Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Delegada de MS cobra suspensão de plataformas após homicídio manipulado pela internet

Aos 13 anos, Lívia foi vítima de "panelas" virtuais e teve autoextermínio transmitido online por falha na moderação do Discord

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Titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), a delegada Anne Karine Sanches Trevizan Duarte cobrou na manhã de hoje (06) a suspensão de plataformas até devida adequação à legislação brasileira, após a morte de uma adolescente sul-mato-grossense de 13 anos ser transmitida virtualmente por grupos extremistas através das redes sociais. 

Ainda que os indivíduos relacionados com a morte da Lívia já tenham sido todos identificados, inclusive com um dos "chefes" da organização apreendido na Baixada Fluminense (RJ) tendo apenas 14 anos, mais diligências ainda seguem em curso para identificação de outras "panelas" no que compete o trabalho da Polícia Civil. 

Vale lembrar que na última terça-feira (04) a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), contando com a coordenação federal, em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP). 

Conforme manifestou a delegada na manhã desta quinta-feira (06), o verdadeiro fim desse tipo de crime está ligado à postura das plataformas que precisam cumprir o que estabelece a legislação federal. 

"A Polícia Civil em si não pode fazer nada. Quem precisa fazer isso são outras autoridades, que no caso seria a suspensão dessas plataformas até que elas se adequem à legislação brasileira", afirma a delegada. 

Anne Karine Trevizan bem ressalta que o Estatuto da Criança e do Adolescente voltado para a internet, o chamado "ECA Digital", ainda é recente e, por esse motivo, algumas plataformas ainda não se adequaram à legislação que entrou em vigor em março deste ano. 

Em resumo, o ECA Digital obriga que as redes sociais, site e jogos verifiquem a real identidade dos usuários com o fim da simples autodeclaração de idade, entre outros pontos que passam pela vinculação com perfis de responsáveis para contas de menores de 16 anos e até pela proibição de publicidade comportamental e coleta excessiva de dados de crianças e adolescentes. 

"Se houvesse essa adequação, não tivessem essas falhas, nós não teríamos visto um suicídio em tempo real, não veríamos uma adolescente matando animais e E automutilação sendo transmitidas ao vivo também", diz.

Ainda conforme divulgado hoje (06) pela delegada Anne Karine Trevisan, a investigação identificou que essa organização criminosa que opera em ambiente virtual é coordenada principalmente por adolescentes, sendo que o próprio único adulto preso nesta operação teria 18 anos e, portanto, praticava os crimes antes da maioridade penal.  

Relembre

Na manhã de 22 de julho, em Naviraí, distante aproximadamente 365 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul, Lívia foi encontrada sem vida pelos familiares após ter sido incitada ao autoextermínio por grupos extremistas.

O trabalho do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), identificou que esse caso inicialmente reportado como suicídio tratava-se, de fato, de um homicídio resultante de manipulação feita por organização criminosa no ambiente online.

Já nesta última terça-feira (04) foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a Operação Livia, através da qual foram cumpridas de forma simultânea, seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão contra um adulto.

Várias são as terminologias que esses envolvidos usam internamente, reunindo-se, por exemplo, nas chamadas "panelas" para prática dos crimes virtuais.

Antes desse momento, porém, os adolescentes acusados revelaram após apreensão que há toda uma "engenharia social" para cooptar as vítimas para exploração nas redes sociais. Operando de forma anônima, eles sequer saberiam as identidades ou localizações reais uns dos outros, criando inclusive perfis falsos com fotos de pessoas de outro sexo para conseguir atrair as vítimas. 

"Então eles começam a procurar pela família; onde estuda, e diante de todas aquelas informações, se passa por outra pessoa. Importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outro tipo de pessoa, de sexo, realmente para conseguir trazer a vítima".

Reunidos nas mais diversas plataformas, como por exemplo o Discord, os administradores desses grupos eram responsáveis por marcar o que chamavam de "evento". 

"Nessa noite que teve esse 'evento' (morte da Lívia), porque é assim que eles chamam dentro dos grupos nomeados por eles de 'panelas', ocorreu uma automutilação. Logo na sequência que é divulgado esse suicídio, porque não houve moderação, houve falha na plataforma Discord que não foram derrubados, teve essa automutilação em outro Estado", comenta a titular da Depca.

Segundo explicação dada pela delegada, é como se os administradores de cada "panela" se tornassem os donos dessas vítimas e que, apesar de não ser o caso de Lívia, há vítimas que se cortavam e tinham que escrever o nome do administrador com o próprio sangue.

"Para mostrar: 'eu sou de fulana de tal', porque elas eram obrigadas a fazer isso, porque elas estavam acreditando que vai acontecer algo", complementa. 

