Cidades

ULTIMA RATIO

Alvo de investigação, magistrado de MS chama CNJ de "CNBosta"

Declarações ofensivas contra o Conselho, feitas por um juiz que depois foi promovido a desembargador, aparecem na investigação da Polícia Federal

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Instituído em meados de 2005 para realizar o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário brasileiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem ferrenhos adversários no Judiciário de Mato Grosso do Sul. 

Prova disso é que em fevereiro de 2022, após denúncia de um colega de magistratura e diante da possiblidade de ser alvo de um Processo Administrativo Disciplinar, o então juiz Fernando Paes Campos chegou a classificar o instituição como "CNBosta". 

O apelido foi dado durante uma conversa pelo watsapp com o desembargador Marcos Brito, um dos alvos da operação Última Ratio e que desde 24 de outubro de 2024 está afastado de suas funções por envolvimento em um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

"Lá no CNBosta, se deixar correr solto, ninguém se dá ao trabalho de discordar da ministra corregedora. Dá trabalho e ela não gosta. Mas acho que estamos no caminho certo. Consersa e memoriais para todos, além de trabalho de bastidor. Acredito que ela não consiga maioria. Talvez até, justamente por causa disso, ela corra da briga. Seria o melhor", escreveu o então juiz Ferando Paes em uma mensagem enviada a Marcos Brito. 

A transcrição aparece no relatório do inquérito que a Polícia Federal entregou ao Ministério Público Federal oferecendo denúncia tanto contra Marcos Brito como contra outros seis desembargadores, sendo três deles já aposentados. 

Em outro trecho, enviado logo na sequência, o juiz fez questão de demonstrar sua irritação por conta da denúncia. "Quanto ao fdp de TL, ele não perde por esperar". Ele se referia ao autor de uma série de denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra supostos crimes cometidos por colegas magistrados de Mato Grosso do Sul, o juiz Rodrigo Pedrini Marcos, de Três Lagoas,

Nesta mesma série de diálogos, o juiz é  visto como um “câncer” pelo desembargador Marcos Brito, um dos cinco afastados por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em outubro de 2024.. 

Na época das conversas transcritas pela Polícia Federal, o CNJ estava prestes a votar uma denúncia contra o juiz Fernando Paes Campos, que em novembro de 2023 foi promovido, por merecimento, a desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

“Bom dia. De qualquer forma, seja qual for o voto da ministra, verdade é que estão fazendo uma puta sacanagem com você Esquecí de perguntar: será que ela faz maioria pro voto dela? O câncer de toda essa estória é aquele fdp do juiz de Três Lagoas”, escreveu o desembargador Marcos Brito em diálogo com o juiz Fernando Paes. 

A irritação de Fernando Paes não era somente com relação ao juiz de Três Lagoas. Outro alvo de sua ira era a corregedora do CNJ, Maria Thereza de Assis Moura, que aceitou a denúncia e que estava à frente do processo relativo ao seu caso. 

Depois de chamá-la de bruxa , nem mesmo utilizou somente as iniciais e transcreveu por completo o tradicional xingamento dizendo "mas que ela é uma filha da puta, isso ela é". 

Ele fora denunciado porque, segundo Rodrigo Pedrini, havia ajudado pessoalmente a desembargadora Tânia Borges a tirar da cadeia de Três Lagoas o filho que havia sido preso em flagrante com cerca de 200 munições de fuzil e 230 quilos de maconha.

Mas, apesar do esforço para abrir a investigação, em abril de 2022 o CNJ instaurou um PAD para investigação contra Fernando Paes.

Mas, em novembro do mesmo ano a mobilização atingiu seu objetivo e ele foi absolvido por unanimidade. E, exatamente um ano depois foi promovido a desembargador. A desembargadora Tania Borges, porém, já havia sido demitida a bem do serviço público, em outubro de 2021.

