Cidades

Mato grosso do sul

Com um mês do caso Sophia, nada mudou no combate à violência contra as crianças

Entre os dias 1º de janeiro e 24 de fevereiro deste ano, MS registrou 168 casos de estupro contra crianças de 0 a 12 anos

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Por trás dos erros do sistema de saúde, da Justiça e do Conselho Tutelar, o caso Sophia de Jesus Ocampo completa um mês neste domingo sem que mudanças no combate à violência contra a criança de fato tenham saído do papel em Mato Grosso do Sul.

Até o momento, as medidas anunciadas para que casos como o da menina de apenas dois anos não se repitam continuam como promessas.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) havia anunciado no dia 15 deste mês a implementação de uma sala de atendimento à criança vítima de violência dentro da Casa da Mulher Brasileira.

Na prática, o Estado só propôs medidas para atendimento às vítimas após os crimes serem consumados, o que, de forma imediata, não é suficiente para evitar que crianças e adolescentes continuem sendo as maiores vítimas de violência sexual em Mato Grosso do Sul.

O Correio do Estado entrou em contato com a Sejusp questionando se a sala destinada ao atendimento a crianças já começou a funcionar. No entanto, não obteve resposta até o fechamento desta edição.

A Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) de Campo Grande continua conduzindo a investigação para apurar as falhas cometidas contra Sophia.

Em apenas dois anos de vida, a menina passou por 30 atendimentos nas unidades de pronto atendimento (UPAs), onde nenhum profissional identificou que a criança estava em situação de violência.

Ao Correio do Estado, a advogada que representa o pai de Sophia, Jean Carlos Ocampo, e seu marido, Igor de Andrade, Janice Andrade, afirmou que os órgãos que deveriam zelar pela proteção das crianças ainda estão perdendo tempo com as burocracias.

“Ainda não tivemos resultado das apurações, inclusive, das falhas da rede de proteção à criança. Mas ainda temos muito o que avançar, principalmente na aplicação da Lei Henry Borel, quando está acontecendo diversos conflitos de competências no sistema judiciário”, disse a advogada.

BUSCA POR JUSTIÇA

Para honrar a memória da menina Sophia de Jesus Ocampo, morta após ser agredida pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos, e pelo seu padrasto, Christian Leitheim, de 25 anos, no dia 26 de janeiro, os familiares e os amigos da criança realizarão uma passeata para pedir justiça, neste domingo às 16h30min, no Parque das Nações Indígenas.

A concentração será feita na frente do Bioparque Pantanal. O local foi escolhido porque, na semana em que a menina veio a óbito, seu pai estava planejando levá-la para conhecer o lugar.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o pai de Sophia, Jean Carlos Ocampo, e seu marido, Igor de Andrade, relataram que mesmo após a morte da criança o casal segue em busca de justiça.

De acordo com o casal, além de todas as negligências sofridas pela menina enquanto estava viva, agora a luta também é para que a luta por justiça não seja silenciada e para que a verdade sempre prevaleça.

Ainda segundo Jean e Igor, os setores envolvidos na investigação do caso desde que o primeiro boletim de ocorrência foi registrado, em janeiro de 2022, agora tentam construir a narrativa de que foi feito tudo que era possível para tirar Sophia da convivência de seus agressores.

“Foi uma forma de silenciar tudo que está acontecendo e desmotivar as nossas manifestações”, afirmou Igor, ao comentar declarações dadas por autoridades durante a audiência pública, realizada na Câmara Municipal, no dia 15 de fevereiro, para debater violência contra crianças e adolescentes.

CASOS RECORRENTES

No dia 14 de fevereiro, mais um caso de agressão à criança resultou na prisão em flagrante de uma mãe e padrasto, em Campo Grande.

O casal foi detido pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), após o filho da mulher, um bebê de apenas um ano e um mês, ser internado em estado grave com lesões na cabeça e indícios de violência.

O laudo médico apontou que o bebê teve duas clavículas quebradas, traumatismo craniano e pneumotórax. Ele chegou a ficar internado em estado grave na Santa Casa de Campo Grande, respirando com a ajuda de aparelhos.

Conforme o boletim médico mais recente da instituição, a criança permanece acordada sob os cuidados do hospital, respirando sem ajuda de aparelho com quadro clínico estável.

Ao Correio do Estado, o pai da criança, que preferiu não se identificar e que já havia denunciado os casos de violência contra o seu filho ao Conselho Tutelar, destacou que o órgão que deveria zelar pela proteção dos mais vulneráveis não lhe deu uma devolutiva de como estava o caso.

“Me fizeram uma falsa promessa de que continuariam visitando a casa para ver como meu filho estava vivendo. E, para mim, é uma instituição insignificante, que, se não faz o seu papel, não deveria existir. É mais um caso em que houve descaso, com um serviço preguiçoso e desumano”, salientou o pai do bebê.

Ele destacou ainda, que considera comparecer à passeata no domingo organizada para buscar justiça contra todos os erros que foram cometidas contra Sophia. 

Saiba: Dados da Sejusp apontam que, entre os dias 1º de janeiro e 24 de fevereiro deste ano, Mato Grosso do Sul registrou 168 casos de estupro contra crianças de zero a 12 anos.

Em relação aos adolescentes, 80 pessoas de até 17 anos sofreram violência sexual em 2023. Juntos, os dois grupos representam 81,84% dos 303 estupros contabilizados no Estado até essa sexta-feira.

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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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