Cidades

OBRA ESTRUTURANTE

Riedel prevê R$ 36 milhões para obra que levou asfalto a amigos de Lula

Secretário de obras do Estado informou que a meta é ampliar a Avenida Wilson Paes de Barros, nos fundos do aeroporto de Campo Grande, em meio a pastagens e lavouras

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Em anúncio feito nesta sexta-feira (19), o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul, Guilherme Alcântara de Carvalho, prometeu dar continuidade a uma obra que consumiu quase R$ 100 milhões e levou asfalto a uma região urbana de Campo Grande onde só existem plantações de soja, criação de bovinos e de equinos. 

Atualmente, a avenida Wilson Paes de Barros, nos fundos do aeroporto de Campo Grande, liga a Avenida Duque de Caxias à região do Bairro Santa Emília. Próximo deste bairro foi implantada uma grande rotatória e em uma das saídas foi construída uma pista que por sua vez dá acesso à região do Indubrasil e novamente à Duque de Caxias.

Desde o começo do projeto já existia a previsão de, futuramente, fazer uma nova via ligando esta rotatória ao anel viário de Campo Grande, em uma via paralela à Lúdio Martins Coelho (Marginal Lagoa). Se a promessa do secretário Guilherme Alcântara sair do papel, serão mais cerca de 2,5 quilômetros de uma uma ampla avenida asfaltada no meio de pastagens e lavouras.

Em alguns trechos, o tráfego da avenida Wilson Paes de Barros está liberado faz quase dois anos, mas até agora não existe iluminação pública, apesar do faturamento milionário da Cosip em Campo Grande. Somente em julho a administração municipal arrecadou R$ 21,8 milhões com a cobrança relativa à iluminação pública.

Tráfego na Wilson Paes está liberado há cerca de dois anos, mas a via segue sem iluminação pública

Outra parte deste projeto, que inicialmente foi orçado em R$ 84 milhões e foi bancado por recursos federais, está liberado para o tráfego há cerca de oito meses, já que faltava concluir a ponte sobre o córrego Imbirussu, mas também está sem iluminação pública. Neste trecho, nem mesmo rede de energia existe.

O anúncio do secretário Guilherme Alcântara ocorreu durante evento organizado pela prefeita Adriane Lopes (PP) para assinar ordem de serviço para acrescentar cinco equipes aos serviços de tapa-buracos nas ruas de Campo Grande, que estão tomadas pela buraqueira desde o começo do ano.

Sem dar maiores detalhes, o secretário informou que o novo trecho da avenida está estimado em R$ 36 milhões e que a principal finalidade é desafogar o tráfego na Avenida Lúdio Coelho que, segundo ele, está sobrecarregada em horários de pico.

Embora liberada para o tráfego faz cerca de dois anos, a avenida, que se caracteriza por ser a maior obra da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), nunca foi inaugurada oficialmente e até agora nenhum investimento privado foi feito ao longo de seu percurso. As margens seguem tomadas por pastagens e lavouras.

COINCIDÊNCIA

O curioso é que os investimentos levaram e agora vão levar novo trecho de asfalto para uma série de propriedades rurais de Glaucos da Costamarques e José Carlos Bumlai, que ganharam notoriedade nacional por conta de sua proximidade com o presidente Lula. Tanto Adriane quanto o governador Eduardo Riedel (PP) são rivais políticos do presidente. 

O primeiro é vizinho e o segundo é amigo do presidente Lula. Durante a operação Lava Jato, em 2015, o pecuarista Glaucos apareceu amplamente na mídia nacional por ser vizinho de porta de Luiz Inácio Lula da Silva. À época, Lula morava no apartamento 122 do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo. 

Lula também ocupava o apartamento de número 121, como uma espécie de depósito, embora não aparecesse em seu nome. Os procuradores do Ministério Público Federal concluíram que ele teria recebido o imóvel como propina paga pela Odebrecht.

Foi aí que apareceu o nome de Glaucos Costamarques como sendo o proprietário deste imóvel. Ele alegou que alugava o apartamento para Lula e sua família e que havia comprado o imóvel para fazer  um investimento.

