Cidades

Wantuir Francisco Brasil Jacini - secretário

Criminosos arrebanham soldados nas prisões

Criminosos arrebanham soldados nas prisões

Redação

11/04/2010 - 05h18
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Presos que cometeram delitos de baixo potencial ofensivo acabam virando massa de manobra e formam-se "soldados do crime" nos presídios de Mato Grosso do Sul. O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, afirmou em entrevista que vê a necessidade de modificações no regime fechado do sistema carcerário brasileiro.

O fato de Mato Grosso do Sul ser corredor para passagem de drogas adquiridas no Paraguai e na Bolívia, faz com que grande parcela destas lideranças negativas seja formada por traficantes de outros estados. Muitos já saem com missões definidas das cadeias para praticar roubos e outros crimes.
O secretário também comenta que deve manter as operações especiais para acabar com a feira livre do tráfico no Centro de Campo Grande. No entanto, alerta que o problema é social e, por isso, não será resolvido  apenas com a coação. Ele critica os gestores que não veem outras alternativas para enfrentar os problemas. Jacini cita ainda a necessidade de qualificar os policiais para melhorar o desempenho do efetivo em vez de apenas aumentar contratações. Veja principais trechos da entrevista abaixo:       
 
MILENA CRESTANI

Como a polícia está atuando para acabar com a feira livre do tráfico de drogas no Centro de Campo Grande?
Por meio da Polícia Civil, temos feito investigações e prendido traficantes. O problema dos viciados é questão social, pois apresenta outra dificuldade em que a atribuição não é da polícia. As questões sociais não são atribuições da polícia.  Para combater o pequeno tráfico e presença de usuários no Centro da cidade, temos de fazer operações especiais, pois o trabalho de rotina não estava sendo suficiente. Fizemos operações especiais na semana (passada). Na primeira, foram recolhidos 37 usuários e traficantes, na segunda duas traficantes. Vamos continuar fazendo operações até resolver a questão ou melhorá-la.

No entanto, dos 37 presos apenas três continuaram detidos. Há dificuldade, pois eles devem voltar a cometer os mesmos crimes?
Esses são problemas sociais e de saúde. Há rede de órgãos que tratam dos viciados. Então, essa questão social não é atribuição da polícia. Agora, em decorrência da postura e das dificuldades deles, às vezes, ocasionam danos aos patrimônios público ou privado. A polícia age retirando os traficantes e usuários daquele local e levando-os para a delegacia. Lá, eles são identificados e encaminhados para casas de saúde, onde devem receber atendimento adequado.


Quando é feita ação mais efetiva em determinado local, os traficantes mudam de ponto?
Pode acontecer e aí vamos continuar agindo. A polícia fará ações efetivas no sentido de tomar providências para retirá-los dali e encaminhá-los para os órgãos competentes.


A desativação da rodoviária velha agravou o problema?
Não considero que agravou. Alguns remanescentes ficaram, principalmente, os viciados. Em cima deles, também está focado o trabalho da polícia.


Quais outros pontos são monitorados?
Campo Grande está divida em sete áreas e são mapeados os vários tipos de crimes nestas regiões. São furtos de carros, assaltos a postos de combustíveis e comércio em geral. De acordo com análise feita semanalmente, desencadeamos policiamento e adotamos providências. No mês de março, houve redução de assalto a ônibus, homicídios e furtos de veículos, pois a polícia agiu nos locais onde as estatísticas estavam apontando  necessidade de operações específicas das polícias Militar e Civil.


Quais áreas são consideradas preocupantes?
No Centro sempre há mais preocupação. Traficantes trazem drogas do Paraguai e da Bolívia para diferentes pontos da cidade, de onde fazem distribuição. A Polícia Civil está investigando e tem feito serviço muito bom por meio da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). Inclusive, com nova formação de delegados, foram designados dois novos profissionais para reforçar o trabalho da delegacia.


Como estão os trabalhos para combater o tráfico na fronteira?
Temos 18 cidades na linha de “fronteira seca” com Paraguai e Bolívia. Os dois países são grandes produtores de drogas e sabemos que muitos brasileiros são traficantes que mandam drogas para o Brasil, passando por Mato Grosso do Sul, para até 16 estados brasileiros. Aqui é um corredor. Agora, a responsabilidade por enfrentamento ao tráfico de drogas tem de ser compartilhada pelas instituições como Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias do estado (civil e militar). Temos de atuar de forma conjunta com enfrentamento compartilhado. No momento, temos a Operação Sentinela, desenvolvida pela Polícia Federal com apoio da  Força Nacional, delegacias da Polícia Civil, Departamento de Operações de Fronteira e policiais militares das 18 cidades. 


