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Confirmação do piso da enfermagem pode causar demissões na Capital

Supremo manteve aumento salarial para a categoria, que tem cerca de 30 mil pessoas atuando em Mato Grosso do Sul

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No início deste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por oito votos a dois, pelo pagamento do piso nacional da enfermagem na medida dos repasses federais para os municípios e estados, já anunciados em maio deste ano. 

As entidades privadas também terão de fazer o reajuste, que deve seguir ou o acordo coletivo dos funcionários do hospital, em caso de existir uma negociação, ou o piso fixado em lei, que é de R$ 4.750. 
Por conta dessa decisão, alguns hospitais podem não conseguir cumprir com o total de reajustes previstos, como é o caso do El Kadri, na Capital. 

O diretor-executivo da entidade, Rudiney de Araújo Leal, informou que a instituição já está avaliando com o setor jurídico como será feito o acordo com o sindicato da categoria, no entanto, o hospital também estuda uma redução na oferta de serviços, prevendo demissões em razão dos custos. 

O diretor relatou que a entidade está sem reajuste com os planos de saúde desde 2018 e 2019, e não tem obtido êxito ao tentar debater os custos desse aumento com os planos. “O reajuste, nos moldes aprovados, inviabiliza a continuidade do funcionamento do hospital”, explicou Rudiney. 

O El Kadri tem uma folha de pagamento que é composta 65% por profissionais da enfermagem, sendo cerca de 250 trabalhadores da categoria atualmente no hospital. 

Mesmo com as dificuldades financeiras, o diretor afirmou que a previsão para a implantação do novo piso deve ser feita em agosto ou setembro, pois a entidade já está discutindo internamente a negociação com o sindicato. 

O Correio do Estado entrou em contato com outros hospitais particulares para saber como será o procedimento de adesão ao novo piso da enfermagem. A Unimed informou em nota que “aguarda a publicação do acórdão para seguir com as tratativas necessárias sobre a questão”. 

O Hospital Adventista do Pênfigo e a Cassems não retornaram até o fechamento da matéria. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que as tratativas a respeito do piso são feitas pela Secretaria de Estado de Administração (SAD), que também não respondeu à reportagem. 

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou, em nota, que “o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, está realizando o estudo do impacto financeiro para realizar repasse aos estados e municípios, contribuindo, desta forma, para subsidiar parte da concessão do benefício aos profissionais”. 

“Desta forma, a prefeitura também deve aguardar o posicionamento do órgão federal. Atualmente, o município conta com aproximadamente 1,4 mil profissionais de enfermagem, entre técnicos e enfermeiros”, disse ainda a nota.

A proposta que venceu no STF não foi a esperada pela categoria, por conta da opção do acordo. O enfermeiro Jeferson de Paula vê a decisão como uma permissão de “brechas para quem não quiser pagar o piso”. 

O profissional também discorda da inserção da carga horária de 44 horas semanais, inserida pelo Supremo, para que seja pago o valor total do piso. 

O presidente do Conselho Regional de Enfermagem de MS (Coren-MS), Rodrigo Teixeira, relatou o mesmo descontentamento, mas acredita que não foi a pior das decisões. Entretanto, outro fator preocupa o conselho. 
“Estamos observando que os gestores públicos não estão cadastrando os profissionais. Porque isso [o pagamento] depende do informe do gestor municipal, estadual, ao governo federal dos seus trabalhadores da enfermagem, para que o governo faça o repasse complementar para garantia do pagamento do piso”, detalhou. 

Teixeira afirmou que o Coren-MS seguirá cobrando os informes corretos dos profissionais, para que todos os trabalhadores recebam o reajuste. 

REPASSE 

O governo federal previu, desde maio, o envio de R$ 116 milhões ao governo e aos municípios de MS para custear parte do piso aos profissionais de enfermagem do SUS. 

SAIBA

Campo Grande é o município que terá o maior repasse, com R$ 46,9 milhões, e Dourados receberá R$ 20,6 milhões. Os valores foram definidos após a sanção da lei que garante crédito de R$ 7,3 bilhões para atender o piso.

TEMPO

Dourados tem tempestade com ventos acima de 70 km/h

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para o risco de tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul

10/09/2026 08h30

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10)

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10) FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O município de Dourados amanheceu com uma forte chuva de 14,4 mm nesta quinta-feira (10), com ventos que atingiram velocidade de 71,4 km/h, segundo o meteorologista Natálio Abrão. A tabela de precipitação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostra que a tempestade começou por volta das 3 horas da madrugada e, até o momento, já acumulou 20,6 mm.

Nas primeiras horas do dia, Fátima Sul, que fica a cerca de 41 km de Dourados, teve acumulado de 10,2 mm.
Itaporã, que também fica perto do município douradense, teve chuva de 11,4 mm e rajadas de vento que atingiram 55 km/h. Devido a força desses ventos, os municípios tiveram quedas de árvores.