Segundo a investigação da época, Glaucos apareceu na trama por ser primo de José Carlos Bumlai, que por sua vez era amigo pessoal de Lula e tinha até livre acesso ao Palácio do Planalto durante os dois primeiros mandatos do atual mandatário do Brasil. Bumlai chegou a ser preso e condenado a quase dez anos de prisão pelo então juiz Sérgio Moro.

Enquanto falta dinheiro para os serviços de tapa-buracos em praticamente todas as regiões de Campo Grande, a avenida no meio das pastagens está equipada com ampla ciclovia e passeio público. Até piscinões com capacidade para 90 milhões de litros foram construídos para conter a enxurrada numa região onde praticamente não existe declive. Prova disso é que o aeroporto foi instalado na planície.

CHÁCARAS

Glaucos da Costamarques tem quatro propriedades que margeiam a nova avenida. Juntas, somam em torno de 180 hectares, área suficiente para cerca de 3,5 mil terrenos de 360 metros quadrados cada (12 por 30)

Embora localizadas em área urbana, a justiça lhe garantiu isenção de IPTU, uma vez que recolhe ITR, que é o imposto sobre imóvel rural, com valor muito menor. 

Ele recorreu à Justiça e conseguiu se livrar da cobrança de R$ 1.289.467,82 sobre uma das chácaras, de 75 hectares. De outra delas, esta com 81,5 hectares, conseguiu escapar de cobrança de R$ 1.188.775,68. A administração municipal entendia que ele deveria pagar IPTU, mas ao comprovar a criação e venda de gado no local, foi isento pelo Judiciário. 

Tem ainda uma quinta propriedade da família de Glaucos, registrada em nome de sua esposa, Regina Bruno Costamarques, que também foi indiretamente beneficiada pelo novo asfalto. Neste caso, porém, a benfeitoria não é limítrofe ao imóvel com cerca de 30 hectares. Este fica na margem direita do Córrego Imbirussu, nas imediações do Núcleo Industrial. 

Avenida é dotada de passeio público, mas praticamente só bovinos transitam ao longo de seu percurso

E, além do vizinho, o amigo de Lula, o também pecuarista José Carlos Bumlai, tem propriedade na região que também foi indiretamente beneficiada pela obra já concluída e que agora será beneficiada diretamente pela avenida que o Governo do Estado promete implantar. 

Esta chácar tem em torno de 80 hectares e a a partir do momento em que chegarem as redes de água e energia, acompanhados dos loteamentos, as terras todas passarão a ter outro patamar de preço. 

Antes dos investimentos, a estrada que hoje virou a suntuosa Avenida Wilson Paes de Barros era sinônimo de descarte irregular de lixo e de cadáveres humanos. No dia 24 de julho de 2023, por exemplo, dois corpos carbonizados foram encontrados no interior de um Ford Fiesta destruído pelas chamas. A investigação apontou que foram vítimas de guerra de traficantes. 

A licitação para as obras foi concluída em agosto de 2022, quando Jair Bolsonaro ainda estava na presidência. O vencedor foi uma empreiteira do Espírito Santo, Engevil. Em Campo Grande, o comando do Executivo já estava nas mãos da bolsonarista Adriane Lopes quando as obras começaram. 

A justificativa da administração municipal para fazer o megainvestimento no meio de lavouras e pastagens é de que se trata de implantação de vias estruturantes. Do projeto também fizeram parte a pavimentação, drenagem e recapeamento de ruas nos bairros Nova Campo Grande e Jardim Carioca. 

No total, foram executados 13,3 quilômetros de asfalto, 15,2 quilômetros de drenagem e 11,6 quilômetros de ciclovia. Além disso, três piscinões para armazenar água da chuva. 

Previsão é que o governo estadual dê sequência ao asfalto que acaba na rotatóris (centro da imagem) até o anel viário (BR-262)

CAMPO GRANDE

Obra para fechar 'crateras' em ciclovia deve começar na segunda-feira

Neste momento, equipe de engenharia realiza a drenagem para então começar os reparos no trecho, que fica na Avenida Wilson Paes de Barros

19/09/2026 11h45

Cratera ocupa quase metade da largura da ciclovia na Avenida Wilson Paes de Barros

Cratera ocupa quase metade da largura da ciclovia na Avenida Wilson Paes de Barros Foto: Arquivo/Correio do Estado

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As duas “crateras” localizadas na ciclovia da Avenida Wilson Paes de Barros, no Bairro Santa Emília, em Campo Grande, devem começar a ser fechadas a partir da próxima segunda-feira (21).

