Cidades

ELOY TERENA

De MS, advogado é o primeiro indígena a vencer ação no Supremo Tribunal

Na audiência virtual, Eloy Terena fez a defesa oral de Paris, onde cursa pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais da França

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Reconhecidamente um dos principais defensores das questões indígenas em Mato Grosso do Sul, o advogado da etnia terena, Luiz Henrique Eloy Amado, o Eloy Terena, de 32 anos, se tornou na quarta-feira passada o primeiro advogado autodeclarado indígena a vencer uma ação de jurisdição constitucional no Supremo Tribunal Federal (STF).

Eloy foi quem impetrou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Constitucional (ADPF) e conseguiu, por unanimidade, obrigar o Governo Federal a adotar medidas de proteção aos povos indígenas quanto ao risco de exposição ao novo coronavírus - que colocou várias aldeias pelo país, e não diferente em Mato Grosso do Sul, em alerta, registrando inclusive mortes.

A ação foi destacada como o "grito de socorro" dos povos indígenas, conforme o próprio advogado relatou durante a audiência. "Esta iniciativa é uma ação histórica, pois, pela primeira vez no âmbito da discussão constitucional, os povos indígenas vêm ao Judiciário em nome próprio, por meio de advogado próprio, defender o direito próprio", disse.

Na audiência virtual, Eloy Terena, que é nascido em Aquidauana, representava a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ele fez a defesa oral em Paris, capital da França, onde cursa pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais.

História

O caminho até a mais alta Corte do país foi cheio de percalços, segundo ele explicou em reportagem para o jornal O Estado de São Paulo. A mãe de Terena, Zenia, se separou do marido e se mudou para Campo Grande para que os filhos tivessem mais oportunidades.

Na época, as opções na aldeia eram estudar fora ou ir cortar cana, mas só os filhos dos caciques tinham oportunidade de estudar, lembrou o advogado. Trabalhando como faxineira, relatou, Zenia conseguiu sustentar a família na capital sul-mato-grossense e formar dois filhos advogados - Eloy Terena e a irmã, Simone.

Depois de estudar em colégios públicos, Terena passou no vestibular para Direito na Universidade Católica Dom Bosco e ganhou uma bolsa integral por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Estimulado pelo historiador Antonio Brandi - seu professor, já falecido, ex-pesquisador da UCDB e Fundação Ford - foi conhecer a realidade de outros povos indígenas.

Ele visitou várias etnias sul-mato-grossenses, entre elas os guaranis-kaiowá, em sua maioria localizados no sul do Estado. "Era uma realidade diferente da do meu povo que mal ou bem tem as reservas demarcadas. Os guaranis-kaiowá moravam acampados na beira da estrada, não tinham nada", comenta o advogado sobre suas experiências.

A partir dali, Terena começou a se interessar pelo Direito ligado às causas indígenas. "Tive que estudar tudo. Não tínhamos a disciplina ‘Direito Indígena’". Em seguida, fez mestrado na mesma universidade. Na defesa da tese, Terena relatou que enfrentou as primeiras hostilidades. 

Ele escolheu fazer a defesa em sua aldeia, em Aquidauana. A universidade aceitou. Mas, de acordo com ele, fazendeiros entraram com ação na Justiça para impedir a apresentação. Ele disse que, embora tenha ganhado a ação, os integrantes da banca examinadora não apareceram. "Depois soube que eles sofreram ameaças", afirmou.

Terena relatou que ele próprio sofreu ameaças, na época em que atuou como advogado do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), na defesa de índios alvo de ações de reintegração de posse. "Ser liderança indígena naquela região de conflitos já é um risco. Ser indígena e advogado que coloca para o exterior aquela realidade é ato de coragem", disse o secretário executivo do Cimi, Antonio Eduardo Cerqueira de Oliveira.

Novos ares

Foi depois de ganhar uma bolsa de pesquisa no Museu Nacional que Eloy partiu para o Rio de Janeiro, onde fez doutorado. Mesmo distante de Mato Grosso do Sul, ele disse que continuou sofrendo agressões - uma delas aconteceu em 2014, quando foi indiciado em uma CPI da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul por supostamente incitar retomadas de terra.

