Cidades

vacina contra a dengue

Com oportunidade única no mundo, douradenses fazem pouco caso da Qdenga

Meta era vacinar 1,5 mil pessoas por dia e aplicar 150 mil doses até abril. Porém, pelo ritmo atual, nem a metade será atingida pela primeira dose

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Exatos 26 dias depois do começo da vacinação em massa contra a dengue em Dourados, apenas pouco mais de 14 mil pessoas receberam a primeira dose, o que representa menos de 10% da meta, que é de 150 mil pessoas. A expectativa era atender uma média de 1,5 mil pessoas por dia útil. Na prática, porém, a média tem ficado na metade disso. 

E essa média só está neste patamar por causa da boa procura nos primeiros dias, quando até duas mil pessoas procuraram os postos. Ao longo da última semana, em algumas datas foram vacinadas menos de 400 pessoas por dia. 

E uma das explicações para esta lentidão é que até agora a Sesai não permitiu a entrada das equipes de vacinação nas reservas indígenas, onde residem em torno de 12 mil pessoas entre 4 e 59 anos, que são o público-alvo da campanha, de acordo com Júlio Croda, médico infectologista a professor da UFMS e que está auxiliando na campanha. 

Ele não soube citar a data exata em que foi solicitada a autorização para entrada nas áreas indígenas, mas deixou claro que a única resposta que chegou até agora da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) é de que a vacinação não foi autorizada. 

“Isso é um absurdo. Parece que existem dois sistemas de saúde no País, que é o SUS e a SESAI. Se o SUS aprovou a vacinação em massa no município, não faz sentido esse tipo de burocracia, já que são todos douradenses, independentemente da etnia ou da cor da pele”. Porém, não existe impedimento para que os indígenas procurem atendimento em qualquer ponto de vacinação da cidade.

Além disso, conforme o infectologista, nem todas as 33 unidades de saúde estão atendendo em tempo integral e o fato de ter muita gente de férias são outros fatores que ajudam a explicar o ritmo lendo da procura. 

A partir do momento em que forem retomadas as aulas e todas as empresas e órgãos públicos retomarem seu ritmo normal de trabalho, a tendência é de que essa procura melhore, acredita o médico. Ele também lembra que está prevista a criação de equipes volantes de vacinação, que devem levar as doses a escolas e outros locais de grande circulação de pessoas. 

Júlio Croda descarta a possibilidade de esta lentidão estar ligada a algum tipo de preconceito ou rejeição pela imunização.  “A gente monitora as redes sociais e até agora não surgiu nenhuma fake news contra essa vacina, até porque ela foi produzida pelo método tradicional, do vírus atenuado”, explica. 

Por meio de uma parceria da Secretaria Municipal de Saúde com o laboratório japonês Takeda, que produziu a vacina Qdenga, Dourados recebeu 150 mil unidades para a primeira dose, cuja data de validade acaba em 22 de maio. 

A imunização só é alcançada depois da segunda dose, que deve ser aplicada 90 dias depois da primeira. No caso de Dourados, já existe a garantia de que o laboratório vai doar outras 150 mil vacinas. 

No início da campanha, dia 3 de janeiro, as autoridades municipais anunciaram que a meta era concluir a aplicação da primeira dose até abril. Mas, se não houver alteração radical no ritmo atual dos atendimentos (750 por dia útil), até lá terão sido atendidas menos da metade das pessoas. 

Com 1,5 mil notificações e cinco mortes em decorrência da dengue no ano passado, Dourados é a primeira cidade do mundo com a aplicação gratuita da Qdenga. Em laboratórios, a dose custa em torno de R$ 450,00.

Conforme as pesquisas iniciais, ela reduz em 84% as internações por dengue e ao contrário de outras vacinas, que precisam ser tomadas ao menos uma vez por ano, ela protege por até quatro anos e meio, segundo Júlio Croda. 

No restante do país, o Ministério da Saúde incluiu a vacina Qdenga no Plano Nacional de Imunizações (PNI) e recebeu as primeiras 720 mil doses na semana passada. O total adquirido é de 6,5 milhões de doses, a capacidade total disponível no laboratório para esse ano.  

Por causa da alta incidência da dengue no Estado (42 pessoas morreram no ano passado) todos os municípios vão receber parcela destas doses, que serão aplicadas em crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. O quantitativo destinado a cada cidade ainda não foi anunciado, mas Mato Grosso do Sul é o único Estado que teve todos os municípios contemplados. 

Segundo estimativa do Ministério da Saúde, somente em Campo Grande, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã residem 88.760 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. 

"GUERRA SANTA"

Cristã, prefeita de Campo Grande troca nome de 'rua Alan Kardec' em homenagem a pastor

Troca aprovada pela Câmara Municipal acontece em memória ao líder evangélico da igreja que está na esquina da Av. Afonso Pena com a rua até então batizada em menção à figura espírita

05/08/2026 12h59

Sede da IEADMS em Campo Grande

Sede da IEADMS em Campo Grande Reprodução/Internet

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Projeto aprovado há cerca de um mês pela Câmara Municipal da Capital, a troca de nome da agora antiga "Rua Alan Kardec" em homenagem à figura do Pastor Eliseu Feitosa de Alencar foi oficializada hoje (05) através da publicação no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), assinada pela prefeita Adriane Lopes. 

