Cidades

COMER, REZAR, AMAR

Comer, Rezar, Amar enche Bali de aspirantes a Julia Roberts

Comer, Rezar, Amar enche Bali de aspirantes a Julia Roberts

EFE

09/10/2010 - 23h19
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O filme "Comer, Rezar, Amar" transformou a ilha de Bali em um lugar de peregrinação de balzaquianas que querem imitar a atriz Julia Roberts em sua busca pela "paz interior" e, se possível, encontrar um namorado como o espanhol Javier Bardem.

No filme, Julia interpreta uma jornalista e escritora americana que, após um divórcio e uma crise existencial, realiza uma viagem por Itália, Índia e Bali, enquanto Bardem dá vida a um brasileiro por quem se apaixona no final do périplo.

O filme é baseado no livro autobiográfico homônimo da escritora e jornalista Elizabeth Gilbert, que relatou a viagem em forma de diário íntimo.

Alguns locais e expatriados de Bali - os que não vivem do turismo - não veem com bons olhos estas místicas visitantes "que buscam o eu interior", adornadas com sáris e livros sobre ioga.

Em Ubud, situada entre campos de arroz no coração da ilha, acontece a romântica história entre Elizabeth e seu amante brasileiro, que com sua calvície e cabelos brancos está bastante longe do físico do ator espanhol.

A primeira parada obrigatória para as fãs do filme é a clínica-restaurante da "curandeira espiritual" Wayan Nuriasih, anunciada no guia de viagens Lonely Planet como um dos personagens que aparecem no livro e no filme.

Uma americana de meia idade chega com um guia na mão e um sorriso beato para uma consulta com Wayan e contempla o interior como quem visita um lugar sagrado de peregrinação.

Três mesas ocupam o hall-restaurante do lugar e, junto às estantes dos vasos de plantas, especiarias, livros de remédios e receitas, estão penduradas fotos de Wayan, Elizabeth e, até, de Julia.

A curandeira mora no andar superior com sua filha Tutti e dois jovens abandonados que adotou.

"Wayan não está nesta manhã, está rezando no templo e esta tarde tem várias consultas", informa com uma amabilidade contagiosa um dos sete empregados na loja.

Elizabeth mudou radicalmente a sorte de Wayan, uma divorciada que vivia à beira do despejo, ao arrecadar US$ 18 mil para comprar um terreno e construir um imóvel.

Desde o lançamento do livro e do filme, não param de chegar clientes para experimentar seu menu especial de "multivitaminas", que inclui papaia, algas, arroz vermelho e tangerina com mel e lima, por quase US$ 7 ou se submeter a um tratamento completo de saúde de cerca de três horas (US$ 95).

A segunda parada, ainda não anunciada nos guias de viagens, é a casa-consultório de Ketut Liyer, o vidente e artista que instiga a peregrinação de Elizabeth-Julia pela culinária italiana, o misticismo indiano e o sentimentalismo de Bali.

"Após ver o filme e ler o livro, vim a Bali para viver as mesmas experiências que Liz Gilbert", explica à Agência Efe Caroline, uma sul-africana de quase 40 anos acompanhada de uma amiga.

"O melhor de 'Comer, Rezar, Amar' é que é uma história real. Você pode vir a Bali e visitar os mesmos lugares e falar com as mesmas pessoas da história", acrescenta na porta do consultório de Ketut.

"Foi muito fácil encontrar este lugar, todos os taxistas de Ubud conhecem a direção", assinala com um sorriso cúmplice a balzaquiana da África do Sul.

Embora Ketut assegure que tem 96 anos, Elizabeth explica em seu livro que poderia ter até 112 de acordo com as lembranças que contou durante suas frequentes conversas.

"Desde que o livro foi publicado, recebi muitos clientes, de Estados Unidos, Austrália e Canadá principalmente, mas também alguns da Europa e da Espanha", afirma Ketut, vestido com um turbante e um "sarongue" amarelo.