A prisão do filho da desembargadora foi em 2017 e a demissão, quatro anos depois. A punição somente ocorreu porque o juiz Rodrigo Pedrini fez a denúncia e ficou insistindo na abertura de processo no CNJ. Depois disso, o magistrado já tentou uma série de vezes conseguir progressão na carreira, mas sempre acaba sendo barrado. 

Fernando Paes, que à época atuava no TJ como assessor da presidência, acompanhou pessoalmente a desembargadora na viagem de Campo Grande a Três Lagoas, cidade na qual já havia trabalhado e por conta disso tinha “portas abertas” no sistema prisional.  A cúpula do TJ ajudou na defesa do magistrado durante as investigações no CNJ, onde foi absolvido por unanimidade. 

LOBISTA

O mesmo “câncer” foi o autor das denúncias que resultaram na abertura de investigação contra o desembargador Divoncir Maran, que supostamente recebeu propina para colocar em liberdade o traficante Gerson Palermo, em abril de 2020. O traficante de cocaína estava condenado a 126 anos de prisão. A libertação foi revogada no dia seguinte, mas ele está foragido até hoje.

Divoncir chegou a ser afastado do cargo em fevereiro de 2024, mas logo depois, em abril, completou 75 anos e se aposentou. 

Aqueles diálogos nada típicos entre dois magistrados apareceram na investigação de agora porque existe a suspeita da Polícia Federal de que o desembargador Marcos Brito tenha recibo propina. 

“Na sequência, apresentaremos as mensagens entre MARCOS BRITO e ANDRESON GONÇALVES (proprietário da empresa que transferiu mais de R$ 1 milhão para o Advogado FELIX JAYME, suspeito de compra de decisões de vários desembargadores do TJMS, incluindo MARCOS BRITO, tendo FELIX sacado em espécie grande parte de tal valor)”, diz trecho do documento oficial que traz detalhes das investigações. 

Embora não revele detalhes, a investigação informa que Marcos Brito teria recebido propina para garantir a vitória judicial de Andreson Gonçalves em “um conjunto de processos com valor da causa de mais de R$ 64 milhões” 

Este Andresson, dono de quatro empresas e sócio de uma quinta, por sua vez, é amigo também de um ministro do STJ que tem voto no Conselho Nacional de Justiça. A Polícia Federal acredita que o desembargador Marcos Brito estivesse tentando influenciar na votação no CNJ com a ajuda deste empresário lobista. 

“Aparentemente eles conversam sobre um processo que FERNANDO PAES estaria sofrendo no CNJ. Contudo não fornecem maiores detalhes. É possível que pretendessem que ANDRESON os ajudasse de alguma forma, pois, além de MARCOS BRITO passar o contato deste, FERNANDO PAES cita o “CONS BANDEIRA”, aparentemente o mesmo conselheiro com o qual ANDRESON afirmou ter contato direto (vide acima - ressaltando novamente que tal conselheiro não se encontra sob investigação, nem há elementos de atuação criminosa dele)”, diz trecho da investigação.  


 

Tempo

MS tem alerta de tempestade neste fim de semana, com risco de granizo

Avisos do Inmet preveem chuva de até 50 milímetros por dia; Campo Grande e municípios do interior devem ter pancadas e trovoadas

31/10/2026 11h00

Chuva está prevista para vários municípios de MS

Chuva está prevista para vários municípios de MS Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul deve ter um fim de semana de instabilidade, com previsão de pancadas de chuva, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo em pontos isolados. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo de tempestade, com validade entre as 23h deste sábado (31) e as 22h59 de domingo (1º), para municípios como Campo Grande e Dourados.

