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entrevista

"É possível o anúncio de mais uma fábrica de celulose no meu mandato"

Eduardo Riedel fala dos desafios de seus primeiros meses de administração, da discussão sobre a preservação do Pantanal e de como está otimista com investimentos na área da celulose

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Prestes a completar quatro meses à frente do governo de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel já vai implementando sua marca na gestão estadual. Nesta semana, ele deve anunciar novidades que estão ligadas a programas sociais e de infraestrutura.

Mas Riedel tem temas mais complexos para resolver. Um deles é a concessão de rodovias e de ferrovias federais, que não podem ser um entrave para a logística de Mato Grosso do Sul. 

Ele também tem dedicado esforços para implementar uma política pública que reduza o temor da violência nas escolas. Quanto ao meio ambiente, está trabalhando em um projeto que concilie o apelo para a preservação do Pantanal e o desenvolvimento dos municípios que estão em seu entorno. 

Apesar dos desafios, está otimista e acredita que, ainda em seu mandato, mais uma gigante da celulose anunciará investimentos bilionários no Estado e que a unidade de fertilizantes da Petrobras (UFN3) será retomada. 

 
Como está a relação do PSDB com o aliado PP? A gente percebe que o PSDB hoje é um partido consolidado no Estado, o que tem mais prefeituras, e que o PP tem um plano de avançar. Como mediar essa disputa por espaço dentro da aliança?

Acho que foi até por isso que o Marco Aurélio Santullo [presidente do PP] deixou o governo. Foi para liderar esse processo político no PP, justamente para ter o ponto focal: a pessoa que possa sentar com o presidente do PSDB, com a diretoria do diretório do PSDB, e discutir essas alianças no âmbito municipal, né?

Está sendo tratado na mesa de conversa. Onde a gente conseguir convergência de grupos, ótimo.
 
Sim, mas é possível que eventualmente possa haver disputa entre PP e PSDB em alguns municípios?

Pode ser que em alguma cidade tenha uma disputa, mas sempre com um padrão ético. A disputa é natural, a democracia é isso. Portanto, essa aliança está sendo tratada de uma maneira tranquila, natural e com diálogo. 

O debate sobre o possível avanço das monoculturas no Pantanal tem ganhado escala, ao mesmo tempo em que o bioma tem aumentado sua projeção mundial, seja pelo apelo ambiental ou turístico. Como o governo está lidando com isso?

O Pantanal é um bioma único, tem uma biodiversidade muito grande e é muito representativo para todo o território de Mato Grosso do Sul: tem quase um terço do nosso território e tem de ser tratado sob essa perspectiva.

É um grande ativo que Mato Grosso do Sul tem e tem de ser explorado da maneira correta. 

E qual seria essa maneira? Plantando soja no Pantanal? Não. Há quem fale de determinadas culturas no Pantanal, mas elas são inviáveis pela natureza do que é o bioma.

A gente tem de adotar os mecanismos de proteção, de garantia que essa riqueza, que essa biodiversidade desse bioma seja mantida, mas com respeito e garantindo a viabilidade das pessoas que moram lá. Mas, claro, a gente não pode esquecer que o “bicho homem” está lá dentro, que é o pantaneiro, e que há uma cultura por trás disso.

E é essa cultura, a habitação humana, que muitas vezes garantiu o Pantanal estar do jeito que está. Então temos todos de tomar um pouquinho de cuidado. Quando se fala em fazer estrada no Pantanal, há pessoas que dizem: “Sou contra estrada no Pantanal”. Mas e as pessoas que estão lá? Essas são obrigadas a ficarem isoladas?

A demorarem três dias para chegar a uma cidade mais próxima? Então, até nos lugares mais remotos do mundo é necessário ter o mínimo de infraestrutura, de maneira adequada, sem poluir, com energia renovável.

Tudo isso deu condição para as pessoas que estão lá terem o mínimo da maneira correta. Essa foi a visão que tivemos, por exemplo, com o Ilumina Pantanal, que é um projeto que se viabilizou da maneira correta, adequada, sem poluir, com energia renovável, e deu condição de as pessoas que estão lá terem o mínimo.

Essa é a visão em relação ao Pantanal e a diretriz que vamos assumir enquanto política pública.

E quanto à política de zoneamento agroecológico? Ela já existe? Como o Estado encara essa possibilidade de haver monocultura no Pantanal?