Entenda

Através da Operação Lívia uma grande quantidade de material foi apreendido, evidenciando uma verdadeira organização criminosa para manutenção de escravas virtuais, o que atingiria principalmente meninas. 

Essas vítimas seriam manipuladas e pressionadas até a prática do suicídio, que eram transmitidos para várias pessoas por meio das redes sociais. 

Essas "panelas" virtuais competiriam por "hype", uma hierarquia de popularidade medida através de atos de violência cada vez maiores, que davam status para seus integrantes que inclusive repassavam o passo a passo para as vítimas "do que" e "como" fazer.

Alguns desses alvos vitimados recebiam bonificações conforme avançavam no "jogo" ao cumprirem os atos de "luz". Justamente a recusa de Lívia de encarregar-se de fazer a "luz" e matar seu próprio gato foi o "estopim" da morte da adolescente em MS

"A Lívía antes de se matar ela tinha que fazer o que eles chamam de 'Luz', que é a agressão. Ela tinha que matar o gato dela e não cumpriu o que deveria ter cumprido. É como se eles estivessem jogando um videogame... tem que passar de fase", explica a delegada.

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas era alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas era alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 

Segundo a delegada, foi o adolescente infrator apreendido no Rio de Janeiro o responsável por repassar e determinar as coordenadas para Lívia, fornecendo esse "passo a passo" para a vítima sul-mato-grossense. 

Sobre o esquema, é esclarecido ainda que para além da satisfação pessoal com o sofrimento das vítimas, esses indivíduos ganhavam "status" e valores inclusive eram pagos para que as pessoas praticassem determinados atos, bonificadas após uma automutilação ou maus-tratos animais. 

"O adolescente infrator que foi apreendido na Baixada Fluminense deu pra ela, ele determinou, todas as coordenadas que Lívia teria que fazer para se suicidar", completa a delegada.

Esses indivíduos devem agora responder pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e possivelmente também pelos maus-tratos contra animais. 

 

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SAÚDE

Baixa vacinação contra gripe em MS reforça recomendação de especialistas em Brasília

Evento na Capital Federal debateu importância da vacinação, explicou o funcionamento do sistema imunológico e destacou os avanços da ciência

06/08/2026 12h25

Roda de conversa com especialistas da área da saúde, durante o evento

Roda de conversa com especialistas da área da saúde, durante o evento "Uma Aventura Imunológica - Nosso Corpo, Nosso Mundo", em Brasília (DF) Foto: Naiara Camargo

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Cobertura vacinal contra Influenza está baixa em Mato Grosso do Sul.

Dados divulgados pelo Boletim Epidemiológico, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), apontam que 49,37% sul-mato-grossenses estão vacinados contra gripe, o que representa praticamente metade da população do Estado.

A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 90%. Com isso, é necessário reforçar as campanhas de imunização contra o vírus, tendo em vista que 5.341 casos foram notificados e 98 pessoas morreram vítimas da doença em MS.

O tema foi abordado durante o evento "Uma Aventura Imunológica – Nosso Corpo, Nosso Mundo", na última terça-feira (4), em Brasília (DF), onde especialistas reforçaram a importância da vacinação, esclareceram dúvidas sobre imunizantes e destacaram os avanços da ciência no desenvolvimento de novas vacinas e tratamentos.

A reportagem do Correio do Estado foi até a Capital Federal participar da roda de conversa e acompanhar o debate sobre o papel das vacinas e como o sistema imunológico atua na proteção do organismo.

VACINAÇÃO

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação estimula o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa contra um determinado microrganismo, como vírus ou bactérias.

Assim, quando um ser humano entra em contato com o agente causador da doença, o organismo já está preparado para combatê-lo, reduzindo o risco de adoecer ou de desenvolver formas graves da doença.

A vacina é uma das medidas mais eficazes para prevenir doenças, salvar vidas, reduzir mortes, proteger a saúde individual e coletiva, controlar o espalhamento de doenças e diminuir gastos com tratamentos e hospitalizações.

De acordo com a head de imunologia da Biofarmacêutica Sanofi, Daniela Carlini, a vacina serve para proteger a si mesmo e aos outros.

“[Precisa tomar a vacina] porque eu não sei quem é a pessoa que vai desenvolver a reação grave. Eu não sei quem é o ser humano que não vai combater aquele vírus e vai desenvolver um quadro grave e vai levar à morte. Por isso que a gente precisa fazer uma vacinação e fazer com que as pessoas todas sejam vacinadas. A vacina não é individual. A vacina também é para evitar a transmissão. [Se eu me vacinar], eu não transmito para o meu filho, eu não transmito para o meu avô, eu não transmito para nenhum daqui”, explicou.