Desde ontem (9), o Inmet alerta para o risco de tempestades e tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul.

As condições atmosféricas favorecem a ocorrência de chuva intensa, trovoadas, rajadas de vento de até 60 km/h e queda de granizo. 

O instituto classifica o risco como baixo para cortes de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.

A previsão indica que a instabilidade deve continuar durante a quinta-feira (10), com pancadas de chuva e trovoadas isoladas.

O cenário é provocado pela atuação de áreas de baixa pressão no interior da América do Sul e de um cavado sobre a Região Sul, que deixam a atmosfera instável. 

Além disso, a chegada de uma massa de ar frio de origem polar deve aumentar o contraste entre o ar quente e úmido e o ar mais frio. Esse encontro favorece a formação de nuvens de tempestade mais organizadas e pode aumentar o potencial para fenômenos meteorológicos severos.

Operação

Alvo da PF, influencer de Campo Grande se gabava de contrabando nas redes

PF diz que suspeito ofertava diversos produtos de alto valor na internet, como iPhones e videogames

10/09/2026 07h45

Foto: Montagem

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A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o influenciador campo-grandense Victor Baptista Borges Neto, conhecido como Victor Fio do Bigode, por descaminho e extorsão. Ele ostentava e ofertava em suas redes sociais diversos produtos e equipamentos caros, como celulares, videogames, geladeiras, televisões e caixas de som, o que lhe rendia o suficiente para bancar viagens de luxo.

A Operação Nexum foi deflagrada ontem em Campo Grande, com o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 2 de prisão preventiva. Além disso, um terceiro indivíduo foi submetido a medidas cautelares diversas da prisão, entre elas a proibição de acesso à região de fronteira, a proibição de contato com os demais investigados e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

De acordo com a nota divulgada pela PF, o objetivo da ação é “combater organização criminosa suspeita de promover a internalização irregular de mercadorias eletrônicas oriundas do Paraguai, a comercialização de forma parcelada e informal e a cobrança de dívidas mediante grave ameaça”. Por isso, a operação contou com o apoio da Receita Federal.

 

Conforme apurou a reportagem, um dos alvos é o influenciador Victor Fio do Bigode e o segundo preso seria Luciano Henrique de Almeida. Já o terceiro, que está com tornozeleira eletrônica, seria Jefferson Pereira da Silva.

Em sua conta no Instagram, em que acumula mais de 36 mil seguidores, Victor divulgava vídeos e fotos ostentando momentos de viagens para lugares como Fernando de Noronha (PE), Gramado (RS) e Balneário Camboriú (SC), que seriam frutos de suas práticas ilícitas.

Segundo a PF, ele e os investigados “divulgavam os produtos em redes sociais e realizavam cobranças mediante ameaças”. Para se ter ideia do alto padrão de seus produtos, ofertava iPhone, iPad , geladeira, TV, JBL [caixa de som], videogame, notebook, relógio e até fogão. O negócio, segundo o acusado, era fechado com base na “confiança da palavra”.

“Aqui, você encontra produtos de alto valor, vendidos no bigode, com confiança e responsabilidade. Se você é uma pessoa de palavra e valoriza a honra nos negócios, tenho certeza de que, com calma, vamos fechar um bom negócio – do jeito que só quem cumpre seus compromissos entende”, publicou ele em uma das divulgações dos seus produtos.

Essa atitude confirmaria a investigação policial que apontou cobrança de dívidas sob grave ameaça. “Quer entrar no jogo? Aqui não tem conversa fiada, só negócio sério. Quem fecha com a gente, sabe: credibilidade é o que manda! Pra mim, a palavra vale muito mais que o papel, e o meu trabalho, não é só cuidar de tudo por você, mas criar uma relação de confiança e parceria duradoura”, escreveu em outra divulgação.

Em outubro do ano passado, Victor publicou um vídeo em que estaria sendo preso por policiais militares por “segurar o estoque de iPhone 17 Pro Max”. Porém, era apenas uma ação publicitária para divulgar uma nova remessa de produtos que chegaria dias depois. “Sem intenção de ofender autoridades. Se ofendeu, respira fundo”, disse na legenda do post.

Em outros vídeos, satirizava o fato de vender produtos contrabandeados, com imagens de armas e uso de capuz para buscar a mercadoria no Paraguai.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens imóveis e o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, até o limite de R$ 10 milhões, bem como o sequestro de quatro veículos e a suspensão das atividades de três empresas utilizadas. Também há indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

DEFESA

Ao Correio do Estado, a defesa de Victor contestou “veementemente” as acusações e afirmou que “durante a investigação e dentro do processo legal, irá juntar documentos e provas de defesa que vão elucidar os fatos e comprovar que tanto Victor quanto Luciano não cometeram tais crimes que estão sendo imputados a eles”, afirmou o advogado. 

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