Temos diferentes pantanais, e essa é uma discussão pertinente. Há um peri-Pantanal. Temos também o Pantanal da Nhecolândia, o Pantanal do Abobral, do Nabileque, lá em cima, depois do Taquari.

E em uma grande parte do Pantanal não cabe nenhum tipo de atividade agrícola em escala. Nem que se queira, é economicamente inviável, é impossível.

Aí temos uma região do peri-Pantanal, que está próxima ao Pantanal, mas em que existem algumas iniciativas, porque o risco é alto, a tecnologia não é dominada. Pelo fato de isso ter acontecido agora, gera toda uma discussão em torno da agricultura, e essa discussão é legítima.

O governo tem de estar atento a isso, e nós já estamos trabalhando e estudando em cima dessa discussão para garantir que o Pantanal tenha sua preservação. Para que isso não ocorra, não se expanda nessa região.
 
Mas já há plantio de soja em rios da Bacia do Rio Paraguai. O que é necessário então é uma delimitação?

Sim, temos duas grandes bacias, a do Rio Paraná e a do Rio Paraguai. Para o sudoeste do Estado temos Jardim, Caracol, Bela Vista, Guia Lopes, Anastácio. A agricultura cresceu nessas cidades. Agora, de fato, o manejo nelas é diferente.

Sim, e no caso de Bonito, por exemplo, tem a preocupação com o turismo, tivemos o problema do turvamento das águas...

Os setores têm de dialogar. Temos de ter muita rigidez com plantações em Bonito, com tecnologias de manutenção do solo. Tem de ser plantio direto, tem de fazer curva de nível. Não se pode abrir mão disso. E a fiscalização tem de estar atenta a isso.

Agora fazendo uma ponte para o Parque das Nações Indígenas e o Bioparque. O que vocês têm em mente? Fazer um parque que agregue atrações pagas e gratuitas, culturais, científicas e esportivas?

A ideia é criar um espaço multicultural. Um espaço que faça menção e uma homenagem ao nosso bioma Pantanal. O Bioparque já é algo muito forte nisso, né? Mas que a gente traga todas as influências culturais para dentro desse parque, desse complexo, é um atrativo, né?

Das mais diversas naturezas ali. Pretendemos entregar para quem sabe fazer, para quem conhece do assunto, sem tirar do cidadão um espaço que é de uso gratuito. Se a pessoa quiser correr, vai lá, não vai ter problema nenhum.

“Ah, mas e se ela quiser andar de roda-gigante?”. Tudo bem, ela adquire um tíquete. Também terá um restaurante, um bar, água de coco. Então, a ideia é pensar o Parque das Nações como um espaço absolutamente central para o bem-estar da população como um todo.
 
E o edital, sai ainda neste ano?

De repente é possível. Essa é uma parceria nossa com o BNDES. O BNDES esteve aqui com toda a sua diretoria, passamos dois dias trabalhando com a equipe, tive uma reunião com eles.

E eles já estão definindo quem vai fazer o estudo. Será uma licitação internacional, por isso agora eles vão fazer o estudo de viabilidade para nós colocarmos em leilão lá na frente. Acho difícil executar neste ano, mas a contratação do estudo, a execução do estudo, sai, sim.

Então, quando se faz o estudo, é como mostrar um diamante bruto a ser lapidado, que pode gerar um x de rendimento para quem se interessar.

Aí se escreve um edital baseado no estudo e vamos para a concessão, para o leilão com o edital. Mostramos ao mercado, fazemos uma audiência pública. Há todo um procedimento a ser seguido.

No Bioparque, vamos continuar com uma linha forte de pesquisa e de educação. Não vamos abrir mão das escolas públicas estarem presentes, visitando. Mas ele integra todo o estudo para o parque.

Neste mês de abril, vimos uma escalada da violência escolar pelo Brasil. Como você enxerga esse problema? Tem de envolver toda a sociedade também?

O que eu acho é que o poder público tem de passar uma mensagem e liderar um processo de essa mensagem chegar à sociedade, para que ela dê a atenção que esse problema requer. O poder público não vai resolver essa situação, o que vai resolver é uma conscientização coletiva.

Aí, a partir dessa mensagem, que tem de ser poderosa para as famílias, para os pais e mães, e quando a gente fala em família também não é somente naquele conceito antigo. Família é o ambiente que for dessa criança ou adolescente.