Conforme apuração da reportagem, que esteve no local, máquinas da empreiteira Equipe Engenharia, responsável pela manutenção da ciclovia, já estão alocadas no trecho para começar o reparo. Ao todo, são dois buracos enormes que estão abertos na ciclovia e atrapalham o fluxo dos ciclistas.

Em conversa com um funcionário da empresa, ele revelou que três processos de drenagem já foram feitos, com buracos profundos que enchem de pedras para desviar a água - justamente para baixar o lençol freático que passa por debaixo do asfalto. Portanto, a partir disso, os reparos já podem ser realizados e devem começar dentro de 48 horas.

Cratera ocupa quase metade da largura da ciclovia na Avenida Wilson Paes de BarrosMáquinas da empresa Equipe Engenharia estão no local para começar os reparos - Foto: Arquivo/Correio do Estado

Ainda, entre as duas crateras, é possível visualizar que um outro buraco já foi fechado anteriormente, tanto que o asfalto que encobre esse trecho é diferente do restante da ciclovia.

No final de julho, o Correio do Estado já havia reportado que uma das crateras foi reaberta pela segunda vez em menos de um ano e meio. Em abril de 2025, o asfalto cedeu, abriu-se um buraco gigantesco e a ciclovia teve que ser interditada. Meses depois, foi fechada e reparada pelas equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

Porém, em junho de 2026, a cratera abriu de novo, dessa vez, com aproximadamente três metros de profundidade e quatro metros de largura. Desde então, o local está interditado novamente e ciclistas precisam desviar da ciclovia para não cair no buraco.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber mais detalhes do reparo. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

No início do ano passado, o Correio do Estado relatou outros problemas que envolvem a Avenida Wilson Paes de Barros, como a falta de iluminação, que faz com que ciclistas pedalem no escuro e motoristas precisem ligar o farol para enxergar o trânsito.

Ciclovias problemáticas

Dados divulgados pela Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) apontam que existem 109,7 quilômetros de ciclovias/ciclofaixas/calçadas compartilhadas, em 79 bairros, espalhados pelas sete regiões da Capital.

Dos 109,7 quilômetros, 3.036 metros são de calçada compartilhada, 17.516 metros são de ciclofaixa e 89.205 metros são de ciclovias. Em linha reta, a distância representa uma pedalada entre Campo Grande e Nova Alvorada do Sul, cidades que ficam a 113 quilômetros uma da outra.

Mas, as vias deixam a desejar e precisam de reparos em alguns pontos. Os principais problemas são falta de iluminação, falta de sinalização, falta de pintura, desnivelamento de asfalto, buracos e matagal. 

Corretor imobiliário e ciclista, Lomanto Álvaro, disse que as ciclovias de Campo Grande são perigosas para ciclistas.

"Muitas pistas estão danificadas e para nós de bike, isso se torna muito perigoso, porque o impacto no guidão é muito grande. Mato invade a ciclovia e atrapalha muito também. A empreiteira que fez as ciclovias deixaram a pista com muito buraco, apesar de pista ser nova", contou.

Dona de casa e ciclista, Andressa Rodrigues, afirmou que já até acostumou a pedalar no escuro em Campo Grande.

"Problemas de matagal e iluminação precária está mesmo em todo lugar da pista da ciclovia isso podemos reclamar com indignação", disse.

Andressa ainda ressaltou pontos positivos relacionados a malha cicloviária campo-grandense.

"O ponto de vista positivo é a extensão da pista da ciclovia que já está interligando bairros que não tínhamos tanto acesso em curto tempo. A ciclovia de CG percebemos que as pessoas estão mais interessadas na atividade física, utilizam bicicleta e patinete elétrico até mesmo em uma ida ao trabalho acreditando ganhar tempo e segurança para o destino", contou.

