O trabalho irregular de ambulantes no centro da cidade tem incomodado a população. Leitor do Correio do Estado, Caciano Lima, procurou o jornal para relatar o aumento no número de trabalhadores informais na região central e afirma que "já nem se consegue mais andar nas ruas". A reclamação dele é a mesma de outras pessoas ouvidas, que dizem que a presença desses trabalhadores muitas vezes atrapalha.
A técnica de enfermagem Dirce Pereira, 36 anos, afirma que nunca comprou nenhum produto vendido pelos "camelôs" e que apesar de acreditar que o trabalho deles é digno, muitas vezes incomoda. "O problema é que o centro vive lotado e além do acúmulo de pessoas, ainda há os ambulantes que nos abordam a todo momento".
O corretor de imóveis Milton Alves, 52 anos, comenta que a atuação desses profissionais é ilegal, já que não pagam impostos nem têm liberação da prefeitura para atuarem nas ruas. "Eu acho que sempre atrapalha, porque eles nos abordam a qualquer momento", disse. O corretor também afirma que "o que eles vendem é pirata ou de uma qualidade bem inferior e depois não podemos nem reclamar se der algum prblema".
Já para a aposentada Ilda Freitas, 66 e para a dona de casa Maria de Fátima, 52, não existe problema na atuação dos ambulantes. "Eles precisam trabalhar e sustentar família, por que não deixam que eles trabalharem?", questiona, lembrando que a prefeitura tem uma "marcação cerrada" sobre esses profissionais. Maria de Fátima também os defende e diz que "eles não estão fazendo nada errado, apenas garantindo seu sustento".
Para a gerente de uma loja acessórios para máquinas fotográficas, Laura Cristina Ramos, a presença dos ambulantes "nem sempre incomoda", porque eles vendem produtos variados. No entanto, "quando eles vendem um produto que nós temos, como óculos de sol, por exemplo, atrapalha porque daí tem conflito de vendas". Além disso, ela lembra que "eles montam suas banquinhas no espaço público, e não pagam nada por isso, enquanto a gente, como comerciante, tem uma série de encargos e ficam em frente às nossas lojas, muitas vezes tampando as vitrines e promoções", destaca.
Há 30 anos um ambulante ouvido pelo Correio do Estado sobrevive da venda de diversos tipos de produtos. Ele vende controles remotos em frente a uma loja de eletroeletrônicos no centro da cidade. Ele contou que já teve seus produtos apreendidos muitas vezes e que até tentou mudar de profissão, "mas aprendi a fazer isso aqui, cuido da minha família com o que ganho e apesar dos problemas com a fiscalização, tenho que sobreviver".
Conforme o secretário de meio ambiente e desenvolvimento urbano (Semadur), Marcos Cristaldo, apenas os ambulantes que atuavam na Praça Ary Coelho e mais os dogueiros que ficavam nos canteiros centrais da avenida Afonso Pena, têm autoirização da prefeitura para atuar. "Já os que focam nas ruas e calçadas não têm e a única arma que temos para combater é a fiscalização, que é diária". O secretário explica que a pelo Código de Polícia Administrativa de Campo Grande, a atividade de ambulante, que é informal, também é ilegal, porque "não há recolhimento de impostos nem autorização para uso do espaço público".
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