É para que haja uma atenção dentro desse ambiente. Estamos tratando de um fenômeno mundial, não é uma questão só no Brasil agora.

Há vários elementos que levaram a isso, é uma questão sociológica muito forte e tem de ser trabalhada com as famílias, com os adolescentes, com os meios de comunicação, com as plataformas. Para situações complexas, não existem soluções simples, não é?

Na verdade, pôr arma na escola não está resolvendo absolutamente nada. Até falaram em pôr Exército na rua: um monte de soldado parado na esquina fazendo o quê? Revistando crianças?

O policiamento só se faz necessário em momentos extremos, o policiamento preventivo, e nós temos aqui um projeto fantástico, o Escola Forte, Família Segura.

É o policiamento que se aproxima da escola, se aproxima da comunidade, dos pais, dos diretores, dos professores, dos alunos. Não é um ambiente de medo, é um ambiente de confiança.

O processo preventivo de confiança e de construção do ambiente escolar passa por esse projeto. Com o monitoramento eletrônico, nós temos uma resposta rapidíssima a situações extremas.

Como estão as negociações com o governo federal sobre as concessões de rodovias? Em janeiro, quando tomou posse, você havia dito que pretendia pedir a delegação de rodovias e de ferrovias federais caso a União não avançasse.

O governo federal está começando a atuar em cima de alguns eixos importantes na manutenção. Os processos de PPPs [parcerias público-privadas] estão avançando na modelagem deles. E repito: aquilo que eles tiverem dificuldade ou não quiserem por uma questão de pensamento, o Estado tem interesse em assumir.

Nós temos o caminho da modelagem adequada, do leilão feito, o que não podemos é inibir esses investimentos em função de uma possível demora. Agora, é um ativo deles, do governo federal. Mas nós vamos insistir nessa tese.

E quanto às estradas estaduais, o que tiver viabilidade nós vamos concessionar. O que não tiver viabilidade, vamos avançando com o investimento e com a capacidade que o Estado tem.
 
No caso da BR-262, sobretudo no trecho que liga Campo Grande a Três Lagoas, ela não está nos planos do governo federal, pelo menos por enquanto. Essa é uma das rodovias que o governo está disposto a pegar? Há viabilidade?

A BR-262 ainda não está no horizonte do governo federal, pelo menos eles não têm aventado isso. Acho que sim, tenho muita convicção disso.

Ali não é preciso fazer uma duplicação integral, mas um projeto bem modelado, onde há terceira faixa, serviço. É superviável, e a gente deve avançar nisso.

E quanto à Malha Oeste? Existe uma grande janela de oportunidade de demanda. Se o projeto de relicitação da União demorar, e também com o Marco Estadual das Ferrovias, também é possível pedir a delegação dela?

É possível. Essa é uma discussão que a gente vai abrir. Primeiro com a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e depois com o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]. E temos uma audiência pública que vai iniciar o processo de relicitação da Malha Oeste.

É um projeto de longuíssimo prazo de viabilidade, por isso nós temos de procurar entender um pouquinho o projeto para avaliar se o governo federal consegue levar adiante um projeto exitoso, de concessionar, ou se terá dificuldade. Se tiver dificuldade, nós temos de inovar.

De repente dividir o trecho, o Estado assume uma parte, e aí criar outros mecanismos para viabilizar, o que é o nosso objetivo. Nosso objetivo é viabilizar. 

Da parte estadual, o que ainda dá para fazer e está previsto para ser entregue na Infraestrutura?

A gente está com rodovias em pavimentação: MS-164, MS-166, MS-316, MS-289, MS-245, MS-338. São grandes eixos rodoviários e que mudam a cara de regiões importantes.

Como aqui entre Anastácio e Bonito [a rodovia do 21], que está em pleno andamento. Tem outras rodovias que vamos começar também. Esse é o nosso trabalho, e para isso não precisa de viabilidade econômica para concessionar. É o Estado investindo e fazendo. 

Futuramente, podemos ter o anúncio de mais uma indústria de celulose ainda em seu governo?

Em relação a mais uma indústria de celulose, é possível. Não tem nada concreto, mas temos grandes players, grandes empresas olhando esse setor aqui.

E por que temos grandes empresas vindo para cá? O custo de produção é muito abaixo do que em outros lugares, no Brasil já é muito mais competitivo que no Chile e na Europa, pelas condições que estão formadas.

