As escolas de Mato Grosso do Sul amanheceram mais cheias do que o esperado na manhã desta quinta-feira (20). Apesar das supostas ameaças de massacre previstas para a data de hoje, parte significativa dos estudantes das escolas estaduais não se renderam às ameaças.
Ao Correio do Estado, a Secretaria de Estado de Educação (SED) informou que, com base nos números recebidos até o momento, a presença dos alunos ficou um pouco abaixo da média, no entanto, o número de faltas foi de apenas 30% na Rede Estadual de Ensino.
"A presença dos nossos estudantes costuma ser entre 80% e 90%, até o momento - com base nos números que recebemos - está na casa dos 60%, um pouco abaixo da média de presença. Isso, claro, considerando toda a Rede Estadual de Ensino”, informou a secretaria.
A professora e presidente do Conselho Estadual de Educação, Celi Correa Neres, falou sobre a importância da população confiar nas políticas de segurança que estão sendo implementadas nas escolas.
“É muito importante que os pais confiem nas medidas de segurança que estão sendo realizadas nas escolas. É preciso mostrar que, apesar de tudo, a escola continua funcionando e recebendo seus alunos”, afirmou a educadora.
Além disso, a professora explicou que o período está servindo, de certa forma, para que as instituições de ensino reflitam sobre o ambiente escolar e discutam questões importantes para a sociedade.
“Muitos estão usando esse episódio para mostrar que é possível discutir a respeito das diferenças, da cultura da paz e desenvolver um ambiente mais acolhedor”, finaliza Celi Correa.
A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação, a fim de fazer um levantamento sobre as faltas registradas na Rede Municipal de Ensino (REME), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
“Dia S”
Realizado pela Secretaria de Estado de Educação (SED) em parceria com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o “Dia S” tem como objetivo levar reflexão sobre o atual momento vivido pelos estudantes, pais e equipe escolar. A ação é válida para todas as unidades da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul.
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, a segurança nas escolas das redes pública foi redobrada no período matutino e vespertino com a presença de policiais civis e militares. As ações de segurança vão até às 17h20.
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) também está realizando rondas nos perímetros das instituições de educação, com destaque para aquelas que apresentam maior número de alunos matriculados ou já foram notificadas com algum episódio de violência.
Ao decorrer do dia, as escolas também colocaram em prática atividades para que os estudantes tivessem momentos de diálogo e reflexões sobre as relações com os espaços escolares.
Medidas de segurança
O Centro de Operações de Segurança Integrado (COSI) é responsável pelo monitoramento de 298 escolas estaduais pelo Estado por meio de 1.800 câmeras de segurança. Cada escola tem, em média, de duas a oito câmeras instaladas em pátios e corredores.
Além disso, cada estabelecimento de ensino possui o “botão do pânico”, que pode ser acionado por servidores cadastrados em casos de emergência, ataque ou conflito. O tempo de resposta até a chegada da equipe de segurança responsável é de 6 a 10 minutos.
Quando acionado, uma equipe especializada do COSI é enviada para o local, e, se necessário, viaturas da Polícia Militar (PMMS), Guarda Civil Metropolitana (GCM), Corpo de Bombeiros (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) serão empenhadas para atender a ocorrência.
O coordenador do Programa Escola Segura, Família Forte, Valson Campo do Anjos, informou que o programa visa atender chamados de emergência de 122 escolas em Campo Grande, sendo 72 estaduais e 50 municipais.
“Nós acompanhamos todos os chamados de ameaça. As viaturas do programa estão disponíveis em todas as regiões da cidade e acompanham as solicitações em tempo real através de grupos”, informou o coordenador.
Apesar da preocupação, o subtenente da Polícia Militar Armindo Santa Cruz, fez um apelo para que a população, em especial os responsáveis, não acreditem nas fake news e confiem nos protocolos de segurança que estão sendo realizados nas escolas.
“Pedimos que não acreditem em notícias falsas e confiem no serviço da segurança pública. Estamos presentes nas escolas que apresentaram avisos de ameaças, realizamos revistas nos períodos que mais apresentaram casos de violência, que é nos horários de entrada e na saída, e também fazemos acompanhamentos internos”, explicou o subtenente.