Diretora médica de vacinas da Sanofi, Sheila Homsani, ressaltou a importância da vacinação, lembrando como o imunizante contra Covid-19 salvou a humanidade.

“A gente viu com a Covid o quanto a vacina foi importante. As pessoas choravam quando a vacina chegou. A gente estaria aqui se não tivesse tido a vacina de Covid? Eu acho que contra fatos não há argumentos, que é o fato. Depois da pandemia de Covid e de gripe, a gente está aqui hoje por causa das vacinas, não tenha dúvida”, opinou.

Ela ainda compartilhou que uma vacina contra acne está sendo desenvolvida.

“Ninguém vai morrer de acne, mas isso pode afetar o resto da vida desse indivíduo que ficou ouvindo bullying. Quantas crianças não sofreram bullying porque tinham acne? Então a gente está desenvolvendo uma vacina para acne. Isso para mim, assim, era uma coisa que eu nunca nem pensei que a gente conseguiria. E a gente tá na fase 2 desse projeto. Vacina leva tempo, medicamento leva tempo, é uma pesquisa ainda. Pode dar muito certo, pode dar muito errado. Mas a gente está tentando”, explicou.

Confira quais vacinas o ser humano deve tomar ao longo da vida:

RECÉM-NASCIDOS

  • BCG
  • Hepatite B

CRIANÇAS

  • Pentavalente
  • Poliomielite
  • Rotavírus
  • Pneumocócica
  • Meningocócica
  • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
  • Varicela (catapora)
  • Hepatite A
  • Febre amarela (em áreas ou situações recomendadas)

ADOLESCENTES

  • HPV
  • Meningocócica ACWY
  • Reforços de difteria e tétano (dT)
  • Atualização das vacinas do calendário infantil, se necessário

ADULTOS

  • Reforço contra difteria e tétano a cada 10 anos
  • Hepatite B (para quem não foi vacinado)
  • Tríplice viral, conforme idade e histórico vacinal
  • Febre amarela, quando indicada
  • Influenza (gripe), especialmente para grupos prioritários e, em muitas campanhas, para toda a população elegível
  • COVID-19, conforme as recomendações vigentes

IDOSOS

  • Influenza (anualmente)
  • COVID-19, conforme as recomendações
  • Pneumocócica, quando indicada
  • Reforços de difteria e tétano
  • Herpes-zóster, conforme disponibilidade e indicação

GESTANTES

  • dTpa (proteção contra difteria, tétano e coqueluche)
  • Influenza
  • Hepatite B (se necessário)
  • COVID-19, conforme recomendação

Manter a carteira de vacinação atualizada em todas as fases da vida é essencial para garantir uma proteção contínua e ajudar no controle de doenças evitáveis.

VACINAÇÃO EM MATO GROSSO DO SUL

Dados divulgados pela SES-MS apontam que a cobertura vacinal em Mato Grosso do Sul é de:

  • HPV: meninas 84,57% e meninos 79,07% - dados atualizados em 31 de julho de 2026
  • FEBRE AMARELA: 102,86% de 6 meses a 59 anos - dados atualizados em 31 de julho de 2026
  • COVID-19 MONOVALENTE: 84,75% para duas doses - dados atualizados em 24 de abril de 2026
  • INFLUENZA: 49,37% - dados atualizados em agosto de 2026

SISTEMA IMUNOLÓGICO

De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Imunológico é o conjunto de órgãos, células e moléculas responsáveis por defender o organismo contra doenças (vírus, bactérias, fungos, parasitas e outros agentes invasores).

Ele combate e elimina esses microrganismos e cria memória contra infecções enfrentadas anteriormente.

Após o primeiro contato com um microrganismo, o organismo produz células de memória. Se o mesmo agente invadir novamente, a resposta será mais rápida e eficiente.

A inflamação, que é uma resposta do sistema imunológico, que, em condições normais, atua na defesa do organismo contra parasitas e agentes externos. Mas, em situações anormais, a resposta se torna crônica ou desregulada.

Doenças inflamatórias do tipo II são condições crônicas causadas por uma reação exagerada do sistema imune, como asma, dermatite atópica e esofagite eosinofílica.

“O desenvolvimento de novos medicamentos que atuam no sistema imunológico cresce a cada dia. Hoje, entendemos que a inflamação é uma resposta imunológica importante, mas o problema é quando ela fica descontrolada ou crônica. Isso mudou completamente a forma como pensamos em tratamentos”, explicou a head de estudos clínicos da Sanofi, Viviane Rezende.