E Mato Grosso do Sul, dentro do Brasil, é o lugar mais competitivo de produção de celulose. Para se ter uma ideia, são US$ 289 a média brasileira, e aqui é a metade disso, e a margem é muito maior. Então, é possível que outros players venham para cá.

E tem a discussão da Eldorado com a Paper Excellence, e na hora que definir, pode ser uma segunda planta, uma duplicação. Então, no meu mandato, é possível que vejamos o anúncio de mais uma fábrica.

Agora em maio, teremos boas notícias da UFN3, de Três Lagoas?

Quanto à UFN3, é foco total. Transforma muita coisa e ajuda a produção. Estou otimista e no mês de maio vamos trabalhar firme nisso.

Perfil: Eduardo Riedel é governador de Mato Grosso do Sul desde janeiro deste ano. Já foi secretário de Infraestrutura e de Governo e também é empresário. É formado em Ciências Biológicas pela UFRJ e mestre em Zootecnia pela Unesp.

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Fronteira Internacional

Paraguai e Bolívia, vizinhos de MS, aderem a pacto dos EUA contra PCC e CV

Brasil ficou fora da coalizão liderada por Washington, que prevê ações coordenadas contra organizações criminosas e amplia o cerco internacional às facções brasileiras.

22/09/2026 19h49

Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai; país vizinho aderiu à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra organizações criminosas transnacionais.

Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai; país vizinho aderiu à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra organizações criminosas transnacionais. Foto: Divulgação.

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A presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) nas rotas internacionais do tráfico ganhou uma nova dimensão nesta terça-feira (22), com a adesão de Paraguai e Bolívia a uma articulação liderada pelos Estados Unidos para ampliar o combate ao crime organizado nas Américas.

Os dois países compartilham fronteiras diretamente ligadas a Mato Grosso do Sul e integram o chamado Escudo das Américas (Shield of the Americas), iniciativa criada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump para coordenar medidas contra organizações envolvidas principalmente com narcotráfico e crimes transnacionais.

O Brasil, por outro lado, ficou fora da articulação. A decisão ocorre em meio a uma divergência entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sobre o enquadramento das facções brasileiras.

Enquanto os Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula rejeita essa definição e defende que o enfrentamento ao crime organizado ocorra dentro da legislação brasileira e com respeito à soberania do País.

PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas identificadas pela coalizão.

A relação divulgada pelos integrantes também inclui grupos que atuam em diferentes pontos do continente, como o Tren de Aragua, da Venezuela; Mara Salvatrucha (MS-13); Cartel de Sinaloa e Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), do México; Clã do Golfo, da Colômbia; além de organizações ligadas às dissidências das Farc e ao Sendero Luminoso, do Peru.

A movimentação interessa diretamente a Mato Grosso do Sul porque Paraguai e Bolívia fazem fronteira com o Estado e estão inseridos em corredores utilizados pelo tráfico internacional de drogas.

A extensa faixa fronteiriça sul-mato-grossense também coloca o Estado em posição estratégica nas ações brasileiras de repressão ao narcotráfico e ao contrabando.

Brasil fica fora da coalizão

O encontro desta terça-feira ocorreu em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, e reuniu chefes de Estado, ministros e representantes dos países participantes da iniciativa.

O Brasil não integra o Escudo das Américas. O México, outro país diretamente afetado pela atuação de grandes cartéis, também está fora da articulação liderada por Washington.

Participam da iniciativa Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago.

A participação chilena foi confirmada nesta terça-feira. Segundo o governo do Chile, a adesão permite acesso a informações sobre o crime organizado, sistemas de análise de dados, treinamento das forças de segurança e maior coordenação entre países fronteiriços. Cada governo, no entanto, continua sujeito às próprias leis e às obrigações internacionais.

A coalizão havia sido lançada em março pelo governo Trump com a proposta de aumentar a troca de inteligência e coordenar iniciativas contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

A entrada do Peru, por exemplo, foi anunciada neste mês pela presidente Keiko Fujimori após encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Na ocasião, o governo peruano informou que a participação deveria acelerar o intercâmbio de informações e ampliar ações conjuntas contra grupos criminosos transnacionais.

PCC e CV entram no foco regional

A inclusão das duas principais facções brasileiras entre os grupos identificados pela iniciativa amplia a pressão internacional sobre organizações que nasceram no Brasil, mas estabeleceram conexões além das fronteiras do país.

