não gerando muitas dúvidas para pessoas que estão distantes dos centros urbanos”.

Como obter o benefício

Briltes explica que para ter direito aos benefícios é necessário fazer um requerimento administrativo no INSS. No entanto, também é possível receber diretamente da empresa contratante.

“Para ter direito, é preciso fazer o requerimento administrativo por meio da plataforma Meu INSS ou agendamento pelo telefone 135. Também há a possibilidade de receber diretamente da empresa, desde que ela faça os registros oficiais no INSS para comprovar o fato à gestante e à empresa, bem como eventuais incentivos fiscais”, detalha o advogado.

Caso o pedido seja negado pelo INSS, a pessoa pode apresentar um recurso administrativo, preferencialmente com a ajuda de um advogado previdenciário.

“O site do INSS é interativo, mas é recomendado contar com a assistência de um advogado ou até mesmo da Defensoria Pública, pois essa é uma questão jurídica técnica que envolve apresentação e conferência de documentos, atualização de cadastro, entre outros detalhes, em que um único dado incorreto pode causar complicações”.

Para fazer o pedido, a interessada também deve ter CPF e um atestado médico que comprove o afastamento do trabalho a partir de 28 dias antes do parto ou um documento que comprove a guarda de menor ou termo de guarda em caso de adoção.

Além disso, no caso de procurador ou representante legal, é necessário incluir no pedido o termo de representação legal (tutela, curatela, termo de guarda) e um documento de identificação com foto, além do CPF do representante.

SAIBA

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), entre 2020 e 2022, foram registrados 5.226 nascidos vivos em Mato Grosso do Sul de meninas gestantes entre 10 anos e 16 anos.

Crime Organizado

Líderes do Comando Vermelho que ordenavam homicídios em MS vão para presídio federal

Mesmo presos em Cuiabá, Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são apontados pela Polícia Civil como mandantes de ataques em Três Lagoas; dupla foi transferida para penitenciária federal de segurança máxima em Mossoró.

07/08/2026 18h31

Presos apontados como líderes do Comando Vermelho foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró.

Presos apontados como líderes do Comando Vermelho foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró. Foto: Divulgação

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Mesmo atrás das grades na Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, dois presos apontados como lideranças do Comando Vermelho (CV) continuavam exercendo poder sobre integrantes da facção e ordenando ataques e homicídios em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. A descoberta levou à transferência dos dois para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são apontados pela Polícia Civil como integrantes de posição de comando na estrutura da organização criminosa e suspeitos de determinar pelo menos três ataques registrados nos últimos meses em Três Lagoas, em meio à disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Três Lagoas indicaram que a prisão no sistema penitenciário de Mato Grosso não havia interrompido a atuação dos investigados. Mesmo custodiados, eles teriam mantido influência sobre integrantes da organização que estavam fora das unidades prisionais.

Conforme os elementos reunidos durante a investigação, os dois recebiam e transmitiam ordens, articulavam ações criminosas e continuavam coordenando homicídios qualificados.

A suspeita é de que as determinações repassadas de dentro da prisão estivessem diretamente relacionadas à recente escalada da violência provocada pela disputa entre facções em Três Lagoas.

No mês de maio em apenas três dias, a cidade registrou uma sequência de atentados, incluindo mortes, que passaram a ser investigados dentro do contexto da rivalidade entre CV e PCC.

Transferência para presídio federal

Diante dos indícios de que os presos continuavam exercendo funções de comando, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, determinou a adoção de medidas para retirar os dois do sistema penitenciário estadual.

A Polícia Civil então representou à Justiça pela inclusão emergencial de Bruno Rafael e Bruno Jorge no Sistema Penitenciário Federal. O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e posteriormente foi deferido pela Justiça Federal.

Com a autorização, os dois foram retirados da Penitenciária Central de Cuiabá e transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima destinada, entre outros perfis, a presos considerados de alta periculosidade e integrantes de posições estratégicas de organizações criminosas.

Na decisão, a Justiça considerou a elevada periculosidade atribuída aos investigados e os indícios de que ambos exerciam funções de comando dentro da organização criminosa.

Também foi considerado que a permanência deles no sistema penitenciário estadual não estava sendo suficiente para impedir a continuidade das atividades ilícitas.

A atuação atribuída aos dois presos também teria contribuído para a intensificação da violência registrada recentemente em Três Lagoas, justamente pela capacidade de manter contato e influência sobre integrantes da facção mesmo durante o cumprimento da pena.

Medida é inédita em Mato Grosso do Sul

A transferência representa um precedente para a segurança pública sul-mato-grossense. Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), esta é a primeira vez que uma solicitação feita por Mato Grosso do Sul resulta na transferência de presos que estavam custodiados pelo sistema penitenciário de outro Estado diretamente para uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.

