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SAÚDE

Com 900 na fila, MP quer rapidez em consulta de doenças hepáticas

Os sintomas das doenças hepáticas são silenciosos no começo, o que aumenta a necessidade de atendimentos frequentes e diagnóstico precoce

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Após receber a denúncia de que mais de 900 pessoas aguardam uma consulta especializada em hepatologia em Campo Grande, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para investigar a demora para atendimento no setor e a atuação dos gestores para ampliação do serviço especializado em doenças hepáticas.

Na edição de ontem do Diário Oficial do MPMS, o órgão anunciou a abertura de inquérito civil para “apurar a demanda reprimida por consultas especializadas em hepatologia no Município de Campo Grande”.

O procedimento deve servir para “acompanhar as providências adotadas pelos gestores públicos para ampliação da oferta assistencial, organização da linha de cuidado das doenças hepáticas e estruturação da rede de atenção especializada no âmbito do SUS”.

Ao Correio do Estado, o MPMS explica que a ação começou após o Núcleo de Apoio Especial à Saúde (Naes) alertar sobre o tamanho da fila de espera para consultas hepáticas. Em meio a isso, destacou que o Hospital Adventista do Pênfigo realizou mais de 50 transplantes de fígado em pouco mais de um ano e meio de funcionamento.

“Na época, o Naes informou que mais de 900 pacientes aguardavam avaliação especializada, situação que motivou a abertura da investigação pela 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. Em informações mais recentes prestadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), esse número foi atualizado para 176 pacientes ainda na fila de espera”, explica o MPMS em nota.

Diante disso, a 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande enviou ofícios às Secretarias de Saúde municipal e estadual para mais informações sobre a demanda reprimida no setor, como dados sobre consultas, ambulatórios especializados e filas de espera.

“Embora haja estrutura para transplante hepático, ainda não existe serviço formalmente reconhecido como referência em hepatologia, capaz de absorver toda a demanda de pacientes com doenças crônicas do fígado”, pontua o MPMS.

Sobre o tempo de espera, o órgão se limitou a dizer que “solicitou à Sesau dados sobre a data da solicitação mais antiga registrada no sistema de regulação”, que evidenciaram que “há pacientes aguardando há longo período, o que reforça a necessidade de estruturar um serviço de referência em hepatologia para evitar encaminhamentos tardios de casos graves”.

Por fim, o MPMS disse que, além das secretarias, também pediu mais informações para o Hospital Adventista do Pênfigo, a Santa Casa de Campo Grande, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS).

“Todas essas instituições foram chamadas a prestar dados sobre consultas, estrutura assistencial e filas de espera. Esclarecemos que nenhuma dessas instituições está sob investigação”, conclui o órgão em resposta à reportagem.

ATUAÇÃO

Esta não é a primeira vez que o MPMS se envolve em casos de demanda reprimida de atendimentos de consultas especializadas na saúde pública de Campo Grande. Em setembro do ano passado, a Sesau entrou na mira do órgão fiscalizador após uma fila de 2,8 mil pessoas para uma consulta em cardiologia ser exposta.

Na ocasião, o MPMS entrou no assunto após instauração de notícia de fato que apontava para uma demanda reprimida, principalmente voltada a consultas especializadas em cardiologia para adultos, após um idoso de 73 anos comunicar o caso enfrentado por sua esposa.

Enfrentando risco de complicações cardiovasculares decorrentes de um problema ocular, a paciente em questão buscou uma ótica para tratar um problema de visão, providenciando inicialmente duas lentes corretivas.

Passado um mês do uso da primeira lente e começo da segunda, a mulher apresentou uma piora e chegou a perder cerca de 90% da visão do olho direito, sendo constatada necessidade de cirurgia após diagnóstico de um derrame na veia ocular.

Em resposta, a Sesau explicou que a solicitação em questão foi feita em 5 de maio de 2025 e agendada para 29 de julho, gerando, portanto, quase três meses de espera.

Diante disso, a notícia de fato evoluiu para inquérito civil em 17 de setembro. A Pasta também está na mira do MPMS pelas possíveis falhas no atendimento de pacientes diabéticos no SUS, uma vez que os profissionais endocrinologistas estariam em falta, assim como medicamentos essenciais ao controle da doença.

Já em junho de 2025, a investigação foi instaurada pela suspensão dos atendimentos ambulatoriais e cirúrgicos para pacientes com doenças urológicas na Santa Casa e, consequentemente, em quase toda a Capital, que estava em vigor desde o início do ano passado.

Desde então, a prefeitura informou ao MPMS que ao menos 1.572 pacientes passaram a aguardar na fila por procedimentos urológicos, enquanto repasses firmados em convênios – como a transferência de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares federais e estaduais especificamente para a prestação desse serviço – podem ter ficado pelo caminho.

Em Campo Grande, o agendamento de novas consultas urológicas pelo SUS ficou suspenso, pelo menos, até o dia 21 de maio de 2025.

*Saiba

A hepatologia é essencial para a descoberta de doenças relacionadas com o fígado, a vesícula biliar e as vias biliares. Na maioria dos casos, doenças hepáticas começam silenciosas, o que torna as consultas frequentes.