Em Mato Grosso do Sul, o impacto dessa movimentação ganha relevância principalmente pela posição geográfica do Estado, que faz fronteira tanto com o Paraguai quanto com a Bolívia, justamente os dois países vizinhos que aderiram à articulação liderada pelos Estados Unidos.

São aproximadamente 1,5 mil quilômetros de fronteira internacional. Do lado paraguaio, um dos principais pontos de ligação é formado por Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, cidades separadas por uma fronteira seca e com intensa circulação diária de pessoas, veículos e mercadorias.

No oeste do Estado, Corumbá está ligada à região boliviana de Puerto Quijarro e Puerto Suárez.

Essa localização transforma Mato Grosso do Sul em um importante corredor de integração entre o Brasil e os países vizinhos, mas também impõe desafios às forças de segurança.

A proximidade com rotas internacionais de entorpecentes faz com que apreensões de cocaína e maconha, tráfico de armas, contrabando e investigações sobre organizações criminosas sejam recorrentes na faixa de fronteira e nas rodovias que cortam o Estado.

Nesse cenário, a adesão de Paraguai e Bolívia ao Escudo das Américas coloca Mato Grosso do Sul em uma situação particular: as duas fronteiras internacionais do Estado passam a estar ligadas a países integrantes da coalizão liderada pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil permanece fora da iniciativa.

A ausência brasileira no grupo, no entanto, não significa o fim da cooperação com os países vizinhos.

Brasil, Paraguai e Bolívia mantêm mecanismos próprios de atuação conjunta e intercâmbio de informações para enfrentar o tráfico de drogas, contrabando e outros crimes transfronteiriços.

Trump endurece discurso contra cartéis

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do governo Donald Trump para tratar grandes organizações ligadas ao narcotráfico como ameaças à segurança do continente.

Em discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira, Trump voltou a defender uma atuação mais dura contra os cartéis e comparou essas organizações ao Estado Islâmico, argumentando que grupos criminosos acumularam poder financeiro, armamentos e estruturas capazes de operar em diferentes países.

A ofensiva tem como um de seus principais articuladores o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que participou de encontro com chefes de Estado e chanceleres do Escudo das Américas em Nova York.

A avaliação apresentada pelo governo norte-americano é de que parte das organizações criminosas deixou de operar apenas como grupos tradicionais de narcotráfico e passou a construir redes internacionais com grande capacidade financeira, logística e operacional.

Para Washington, essa característica exige maior integração entre os governos do continente, principalmente no compartilhamento de informações de inteligência e na coordenação de medidas contra estruturas financeiras e logísticas utilizadas pelo crime organizado.

Cerco financeiro e cooperação

Entre os instrumentos defendidos no âmbito da articulação estão medidas destinadas a atingir não apenas integrantes das organizações, mas também suas fontes de financiamento e redes de apoio.

A estratégia prevê mecanismos de cooperação para identificar patrimônio, movimentações financeiras e pessoas ligadas às organizações criminosas, além de restrições migratórias e responsabilização daqueles que prestarem apoio material ou financeiro aos grupos.

O objetivo é dificultar a circulação internacional de integrantes das organizações e reduzir a capacidade de movimentação de recursos entre diferentes países.

O Escudo das Américas também pretende aprofundar a troca de inteligência entre os governos participantes, justamente uma das áreas consideradas essenciais para acompanhar organizações que mantêm operações simultâneas em diferentes territórios.

A dimensão internacional do PCC é um dos fatores que colocam a organização brasileira no centro dessa discussão. Criada dentro do sistema penitenciário de São Paulo na década de 1990, a facção expandiu sua atuação e passou a manter conexões com redes criminosas de outros países sul-americanos.

O Comando Vermelho, surgido no Rio de Janeiro, também aparece entre as organizações brasileiras identificadas pela coalizão.

Com Paraguai e Bolívia dentro da iniciativa e o Brasil fora dela, Mato Grosso do Sul passa a ocupar uma posição particularmente sensível nesse novo desenho de cooperação regional: o Estado brasileiro que divide sua extensa faixa internacional justamente com dois dos países que aderiram à ofensiva articulada por Washington contra organizações criminosas brasileiras.

