Cidades

PEDEM PROVIDÊNCIAS

Deputados repudiam caso de criança negra agredida por pai de aluno

Requerimento foi encaminhado ao secretário de Justiça para apurar a agressão e possível racismo

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O caso em que um homem de 32 anos agrediu uma criança negra de 4 anos, após a menina abraçar o filho dele, repercutiu entre os deputados estaduais, durante a sessão desta quarta-feira (13) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

A agressão aconteceu na última segunda-feira (11), na Escola Municipal Profª Iracema de Souza Mendonça, localizada no bairro Universitário, em Campo Grande. Além da criança, a diretora da escola também foi agredida quando registrava o ocorrido em ata escolar.

Na Assembleia, a deputada Gleice Jane (PT) trouxe o caso a tona ao apresentar um requerimento ao secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, pedindo a apuração "rigorosa e imediata dos fatos".

"Há notícias que o agressor, além de invadir a escola, admitiu ter instruído o filho a agir com violência caso a menina se aproximasse, demonstrando conduta reprovável e possivelmente criminosa", disse a deputada. Ela ressaltou o fato de haver postagens nas redes sociais do agressor com símbolos nazistas e a frase "morte a negrada".

Dessa forma, a deputada requereu que seja feita uma investigação completa e detalhada sobre a agressão, as motivações e a possível incidência dos crimes de racismo, violência infantil, incitação de violência contra a mulher e desacato a servidor público.

Gleice Jane pediu também que haja encaminhamentos para abordagem psicossocial de todos os envolvidos.

Pedro Kemp (PT) também usou a tribuna para repudiar o caso e pedir investigação rigorosa.

"Não podemos deixar de nos manifestar e cobrar das autoridades, no caso, da polícia e do Ministério Público, providências e que as medidas possam coibir esse tipo de comportamento deplorável que acontece infelizmente todos os dias no nosso país", disse.

"Nós não podemos admitir que ainda haja pessoas que tentam inferiorizar outras pessoas por conta da cor da sua pele, não podemos admitir que haja qualquer comportamento que possa ferir a dignidade da pessoa humana por conta da cor", acrescentou.

Kemp também ressaltou as postagens feitas pelo agressor, com símbolos nazistas e frases racistas.

"Daí a gente pode fazer avaliação de que tipo de pessoa é essa, uma pessoa simpática ao nazismo, portanto um nazifascista, uma pessoa que publica cartaz "morte a negrada" é uma pessoa criminosa e que ainda admitiu na sala da diretora da escola que ele orientou seu filho a bater na menina se ela se aproximasse. Ninguém pode agredir outra pessoa por conta da cor da pele, discriminação racial é crime e tem que ser punido na forma da lei", comentou.

O deputado Pedro Caravina (PSDB) somou ao debate. "Devemos combater o racismo de todas as formas. Não sei o posicionamento do delegado de polícia, mas ele vai analisar dentro da legalidade o enquadramento jurídico dentro do Código Penal e temos que somar nesse ideal de combater qualquer discriminação".

O deputado Professor Rinaldo Modesto (Podemos) lembrou que há um projeto de lei tramitando na Assembleia que institui a Política Estadual de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Desportivas do Estado de Mato Grosso do Sul e cria o Protocolo de Combate ao Racismo, a ser realizado nesses locais.

"A prova inequívoca que temos que combater o racismo de todas as formas, é que temos um projeto sobre a questão do racismo nas praças esportivas. Nunca vou discriminar ninguém, temos que respeitar as pessoas como ser humano", declarou.

O caso

Imagens de câmeras de monitoramento flagraram a situação de agressão.

Enquanto alunos se perfilavam para início de mais um dia letivo, a menina chega e abraça o colega, que estava na fila.

Pouco depois, o pai do menino chega, empurra a criança e aponta o dedo, proferindo palavras contra a criança e levando o filho embora.

Segundo informações da Polícia Civil, o autor voltou em seguida à unidade após levar o filho embora, indo até a sala da diretora, que também foi agredida e registrava o ocorrido em ata escolar. 

