Uma quadrilha de Mato Grosso do Sul que contrabandeava produtos oriundos do Paraguai e se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” movimentou mais de R$ 300 milhões, especialmente com a venda de perfumes árabes, que eram armazenados em Campo Grande e repassados para diversos clientes em outras regiões do País.
Ontem, agentes da Receita Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) estiveram nas ruas de Campo Grande e de cidades em São Paulo e Pernambuco para deflagrar a Operação Perfume de Mulher, com o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão.
Especificamente na capital sul-mato-grossense, um dos mandados foi cumprido em uma residência na Rua Antônio Maria Coelho, nº 4.803, no Bairro Santa Fé. No local, agentes levaram dois carros (Fiat Fastback e Toyota Corolla Cross), que estavam estacionados na garagem, e apreenderam um malote com itens que não foram divulgados.
De acordo com a nota divulgada pelo órgão responsável pela fiscalização aduaneira, a ação desarticulou “suposta organização criminosa investigada pelos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais”, a partir de investigação que se originou depois de diversas apreensões relacionadas ao grupo nos últimos dois anos.
“As apurações decorreram da atuação integrada dos órgãos de investigação e controle, que permitiu identificar diversas apreensões relacionadas ao grupo criminoso entre os anos de 2024 e 2026. Nesse período, foram registradas mais de 20 apreensões vinculadas ao esquema, incluindo uma ação realizada em outubro de 2025, que resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente”, disse a Receita Federal.
Os produtos chegavam ao Brasil a partir de Ponta Porã e eram armazenados em um depósito em Campo Grande. Depois da ação de outubro de 2025, passaram a ser estocados em centros de distribuição sediados em São Paulo e Pernambuco. Por fim, as mercadorias eram distribuídas para vários outros estados.
Ainda conforme a Receita Federal, o grupo conseguia realizar as vendas dos perfumes nas redes sociais, marketplaces (shopping virtuais) e plataformas de comércio eletrônico (e-commerce), dos quais ainda se faziam valer da parceria com influenciadores digitais para auxiliar na divulgação dos produtos. Este esquema fez com que o grupo se intitulasse como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, em um dos seus sites.
“As investigações indicam que o grupo utilizava notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de interpostas pessoas, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados”, aponta.
Além disso, a investigação identificou que o grupo usava criptoativos (ativos digitais que utilizam a tecnologia blockchain e criptografia para assegurar a validade das transações) em negociações com fornecedores estrangeiros. Ao todo, as análises financeiras identificaram movimentação superior a R$ 300 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados.
A 3ª Vara Federal de Campo Grande também determinou a apreensão de bens vinculados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo as moedas digitais, além da prisão da responsável por toda a coordenação das atividades.
Participaram da ação 130 agentes da Receita Federal, do MPF e do MPMS nos três estados e foi a primeira vez na história que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do órgão estadual e federal trabalharam simultaneamente com a Receita Federal. (Colaborou Naiara Camargo)
* Saiba
Os perfumes árabes destacam-se no mercado mundial pela alta fixação, ingredientes nobres como o oud (madeira de agar), âmbar e especiarias, e excelente custo-benefício em relação aos importados tradicionais.