O pedido foi fundamentado nos reflexos que as ordens atribuídas aos investigados estavam provocando em território sul-mato-grossense, apesar de ambos estarem fisicamente presos em Mato Grosso.

Com o envio para Mossoró, as autoridades buscam dificultar a comunicação dos investigados com integrantes da organização criminosa e interromper a cadeia de comando responsável pela articulação dos ataques.

Estado endurece estratégia contra chefes de facções

A operação também deverá servir como modelo para situações semelhantes. Por determinação de Antonio Carlos Videira, a transferência para o sistema federal passará a integrar a estratégia das forças de segurança estaduais contra integrantes de organizações criminosas que continuarem comandando crimes com reflexos em Mato Grosso do Sul mesmo estando presos em outros Estados.

A diretriz estabelece que, quando as investigações identificarem presos ordenando homicídios, atentados ou outras ações criminosas que atinjam Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil deverá adotar as medidas judiciais cabíveis para solicitar a inclusão dos envolvidos no Sistema Penitenciário Federal.

A estratégia busca atingir diretamente a estrutura de comando das facções e impedir que lideranças utilizem unidades prisionais estaduais para manter influência sobre integrantes em liberdade.

No caso de Três Lagoas, a medida ocorre em meio ao acirramento da disputa entre Comando Vermelho e PCC e à sequência de episódios violentos investigados pelas forças de segurança.

Agora em Mossoró, Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva ficarão submetidos às regras de uma unidade federal de segurança máxima, enquanto as investigações sobre os ataques e os demais integrantes envolvidos na disputa entre as facções continuam.

Revisão dos Protocolos

Polícia Militar de MS revisa protocolos de abordagem, uso da força e mortes em ações

MS já soma 96 mortes decorrentes de intervenção policial neste ano; corporação criou comissões para revisar abordagens, buscas, uso da força e procedimentos em ocorrências fatais.

07/08/2026 17h28

PM de MS iniciou revisão de protocolos que orientam abordagens e o uso da força pelos policiais.

PM de MS iniciou revisão de protocolos que orientam abordagens e o uso da força pelos policiais. Foto: Divulgação

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul iniciou uma ampla revisão dos procedimentos que orientam a atuação dos policiais nas ruas, incluindo regras para abordagens, buscas pessoais e domiciliares, emprego da força e procedimentos adotados em ocorrências que terminam com pessoas feridas ou mortas durante intervenções policiais.

Um conjunto de sete portarias, assinado pelo comandante-geral da PMMS, coronel Renato dos Anjos Garnes, e publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (7), cria comissões específicas para analisar e propor mudanças nos protocolos operacionais da corporação. Os atos foram assinados na quinta-feira (6). 

A reformulação alcança diferentes etapas da atividade policial. Entre os assuntos que passarão por análise estão abordagem policial, busca pessoal, abordagem veicular e busca domiciliar; técnicas de mãos livres; instrumentos de menor potencial ofensivo; gerenciamento de crises; ocorrências com lesão corporal ou morte decorrente de intervenção policial; e a própria base doutrinária do chamado Uso Diferenciado da Força (UDF).

Também será elaborado um Procedimento Operacional Padrão (POP) específico para atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Na fundamentação das portarias, a Polícia Militar afirma que a medida busca modernizar as normas internas relacionadas ao uso da força, adequar os procedimentos às diretrizes nacionais e padronizar os protocolos empregados nos diferentes níveis de intervenção policial.

A corporação também cita entre os objetivos o fortalecimento da segurança jurídica das ações dos militares, o aprimoramento dos mecanismos de controle, supervisão e responsabilização e a incorporação de boas práticas contemporâneas de segurança pública. 

Abordagens e buscas serão revistas

Uma das mudanças potencialmente mais perceptíveis para a população está prevista na Portaria nº 033. O documento cria uma comissão exclusivamente para revisar os procedimentos relacionados à abordagem policial, busca pessoal, abordagem de veículos e busca domiciliar. 

Na prática, o grupo deverá analisar as regras internas que norteiam desde a abordagem de uma pessoa em via pública até situações em que policiais realizam buscas em veículos ou imóveis.

A portaria não estabelece, neste momento, quais regras serão alteradas. O trabalho das comissões é justamente revisar os atos normativos existentes e apresentar propostas de atualização.

Portanto, a publicação desta sexta-feira não modifica imediatamente a forma como as abordagens são realizadas, mas abre o processo interno que poderá resultar em novos procedimentos.

O movimento faz parte de uma revisão mais abrangente da doutrina operacional da PM. A corporação afirma que pretende uniformizar procedimentos e adequá-los às diretrizes nacionais relacionadas ao uso da força. 