Na sala da diretora, ele teria dito ao filho que se caso a menina ou qualquer outra criança se aproximasse dele, que ele poderia bater.

Diante da agressão, a Guarda Civil Metropolitana foi acionada e levou os envolvidos para a delegacia, onde foi lavrado termo circunstancial de ocorrência, registrada como "contravenção de vias de fato". 

Na delegacia, o homem teria dito que o filho tem fobia de abraço e toque.

A tese de possível racismo ganhou força após publicações nas redes sociais creditadas ao autor da violência evidenciarem posturas violentas e racistas, inclusive através da disseminação de suásticas, símbolo adotado pelo regime de Adolf Hitler durante a empreitada nazista de supremacia branca do ditador. 

O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca).

DOURADOS

Irmãos colocam dedo no peito de policial e ameaçam vizinha em MS

A discussão começou por causa de um som automotivo na noite deste sábado (13)

13/09/2026 12h00

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Dois irmãos, identificados Franklim Lima Parron Garcia e André Lima Parron Garcia, de 43 e 46 anos respectivamente, foram presos em flagrante após ameaçarem uma vizinha, que teria reclamado do som alto, e por desacatarem policiais militares durante o atendimento da ocorrência no bairro Jardim Rasslem, em Dourados.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para ir até a residência da vítima por volta das 22h50 deste sábado (12), para atender um caso de perturbação de sossego.

A vizinha relatou que estava em sua casa junto com seus filhos, sendo duas meninas, uma de 17 e outra de 9 anos, e um menino, de 14 anos, quando seu vizinho ligou o som automotivo em alto volume.

Ela relatou aos policiais que pediu para que Franklim baixasse o volume, mas ele teria aumentado ainda mais, pulado dentro de seu quintal e batido na porta repetidas vezes dizendo "abre aqui essa porta, você não é a gostosona, abre aqui".

A vítima relatou ainda que era possível ouvir o filho do vizinho gritando "pai não pula não, não faz isso pai" e depois "pai volta aqui, ela vai chamar a policia". Após a mulher se recusar a abrir a porta e Franklim ouvir ela chamando a polícia, ele pegou um tijolo e jogou em direção a sua porta.

Após ouvir o relato da vítima, os policiais foram até a casa de Franklim que teria se apresentado junto com André, relatando que estava testando o som automotivo quando a vizinha pediu para baixar o volume.

Enquanto os policiais faziam os procedimentos em relação ao suspeito, André ficou na calçada da vizinha com os braços cruzados e encarando a mulher que aguardava no portão de casa.

Os policiais teriam dado ordem para que ele saísse de lá porque a mãe e a filha estavam com medo. Neste momento, André se aproximou de uma militar dizendo "essa vizinha está se achando só porque é mulher, ela vai ver o dela".

Questionado pela policial sobre o que disse, teria apontado o dedo em direção a militar e falado "você é prevalecida só porque é mulher, vai à merda". Neste momento, foi dada voz de prisão ao homem, que desobedeceu e voltou para dentro da casa. Um reforço foi solicitado e quando Franklim ouviu que tinha mais viaturas vindo, chamou o irmão à frente.

Ao retornar estaria sorrindo e teria dito "vocês não sabem com quem estão mexendo, vocês vão se f*der".

Enquanto André estava sendo algemado, Franklim começou a gritar com a equipe policial perguntando "cadê as câmeras de vocês?" "vocês estão gravando?", momento em que ele colocou o dedo indicador no colete do policial, em tom ameaçador, dizendo "vocês estão ferrados".

Foi dada ordem para que Franklim se afastasse, porém foi desobedecida e novamente tentou colocar a mão no colete do policial. Após se recusar pela segunda vez, o homem foi preso.

Os dois foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para que seja investigado o caso, registrado como ameaça agravante em caso de vítima mulher, violação de domicílio, dano, desobediência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio.

CASO MASTER

PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça

13/09/2026 10h30

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos" e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi, então, que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.

Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.

O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundos os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores da PF.

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

'Daniel e os leões'

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).

A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
 

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