Para o líder indígena e escritor Ailton Krenak, mais do que uma vitória pessoal de Terena, o ganho do advogado no Supremo representa a ascensão de uma geração de jovens lideranças indígenas que saíram das aldeias para estudar e trabalhar, mas que, diferentemente de gerações anteriores, deu continuidade às causas dos povos.  

A sustentação oral feita por Eloy, na quarta-feira, foi motivo de elogios por parte de um ministro do STF. Ele gastou apenas nove dos 12 minutos aos quais tinha direito. Durante muitos séculos a qualidade de sujeito ativo de direito nos foi negada. Foi somente na Constituição de 1988 que pudemos estar em juízo defendendo seus direitos, afirmou, na sessão do Supremo.

*com informações do Estadão Conteúdo

espaço

Nasa divulga imagens da Terra feitas da missão Artemis II

A Artemis II tornou-se a primeira missão tripulada rumo ao satélite natural desde o fim do programa Apollo, em 1972

03/04/2026 22h00

Foto: Divulgação / Nasa

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A agência espacial americana (Nasa) divulgou nesta sexta-feira, 3, imagens do planeta Terra em alta resolução feitas pelos integrantes da missão Artemis II. Uma das fotos foi capturada da cabine da espaçonave Órion e mostra uma visão parcial do nosso planeta. O fotógrafo é o capitão da missão, o astronauta Reid Wiseman.

A segunda imagem mostra a Terra inteira. A Nasa descreveu a fotografia dessa forma: "Vemos nosso planeta natal como um todo, iluminado em tons espetaculares de azul e marrom. Uma aurora boreal verde chega a iluminar a atmosfera. Somos nós, juntos, assistindo aos nossos astronautas em sua jornada rumo à Lua".

O astronauta Jeremy Hansen mencionou "uma vista impressionante". "Nada te prepara para a emoção que te invade" no momento, confessou posteriormente sua colega Christina Koch.

Durante uma entrevista ao vivo concedida pela tripulação a emissoras de televisão e transmitida pelo sinal oficial da Nasa, ele descreveu uma Terra "iluminada como se fosse dia e banhada pelo brilho da Lua".

Acionamento de motores

Os quatro astronautas da missão Artemis II acionaram nesta quinta-feira, 2, os motores da nave e deixaram a órbita terrestre, onde permaneceram por quase um dia, para seguir rumo à Lua. É um feito inédito para a Nasa em mais de meio século.

"A humanidade voltou a mostrar do que somos capazes", disse o canadense Hansen, que embarcou na missão juntamente com três americanos.

Durante quase seis minutos, a nave Orion gerou o impulso necessário para deixar a órbita da Terra e seguir rumo à Lua.

Com o impulso potente, a Artemis II tornou-se a primeira missão tripulada rumo ao satélite natural desde o fim do programa Apollo, em 1972.

A presença humana no espaço estava limitada, desde então, às imediações da Terra, principalmente na Estação Espacial Internacional (ISS).

Localizada a mais de 384 mil quilômetros de distância, a Lua está mil vezes mais longe da Terra do que a ISS. A missão levará entre três e quatro dias para chegar ao satélite natural da Terra.

A Artemis II busca abrir caminho para um retorno à superfície lunar em 2028, mais de meio século depois das missões Apollo.

A tripulação não vai pousar, e sim orbitar a Lua, passando por trás de seu lado oculto na próxima segunda-feira, dia 6 antes de retornar para a Terra, no próximo dia 10.

(Com agências internacionais)

igreja católica

Encenação da Via Sacra chega à 38ª edição nas Moreninhas marcada por emoção de atores e fiéis

Centenas de pessoas acompanharam a tradicional encenação da Paixão de Cristo, em Campo Grande

03/04/2026 18h00

Encenação da Via Sacra reuniu centenas de fiéis nas Moreninhas

Encenação da Via Sacra reuniu centenas de fiéis nas Moreninhas Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A tradicional encenação da Via Sacra chegou a 38ª edição neste ano na Paróquia Nossa Senhora Aparecida das Moreninhas e reuniu centenas de pessoas na tarde desta sexta-feira (3), em Campo Grande. Atores e a comunidade católica definiram o momento como de fé e emoção.