E o trabalho para descobrir novas rotas de tráfico na fronteira?
É feito com base na inteligência policial, que vai determinar as rotas e o modus operandi (modo de operação) do crime organizado. A partir desta análise, a reação das polícias vai modificando. Estamos também desenvolvendo o Projeto Fronteira em Mato Grosso do Sul, onde a capacidade de resposta do Departamento de Operações de Fronteiras (DOF) estará inserida num projeto nacional, gerido pelo Ministério da Justiça, para 11 Estados que fazem fronteira. A coordenação dos trabalhos será da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que fará capacitação com nivelamento de doutrina e política específica para fronteira nas 11 localidades.


A proximidade com o Paraguai e a Bolívia agrava o tráfico em todo o Estado?
Sem dúvida, porque muitos dos traficantes recebem certa quantia de drogas pelo transporte dos entorpecentes do Paraguai para grandes centros. Eles revendem no Estado as drogas que recebem como pagamento para levá-las aos grandes centros. A Denar tem trabalho específico de investigação e enfrentamento a estes traficantes. Os policiais da delegacia especializada fazem flagrantes todos os dias e por isso a necessidade de reforço da estrutura.

As mudanças na Lei 11.343, de 2006, que trata a respeito de drogas, deixaram mais brandas as punições ao usuários?
Sem dúvida ficou mais branda. O usuário comete crime contra saúde pública e de fundo social. Por isso, merece tratamento diferenciado daquele que é traficante. A lei procurou fazer a distinção. Mas ainda não há diferenciação do grande traficante do crime organizado daquele pequeno, das "mulas". O Judiciário vem fazendo essa diferenciação em decisões pontuais.  


Como estão os números dos crimes, em geral, no Estado?
Tivemos redução de vários, como homicídios, roubos e furtos. Acompanhamos, geralmente, 21 crimes e houve redução na maioria. Isso aconteceu pelo trabalho da polícia e incorporação do efetivo. Incorporamos 1.998 policiais, sendo 1.200 policiais militares e 367 civis, além de 118 da Perícia. Aumentamos, consideravelmente, efetivos e recursos materiais. O governo estadual adquiriu, com recursos próprios, 820 viaturas, 3.350 pistolas e 1.511 computadores. Tudo isso, para atuação da atividade fim das polícias Civil e Militar. Esse aumento de recursos fez com que melhorássemos a gestão e, assim, houve redução da criminalidade.

Apesar deste incremento, qual necessidade estrutural ainda há na segurança pública do Estado?
Temos agora que nos concentrar muito na melhoria da gestão, pois contamos com mais recursos. Precisamos melhorar a gestão e capacitar efetivo. Realizamos 503 cursos de especialização em três anos. Isso faz com que policiais mais bem preparados multipliquem a sua capacidade de investigação, reação e capacidade de serviço. Depois disso, vamos poder avaliar o que se precisa mais de pessoal, material e até mesmo de capacitação. Agora, estamos fazendo análise para ver o que precisa melhorar.


Mas ainda há déficit no efetivo?
Sempre pede-se mais efetivo, mas é preciso avaliar desempenho individual desses policiais. Senão, vamos estar acumulando pessoal sem ter desempenho necessário e o que se espera dele. Precisamos que o desempenho seja aprimorado e, em cima dessa melhora, poderemos dimensionar as necessidades. A meta é qualificar individualmente e melhorar gestão intermediária e superior das  instituições.
Recentemente, autoridades cogitaram colocar policiais em postos de saúde e até nos finais de semana nas escolas para barrar casos de violência.


Como o senhor vê essa medida?
Parece que essa medida é até cultural no Brasil. Observa-se que as leis administrativas são criminalizadas. Falta capacidade administrativa, muitas vezes, para os gestores. Parece que só tem poder de coação através do uso da polícia e aplicação de penas. É preciso mudança nessa cultura para que as leis administrativas sejam fiscalizadas e, no caso de penalidade, possam ser aplicada de forma administrativa, como multa e interdição de direitos. Não devemos  criminalizar, prevendo penas e cadeias. As questões sociais têm de ser resolvidas por medidas sociais e não de polícia.