Mortes durante intervenções entram na revisão

Outro ponto de maior repercussão está na Portaria nº 037, que criou uma comissão especificamente para analisar os procedimentos adotados em ocorrências com lesão corporal ou morte decorrente de intervenção policial. 

O tema ganha relevância diante dos índices recentes de letalidade policial registrados em Mato Grosso do Sul.

Até 7 de agosto deste ano, o Estado contabiliza 96 mortes decorrentes de intervenção policial, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) levantados anteriormente pelo Correio do Estado. Desde o início da série histórica, iniciada em 2016, foram contabilizadas 730 mortes desse tipo em MS. 

Em média, neste ano, uma pessoa é morta em decorrência de intervenção policial a cada 60 horas. No ano passado, essa média era de uma morte a cada 120 horas.

Em números gerais, este ano é o 2° ano mais letal da série histórica, contabilizada desde 2016, abaixo apenas do ano de 2023, que registrou 131 mortes deste tipo. 

No período ampliado, entre 2016 e 2026, três policiais perderam a vida durante o serviço, evidenciando que os confrontos armados representam riscos tanto para os suspeitos envolvidos nas ocorrências quanto para os próprios profissionais das forças de segurança.

A portaria publicada agora, porém, não relaciona diretamente a criação da comissão ao aumento ou ao número de mortes registrado em 2026.

A justificativa apresentada pela PM é mais ampla e menciona a necessidade de modernização normativa, adequação às diretrizes nacionais, padronização dos protocolos e aprimoramento dos mecanismos de controle e responsabilização.

A comissão deverá examinar justamente os procedimentos utilizados quando uma ocorrência policial resulta em ferimento ou morte e apresentar propostas para atualização e consolidação das normas internas.

Uso de armas menos letais também será analisado

A revisão alcançará ainda os chamados Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO). A Portaria nº 035 criou uma comissão destinada exclusivamente à atualização dos procedimentos relacionados ao emprego desses instrumentos. 

O documento mantém como fundamentos a necessidade de modernizar os normativos relacionados ao uso da força e adequá-los às diretrizes nacionais, além de reforçar mecanismos de controle, supervisão e responsabilização.

Outra comissão, instituída pela Portaria nº 034, ficará responsável pelas chamadas técnicas de mãos livres, empregadas em intervenções policiais sem a utilização direta de armamentos. 

Com isso, a revisão abrange diferentes níveis da atuação operacional, desde técnicas de contato e contenção física até instrumentos de menor potencial ofensivo e situações de maior gravidade.

Gerenciamento de crises também passa por reformulação

A Portaria nº 036 concentra-se em outro ponto sensível da atividade policial: o gerenciamento de crises, especialmente a atuação do chamado primeiro interventor o policial ou equipe que inicialmente chega a uma ocorrência crítica.

A comissão criada pelo comando da PM terá a missão de revisar, atualizar e consolidar os procedimentos relacionados a essas situações. 

Esse trabalho integra o mesmo processo de padronização adotado nas demais áreas e deverá resultar em propostas de novos procedimentos operacionais.

Doutrina sobre uso da força será revisada

Fechando o pacote de mudanças, a Portaria nº 038 estabelece uma revisão da própria base doutrinária de Uso Diferenciado da Força (UDF) da Polícia Militar.

A medida é mais abrangente porque trata dos fundamentos que orientam a aplicação dos diferentes níveis de força pelos policiais militares. A comissão deverá apresentar propostas para atualização, adequação e consolidação dessa doutrina. 

Entre as razões apresentadas pela corporação estão o alinhamento ao Projeto Nacional de Qualificação do Uso da Força, a modernização dos normativos internos e a adoção de boas práticas e diretrizes contemporâneas de segurança pública. 

Protocolo específico para pessoas com autismo

O conjunto de medidas traz ainda uma frente distinta das demais. A Portaria nº 032 determina a elaboração de um Procedimento Operacional Padrão para atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Nesse caso, a iniciativa ocorre após recomendação do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), que encaminhou à corporação, em maio, um ofício recomendando a criação de protocolo operacional específico para esse tipo de atendimento. 

A PM menciona ainda a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

O objetivo declarado é padronizar a atuação dos militares, oferecer maior segurança jurídica e incorporar boas práticas de atendimento especializado, observando princípios como necessidade, proporcionalidade, razoabilidade e respeito à dignidade humana. 

Com as sete frentes abertas simultaneamente, a Polícia Militar coloca em revisão uma parcela significativa dos protocolos que orientam sua atuação operacional.

As portarias, entretanto, representam o início do processo: caberá às comissões analisar as normas atuais e elaborar propostas antes que eventuais novos procedimentos sejam efetivamente incorporados à rotina dos policiais militares.

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