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MOBILIDADE

Em 10 anos, Campo Grande ganha 40 mil motocicletas e modal vira desafio

Motocicletas estão fora das políticas públicas de trânsito e inseri-las nos planos é dever de gestores, indicam especialistas

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Nos últimos 10 anos, o trânsito de Campo Grande ganhou aproximadamente 45 mil motocicletas, é o que indicam as estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O aumento da quantidade de motos na capital de Mato Grosso do Sul acelerou após a pandemia. 

Ao todo, são 165.459 motocicletas, conforme o Denatran. Elas representam 24% do total de veículos da cidade, que, segundo o órgão federal, atualmente conta com 686,6 mil veículos. 

Conforme especialistas que participaram do evento Campo Grande que Queremos, organizado pelo Correio do Estado neste mês, as motocicletas ainda são um modal invisível para as políticas públicas de trânsito. Elas também não são alcançadas pela fiscalização, o que agrava a marginalização do modal.

O problema, que interfere diretamente na mobilidade urbana, sobretudo no período pós-pandemia, por causa do aumento do número de motocicletas e de uma resistência do cidadão ao sistema de transporte coletivo, tem sido um entrave para o trânsito da Capital, que não deveria experimentar dificuldades.

No evento Campo Grande que Queremos, os especialistas convidados trataram desta ferida aberta no trânsito da Capital. O arquiteto, urbanista e professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Ângelo Arruda acredita que a melhor forma de resolver a questão da mobilidade urbana na capital sul-mato-grossense é inserir as motocicletas nas políticas públicas.

Segundo Arruda, atualmente, quando se fala de trânsito em Campo Grande, há planejamento das vias e das rotas visando motoristas, pedestres e ciclistas (pelo menos, já houve planejamento de ciclovias), mas não há planos traçados exclusivamente para motociclistas, pois as motos acabam entrando no combo dos automóveis.

“A gente tem de olhar para as motocicletas como meio de transporte, coisa que as políticas públicas não estão fazendo”, destacou Arruda. “É um componente de transporte para a maioria e de lazer para muitos que é invisível para a política pública de mobilidade. E a gente precisa encontrar meios tecnológicos, não no meio urbano, para que elas não caiam na marginalidade”, argumenta.

Por falar em marginalidade, o engenheiro e especialista em Mobilidade Fernando Madeira trouxe uma informação interessante. Em um dos grandes condomínios fechados da cidade, em que sua empresa prestou consultoria, na entrada de prestadores de serviço foi percebido que muitos motociclistas não tinham habilitação. “É um absurdo a quantidade de pessoas no trânsito sem carteira de motorista”, afirmou.

“Independentemente da questão da infraestrutura de trânsito, a segurança pública tem de trabalhar para que essas pessoas sem habilitação nem estejam no trânsito. Se ela não tirou carteira, ela não tem qualificação, é assim que muitos vão parar no hospital”, argumentou.

Fiscalização

A gestora de trânsito Andrea Luiza Torres de Figueiredo da Silva, que pertence ao quadro da Agetran desde 2005, admite que em Campo Grande há muitas motos e que esse aumento ocorreu após a pandemia. Ela também indica que houve uma grande perda de usuários no transporte coletivo.

“Temos hoje ações que facilitam a compra de veículo, moto, bicicleta elétrica, mas não temos educação voltada para tudo isso, de pessoas que migraram de um sistema de transporte público para este sistema de duas rodas. Apenas as motocicletas têm documentação e podem ser mais facilmente fiscalizadas”, explicou.

Em função dessa situação, ela afirma que a fiscalização tem de ser ampliada de maneira efetiva. “Isso é um fato”, afirmou.

Fiscalização

Clínica de depilação a laser é interditada em Campo Grande

Com diversas irregularidades, como a falta de licença sanitária e o não atendimento aos clientes, o espaço que funcionava no bairro Santa Fé foi fechado nesta sexta-feira (4) pelo Procon-MS

04/04/2025 18h13

Crédito: Procon-MS / Arquivo

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Após várias denúncias, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-MS) interditou uma clínica de depilação a laser nesta sexta-feira (4), no bairro Santa Fé, em Campo Grande.

Além de não possuir licença sanitária e estar com o alvará de localização e funcionamento vencido desde 2023, a empresa não atendia os clientes que contratavam o serviço, alegando não haver datas disponíveis para agendamento do procedimento.

A clínica também firmava contratos com os clientes e os direcionava a um salão de beleza terceirizado para a realização dos procedimentos.

Irregularidades


Durante a fiscalização, os agentes constataram que a empresa descumpria cláusulas contratuais, o que dificultava o acesso dos consumidores aos serviços contratados.

Outro ponto identificado foi a terceirização de um salão de beleza utilizado para realizar os procedimentos de depilação a laser. Conforme apuração da reportagem do Correio do Estado para ter acesso ao espaço - distinto de onde fechou o contrato - o consumidor percorria cerca de 700 metros de carro. 

O Procon também identificou cláusulas consideradas abusivas, como o fato de a sede da empresa estar localizada em São José do Rio Preto (SP), o que gera transtornos aos consumidores no momento de rescindir o contrato ou buscar um acordo.

Além disso, em caso de rescisão contratual, o cliente não poderia solicitar o cancelamento, mesmo que a clínica não realizasse o serviço ou o prestasse com baixa qualidade.