E nestes dois casos?
No caso das escolas, o problema é social, pois a falha começa na família, onde o pai não é provedor do lar e a mãe sai para trabalhar, enquanto o filho vai ser educado nas escolas ou nas ruas por terceiros. São tantos casos do tipo, que os professores são sobrecarregados e não conseguem suprir ausência dos pais. Quando a questão se agrava, a polícia é chamada para resolvê-la. Na realidade, é problema social e educacional. Nos postos, é social e de saúde. A polícia deve ser chamada em situações pontuais, ou seja, nas exceções, mas a rotina é caso social e administrativo. Não se pode administrar tendo como base a exceção.


Qual providência para cumprir a decisão de transferir presos do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima?
Primeiro, tenho que esperar a publicação do acórdão e receber a notificação para conhecer a decisão. Com relação ao local, vamos  inaugurar o presídio de regime semiaberto, na estrada da Gameleira, com mil vagas. Vamos trazer presos do semiaberto de Dois Irmãos, que receberá presos do regime fechado, para atender essa determinação judicial.


Quais problemas o senhor vê hoje no sistema carcerário?
O sistema penitenciário brasileiro precisava de modificações no regime fechado, para onde também são enviados os crimes de baixo potencial ofensivo. Esses criminosos acabam servindo de massa de manobra para as facções criminosas, que atuam nos presídios. Esses crimes de baixo potencial ofensivo deveriam ser condenados com penas alternativas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detectou essa questão e vem traçando política de enfrentamento. O sistema penitenciário não está cumprindo com sua finalidade de ressocializar e reinserir os detentos na sociedade. Ao contrário, está havendo aperfeiçoamento dos criminosos no interior dos presídios. Isso tem de ser enfrentado e modificado. É inaceitável que os presídios, pagos pelo poder público e com a finalidade de reinserir os presos na sociedade, estejam tendo outra finalidade, até mesmo criminosa. As facções estão usando esses criminosos de baixo potencial como “soldados do crime”.


Como a Secretaria age para tentar impedir esses crimes?
Os presos são dominados lá. Os criminosos de baixo potencial ofensivo já saem com missão de que precisam cometer determinado crime para angariar dinheiro. São vários os casos, até noticiados pela imprensa, como sequestro de famílias para roubar carros só liberando as famílias depois dos veículos chegarem ao Paraguai. Já desbaratamos duas ou três quadrilhas com esse modus operandi. Para resolver isso, os crimes de baixo potencial ofensivo poderiam receber penas alternativas para não agravar ainda mais a situação. E, tirando os criminosos de baixo potencial ofensivo do regime fechado, vão sobrar vagas para os hediondos. Da nossa população de onze mil presos, em torno de quatro a cinco mil são condenados a penas de até quatro anos.


O fato de Mato Grosso do Sul ser corredor para tráfico de drogas influencia para que ex-detentos de outros estados sejam presos aqui e repassem novas informações das facções?
Foi justamente isso que aconteceu no passado. Aqueles indivíduos de facções do Estado de São Paulo vieram para cá e contaminaram os presídios daqui, o que resultou na rebelião de 2006, orquestrada e comandada pelos detentos de lá. Aumentamos a inteligência policial para impedir rebeliões. A sistematização faz com que as polícias trabalhem com informações e possam propiciar enfrentamento adequado.

SAÚDE

Ministério abre 310 vagas de especialização em enfermagem neonatal

A iniciativa prioriza profissionais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde há maior carência desse tipo de especialização

14/03/2026 15h45

Inscrições vão de 16 de março a 6 de abril em plataforma online

Inscrições vão de 16 de março a 6 de abril em plataforma online Divulgação: Prefeitura de Manaus

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O Ministério da Saúde lançou edital com 310 vagas para a Especialização em Enfermagem Neonatal, voltada a profissionais que atuam em unidades neonatais de referência do Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento previsto é de R$ 2,6 milhões.

As inscrições ocorrem de 16 de março a 6 de abril, por meio da plataforma SIGA-LS. A iniciativa prioriza profissionais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde há maior carência desse tipo de especialização.

Objetivo

Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa busca ampliar a qualificação da força de trabalho no SUS e melhorar o atendimento a mulheres e recém-nascidos.

“Nosso objetivo é fortalecer e valorizar a enfermagem no âmbito do SUS, além de qualificar a oferta dos serviços. Ao atacar desigualdades históricas, fortalecemos a resolutividade nas redes regionais”, afirmou em nota o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço.

