Cidades

Letalidade Policial

Com 18 casos, novembro é o mês de maior letalidade policial na história de MS

Número de mortos por agentes do Estado teve crescimento de 121,5% neste ano

Continue lendo...

Mais um homem foi morto pela polícia nesta quarta-feira (29), e, agora, novembro se tornou o mês de maior letalidade polícial da história em Mato Grosso do Sul. Desde o dia 1º, 18 pessoas foram mortas em confronto com a polícia, número que ultrapassou o mês de fevereiro, que era o recorde até aqui, com 17 óbitos registrados.

Somente nesses últimos três dias, foram mortos cinco homens por intervenção de agentes do Estado.

Na segunda-feira (27), um jovem de 20 anos foi morto após desobedecer e ameaçar os policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPMChoque) com uma faca. Os agentes realizavam vistoria em uma construção abandonada no Jardim Sayonara, em Campo Grande. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

Na tarde da última terça-feira (28), três homens de 24, 25 e 28 anos foram mortos em confronto com policias militares da Força Tática da 8ª Companhia Independente (CIPM) e Polícia Militar Rodoviária (PMR), na região da Serra da Urca, em Sidrolândia. Conforme apurado pela mídia local, o trio havia armado uma emboscada, para uma tentativa de sequestro. No entanto, moradores notaram a movimentação "estranha", e acionaram a Polícia Militar.

Já nesta quarta-feira (29), um homem, que não teve nome e idade divulgados, morreu após confronto com a Polícia Militar, no Bairro Taquaral Bosque, em Campo Grande. Segundo informações iniciais, a equipe fazia patrulhamento na região quando identificou o rapaz, que tinha comportamento suspeito e aparentava estar armado. Quando abordado, ele fugiu, o que iniciou a perseguição.

Recorde Anual

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que a letalidade policial teve aumento de 121,5% neste ano em Mato Grosso do Sul. No ano passado, haviam sido vitimadas 51 pessoas, e de 1º de janeiro a 28 de novembro de 2023, já foram registradas 113 ocorrências.

Os meses com os maiores índices são novembro, fevereiro e abril, com 18, 17 e 16 mortos, respectivamente.

Das 113 mortes, 50 foram registradas em Campo Grande e 63 no interior do Estado, sendo 41 delas na faixa de fronteira.

As vítimas são em grande maioria do sexo masculino (91,1%), sendo apenas duas das mortes de mulheres e oito sem registro de sexo.

Anos Anteriores

Até 2023, o ano recorde em letalidade policial havia sido 2019, com 70 óbitos ocasionados por agentes do Estado. 

No ano seguinte, 2020, o índice apresentou queda de 57,1%, com 30 ocorrências registradas. Os óbitos voltaram a subir em 2021, ano em que 49 morreram. Em 2022, a Sejusp registrou 51 óbitos.

Confira a série histórica*:

*Os dados foram atualizados às 23h59 do dia 28 de novembro, por isso, não consta no índice a morte registrada nesta quarta-feira (29). / Divulgação: Sejusp.

Somados os 10 anos que se tem registro, foram 468 mortos pela polícia. As vítimas eram em grande maioria do sexo masculino (87,8%), com 411 ocorrências. As vítimas do sexo feminino representam 1,2%, com 6 registros no período. Outras 51 vítimas (10,8%) não tiveram o sexo informado.

Assine o Correio do Estado.

Tempestade

Mais de 18 horas após tempestade, semáforos continuam apagados na Capital

Danos provocados pelas rajadas de até 90 km/h afetaram a rede elétrica e comprometeram a sinalização em vários cruzamentos

11/09/2026 12h45

Cruzamento movimentado opera sem semáforo após a tempestade que atingiu Campo Grande

Cruzamento movimentado opera sem semáforo após a tempestade que atingiu Campo Grande Foto: João Pedro Zequini / Correio do Estado

Continue Lendo...

Após a tempestade que atingiu Campo Grande na tarde da última quinta-feira (10), diversos semáforos continuam sem funcionar, causando transtornos no trânsito em vários pontos da Capital.

Além da forte chuva, o temporal foi acompanhado por rajadas de vento entre 86 km/h e 90 km/h, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A ventania danificou a rede elétrica e comprometeu o funcionamento da sinalização semafórica.

A Avenida Mato Grosso está entre as vias mais afetadas. No sentido Centro–Bairro, no trecho entre as ruas Rui Barbosa e Itiquira, apenas o cruzamento com a Rua Rio Grande do Sul permanece com o semáforo desligado.

No sentido Bairro–Centro, a situação é mais crítica. Entre a Rua Itiquira e a Avenida Calógeras, vários cruzamentos continuam sem sinalização semafórica.

Os semáforos seguem desligados nos cruzamentos da Avenida Mato Grosso com as ruas Alagoas, Espírito Santo, José Alencar, Bahia, 25 de Dezembro, Arthur Jorge, 13 de Junho, José Antônio, Rio Grande do Sul, Padre João Crippa e Rui Barbosa. 

