Cidades

VIOLÊNCIA

Comitê da Lei Maria da Penha elabora carta e aponta MS como sexto em assassinatos de mulheres

Comitê da Lei Maria da Penha elabora carta e aponta MS como sexto em assassinatos de mulheres

da redação

22/06/2012 - 20h30
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EXMA Sra. PRESIDENTA DA CPMI DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER DEPUTADA
FEDERAL JÔ MORAES

A violência contra a mulher é uma questão social recorrente das mais antigas da humanidade, sendo a violência doméstica um grave problema a ser enfrentado pela sociedade contemporânea. Ocorre no cotidiano das relações sociais entre homens e mulheres e familiares apesar de existirem inúmeros mecanismos constitucionais de proteção aos direitos humanos. A violência doméstica não deve ser considerada algo natural.

Ao contrário, é algo destrutivo no processo da dinâmica familiar, podendo alcançar a crianças, mulheres e adolescentes de diferentes níveis sócio-culturais.

O Brasil, de acordo com pesquisa do Instituto Sangari e Minsitério da Justiça, é o 7º país que mais mata mulheres no mundo, temos aqui um cenário de guerra civil, ou seja, nosso país pratica femicídio, esse termo se refere à morte das mulheres em razão do sexo. A taxa de
homicídios de mulheres no Mato Grosso do Sul é de 6.0 para um grupo de cem mil habitantes. Há que se fazer uma reflexão profunda sobre esse aspecto em especial, levando-se em conta, que o estado do Mato Grosso do Sul possui uma população de aproximadamente dois milhões e duzentos mil habitantes. Em comparação ao estado de São Paulo que é o estado mais populoso do Brasil, com 21,1 milhões de mulheres, em quatro meses de dezembro de 2011 a março de 2012, foram assassinadas 50 mulheres.

Mato Grosso do Sul tem uma população de 1,2 milhões de mulheres, nos quatro primeiros meses deste ano (2012) ocorreram quatro assassinatos, isto significa, que proporcionalmente, MS é mais violento porque temos uma mulher assassinada por mês em um grupo de 1,2 milhões de mulheres.

Ainda em relação a Mato Grosso do Sul, a cidade fronteiriça de Ponta Porã, está em 10º lugar entre os municípios mais violentos do país para assassinatos de mulheres. Os aparatos/equipamentos de enfrentamento a violência contra a mulher no Mato Grosso do Sul tem cumprido um papel irrisório, existe uma grande vitrine armada no conjunto das Políticas Públicas para as mulheres no que se refere ao atendimento as vítimas de violência de uma maneira geral, desde a
 falta de delegacias vinte e quatro horas e em finais de semana e feriados ( na capital e nos municípios do interior). As mulheres são obrigadas pelo estado a procurar atendimento nas chamadas Delegacias de Pronto Atendimento Comunitário (DEPAC), as quais ficam distantes e são apenas duas em Campo Grande, uma cidade com mais de oitocentos mil habitantes e que registra um número de quinze (15) boletins de ocorrência diariamente e que, segundo a normatização de funcionamento das Delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (2010) deveria ser, no mínimo, quatro Delegacias Especializadas no atendimento às Mulheres Vítimas de Violência.

No decorrer de 2011 o número de boletins registrados foi de 6,2 mil, sendo que em 2007 foram 3,9 mil boletins. As Delegacias de Atendimento a Mulher, as chamadas DEAM(s), são instrumentos importantíssimos no enfrentamento à violência doméstica, mas que estão
acessíveis em apenas doze (12) dos setenta e sete (77) municípios do estado, os mais populosos, considerados centros regionais. Ocorre que, os municípios com assentamentos rurais, alguns com uma concentração de mais de dez (10) assentamentos, como Sidrolândia, Itaquiraí, Nova Alvorada do Sul e Nioaque, não contam com atendimento especializado para as mulheres em situação de violência.

As mulheres rurais, indígenas e quilombolas são vítimas silenciosas de inúmeras formas de violência aqui no estado do Mato Grosso do Sul e são invisíveis ao poder público. As Camponesas não conseguem fazer a denúncia porque os agentes da polícia se recusam a registrar o Boletim de Ocorrência. Sem BO não há registros, nem índices de Violência contra as Mulheres nas áreas rurais e assim, ocorre a omissão oficial do Estado. A ausência de políticas públicas na área rural e dos equipamentos de enfrentamento a violência contra as mulheres permite que muitos casos fiquem sem solução, gerando uma situação de completa insegurança diante de tanta impunidade na vida das mulheres rurais e seus filhos.

 No caso das mulheres indígenas, num estado, cuja população indígena é a segunda maior do país, não existe um aparato que atenda a diversidade étnica cultural e, a polícia dos municípios remete o problema para a União, o que em realidade é mais descaso, omissão e
desrespeito com o direito humano das mulheres indígenas a uma vida sem violência.