Os ensaios começaram no mês de janeiro, com cerca de 30 voluntários, segundo a organização. A solenidade começou com a celebração da Paixão de Cristo, às 15h, sendo seguida pela Via Sacra, encenada no pátio da paróquia.

Gustavo de Oliveira, 22 anos, participa da encenação há 9 anos e este foi o primeiro em que interpretou Jesus.

"É muita emoção, é muito gratificante fazer a encenação. Hoje é um dos dias mais especiais para mim, que é interpretar um papel tão importante para mostrar para o povo um pouco da história de Jesus", disse.

"Eu moro na Moreninha, faço parte da paróquia e comecei fazendo papel de discípulo, depois comecei a me interessar mais, quis aprofundar e ter papel com falas, já fui Caifás, já fui Pilatos, já fui soldado, e sendo Jesus é um papel muito importante que é emocionante também", acrescentou.

Solange Araújo é evangélica e pela primeira vez participou de uma celebração católica para apoiar a filha, que participou da encenação da Paixão.

"Minha filha está começando a frequentar a igreja católica, vai fazer o papel no teatro e eu vim prestigiar, só sei que é a mulher que chora, aí a gente veio prestigiar, e bom incentivar os jovens hoje em dia a realmente seguir a vida cristã, muito bom esse legado", afirmou.

Solange acrescentou que a para os evangélicos a data também é importante, representando o renascimento. "A importância é o amor entre família, a convivência, o respeito entre todos", concluiu.

O padre Irineu Vieira Lima explicou a importância da Semana Santa para a Igreja Católica.

"É um tríduo, hoje se celebra o memorial da Paixão, da morte de Jesus Cristo. Nós vivemos com muita fé e fazemos memória, não é um teatro, a gente faz memória de Cristo, da morte dele, para culminar na sua ressurreição. Então hoje é um momento de muita fé, de saber que aquele que nos amou em primeiro morreu pelos nossos pecados, principalmente num mundo tão dilacerado pela discórdia, violência, ganância, Jesus nos mostra que para vencer esse mundo você tem que ser humilde, bom, simples. Então a importância de hoje é saber que o amor não foi acolhido, mas que precisa ser trazido todos os dias de volta, o amor é Deus, Deus é Jesus", disse o padre.

O líder religioso destaca ainda que a Sexta-Feira Santa faz memória de toda a trajetória de Jesus até a cruz, mas ressalta a importância da ressurreição, celebrada no Domingo de Páscoa.

"Ele morreu, mas não ficou na cruz, Ele morreu e ressuscitou, nossa fé é embasada na ressurreição. A cruz é o extremo da dor, da humilhação, porque Jesus foi humilhado em todos os aspectos, é na cruz que ele nos ora e nos perdoa, mas é na gruta, quando ele ressuscita, que ele nos mostra que a vida não é aqui, aqui é bom viver, mas o melhor ainda está por vir", acrescente padre Irineu.

Semana Santa

A Semana Santa celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo e se inicia no Domingo de Ramos e termina com a ressurreição de Jesus, no Domingo de Páscoa.  

Na Igreja Católica, o Tríduo Pascal teve início na Quinta-feira Santa (2), lembrando a última ceia de Jesus com seus discípulos, quando Ele anuncia que será morto.  

Na Sexta-feira Santa (3) Jesus é crucificado. Motivo de luto, esse é o único dia do ano que não se celebra missa, apenas se faz a celebração da morte com a Celebração da Paixão do Senhor, às 15h.

No Sábado (4), é celebrada a Missa Solene Vigília da Páscoa na Ressurreição.

A Semana Santa encerra com o Domingo de Páscoa (5), dia em que Jesus ressuscitou, segundo a crença cristã. Páscoa significa “passagem” da morte para a vida.

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