O aviso prevê chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou acumulado de até 50 milímetros por dia, além de ventos entre 40 e 60 km/h e possibilidade de queda de granizo. Segundo o instituto, há risco, considerado baixo, de alagamentos, queda de galhos de árvores, danos em plantações e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

A previsão do Inmet indica que as chuvas devem atingir áreas do Centro-Oeste durante o fim de semana. No domingo, não está descartada a ocorrência de granizo em regiões de Mato Grosso do Sul. O cenário é favorecido pela combinação de calor, umidade e áreas de instabilidade na atmosfera.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a possibilidade de chuva é maior na metade norte do Estado neste sábado, mas as demais regiões também podem registrar precipitações isoladas.

Em Campo Grande, o sábado deve ser de muitas nuvens, com possibilidade de chuva isolada e temperaturas entre 21°C e 26°C. No domingo, a previsão é de mínima de 21°C e máxima de 31°C, com possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas, principalmente durante a tarde.

Em Dourados, os termômetros devem variar entre 19°C e 29°C neste sábado, com possibilidade de chuva. No domingo, a previsão indica temperaturas entre 20°C e 30°C, com pancadas e trovoadas, principalmente no período da tarde.

Na região do Pantanal, Corumbá deve registrar temperaturas entre 22°C e 29°C no sábado, com possibilidade de chuva. No domingo, a máxima pode chegar aos 34°C, com previsão de novas pancadas e trovoadas.

Em Três Lagoas, a previsão para sábado indica mínima de 20°C e máxima de 30°C. No domingo, os termômetros podem chegar aos 32°C, com aumento da nebulosidade e possibilidade de tempestades.

Já em Ponta Porã, a previsão para sábado é de temperaturas entre 18°C e 28°C, com possibilidade de pancadas isoladas. No domingo, a tendência é de continuidade da instabilidade, com possibilidade de chuva na região de fronteira.

Orientação 

Diante da possibilidade de tempestades, a Defesa Civil recomenda que a população adote medidas preventivas para evitar acidentes.

Durante rajadas de vento, a orientação é não procurar abrigo debaixo de árvores, devido ao risco de quedas e descargas elétricas. Também é importante evitar estacionar veículos próximos a torres de transmissão, placas de publicidade e estruturas que possam ser derrubadas pelo vento.

Outra recomendação é evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada durante tempestades. Se houver necessidade de desligar equipamentos e o quadro geral de energia, a medida deve ser adotada somente quando houver condições seguras.

Em caso de chuva intensa, os moradores devem evitar atravessar ruas alagadas e não se aproximar de córregos, rios ou locais sujeitos a enxurradas. Motoristas também devem reduzir a velocidade e redobrar a atenção em vias com acúmulo de água.

A Defesa Civil orienta ainda que a população acompanhe os avisos meteorológicos e fique atenta a sinais de risco, como elevação rápida do nível da água e movimentação de estruturas.

Como receber alertas e acionar os órgãos de emergência

A população pode receber avisos meteorológicos gratuitos por SMS. Para isso, basta enviar o CEP da região para o número 40199.

Em Mato Grosso do Sul, a Defesa Civil mantém atendimento de emergência pelo telefone 199 e WhatsApp 24 horas pelo número (67) 99607-1525.

Em situações que envolvam risco imediato à vida, como pessoas ilhadas, acidentes provocados por tempestades ou situações de resgate, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.

Os alertas e atualizações podem ser consultados nos canais oficiais do Inmet e da Defesa Civil estadual.

 

 

GOVERNO FEDERAL

Ministros chegam em MS para apurar ataques contra indígenas

Comitiva cumpre agenda em Dourados, Aldeia Taquapery em Coronel Sapucaia e Aldeia Sassoró em Tacuru

31/10/2026 10h28

Os ministros Eloy Terena (Povos Indígenas), Wellington César Lima (Justiça e Segurança), Janine Mello (Direitos Humanos) e Sônia Guajajara (deputada federal de SP)

Os ministros Eloy Terena (Povos Indígenas), Wellington César Lima (Justiça e Segurança), Janine Mello (Direitos Humanos) e Sônia Guajajara (deputada federal de SP) Reprodução/Instagram

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Os ministros dos Povos Indígenas, Eloy Terena; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello e a deputada federal por SP, Sônia Guajajara (PSOL), estão em solo sul-mato-grossense para acompanhar de perto, apurar e reprimir ataques a indígenas, após o resultado das eleições presidenciais de 2026.