Diante desse cenário de negação e violação dos direitos humanos das mulheres sul-mato-grossenses ocorrem novos e velhos agravantes que reforçam os esteriótipos e preconceitos contra as mulheres e naturalizam a violência sexista. As letras das músicas reproduzidas
por compositores e cantores regionais incitam a violência, pois, as músicas como outras formas de manifestação cultural invade o imaginário e o inconsciente das pessoas banalizando e massificando a violência contra as mulheres. Exemplo disso a música Carabina, cujo refrão “safada, cachorra, bandida dá o fora da minha vida, antes que eu pego a carabina e te encha de tiro” cujos cantores são a dupla Bruninho e Davi. Ou ainda, “O verso do Tijolo” de João Carreiro e Capataz “…eu vou pegar um tijolo, nesse tijolo vou escrever a palavra saudade, depois eu vou pegar esse tijolo e manda na sua cara pra você vê o quanto a saudade dói, sua bandidona”.

Consideramos de suma importância a criação na Comarca de Campo Grande da Segunda Vara de violência domestica, pois há aproximadamente 6500 processos aguardando julgamentos.

Diante do exposto, Senhora Presidenta dessa honrada CPMI, consideramos de extrema importância a vinda da CPMI para o nosso estado, dada a gravidade da situação de insegurança das mulheres de todos os confins de nosso Estado. Reivindicamos, que seja marcada uma data com a maior urgência e prioridade possível, tendo em vista o prazo para encerramento da referida CPMI e o período eleitoral que se instala no próximo mês.


Comitê Estadual em Defesa da Lei Maria da Penha

Comitê Nacional de Defesa dos Povos Indígenas de MS

SAÚDE

Vacinação entra no calendário escolar, mas ainda enfrenta resistência de mães

O Senado aprovou essa semana a imunização em escolas, mas algumas vacinas provocam receio nos responsáveis

23/05/2024 09h00

Vacinação nas escolas vai é aprovada à sanção do presidente

Vacinação nas escolas vai é aprovada à sanção do presidente Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Projeto de Lei n° 826/2019, que visa instituir o Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas foi aprovado no Senado Federal na última terça-feira (21), e vai à sanção do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

O Correio do Estado ouviu cinco mães de Campo Grande, que são a favor da iniciativa, mas algumas possuem ressalvas a respeito do tema. 

A arquiteta Joice Tiago Campos é mãe da pequena Lorena, de 7 anos, e autorizaria a vacinação da filha no ambiente escolar, no entanto, relata ter receio quanto as reações, já que algumas crianças choram e ficam mais sensíveis, então, gostaria de acompanhar a filha. 

"Os pequenos choram tanto, que teriam que estar acompanhados de nós, pais, alguns tem reações. No dia eu acompanharia, mesmo autorizando", comenta a arquiteta. 

Joice também possui outros receios, em relação a algumas vacinas, como a contra a Covid-19.

"Uma das vacinas que eu sou contra é a da Covid, em crianças, o resto das vacinas, da gripe e as outras, eu sempre corro atrás para vacinar", informa. A arquiteta acredita que falta informações sobre o imunizante nas crianças. 

A dentista e estudante de biologia, Leticia Maciel Pavesi, também é a favor, principalmente porque o índice de vacinação contra doenças como a dengue, está abaixo do esperado, e como alguém da área da saúde e biologia, acredita que são imunizantes importantes de serem incorporados no calendário vacinal. 

"Principalmente contra a dengue, acho que as pessoas não têm noção do quanto faz falta, do quanto é importante essa vacinação. E sobre as outras, tanto gripe quanto Covid, eu acho que são superimportantes e é uma iniciativa do governo que é inexplicável", expõe Pavesi, que é mãe do Lucas, de 10 anos de idade. 

A servidora pública, que não quis se identificar, acredita que a decisão do Senado Federal é importante para que os índices de imunização aumentem.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), em 2023 a vacina contra a febre amarela obteve apenas 79,19% de cobertura, o menor índice vacinal do ano, enquanto o imunizante BCG teve a maior adesão, com 109,42% de cobertura. 

"É uma política de saúde bem necessária, principalmente devido a várias doenças que já foram erradicadas com vacina, e hoje em dia a gente tem caso de óbito, por exemplo, de criança com meningite, que era uma doença que já tinha sido erradicada no Brasil. Além disso também a gente consegue otimizar bastante o tempo dos pais, que por muitas vezes não tem tempo de levar a criança pra tomar vacina", informa a servidora. 

De acordo com dados da Sesau, a vacina Meningo C, teve apenas 88,27% de adesão em 2023, índice um pouco menor que em 2022, quando teve 88,57% de adesão. De 2018 até o ano passado, o ano que a vacina contra a meningite teve maior cobertura foi em 2019, quanto atingiu 96,51% do público. 