Com gesto satisfeito após um longo dia de trabalho, o amável ancião entrega a uma funcionária do banco os honorários que cobra para ler a mão, US$ 13, e a renda do albergue e da galeria que incorporou ao negócio após a publicação do livro.

"Não posso me queixar, não posso me queixar, definitivamente Liz me atraiu boa sorte", reconhece.

"Comer, Rezar, Amar" foi um sucesso internacional pelo estilo engenhoso e tragicômico com o qual Elizabeth conta os episódios de sua biografia, as experiências que vive na viagem e até seus pensamentos mais íntimos.

O filme, rodado com um orçamento de US$ 60 bilhões, já arrecadou mais de US$ 100 bilhões desde sua estreia, em agosto.

No entanto, muitos críticos consideram o filme "inconsistente e supérfluo", enquanto o Lonely Planet qualifica o relato de Elizabeth como "livro maldito", porque o considera negativo para a já movimentada Bali a avalanche provocada por "mulheres em busca de um sentido para a vida".

Consumo

Onda de calor faz consumo de energia crescer 4% em MS

Demanda chegou a 1.374 MW no domingo, em meio a temperaturas de até 44ºC e sensação térmica de 48ºC

28/09/2026 18h30

Calor predomina até terça

Calor predomina até terça Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A onda de calor que mantém Mato Grosso do Sul em alerta vermelho já mudou o comportamento do consumo de energia no Estado. Com temperaturas que chegaram a 44ºC e sensação térmica de até 48ºC no domingo (27), a demanda por eletricidade cresceu 4% no último fim de semana em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Energisa. O maior pico ocorreu às 19h, quando o consumo chegou a 1.374 megawatts (MW).

O horário do pico chama atenção porque coincide com a mudança no padrão de uso de aparelhos de ar-condicionado. Com o calor persistindo ao longo do dia, os equipamentos permanecem ligados por mais tempo e passaram a pesar mais no consumo residencial também durante a noite.

Segundo a Energisa, mesmo sem alteração na rotina da família, temperaturas externas mais altas fazem o ar-condicionado trabalhar por mais tempo para manter a temperatura programada. A diferença é maior quando a temperatura externa se aproxima ou supera os 35ºC.

No domingo, enquanto algumas regiões do Estado registraram máximas entre 38ºC e 44ºC, a umidade relativa do ar ficou entre 15% e 30%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Campo Grande, a sensação térmica chegou a 44ºC; em Corumbá, a 48ºC.

Calor predomina até terça

Como reduzir o consumo

Durante a onda de calor, algumas medidas podem ajudar a diminuir o gasto de energia sem abrir mão da refrigeração dos ambientes. No ar-condicionado, a recomendação é manter portas e janelas fechadas, limpar os filtros semanalmente e, quando possível, utilizar o aparelho em 23ºC. Também é importante verificar se a potência do equipamento é compatível com o tamanho do cômodo.

Ventiladores devem permanecer ligados apenas durante o uso do ambiente. Deixar o aparelho funcionando antes da ocupação do cômodo não reduz sua temperatura e aumenta o consumo.

Na geladeira e no freezer, é importante conferir a vedação das portas, evitar aberturas frequentes e manter os equipamentos longe de fontes de calor. Outra orientação é aproveitar a iluminação natural e optar por lâmpadas de LED quando houver necessidade de iluminação artificial.