A ampliação do número de especialistas em enfermagem neonatal busca melhorar o atendimento aos recém-nascidos no SUS. Entre os benefícios esperados estão identificação precoce de riscos, manejo clínico adequado e intervenções seguras, o que pode contribuir para a redução de óbitos evitáveis.

Formação

O curso será executado pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz.

Com duração de 14 meses, a especialização integra o Programa Agora Tem Especialistas e pode aumentar em mais de 30% o número de enfermeiros neonatais que atuam no SUS.

Distribuição

Das 310 vagas ofertadas:

  • 206 são destinadas a capitais (66%);
  • 104 a municípios do interior (34%).

A distribuição regional prevê:

  • 56 vagas no Centro-Oeste;
  • 182 vagas no Nordeste;
  • 72 vagas no Norte.

Os profissionais selecionados atuarão em 64 hospitais distribuídos em 36 municípios. O edital também reserva 172 vagas para ações afirmativas.

Saúde feminina

A formação faz parte de um conjunto de ações do Ministério da Saúde voltadas ao fortalecimento da assistência obstétrica e neonatal.

Em 2025, a pasta destinou R$ 17 milhões para a Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne.

O curso reúne 760 profissionais de enfermagem, em parceria com 38 instituições de ensino.

A iniciativa é executada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras, e prioriza profissionais que atuam em regiões interiorizadas e na Amazônia Legal, com foco na ampliação do acesso à formação especializada.

Sem prestar socorro

Em alta velocidade na faixa de ônibus, motorista foge após atropelar pedestre; vídeo

Violência do impacto arrancou a perna da vítima em grave acidente registrado por imagens de circuito interno em Campo Grande

14/03/2026 13h35

Câmeras de segurança da região podem colaborar com o trabalho investigativo da polícia. 

Câmeras de segurança da região podem colaborar com o trabalho investigativo da polícia.  Reprodução

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Em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (14), um motorista fugiu do local de um acidente causado por ele na rua Brilhante, após transitar em alta velocidade pela faixa destinada à ônibus da via e atropelar uma pedestre que passava pelo local e acabou tendo a perna arrancada devido à violência do impacto.

Como bem mostram imagens de circuito interno gravadas por uma câmera de videomonitoramento da região, esse acidente aconteceu por volta de 01h01, durante a madrugada deste sábado (14), sendo que o motorista teria fugido após atingir a pedestre. 

Conforme o boletim de ocorrência, o indivíduo acusado de atropelar a mulher de 42 anos, que trata-se de uma funcionária pública, fugiu sem prestar qualquer tipo de socorro e ainda não pôde ser localizado, sendo que várias câmeras de segurança da região podem colaborar com o trabalho investigativo da polícia. 

Isso porque, antes mesmo de atingir a vítima no sentido norte-sul da rua Brilhante, na Vila Carvalho, o homem já seguia pelo trecho em alta velocidade, transitando inclusive pela faixa destinada preferencialmente para o transporte público, que pode ser usada em casos de conversão. 

Abaixo você confere o momento do atropelamento, que foi capturado por câmeras de monitoramento da região: 

Através das imagens é possível notar que a servidora chegava até uma região de bares, dirigindo-se acompanhada até um dos estabelecimentos enquanto atravessava a rua de madrugada. 

Num primeiro momento, nota-se inclusive que essa mulher e seu acompanhante aguardam antes de atravessar a via, justamente para esperar que alguns veículos passem pela Rua Brilhante. 

Porém, o casal já estava na metade de sua travessia quando dois veículos em alta velocidade se aproximam do ponto, um deles desviando dos pedestres ao jogar o carro para a direita. 

Entretanto, o carro que seguia logo em seguida passa pelo lado oposto, já que transitava inclusive pela faixa que é destinada para o fluxo de transportes coletivos, que nesse e em vários outros pontos de Campo Grande trafegam ao lado esquerdo da via. 

Com as testemunhas ajudando na hora do primeiro socorro, os presentes somente souberam apontar que o suspeito trata-se de um motorista de um carro de passeio escuro, que agora é procurado por equipes da Polícia Civil e do Grupo de Operações e Investigações (GOI). 

Devido à violência da batida, parte da perna esquerda da servidora pública foi arrancada. Ela foi socorrida por equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhada em estado grave para a Santa Casa em Campo Grande. 
 

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