A comitiva do Governo Federal decolou do Aeroporto de Congonhas (SP) por volta das 15h, fez escala em Brasília (DF) e pousou em Dourados (MS) por volta de 20h30min desta sexta-feira (30).

O grupo cumpre agendas no sul do Estado ao longo deste sábado (31): Dourados (MS), Aldeia Taquapery em Coronel Sapucaia (MS) e Aldeia Sassoró em Tacuru (MS).

A vinda se deve a onda de violência contra comunidades indígenas (ameaças, perseguições e intimidações) após o resultado do segundo turno das eleições.

Em Tacuru (MS), servidores da prefeitura ameaçaram envenenar água dos povos originários após a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em Naviraí (MS), o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida instaurou apuração para averiguar denúncias de supostos homicídios motivados por conflitos políticos na região. Mas, uma investigação detalhada desmentiu os boatos.

Com isso, diante das denúncias, Lula determinou a vinda de uma comitiva interministerial a Mato Grosso do Sul para verificar em campo situações de violência, acompanhar denúncias, dialogar com lideranças indígenas e garantir a adoção de medidas necessárias para proteger os povos originários.

“O compromisso do presidente Lula com o nosso governo é garantir que todos esses atos de violência sejam apurados, investigados e que a gente consiga identificar as pessoas que participaram desses atos e garantir que elas sejam punidas”, disse a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, em suas redes sociais.

“Saio de Brasília rumo ao Mato Grosso do Sul com a comitiva do Governo Federal que vai ao Estado acompanhar a situação dos povos indígenas. Vamos ouvir as comunidades e apurar de perto as denúncias de ataques contra os povos indígenas. Nenhuma violência vai ficar sem resposta! Em breve, mais notícias desta missão”, pontuou a deputada federal por SP, Sônia Guajajara (PSOL).

Uma coletiva de imprensa será concedida às 12h, em Dourados, para identificar os casos violentos e detalhar as medidas tomadas para punir e responsabilizar os responsáveis.

ENVENENAMENTO DE ÁGUA

Dois servidores da Prefeitura de Tacuru comentaram em colocar veneno na água de indígenas, em "vingança" ao voto no presidente Lula, que ganhou as eleições gerais de 2026.

No áudio, os dois lamentam o resultado das urnas e reclamam que as pessoas se “matam” de ajudar esses “capetas”, enquanto os “cães” fazem isso, se referindo ao resultado da eleição.“Mas fazer o quê? A gente não pode fazer nada. Eu já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água, matar essas pragas na água”, diz um dos trechos do áudio.

Confira a conversa:

Segundo o prefeito, um dos servidores trabalha na coleta seletiva na Secretaria de Meio Ambiente e o outro atua no caminhão de caçamba, na Secretaria de Infraestrutura.

CANAL DE DENÚNCIAS

O Governo Federal, por meio do Ministério dos Povos Indígenas, criou um canal para receber denúncias de possíveis crimes, ameaças e intimidações contra comunidades indígenas.

O número é: 11-98202-5433.

Segundo o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena, também foi criada uma força-tarefa com a participação dos ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

O grupo ficará responsável por acompanhar as denúncias, apurar as situações e encaminhá-las aos órgãos competentes, para que os possíveis autores sejam identificados.

A Polícia Federal (PF) também foi acionada para investigar os casos.

No mesmo sentido,o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) informou que vai investigar denúncias de ataques, hostilidades e intimidações contra comunidades indígenas no Estado.

SEGUNDO TURNO

No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito presidente do Brasil.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.

A diferença foi de 4.430.191 votos, resultado que oficializou a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e garantiu a Lula o quarto mandato à frente do governo federal.

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