Como o Sistema Imunológico protege o organismo:

  • Barreiras físicas e químicas: pele, mucosas, lágrimas, saliva e o ácido do estômago dificultam a entrada de microrganismos
  • Resposta imunológica inata: atua rapidamente por meio de células como os fagócitos, que englobam e destroem os invasores
  • Resposta imunológica adaptativa: envolve os linfócitos B (produzem anticorpos que reconhecem e neutralizam vírus e bactérias) e linfócitos T (destroem células infectadas e coordenam outras células de defesa)

Como manter o Sistema Imunológico saudável:

  • Alimentação equilibrada
  • Prática regular de atividade física
  • Sono de boa qualidade
  • Controlar o estresse
  • Boa higiene
  • Vacinação em dia
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool
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EDUCAÇÃO BÁSICA

Secretário acha "ridícula" comparação de notas do Ideb entre Estados

Hélio Daher diz que Mato Grosso do Sul realizou a prova do Saeb em todas as escolas, enquanto outras federações aplicaram a avaliação em apenas uma parte do todo para elevarem a nota

06/08/2026 12h00

Secretário Estadual de Educação, Hélio Daher, apresenta os dados de MS no Ideb

Secretário Estadual de Educação, Hélio Daher, apresenta os dados de MS no Ideb Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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Em coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (6), o secretário de Educação de Mato Grosso do Sul, Hélio Daher, avaliou de forma positiva o avanço das notas do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), e diz estar tranquilo com o fato de MS estar abaixo da média nacional, mas que é importante alcançar as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE).

O titular da pasta explica que, ao invés de avaliar menos de 30% dos alunos (geralmente os melhores), como muitos estados fazem, Mato Grosso do Sul expandiu a participação da Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), prova que serve para verificar o nível das escolas privadas e públicas das unidades federativas, para 90% dos estudantes. Segundo o secretário, todas as escolas, incluindo as indígenas, fizeram a prova, e isso impacta o resultado, mas oferece um diagnóstico mais real da rede de ensino.

Os gestores que adotam este método alternativo, de avaliar apenas uma parte do todo, podem ludibriar a sociedade e mostrar que está tudo bem, quando na verdade a realidade é outra. O secretário de Educação diz que há "colegas", os quais ocupam o mesmo cargo, que se preocupam muito com o ranking, porém a "meritocracia" só seria justa se todos partissem do mesmo ponto de partida.

"Então eu acho meio ridículo ficar se comparando (com outros estados) quando você sabe que tem outros dados ali a serem considerados (como o número de alunos participantes). Há uma confusão, e às vezes até no interesse de publicamente dizer que está muito bem, mas se eu não avaliar todo mundo, se eu não for sincero com a minha rede, eu posso estar te entregando um dado que é legal, mas estou deixando alguma criança para trás e é o que o Mato Grosso do Sul não vai fazer", disse Hélio Daher.

O secretário destacou que todas as escolas no Estado passaram pelo Saeb e que alcançar a meta do Plano Nacional de Educação é um objetivo a ser cumprido em MS.

"A meta (do PNE) é importante porque ela nos dá uma baliza de onde a gente tem que chegar. Eu fico muito tranquilo em dizer para vocês que o Mato Grosso do Sul é justo e real com o seu dado. E é óbvio que a gente entende que nós temos que continuar melhorando, mas a gente de forma alguma vai propor um crescimento muito agudo pra tentar atender a expectativa e não ser real com o estudante", disse o secretário de Educação

Para ele, o importante é a criança estar na sala de aula e ter a aprendizagem com qualidade. "Então esse dado para nós é importantíssimo, a gente tem ali a meta a alcançar, mas primeiro, a gente não olha para o lado. Eu tenho que olhar para mim, olhar o quanto estava e o quanto estou caminhando, que é o que a gente faz aqui".

O secretário também destaca que Mato Grosso do Sul obteve o melhor resultado histórico no IDEB, superando os índices pré-pandemia de 2019.

Notas de MS

Mato Grosso do Sul apresentou avanços na educação escolar, tanto na rede pública quanto privada, mas ainda continua abaixo das metas e da média nacional, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados nesta quarta-feira (5).

Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025, revelam o desempenho da educação básica brasileira, calculados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Divulgada a cada dois anos, a avaliação do Ideb é dividida em três níveis de escolaridade, sendo ensino fundamental anos iniciais, ensino fundamental anos finais e ensino médio.

Mato Grosso do Sul avançou em todos os níveis, apresentando uma crescente nos últimos anos.

De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental anos iniciais do Estado passou de 5,4 para 5,7. A média nacional é de 6,3, enquanto a meta é de 6.

No ensino fundamental anos finais, o índice de Mato Grosso do Sul passou de 4,6 para 4,9. O País fechou com Ideb de 5,3 e a meta de 5,5.

Já o Ensino Médio foi o que teve o maior salto, passando de 3,8 para 4,2, o que ficou próximo da média nacional, de 4,5, mas ainda longe da meta de 5,2.

 

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