 

 

Calor Extremo

Corumbá alcança quinta maior temperatura em quase 100 anos de monitoramento

Marca registrada nesta segunda é a quinta maior desde o início das medições do Inmet no município, em 1931

28/09/2026 18h30

Rodolfo César

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Os termômetros na cidade de Corumbá registraram a maior temperatura de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (28) e a quinta mais alta em quase um século de monitoramento. Por volta das 14h, o registro alcançou 43,2º C, menos de 1º C do recorde histórico no município, que foi 43,9º C, registrado em 20 de setembro de 2021. A onda de calor na região vem sendo registrada desde o sábado e esse cenário de máximas acima dos 40º C deve dar uma trégua nesta terça-feira (29). No Brasil, o recorde de temperatura ocorreu em novembro de 2020, em Nova Maringá (MT), com 44,8º C, enquanto a segunda maior marca foi em Bom Jesus (PI), em 2005, com 44,7º C.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) possuem histórico desde 1931 para Corumbá e os recordes de temperatura ficaram concentrados nos meses de setembro e novembro. Em 15 de novembro de 1962, quando houve um período longo de estiagem no Pantanal, a temperatura chegou a 43,8º C. Em 2020, quando um novo período de estiagem passou a ser registrado no território, houve registro de 43,4º C em outubro. Já em 14 de novembro de 2023, a temperatura máxima na cidade alcançou 43,3º C.

Conforme o Inmet, que já tinha gerado alerta para a atual onda de calor, esse fenômeno ocorreu por uma combinação entre a atuação do fenômeno El Niño e a formação de um domo de calor, que é uma área de alta pressão em altitude que comprime e aquece o ar. Essa condição age como se fosse uma tampa, retendo o ar quente. Essa condição ficou reservada para todo o Centro-Oeste, com algumas regiões tendo efeito mais intenso, como foi o o caso de Corumbá.

“Um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que se intensificou entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai. Conhecido como Baixa do Noroeste da Argentina (BNOA), o sistema começou a se desenvolver na madrugada de sexta-feira (25), com pressão central próxima de 1008 hPa. Entre domingo (27) e segunda-feira (28), a previsão indica um rápido aprofundamento, e o sistema poderá atingir pressão central próxima de 995 hPa na tarde de segunda-feira, quando deverá apresentar sua maior intensidade”, explicou o Inmet, em nota. 

Além do Centro-Oeste, essa ocorrência também foi registrada em quase todo o estado de São Paulo, parte sul de Minas Gerais e em todo o Paraná, além de Mato Grosso.

A Prefeitura de Corumbá divulgou nota na tarde desta segunda-feira e decidiu alterar horários de aulas escolares para esta terça (29) e quarta (30), quando ainda deve haver altas temperaturas, porém em condição menos intensa do que foi no final de semana e nesta segunda-feira. Haverá aulas reduzidas, com o turno da manhã funcionando apenas entre 7h e 9h30; o turno da tarde, entre 13h e 15h30; e o período integral será até 12h.

“A Semed emitiu orientações às unidades escolares para o período de calor intenso, as quais devem manter os estudantes hidratados, incentivando a ingestão frequente de água, e suspender as atividades físicas que possam aumentar os riscos das altas temperaturas. As unidades também devem evitar atividades com exposição prolongada ao sol e priorizar ambientes frescos, ventilados e, quando disponíveis, climatizados”, detalhou a Prefeitura de Corumbá, em nota.

Não foi divulgado se nesta segunda-feira ocorreu registro de estudantes ou servidores com mal-estar. Em geral, os problemas ocasionados pela alta temperatura podem ser tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, cãibras e desmaios. 

Como foi no Estado


As regiões do Pantanal, Norte e o leste de Mato Grosso do Sul foram onde as maiores temperaturas foram registradas neste dia 28 de setembro. Para Porto Murtinho, o termômetro alcançou 42º C. Em áreas da Nhecolândia, a temperatura chegou a 42,3º C.

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado (CEMTEC) divulgou boletim nesta tarde e apontou que o recorde de temperatura ocorreu em Corumbá (43,2º C), seguido pela Fazenda São Francisco (município de Corumbá, 42,8º C); Fazenda Vale do Cedro (município de Alcinópolis, 42,7º C); ainda Fazenda Barranco Alto (município de Aquidauana, 42,3º C); e também Paranaíba, com 42,1º C.

Veja a tabela das maiores temperaturas abaixo:

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