Brasil rejeita classificação

A ofensiva ocorre meses depois de o governo Donald Trump classificar formalmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras nos Estados Unidos. A designação foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e entrou em vigor em 5 de junho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opõe à classificação e, na última sexta-feira (18), afirmou que o Brasil precisa derrotar o crime organizado, mas rejeitou enquadrar as facções como terroristas.

“Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, declarou.

O governo brasileiro defende que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido pelo próprio país, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.

QUEDA NOS TERMÔMETROS

Frio derruba temperaturas em até 5°C e Campo Grande entra em alerta

Capital pode amanhecer com 17°C nesta quarta-feira, enquanto termômetros ficam próximos dos 11°C no sul de Mato Grosso do Sul; Defesa Civil alerta para queda de até 5°C

22/09/2026 18h39

Queda nas temperaturas deve deixar Campo Grande mais fria nesta quarta-feira (23), com alerta da Defesa Civil para declínio de até 5°C.

Queda nas temperaturas deve deixar Campo Grande mais fria nesta quarta-feira (23), com alerta da Defesa Civil para declínio de até 5°C. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

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O avanço do ar frio vai derrubar as temperaturas em Campo Grande e diferentes regiões de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (23). Na Capital, os termômetros devem variar entre 17°C e 24°C, enquanto municípios do sul do Estado podem registrar temperaturas próximas dos 11°C nas primeiras horas do dia.

Diante da mudança no tempo, a Defesa Civil de Campo Grande emitiu Alerta Amarelo para declínio de temperatura. O aviso começa às 8h desta quarta-feira e permanece válido até as 8h de quinta-feira (24), com previsão de redução entre 3°C e 5°C e leve risco à saúde.

A queda ocorre após a passagem da frente fria que mudou o tempo em Mato Grosso do Sul e abriu caminho para o avanço de uma massa de ar mais frio.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou nesta terça-feira (22) que o sistema frontal, nome dado à área de encontro entre massas de ar com características diferentes, responsável pela formação e pelo avanço da frente fria, continua se deslocando, enquanto as condições de instabilidade permanecem sobre áreas do Centro-Oeste.

Em Campo Grande, a previsão aponta mínima de 17°C e máxima de 24°C nesta quarta-feira. Na quinta-feira (24), a tendência é de elevação gradual das temperaturas, com valores em torno de 18°C a 29°C na Capital.

O frio será mais intenso no sul de Mato Grosso do Sul. As regiões Sul-Fronteira, Cone-Sul, Grande Dourados e Leste podem registrar mínimas entre 11°C e 15°C nesta quarta-feira. Ao longo da tarde, as máximas nessas áreas devem ficar próximas dos 25°C.

Entre as cidades com previsão de temperaturas mais baixas estão Ponta Porã, com mínima de 13°C e máxima de 22°C; Iguatemi, entre 13°C e 25°C; e Dourados, onde os termômetros devem variar entre 14°C e 24°C.

Em Porto Murtinho, a previsão aponta temperaturas entre 16°C e 25°C, enquanto Aquidauana deve registrar mínima de 17°C e máxima de 26°C. Em Corumbá, os termômetros ficam entre 18°C e 27°C.

O frio perde intensidade à medida que se avança para o norte e o leste do Estado. Três Lagoas tem previsão de 19°C a 26°C; Camapuã, de 20°C a 29°C; Coxim, de 21°C a 29°C; e Paranaíba, também de 21°C a 29°C nesta quarta-feira.

A mudança chama atenção pelo contraste com o calor registrado antes da passagem da frente fria. Em Campo Grande, por exemplo, a previsão indicava temperaturas de até 32°C na segunda-feira (21). Para quarta, a máxima prevista fica na casa dos 24°C, diferença de cerca de 10°C em relação ao começo da semana.

A queda dos termômetros coincide ainda com a chegada da primavera. A estação começa oficialmente às 21h05 desta terça-feira (22), pelo horário de Brasília, fazendo com que as primeiras horas da nova estação sejam marcadas por temperaturas mais baixas em Mato Grosso do Sul.

Alerta em Campo Grande

Na Capital, a Defesa Civil orienta a população a redobrar os cuidados durante o período de queda das temperaturas, especialmente com crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis ao frio.

O Alerta Amarelo indica possibilidade de declínio entre 3°C e 5°C e leve risco à saúde. A recomendação é acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais durante a vigência do aviso.

Em caso de necessidade, a população pode acionar o 156, para solicitação de serviços; o 193, em situações de emergência; e o 199, da Defesa Civil.

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