Os equipamentos dos cruzamentos com as ruas Pedro Celestino, 13 de Maio e 14 de Junho funcionam normalmente.

Na Avenida Calógeras, também foram registrados pontos sem sinalização semafórica nos cruzamentos com as ruas Maracaju e Cândido Mariano.

Mais de 18 horas após a tempestade, equipes ainda trabalham para reparar os danos provocados pela queda de árvores, postes e cabos da rede elétrica. 

Enquanto os equipamentos não são restabelecidos, motoristas devem redobrar a atenção e reduzir a velocidade ao passar pelos cruzamentos afetados.

corrupção

Alir Terra repassou contratos milionários a ex-sócio logo após assumir hospital

A presidente da Santa Casa e o dono das empresas que controlam o plano de saúde do hospital foram presos em operação do MPMS nesta sexta-feira (11)

11/09/2026 12h42

A presidente da Santa Casa rompeu com outra empresa apenas 19 dias após assumir o hospital

A presidente da Santa Casa rompeu com outra empresa apenas 19 dias após assumir o hospital

Continue Lendo...

A operadora do plano de saúde da Santa Casa de Campo Grande, Duarte & Cruz, que foi alvo da operação do Ministério Público nesta sexta-feira (11) foi contratada cerca de três semanas depois de a advogada Alir Terra Lima assumir a presidência do hospital.

Conforme denúncias do advogado Oswaldo Meza, ela e o controlador da empresa, o também advogado Paulo da Cruz Duarte, haviam sido sócios em um escritório de advocacia. Ambos foram presos nesta sexta-feira acusados pelo desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões no plano de saúde do hospital somente no ano passado.

Depois de vencer a eleição com 49 votos, contra 39 da chapa concorrente, Alir Terra assumiu o hospital no dia 2 de janeiro de 2023. No dia 19 do mesmo mês ela comunicou a antiga operadora, a Plural, que fora contratada em 12 de abril de 2018, que estava rompendo o contrato. Na sequência, contratou as empresas do seu ex-sócio para operar o plano de saúde.

Mas, pelas cláusulas contratuais, qualquer rescisão só poderia ocorrer por meio de notificação formal com prazo de 90 dias de antecedência. Ocorre que a Santa Casa, antes mesmo de notificar a Plural, começou a veicular anúncios descredenciando a ex-parceira de negócios. Por conta disso, a Plural move três ações judiciais exigindo indenização do hospital.

Para defender o hospital, foi contratado o escritório de advocacia Duarte Cruz. Mas, segundo denúncia de Oswaldo Meza, Paulo da Cruz Duarte é ex-sócio da advogada Alir Terra.

Praticamente ao mesmo tempo, Paulo da Cruz Duarte, além de atuar na advocacia, passou a atuar na área da saúde, o que lhe garantiu exclusividade para comercializar os planos de saúde da Santa Casa Saúde.

E se não bastasse a entrega do plano de saúde ao escritório de advocacia comandado por Paulo Duarte, a presidente da Santa Casa ainda repassou a ele centenas de ações judiciais contra o poder público, através das quais cobra a restituição por serviços prestados a pacientes encaminhados ao hospital via decisões judiciais. Essas ações, pelo fato de serem em grande número, resultam ao final em valores significativos a título de honorários sucumbenciais, denuncia o advogado Oswaldo Meza.

Nesta sexta-feira o Ministério Público fez uma informou ter identificado irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, grupo esse controlado pelo advogado Paulo Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, eles eram sócios em um escritório de advocacia, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado. A apuração apontou que, somente no ano passado a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões ao hospital.


De acordo com Oswaldo Meza, “o ponto sensível não é apenas a atuação jurídica em si, mas o fato de o advogado manter diversas empresas no ramo da saúde, concentradas no mesmo endereço comercial, atuando em segmentos como telemedicina, planos de saúde, medicamentos e tecnologia aplicada à saúde”.

Levantamentos realizados em bases públicas de CNPJ indicam que Paulo da Cruz Duarte figura como sócio ou administrador de múltiplas empresas diretamente ligadas ao mercado da saúde. Essas empresas compartilham o mesmo endereço empresarial, localizado na Rua Hélio Yoshiaki Ikeziri, nº 34, no bairro Royal Park, em Campo Grande, o que indica uma estrutura centralizada de negócios no mesmo setor econômico. E foi este endereço que sofreu devasse do MPMS nesta sexta-feira.

Para Oswaldo Meza, “entidades que lidam com vidas humanas, recursos públicos e serviços essenciais, a ética não pode ser apenas formal; precisa ser visível, ativa e transparente. Quando vínculos privados se sobrepõem ao ambiente de gestão pública ou filantrópica, o ônus da explicação recai sobre quem administra”.

Na operação desta sexta-feira, o Ministério Público cumpriu 36 mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Além dos contratos relativos ao plano de saúde, também foi alvo um contrato que teria de digitalização de prontuários por meio do qual teriam sido desviados R$ 1,4 milhão em um ano. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).