Jordana Vilarins é mãe da Catarina, de 6 anos, e relembra que na sua época de escola a vacinação nos colégios era algo "super normal", e foi devido a essa iniciativa que diversas doenças foram erradicadas. 

"Eu sou a favor, dependendo da vacina, porque antigamente, na minha época do ensino fundamental, tinha vacina nas escolas, na época da minha mãe também, era super normal e foi graças a essa vacinação nas escolas que muitas doenças foram erradicadas, e de um tempo para cá, até a coqueluche voltou", pontua Jordana. 

A mãe comenta ainda que apesar de ter dado a vacina contra a Covid para sua filha, ficou atenta devido ao tempo que o imunizante foi desenvolvido.

"A gente teve que avaliar os prós e os contras de vacinar a Cata, que é asmática, e tinha receio de que a condição dela agravasse caso pegasse Covid, que mesmo com a vacina pegamos quatro vezes aqui em casa", relata Jornada. 

A publicitária e tatuadora, Carla Souza, é mãe de Otto, de um ano e dois meses, e também acha válida a vacinação nas escolas.

"Muitas crianças passam mais tempo na escola do que em casa, além da praticidade, o exemplo com os amigos", diz a publicitária. 

Carla pontua que, devido a necessidade de autorização, se os pais não concordarem com a iniciativa, é "só não autorizar", o que torna a medida algo simples. 

INICIATIVA 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que desde o ano passado possui o programa Aluno Imunizado, que é uma iniciativa da coordenadoria de Imunização e do Programa Saúde na Escola (PSE), voltada para a vacinação de crianças e adolescentes de 0 a 15 anos de idade, com o "objetivo de promover a integração e a comunização entre a Unidade Básica de Saúde (UBS) e escolas, de forma a ampliar o alcance de suas ações". 

A SES informa em nota que o trabalho feito no ano passado obteve bons resultados, mas não repassou um balanço dessas ações. Este ano, a secretaria relata que "a campanha vem acompanhada de incentivo financeiro aos municípios e Estado, para custeio das ações via Ministério da Saúde. 

A Sesau também informou que já realiza vacinação nas escolas, e que todas as unidades de ensino da Rede Municipal de Ensino (Reme), fazem parte da iniciativa, que pode ser feita tanto por busca ativa, que é quando os agentes de saúde vão em locais que a adesão está baixa, quanto em atividades de rotina das unidades de saúde. 

Para o médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, a aprovação da lei no Senado é importante como uma forma de garantir mais acesso a população, principalmente para aqueles que tem dificuldades de ir até as unidades de saúde. 

"Isso acontece em outros países, a checagem do cartão vacinal, a completude e a complementação desse cartão durante a matrícula. Ano a ano, o acompanhamento dessa criança", reforçou Julio.

Croda chamou atenção para a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano, sigla em ingês), que previne contra alguns tipos de câncer, sendo o principal, o de colo do útero, e têm baixa cobertura no Brasil.

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Previsão do tempo

Confira a previsão do tempo para hoje (23) em Campo Grande e demais regiões de Mato Grosso do Sul

Chove na maior parte do estado nesta quinta-feira

23/05/2024 04h30

Chuva em Campo Grande

Chuva em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (23), avança sobre o estado uma nova frente fria aliada a cavados, que provocam uma baixa pressão atmosférica.

Estes sistemas irão favorecer o aumento de nebulosidade e há probabilidade para chuvas e tempestades, principalmente nas regiões sudoeste, centro-sul e pantaneira. 

Os ventos atuam do quadrante sul com valores entre 40km/h e 60 km/h. Pontualmente, podem ocorrer rajadas de vento acima de 60 km/h.

Confira abaixo a previsão do tempo para cada região do estado:

Para Campo Grande, estão previstas temperatura mínima de 21°C e máxima de 31°C, com possibilidade de haver tempestade.

A região do Pantanal deve registrar temperaturas entre 21°C e 32°C, com chance de tempestade.

Em Porto Murtinho é esperada a mínima de 15°C e a máxima de 29°C, com tempestade.

O Norte do estado deve registrar temperatura mínima de 20°C e máxima de 33°C.

As cidades da região do Bolsão, no leste do estado, terão temperaturas entre 17°C e 32°C, com possibilidade de tempestade em Três Lagoas.

Anaurilândia terá mínima de 20°C e máxima de 33°C, com chuva.

A região da Grande Dourados deve registrar mínima de 19°C e máxima de 31°C, com tempestade.

Estão previstas para Ponta Porã temperaturas entre 16°C e 27°C, com chance de chuva.

Já a região de Iguatemi terá temperatura mínima de 19°C e máxima de 31°C, com tempestade.

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