A ação foi realizada em conjunto pelo Procon-MS vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) e pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon).

A clínica ficará impedida de oferecer o serviço até que todas as pendências sejam regularizadas. A empresa tem o prazo de 20 dias para apresentar defesa ao Procon-MS.

Fique atento



Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), há uma percepção de aumento dos relatos de eventos adversos graves entre 2024 e o início deste ano, inclusive relatados na mídia, decorrentes de procedimentos de estética e embelezamento.

Além disso, de 2018 a 2023, os serviços de estética e embelezamento figuraram como os mais denunciados junto à Anvisa dentre os “serviços de interesse à saúde”, categoria que inclui também serviços de hotelaria, estúdios de tatuagem e instituições de longa permanência para idosos, por exemplo.

Os dados fazem parte de relatórios anuais disponibilizados pela Agência.

O relatório com dados de 2023 demonstra que 61,3% das denúncias estavam relacionadas a serviços de estética e embelezamento e sinaliza que a grande quantidade de estabelecimentos disponíveis e a diversidade de técnicas e procedimentos estão relacionadas ao número elevado de relatos de irregularidades.

Nesse contexto, é importante desconfiar de promessas milagrosas ou que garantam resultados, bem como de preços praticados muito abaixo do preço médio de mercado.

Vale lembrar que é importante consultar, junto à Vigilância Sanitária da sua cidade, se o estabelecimento possui alvará/licença sanitária válida, bem como conferir nos conselhos profissionais as credenciais dos profissionais que atuam no estabelecimento.

Outra dica é sempre perguntar quais produtos estão sendo aplicados e, com os dados em mãos, conferir a regularidade dos produtos em https://consultas.anvisa.gov.br/#/.

O consumidor pode consultar também o site Reclame Aqui por meio do link https://www.reclameaqui.com.br/, basta inserir o nome da empresa que deseja obter informações e verificar se existem reclamações registradas por outros usuários referentes aos serviços prestados pelo estabelecimento.

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Violência Doméstica

Agressor que quebrou nariz de jornalista é solto com tornozeleira eletrônica

O músico Philipe Eugenio Calazans de Sales conseguiu, na semana passada, uma liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica.

04/04/2025 17h42

Philipe conseguiu liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica

Philipe conseguiu liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica Arquivo pessoal

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Acusado de violência doméstica e preso desde o dia 17 de março, o músico Philipe Eugenio Calazans de Sales conseguiu, na semana passada, uma liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica. 

Ele foi denunciado pela então namorada, a jornalista Nathália Barros Corrêa, ao ter o nariz quebrado e aparecer em vídeo sangrando e com a filha no colo no dia 3 de março. 

Phillipe chegou a ser preso em flagrante, recorrendo à Justiça e conseguindo liberdade provisória, mas teve o mandado de prisão preventiva expedido pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e optou por entregar-se na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no último mês. 

A decisão de conceder parcialmente a liminar e substituir a prisão preventiva de Phillipe foi assinada pelo desembargador Fernando Paes de Campos e publicada no Diário Oficial da Justiça no dia 28 de março

Segundo o texto do processo, além do uso de tornozeleira eletrônica por 180 dias, o músico não pode aproximar-se a menos de 300 metros da vítima, de qualquer familiar dela e de qualquer testemunha da ação penal e deve, obrigatoriamente, comparecer à comarca sem autorização prévia do juízo e de todos os atos do inquérito e da ação penal. Caso não cumpra as medidas cautelares, poderá ser preso novamente. Logo a seguir, foi expedido o alvará de soltura do rapaz. A determinação atende o habeas corpus requerido pela defesa.

Philipe deve manter a tornozeleira funcionando a todo momento, bem como atentar-se à bateria, aos sinais sonoros e luminosos do equipamento e não poderá aproximar-se do endereço de Nathália. 

O processo segue em sigilo. 

Relembre outros casos de feminicídios no estado

O primeiro caso de 2025 foi a morte de Karina Corin, de 29 anos, nos primeiros dias de fevereiro,  baleada na cabeça pelo ex-companheiro, Renan Dantas Valenzuela, de 31 anos. 

Já o segundo feminicídio de 2025 em Mato Grosso do Sul foi justmente a morte de Vanessa Ricarte, esfaqueada aos 42 anos, por Caio Nascimento, criminoso com passagens por roubo, tentativa de suicídio, ameaça, além de outros casos de violência doméstica contra a mãe, irmã e outras namoradas.

O último caso registrado foi o de Giseli Cristina Oliskowiski, morta aos 40 anos, encontrada carbonizada em um poço no bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

Os outros feminicídios de 2025 vitimaram: 

Lei do feminicídio

Em 2015, entrava em vigor no país a Lei 13.104/15, a Lei do Feminicídio, onde era considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. Esta lei completou 10 anos no último mês. 

Em outubro de 2024, foi implementada a Lei 14.994/2024 que tornou o feminicídio um crime autônomo e estabeleceu outras medidas para prevenir e coibir a violência contra mulher. Ela eleva a pena para o crime contra a mulher para até 40 anos de reclusão.

Segundo dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, lançado pelo Ministério das Mulheres em março, apontam que, em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos (com a intenção de matar) de mulheres e lesões corporais seguidas de morte.
 

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