Depois de meses marcados pela falta de chuva, o Pantanal do Nabileque, na região de Corumbá, voltou a ter áreas tomadas pela água após as chuvas dos últimos dias. Um vídeo gravado na região mostra uma propriedade rural com a água passando sobre o aterro e impedindo o acesso por terra. O cenário chama atenção justamente pelo contraste com o período de estiagem que marcou o Pantanal e ocorre no início de uma temporada em que a previsão aponta para mais chuva em Mato Grosso do Sul.
Em Corumbá, a Defesa Civil registrou 80,8 milímetros de chuva em 24 horas até a manhã de segunda-feira (5). A precipitação provocou pontos isolados de enxurrada e alagamento no município.
O episódio no Nabileque, porém, não significa que uma grande cheia já tenha se instalado no Pantanal. A régua de Ladário, uma das principais referências para acompanhar o comportamento do Rio Paraguai na região, marcava 1,20 metro nesta terça-feira (6), com elevação de 5 centímetros em relação à medição anterior.
O nível ainda está distante das marcas observadas em anos de cheias mais expressivas. No fim de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontava que o Rio Paraguai permanecia dentro da faixa de normalidade, mas abaixo da mediana histórica para o período.
A mudança rápida entre períodos de pouca água e episódios de chuva intensa expõe uma das características mais marcantes do Pantanal: o nível dos rios e a quantidade de água espalhada pela planície podem mudar conforme o comportamento das chuvas nas diferentes partes da bacia.
No caso do Nabileque, a água registrada nas imagens pode estar relacionada às chuvas que atingiram a região e ao escoamento local, sem necessariamente representar uma elevação generalizada do Rio Paraguai.
O próprio monitoramento oficial mostra que o comportamento do rio ainda é desigual ao longo da bacia. Enquanto pontos do sistema apresentam elevação após as chuvas recentes, a régua de Ladário permanece em patamar relativamente baixo.
A situação exige acompanhamento porque o Pantanal pode responder às chuvas de forma diferente conforme o local e o volume acumulado nas cabeceiras e afluentes. O que hoje aparece como alagamento localizado pode ganhar outra dimensão caso os volumes de chuva se mantenham elevados nas próximas semanas.
Mais chuva
O cenário pode mudar conforme as chuvas avancem pelas bacias que alimentam o Pantanal. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas acima da média histórica no Estado durante outubro.
Para o trimestre de mês de número 10 a dezembro, o quadro climático também está associado ao avanço do El Niño, fenômeno confirmado em junho e que, segundo o Painel El Niño 2026-2027, tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
O fenômeno não permite prever, sozinho, uma cheia no Pantanal, mas altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. Por isso, os órgãos federais que acompanham o El Niño recomendam atenção contínua às condições meteorológicas e hidrológicas.