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"Interdictum"

Operação fecha seis 'bocas de fumo' em um tarde no interior de MS

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, que resultaram no fechamento dos pontos de distribuição de entorpecentes e na prisão em flagrante de 10 envolvidos

19/03/2026 08h49

 operação começou a partir de investigações prévias que foram conduzidas pela Polícia Civil, estendidas por um período de aproximadamente três meses,

operação começou a partir de investigações prévias que foram conduzidas pela Polícia Civil, estendidas por um período de aproximadamente três meses, Reprodução/PCMS

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Em Mato Grosso do Sul, uma megaoperação no interior do Estado resultou na desarticulação de seis "bocas de fumo" em uma tarde, com o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, além daqueles detidos em flagrantes 

Batizada de "Interdictum", as diligências foram  coordenadas pela Delegacia de Naviraí-MS, executadas por quatro equipes policiais: 

  • duas da 1ª Delegacia de Polícia, 
  • uma da Delegacia Regional de Polícia (DRP) e 
  • uma da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), de Naviraí.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, que resultaram no fechamento dos seis pontos de distribuição de entorpecentes, bem como na prisão em flagrante de 10 envolvidos com a atividade criminosa. 

Entre os presos, identificados pela Polícia Civil em nota apenas com as iniciais, aparecem quatro mulheres, com idades entre 23 e 36 anos, e outros seis homens, a maioria abaixo da casa dos 28, com o mais novo registrando 18 e o mais velho 49 anos. 

Toda essa operação começou a partir de investigações prévias que foram conduzidas pela Polícia Civil, estendidas por um período de aproximadamente três meses, que permitiram identificar toda uma rede estruturada para o comércio de drogas. 

Tendo o como alvo o município de Naviraí, a operação para atividades de bocas de fumo localizadas especialmente na região central da cidade, e durante o cumprimento das ordens judiciais foram apreendidas diversos tipos de entorpecentes, que iam desde crack até cocaína e a popular maconha, com porções fracionadas e prontas para a venda. 

No meio das apreensões foram recolhidos diversos itens que, pela antiga lei de drogas, caracterizam a prática de tráfico de drogas, como balanças de precisão, grandes volumes de dinheiro em notas fracionadas, além de lâminas plásticas usadas para confeccionar as porções, e nesse caso até câmeras de circuito de monitoramento interno, que segundo as autoridades eram "usadas para dificultar a ação policial". 

As apreensões somaram: 

  1. 84,3 gramas de crack,
  2. 496 gramas de maconha,
  3. 4,6 gramas de cocaína,
  4. R$ 4.878,75 de dinheiro em espécie,
  5. uma arma de fogo do tipo garrucha calibre .38,
  6. seis balanças eletrônicas de precisão,
  7. itens usados no processo de preparação das drogas,
  8. dois cadernos de anotação,
  9. materiais para embalo,
  10. dez aparelhos celulares,
  11. um sistema de monitoramento, além de outros objetos apreendidos para averiguação.

Conforme as investigações, os locais agiam de forma organizada, com tarefas distintas estabelecidas entre os envolvidos, uso de diversos imóveis para armazenamento, preparo e venda das substâncias, etc. 

Ainda segundo a Polícia Civil, essa operação identificou até mesmo casos de todo um núcleo familiar voltado para a prática criminosa, envolvendo até mesmo participação de adolescentes, entre 15 e 16 anos, caracterizando a qualificadora prevista na lei de drogas.

 

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Clima

Chuva acima de 120 mm alaga bairros e comércios em MS

Atingida por forte precipitação, a drenagem não resistiu, e a água tomou ruas, casas e estabelecimentos comerciais

19/03/2026 08h30

Crédito: Tudo do MS

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Fortes chuvas que atingiram o município de Maracaju em pouco mais de uma hora, nesta quarta-feira (18), causaram alagamentos em vias e residências em diversos pontos da cidade.

O coordenador da Defesa Civil, Aluísio Batista Amorim Junior, informou, por meio das redes sociais, que, em cerca de 1h30, a precipitação chegou a 125 milímetros, deixando várias localidades debaixo d’água.

Com casas, estabelecimentos comerciais e outros imóveis tomados pela água, a prefeitura atendeu pessoas em um abrigo destinado a receber quem precisou deixar a residência, com doação de roupas e outros itens.

Nas redes sociais, a população compartilhou a situação. Em uma das publicações, um motociclista se aventura ao atravessar uma rua totalmente alagada; em outra, um supermercado teve que suspender as atividades após ser tomado pela água.

Em conversa com o Correio do Estado, o prefeito Marcos Calderan informou que nenhuma família ficou desalojada e que o problema foi o grande volume de água em poucas horas.

“Quase 150 milímetros em menos de duas horas. Então, uma chuva fora de qualquer padrão que, pelo menos eu conhecia, né? Foi praticamente uma chuva histórica, vamos dizer assim. Em lugares onde nunca entrou água, como comércios, houve alagamentos, assim como em algumas residências”, contou o prefeito, que completou:

“[Ocorreu] mais em casas que não foram aterradas ou elevadas na construção, ficando em um nível um pouco abaixo da rua. Aí a água entra no quintal, causa transtornos, mas não foi necessário abrigar ninguém, embora a gente tenha um abrigo disponível, uma arena equipada. Não precisou abrigar ninguém.”

Os poucos casos que procuraram auxílio, conforme ressaltou o prefeito, receberam assistência das secretarias do município, que estiveram empenhadas em força-tarefa.
 

Entre os locais mais afetados, segundo o site Tudo do MS, estão as avenidas Antônio de Souza Marcondes e Marechal Floriano Peixoto, o bairro Cambaraí e a região central de Maracaju.

Drenagem

Nas redes sociais, Calderan, que cumpre agenda em Campo Grande, comentou os transtornos causados em decorrência de problemas de drenagem que não suportaram o volume de chuva.

“Precisamos urgentemente de uma força-tarefa e de um plano de ação para melhorar a drenagem em Maracaju, buscar recursos tanto aqui no Estado quanto no governo federal. Precisamos resolver esse problema, principalmente nos pontos críticos”, disse o prefeito.

 

 

 

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