Na época, em resposta aos problemas estruturais apresentados pela reportagem, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) afirmou que estuda ampliar faixas de ciclovia para maior segurança dos ciclistas.

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Trânsito

Provas esportivas interditam ruas de Campo Grande neste sábado e domingo

Afonso Pena terá bloqueio total no sábado; no domingo, corridas e triathlon provocam interdições em diferentes regiões da Capital

19/09/2026 11h00

Agente de trânsito da Agetran pelas ruas de Campo Grande

Agente de trânsito da Agetran pelas ruas de Campo Grande Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Motoristas que circularem por Campo Grande neste fim de semana devem ficar atentos a uma série de interdições provocadas por provas esportivas. As mudanças começam neste sábado (19) e seguem até domingo (20), com bloqueios totais e parciais em diferentes vias da Capital. A liberação ocorrerá gradualmente conforme o avanço dos percursos.

Hoje, sábado, as interdições começou às 9h e seguem até as 23h59. A principal alteração será na Avenida Afonso Pena, que ficará totalmente interditada nos dois sentidos, entre a Rua San Marino Park e a Avenida do Poeta, para a realização da VII Corrida do Choque e da 5ª Corrida pela Vida – Colégio Master 2026.

O acesso local de moradores das quadras afetadas será mantido.

Para quem segue no sentido Centro/Parque dos Poderes, a orientação é utilizar a Avenida Afonso Pena, a Rua San Marino Park e a Rua Gardênia. No sentido contrário, Parque dos Poderes/Centro, a alternativa será pela Avenida do Poeta, Rua Anturio e Rua da Assembleia.

À 0h de domingo (20), a Avenida Afonso Pena terá sinalização de contrafluxo no sentido Centro/Parque dos Poderes.

Domingo

No domingo, as interdições começam a partir da 1h e serão temporárias e parciais em vias utilizadas pelos percursos do Circuito de Corrida Cidade Morena e do Circuito de Triathlon Campo Grande/MS.

No Circuito de Corrida Cidade Morena, haverá bloqueios na Rua Cana Verde, tanto no acesso à Avenida Gury Marques, onde será realizada a largada, quanto no trecho de chegada, próximo à Braspress Transportes.

Também terão alterações temporárias a Rua Buenópolis, Avenida Alto da Serra, Rua Anaca, Rua Ariti, Rua Copaíba, Rua João Adolfo Cintra, Rua Barreiras, Avenida Airton Senna, Rua Araticum e Rua Ubirajara Guarani.

No sentido Bairro/Centro, a rota alternativa indicada é pelas ruas Ipamerim e Fraiburgo. Já para quem trafega no sentido Centro/Bairro, a orientação é utilizar a Rua Buenópolis.

Triathlon

O Circuito de Triathlon Campo Grande/MS também provocará mudanças no trânsito.

A faixa esquerda da Avenida Duque de Caxias será parcialmente interditada, nos dois sentidos, entre a Avenida Afonso Pena e a Avenida Brasil Central. Haverá ainda bloqueio na mesma avenida, entre a Afonso Pena e a Avenida Noroeste, além da Avenida Noroeste, no trecho entre a Duque de Caxias e a Rua Santos Dumont.

A Rua Camapuã ficará totalmente interditada entre a Rua Amando de Oliveira e a Avenida Afonso Pena. Para contornar o bloqueio, os motoristas poderão utilizar a própria Rua Camapuã e a Rua Alexandre Farah.

Outro ponto de bloqueio total será na Rua Amando de Oliveira, entre a Avenida Duque de Caxias e a Rua Camapuã. Nesse trecho, as alternativas são a Avenida Duque de Caxias e a Rua Visconde de Taunay ou a Rua Camapuã e a Rua Alexandre Farah.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) orienta os motoristas a planejarem os deslocamentos antes de sair de casa e redobrarem a atenção à sinalização nos trechos das provas. Os acessos locais serão mantidos com apoio das equipes de trânsito, organizadores e forças de segurança. A liberação das vias ocorrerá conforme o andamento das atividades e as condições de segurança.

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