Mesmo preso desde o dia 12 de maio por envolvimento em um suposto esquema de corrupção no serviço de tapa-buracos em Campo Grande, o empreiteiro Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa inscreveu sua empresa, a Construtora Rial, em duas licitações que juntas superam os R$ 196 milhões para o serviços de manutenção de rodovias com e sem asalto nas regionais de Camapuã e Ribas do Rio Pardo.
A construtora Rial já tem contratos com a administração estadual para serviços de tapa-buracos nas regiões de Costa Rica e Três Lagoas. Agora, o Governo do Estado abriu licitações que prevêm investimento de até R$ 1,9 bilhão em 18 lotes diferentes de licitações em praticamente todas as regiões do Estado e o empreiteiro tenta manter parte do espaço que já tinha.
Na segunda-feira (8) e nesta quarta-feira (10) ocorreu a entrega oficial de propostas de empreiteiras interessadas em participar da licitação de sete destes lote. Por conta dos altos valores, em torno de 40 empreiteiras chegaram a demonstrar interesse e pelo menos 30 estão efetivamente inscritas na disputa dos sete lotes cujas propostas foram recebidas até agora.
Nesta quarta-feira (10), a Construtora Rial entrou na disputa com outras 22 empreeiteiras para fazer os serviços de tapa-buracos na rigião de Camapuão, onde já atua. A Agesul está disposta a pagar até R$ 97,5 milhões pelos serviços de tapa-buracos ao longo dos próximos três anos. O edital prevê que este contro pode ser prorrogado por até mais dez anos.
Conforme publicação do diário oficial do Governo do Estado, no dia 12 de fevereiro o empreiteiro renovou, por R$ 9,9 milhões, contrato para fazer a manutenção de 417 quilômetros de estradas com e sem asfalto nesta mesma região. No edital de agora, porém, a área sob responsabilidade de quem vencer o lote 06 vai aumenar para 786 quilômetros de rodovias
Nesta semana ocorreu somente o primeiro passo da licitação. Agora os pregoeiros vão analisar a documentação e depois será feita a fase da proposta de preços.
"Neste momento, para análise minuciosa dos documentos de habilitação apresentados pelas empresas participantes, suspendo a presente sessão. Posteriormente, será comunicado a data da nova sessão para prosseguimento do certame através da publicação no Diário Oficial do Estado. Reitera-se a importância da presença de todos na próxima sessão para o acompanhamento dos trâmites licitatórios", escreveu
O passo inicial dos outros 11 lotes do pacote de R$ 1,9 bilhão está previsto para os dias 12 e 15 deste mês. Os sete lotes abertos até agora prevêem o pagamento de até R$ 748,7 milhões ao longo de três anos.
Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa foi preso com outras seis pessoas a pedido do Ministério Público Estadual durante a operação "Buracos Sem Fim". De acorco com o MPMS, entre 2018 e 2025 a empresa alvo da operação assinou contratos e aditivos que ultrapassam os R$ 113 milhões.
to são, em tese, exatamente para colocar um fim nos serviços de tapa-buracos, os quais foram o principal alvo da operação do Ministério Público desta terça-feira.
No dia da operação também oi preso o , o pecuarista Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do empreitero. Mas, ao contrário do filho, ele conseguiu liberdade e está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Outro detido e que segue na cadeia é o engenheiro Rudi Fiorese, que comandou a secretaria municipal de obras e que no dia da prisão comandava a Agesul, órgão estadual que agora está à frente do pacote de licitações.
Na casa de Fiorese foram encontrados R$ 186 mil supostamente provenientes do pagamento de propinta. No mesmo dia também foi detido o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos de Campo Grande. Em sua casa foram apreendidos R$ 233 mil em cédulas de Real e moeda estrangeira.
A empreitera Rial é reponsável pela pelos serviços de tapa-buracos de quatro das sete regiões de Campo Grande. Ele responde pelas regiões Bandeira, Imbirussu, Segredo e Anhanduizinho. A suspeita dos promotores é de que servidores da secretaria municipal de obras recebiam propina para fazer vistas grossas ao serviço que não é executado, o que explica a buraqueira em boa parte das vias da Capital.
Ministro da Educação, Leonardo Barchini, em coletiva / Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

