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Em 10 anos, porcentual de assassinatos de mulheres dobrou em Mato Grosso do Sul

Em 2013, dos 559 homicídios dolosos registrados, 7,69% tiveram mulheres como vítimas; em 2022, o índice foi para 15,63%

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O porcentual de assassinatos de mulheres dobrou nos últimos 10 anos em Mato Grosso do Sul. Conforme levantamento do Correio do Estado com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), as taxas de homicídios dolosos – quando há intenção de matar – passaram de 7,69% em 2013 para 15,63% no ano passado. 

Em um recorte mais preciso, dos 559 homicídios registrados em 2013, 43 tiveram mulheres como vítimas.

No ano seguinte, o porcentual passou para 7,89%, com 50 assassinatos de mulheres do total de 633 homicídios contabilizados. Em 2015, dos 602 homicídios dolosos registrados no Estado, 38 vítimas foram do sexo feminino, um porcentual de 6,31%. 

O salto desse tipo de crime cometido contra mulheres foi ainda mais significativo em 2016, com uma taxa de 8,58%, que representa 52 assassinatos de um total de 606 homicídios dolosos naquele ano. 

No ano de 2017, houve uma pequena queda do porcentual, com 45 homicídios dolosos de mulheres em 559 crimes desse tipo cometidos no Estado ao longo do ano. Em 2018, com o registro de 65 homicídios dolosos de mulheres, a taxa foi para 13,51%. 

De 443 assassinatos em MS no ano de 2019, 62 tiveram mulheres como vítimas, o equivalente a 13,99%. O ano de 2020 apresentou o maior porcentual da série histórica, com 16,41% dos homicídios dolosos registrados no Estado sendo contra mulheres. 

Entre os anos de 2021 e 2022, os porcentuais de mulheres vítimas de assassinatos foram de 14,49% e 15,53%, respectivamente. 

VIOLÊNCIA

Apenas entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, os 12 casos de homicídios dolosos registrados contra mulheres em Mato Grosso do Sul já configuram em um porcentual de 15,78%. Também em 2023, o Estado mantém uma média de duas mulheres sofrendo algum tipo de violência a cada hora.

Entre os dias 1º de janeiro e 28 de fevereiro, 3.351 crimes foram cometidos contra mulheres em Mato Grosso do Sul. Dentro desse recorte, foram 3.053 casos de violência doméstica, 281 registros de estupros, 12 assassinatos e cinco feminicídios. 

FEMINICÍDIO

Na quarta-feira, a servidora pública municipal Albynna Freitas, de 49 anos, foi esfaqueada pelo ex-marido, Jair Paulino da Silva, de 52 anos, enquanto caminhava em direção ao trabalho.

O crime, que ocorreu no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, se tornou o quinto feminicídio apenas neste ano no Estado. Segundo testemunhas, fazia pouco tempo que o casal havia terminado e Jair estaria perseguindo a vítima há alguns dias, para tentar reatar o relacionamento.

“Ela estava andando até o trabalho e foi abordada por ele no meio da rua, com alegações, discussões. Um terceiro interveio, pediu para que ele saísse dali, porque ele estava alterado, e, quando as pessoas dissiparam, ele a atacou novamente, já com a faca”, explicou Karen Viana de Queiroz, delegada da Delegacia

Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pelo caso.

Albynna Freitas foi socorrida em estado grave e encaminhada à Santa Casa de Campo Grande. Segundo o hospital, a vítima faleceu por volta de 13h30min, após uma parada cardiorrespiratória.

No início de fevereiro, Albynna havia realizado um pedido de medida protetiva contra o ex-marido, e a delegada confirmou a existência de um boletim de ocorrência anterior ao último pedido. 

À polícia, Jair assumiu a autoria do crime. Ele foi preso em flagrante e deve responder pelo crime em regime fechado. 

PRINCIPAIS VÍTIMAS

As mulheres negras são as principais vítimas de feminicídios em Mato Grosso do Sul. Elas representam 46,8% dos casos notificados no ano passado. Das 49 vítimas desse crime de ódio no último ano, 20 eram pardas e uma preta, conforme dados da Sejusp.

As mulheres brancas correspondem a 10 vítimas, o equivalente a 20,4% dos feminicídios registrados no ano passado. A cor/raça de 18 mulheres não foi informada. 

É importante destacar que, de acordo com a Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, que criou o Estatuto da Igualdade Racial, a população negra é definida como o “o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga”. 

Segundo a delegada da Deam Marianne Cristine de Souza, os dados sobre feminicídios são um reflexo populacional.

“Os casos de violência doméstica que chegam até nós, em sua maioria, têm como vítimas as mulheres pretas e pardas. Hoje, a maior parte da nossa população estadual e nacional está dentro desse recorte, e acredito que seja proporcional à população”, salientou em entrevista concedida no início deste ano. 

A maioria da população do Estado se autodeclara como parda, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme a pesquisa, em 2021, 49,6% da população de MS disse ser parda, enquanto 43% se autodeclarou branca e 6,1% preta. Desde 2013, o número de pessoas declaradas pardas é superior ao de brancas em Mato Grosso do Sul.

POSSÍVEIS SOLUÇÕES

Em entrevista ao Correio do Estado em janeiro deste ano, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, explicou que a estratégia de combate ao feminicídio está diretamente ligada ao desarmamento da população. 

O número de registros de armas de fogo catalogados no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) cresceu 793% em MS, quando comparados os anos de 2018 e 2021. 

“Precisamos criar um elemento que seja de prevenção ao feminicídio, e o primeiro passo é desarmar a população. Não temos como discutir o enfrentamento ao feminicídio se mantemos os homens armados. Se formos analisar os dados dos últimos quatro anos, além de ter aumentado a crueldade, a forma como as mulheres morreram deixou de ser por arma branca e passou a ser por arma de fogo”, destacou a ministra. 

Segundo os dados disponibilizados pela Polícia Federal, corporação responsável pelo Sinarm, em 2018, o Estado teve 618 novas aquisições de armamentos, contra o número expressivo de 5.524 em 2021. Os dados são referentes à posse de armas tanto de cidadãos comuns quanto de policiais e guardas.


 

Saiba: Em 2023, o Estado mantém uma média de duas mulheres sofrendo algum tipo de violência a cada hora. Entre os dias 1º de janeiro e 28 de fevereiro, 3.351 crimes foram cometidos contra mulheres em Mato Grosso do Sul.

Dentro desse recorte, foram 3.053 casos de violência doméstica, 281 registros de estupros, 12 assassinatos e cinco feminicídios. 

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Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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