Cabe destacar que a ação homenageia o fundador da igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mato Grosso do Sul (IEADMS), Eliseu Feitosa de Alencar, entidade criada em 6 de dezembro de 1972 pelo pastor e sua esposa, pastora Dulcila Araújo de Alencar. 

Ainda que trocas dessas denominações dadas a vias locais sejam comuns, essa em específico chama atenção por se tratar da alteração no trecho que compreende apenas uma quadra, entre a Barão do Rio Branco, onde o caminho deixa de se chamar "Alan Kardec", até a Rua Dr. João Rosa Pires onde na esquina com a Avenida Afonso Pena fica a sede da igreja.

Originalmente, esse projeto de lei nasceu das mãos do vereador Herculano Borges, que defendeu na Casa de Leis de Campo Grande a posição de Eliseu Feitosa de Alencar como "um grande evangelista", pelo seu trabalho como missionário, pregador, pastor e fundador do Ministério das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus de Mato Grosso do Sul, anteriormente denominada Mato Grosso.

Conforme o texto sancionado pela prefeita integrante do Partido Progressista (PP), Adriane Lopes, a alteração para esse trecho de uma quadra passa a valer a partir da atual data de publicação.

Declaradamente "cristã, evangélica e conservadora", a atual prefeita de Campo Grande faz questão de deixar a posição permear as ações de seu mandato, como exemplo no lançamento da Semana da Criança, que tinha organizadores também os Conselhos de Pastores de Mato Grosso do Sul e Campo Grande (Consepams e Consepacg).

Fé da prefeita

Para além dessa "guerra santa" da sobreposição do nome da importante figura espírita pela escolha da homenagem ao pastor evangélico, a atual chefe do Executivo de Campo Grande já teve seu nome entre assuntos polêmicos envolvendo religião. 

Há cerca de dois anos Campo Grande aderiu também ao 13 de maio em seu calendário municipal como "Dia do Preto Velho", projeto que precisou ser promulgado pelo presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, já que, após passar na Casa de Leis, a prefeita Adriane Lopes ignorou a proposta que se tornou lei sem receber a sanção ou veto do Executivo.

Enquanto "se esquivava" enquanto prefeita da Capital sobre a criação do Dia do Preto Velho em Campo Grande, Adriane marcou presença no "café do conselho de pastores" para Lançamento da Marcha para Jesus 2024 - marcada para acontecer em 26 de agosto -, ocasião também em que recebeu uma "oração poderosa, direta do Trono de Deus", segundo a chefe do Executivo à época.

 

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MATO GROSSO DO SUL

MP instaura inquérito para apurar dificuldade de recorrer de multas pela internet

Investigação busca esclarecer se a Agetran impôs obstáculos ao protocolo digital de recursos administrativos

05/08/2026 12h30

Inquérito vai apurar possível violação ao direito constitucional da ampla defesa e do contraditório

Inquérito vai apurar possível violação ao direito constitucional da ampla defesa e do contraditório Paulo Ribas

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito Civil publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (5) para investigar supostas irregularidades nos canais digitais da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para o recebimento de recursos administrativos de multas de trânsito. 

A investigação foi oficializada pela 25ª Promotoria de Justiça de Campo Grande por meio do Edital n° 0005/2026, publicado em 29 de julho deste ano. O procedimento tem como objetivo verificar se a autarquia municipal criou obstáculos para que motoristas apresentassem recursos contra autuações de trânsito por meios eletrônicos.

Segundo o edital, o inquérito vai apurar possível violação ao direito constitucional da ampla defesa e do contraditório, além de eventual descumprimento da Lei nº 14.129/2021, conhecida como Lei do Governo Digital, que estabelece diretrizes para a modernização e digitalização dos serviços públicos.

A investigação teve origem em uma manifestação apresentada ao Ministério Público por um homem que alegou que a Agetran não permitia a interposição de recurso em segunda instância por meio do site ou do e-mail institucional. Conforme documentos anexados ao procedimento, o órgão teria informado que o recurso ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) somente poderia ser protocolado presencialmente ou encaminhado pelos Correios. 

Inicialmente, o caso foi arquivado pela Promotoria do Patrimônio Público, que entendeu não haver indícios de improbidade administrativa nem competência para tratar da reclamação. Posteriormente, após recurso do denunciante, o Conselho Superior do Ministério Público concluiu que a questão poderia ultrapassar o interesse individual e atingir todos os usuários do serviço, determinando o encaminhamento do caso para a Promotoria com atribuição na defesa dos direitos do consumidor. 

Agora, com a instauração do Inquérito Civil, a Promotoria deverá reunir informações e documentos para verificar se houve restrição indevida ao acesso digital aos recursos administrativos e se a prática afetou direitos individuais homogêneos ou coletivos dos cidadãos.

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